O presente relato expressa a experiência na produção de sites acessíveis e com usabilidade, inclusive para pessoas com deficiência visual. Busca refletir a respeito da importância de se fazer do acesso a web uma experiência agradável, eficiente e eficaz para pessoas  de todas as idades, conhecimento e condição física ou sensorial. Em suma, defende, baseado na experiência, que fazer sites para todos é uma questão de dever cívico e de retorno de investimento.
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Acessibilidade Web é um dever cívico

Resumo

O presente relato expressa a experiência na produção de sites acessíveis e com usabilidade, inclusive para pessoas com deficiência visual. Busca refletir a respeito da importância de se fazer do acesso a web uma experiência agradável, eficiente e eficaz para pessoas de todas as idades, conhecimento e condição física ou sensorial. Em suma, defende, baseado na experiência, que fazer sites para todos é uma questão de dever cívico e de retorno de investimento.

Palavras-chave: acessibilidade, usabilidade, sites acessíveis.

1- Acessibilidade

Acessibilidade. Você sabe o que é? Pra que serve e a quem ajuda? Pois saiba primeiro: “Acessibilidade web é um dever cívico”.

Claro que essa afirmação é uma opinião pessoal, mas minha intenção com tal premissa é por um bom motivo, promover o início de um debate ou minimamente uma breve reflexão sobre o assunto. Para que vocês possam pensar no tema e entender como ele influencia seu negócio ou posicionamento na web, descrevo abaixo alguns pontos sobre o que é acessibilidade na web e como isso nos afeta direta ou indiretamente.

Meu nome é Reinaldo Luz Santos, sou publicitário e empreendedor da área de criação e gestão de informação na web. Já há algum tempo minha empresa tem estudado maneiras de fazer uma internet mais democrática e eficiente no quesito ligado à navegação e à usabilidade.

Alguns de nossos estudos foram baseados em normativas do W3C (World Wide Web Consortium), um órgão oficial que regulamenta as tecnologias e padrões usados no desenvolvimento de ferramentas web. Além disso, a base do nosso conhecimento foi em trabalho de campo, aplicando na prática algumas das diretrizes do W3C e até criando saídas inteligentes para nossos modelos de desenvolvimento.

Com isso, quase dois anos antes que o assunto tomasse a atenção da mídia, nós já aplicamos conceitos de usabilidade, navegação intuitiva e acessibilidade web na maioria dos nossos projetos, criando inclusive alguns casos de sucesso que nos geraram contatos de empresas de fora do país nos tratando como “experts” no assunto. Não achamos que é pra tanto, mas com certeza ver um novo site ou ferramenta com esses conceitos aplicados nos dá um prazer mais intenso do que o provocado pelo retorno financeiro. É uma satisfação como cidadão.

Mas pra que entendam o grau de motivação em que estamos trabalhando nesses conceitos, vamos entender o que é acessibilidade aplicada à internet.

O que é Acessibilidade Web?

O termo “Acessibilidade” significa permitir que pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida participem de atividades que incluam o uso de produtos, serviços, locais e informação, além de permitir o uso destes por todas as parcelas da população. O Decreto Federal 5.296, de 02 de dezembro de 2004, já prevê tais direitos. Em suma, um local ou produto acessível é aquele que permite uso de todas as pessoas, de forma o mais independente possível de sua condição física.

Acessibilidade web, ou na internet, possui igual intuito. Permitir acesso democrático a sites, ferramentas, aplicações ou serviços baseados na rede de computadores, a internet.

Para isso é fundamental que tais ferramentas sigam alguns padrões, normativas ou recomendações do W3C. A acessibilidade na Internet, em síntese, engloba os fatores abaixo:

  • Sites e aplicações previamente desenvolvidos, possibilitando que as pessoas possam perceber, compreender, navegar e interagir com seu conteúdo;
  • Navegadores, tocadores de mídias e ferramentas que possuam meios de comunicação com tecnologias especialmente designadas e criadas para pessoas com deficiência, permitindo, assim, o acesso e utilização desses meios.

Por que ter um site acessível?

 Talvez o complemento a pergunta seja “Por que ter um site acessível e com usabilidade amigável?”.

Começando pela usabilidade, imagine-se fazendo o planejamento do seu site. Com certeza você será levado a prever o público alvo de visitantes que ele terá ou que espera ter. Jovens, adultos, antenados ou não, conhecedores ou não de navegação na web, talvez crianças, e, muito provavelmente, idosos. E isso sem citar ainda pessoas com alguma deficiência.

Seu site pode ser planejado e desenvolvido para um público específico, por exemplo os Geeks, modernos e antenados. Aí fica fácil!

Agora, imagine seu cliente, podendo ser ele um empresário de sucesso com pouco tempo para se aprofundar em informática. Sim, esse usuário existe. Ou, então, imagine uma senhora com 65 anos acessando seu site. Ou, para simplificar, imagine simplesmente um profissional liberal com agenda apertada.

Certo, agora junte esses perfis de profissionais entrando no seu site e demorando alguns segundos para encontrar o menu escondido, os links minúsculos, os títulos apagados ou as cores chocantes contrastando com o texto. Terror total. Isso é pedir zero de ROI (Retorno sobre Investimento) para seu site.

O tempo de captação de atenção do internauta é medido em algumas frações de segundos. Se ele não entende rapidamente como navegar, ele sai! Simples assim.

Fugir dos excessos em design; organizar claramente o conteúdo; diagramar corretamente os elementos e informações conforme o grau de importância; são apenas algumas das práticas para se criar um site amigável quanto à usabilidade e navegação.

Pense agora em alguns dos perfis que citei como exemplo: o idoso, o senhor sem tempo, a criança ou jovem ainda sem grande experiência. Finalmente traga para esse exercício as pessoas com deficiência visual. Essas são as pessoas que precisamos incluir digitalmente! Falando ainda e apenas de internet, sua empresa ou negócio precisa estar preparado para receber todas as pessoas. Seu site tem no mínimo o dever cívico de ser acessível!

Na verdade essa é uma escolha que as empresas podem fazer, mas com certeza é uma questão, não de decretos de lei, mas de conscientização e cidadania.

A lógica é bem simples. Sites bem escritos, quanto ao conteúdo, design e programação, são bem interpretados por pessoas com pouco conhecimento, dificuldade de visão e, até mesmo, por pessoas com deficiência visual total. Essas pessoas podem utilizar navegadores especiais que só interpretam o que encontrarem em texto no site ou mesmo utilizar os softwares chamados “Leitores de Tela” que literalmente lêem a tela com voz sintetizada. Tudo isso só funciona com um site preparado para tais visitantes.

2- Amigos e inimigos da acessibilidade web

Como eu disse anteriormente, criar um site acessível é um caminho que começa no planejamento e, completo aqui, começa pela escolha do profissional ou empresa produtora. O conceito é fácil de compreender, como explicado acima, porém a aplicação reserva alguns passos técnicos.

Não dá para descrever todas as técnicas aqui, pois acabaria por ser uma dissertação superficial. Mas é possível conhecermos, resumidamente, alguns amigos e inimigos da acessibilidade web.

Amigos da acessibilidade

Crie um site com os requisitos abaixo e terá um site acessível. Essas são apenas algumas dos muitas das diretrizes.

  • Acerto: Conteúdos em texto, com opção de ampliação de tamanho de fonte;
  • Acerto: Links em texto, ao invés de imagens, com bom tamanho de visualização;
  • Acerto: Opção de teclas de atalho para saltar aos principais links e áreas do site;
  • Acerto: Títulos declarados em destaque para identificação dos softwares leitores de tela;
  • Acerto: Opção de mudança de layout para modelo em alto contraste preto e branco; entre vários outros

Inimigos da acessibilidade

Fuja dos erros abaixo se você quer ser uma empresa ou profissional consciente.

  • Erro: Menus de navegação em flash ou imagem
  • Erro: Imagens sem declaração de descrição na tag ALT
  • Erro: Animações e elementos em flash usados de forma exagerada
  • Erro: Site feitos completamente em flash
  • Erro: Cores ou elementos de design não pensados para gerar contraste com o conteúdo; entre vários outros

Adendo técnico

Vale ressaltar que a tecnologia flash não é inimiga mortal da acessibilidade web. A Adobe divulga, desde a versão MX, que está seguindo requisitos de acessibilidade da Seção 508 e que prove suporte ao MSAA (Microsoft Active Accessibility). Porém, vale lembrar que animações ou scripts em flash precisam ser usados com extrema cautela e conhecimento. Na dúvida o uso das folhas de estilo CSS, documentos XHTML e demais técnicas sugeridas pelo W3C, merecem profunda atenção e prioridade.

3- Como construir um site acessível?

Um site acessível perde um pouco em design ou elementos gráficos? De um ponto de vista, talvez. Mas, se o profissional ou empresa que estiver desenvolvendo o site unir o conhecimento técnico sobre acessibilidade a criatividade e saídas inteligentes, não necessariamente se perde em design. Ganha-se em mensagem transmitida. Mais pessoas irão ver e compreender esse site!

O importante é pensar que, em acontecendo dilemas de perda de detalhes visuais, deve se lembrar o que vale mais priorizar. Um site bem desenhado e eficiente não é um site cheio de efeitos visuais, mas um site que informa, se faz entender, se faz navegar e trás resultados sem excluir nenhum perfil de pessoa.

Hora de remodelar ou construir sites acessíveis! Agora é colocar em prática.

Primeiro Passo – Conscientização das empresas e profissionais da área sobre a importância de construir sites que promovam a inclusão digital, a usabilidade amigável e a acessibilidade;

Segundo Passo – Tendo esse primeiro passo dado, o segundo é contratar um profissional, agência ou produtora web que conheça as técnicas e conceitos para o planejamento e elaboração de um site com tal meta. Ser acessível, democrático em seu conteúdo e bem escrito em seus códigos e desenho estrutural;

Terceiro Passo – O terceiro passo, de responsabilidade da produtora ou profissional especializado, é escolher ou assessorar na escolha de uma linguagem de programação mais adequada ao projeto e de um gestor de conteúdos preparado para criar conteúdos acessíveis. Aqui cabe também o papel da empresa que precisa confiar no profissional e nos direcionamentos que ele der. O projeto final pode ou não ser aprovado, dependendo do aceite da empresa que contratou o serviço.

Consideração final

Por fim trago de volta a indagação do título do artigo. “Acessibilidade web é um dever cívico?”. Sim? Não? Impossível ter uma resposta que não seja pessoal ou subjetiva. Vale sim pensar que os tempos mudaram.

A tecnologia por si só não é mais o astro principal. A tecnologia é apenas um instrumento ou ferramenta que tem a missão de levar a informação. Essa sim, a informação, o conteúdo, relevante ou não, é o que realmente conta. E esse só tem sentido quando se faz acessível e compreensível a todas as camadas da população!

Fontes de Pesquisa:

acessibilidadelegal.com
freedomscientific.com
presidencia.gov.br
w3c.org

Como citar esse artigo [ISO 690/2010]:
Santos Reinaldo Luz 2010. Acessibilidade Web é um dever cívico [online]. [visto em 18/ 12/ 2018]. Disponível em: https://audiodescriptionworldwide.com/rbtv/acessibilidade-web-e-um-dever-civico/.
Revista Brasileira de Tradução Visual

Este artigo faz parte da edição de número volume: 4, nº 4 (2010).
Para conhecer a edição completa, acesse: https://audiodescriptionworldwide.com/rbtv/rbtv-4-sumario.

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