Projeto FotoLibras

Fotografia da muito próxima da calçada
A cidade ainda não está preparada para as pessoas com deficiência. Apesar de algumas tentativas por parte dos órgãos públicos, é necessário planejar melhor a infraestrutura dos equipamentos, ruas e calçadas. As rampas de acesso ainda são muito mal-planejadas: altas, estreitas e com desnível entre a calçada e o asfalto. (Foto: Aymme Lucy)

O FotoLibras é um projeto que tem como objetivo aumentar a criatividade, autoestima e visibilidade de jovens surdos, explorando a fotografia como linguagem. Foi idealizado em 2006 e de lá para cá já promoveu cursos, oficinas, participou de palestras, mostras e exposições. Atualmente desenvolve atividades de fortalecimento dos multiplicadores, jovens que já foram alunos do projeto e hoje coordenam e participam de diversas ações, levando a metodologia e os impactos do projeto para outros jovens surdos. Isso é possível com o patrocínio do Banco Votorantim e do Instituto Votorantim, através da Lei Rouanet.

Fotografia da calçada com rampa para cadeirante
O direito de ir e vir de pessoas com deficiência não é assegurado. No acesso ao metrô, por exemplo, é necessário a ajuda de alguém para guiá-los. (Foto: Geovana Alzira)

As ações da fase atual incluem oficinas internas de aperfeiçoamento em práticas fotográficas, elaboração de projetos, aprendizado de dinâmicas e acompanhamento fotográfico. Cerca de 20 jovens multiplicadores participam dessas atividades como forma de ampliarem seus conhecimentos e também sua segurança para aplicação em cursos e oficinas voltados para o público externo. Já fizemos diversas oficinas em Recife, no interior e em outros estados. Em Catende, por exemplo, os multiplicadores elaboraram uma oficina de 5 dias voltada para alunos surdos daquela cidade e de outras da região. Durante esse tempo, empregaram diversas dinâmicas e exercícios envolvendo fotografia, fizeram saídas práticas e terminaram com a exposição de um grande varal com as fotos dos alunos.

Homem idoso de cadeiras de rodas, usa bone, regata e bermuda anda no meio da rua andando junto com os ônibus
Os usuários de cadeira de rodas enfrentam riscos para se locomoverem na cidade. (Foto: João Hélder)

A motivação inicial do projeto é criar oportunidades de participação da comunidade surda na produção e fruição da cultura, sempre tendo a fotografia como elo transformador. Identificamos que a imagem, como um meio de expressão e comunicação, tem uma relevância especial para os surdos, pois o ato de fotografar e de realizar a leitura da imagem não dependem de conhecimento de nenhuma língua falada ou escrita.

Cadeirante de costas para a porta do ônibus, tentando embarcar no coletio
O tempo que um usuário de cadeira de rodas leva para subir nos ônibus com porta de acesso causa irritação nos passageiros.
(Foto Karoline Anne)

A comunidade surda tem uma cultura diferenciada e sua forma de se comunicar, de ver o mundo e de realizar manifestações culturais é, muitas vezes, distinta da realidade dos ouvintes. A cultura surda é sistematicamente escondida quando, na verdade, deveria ser valorizada como parte integrante da cultura brasileira.

Rampa de acesso com duas estadas na lateral em direção a entrada de um grande
Projeto FotoLibras (Foto: Tatiana Martins)

Ao longo desses anos, podemos contabilizar vários resultados positivos do Projeto FotoLibras. Fortalecimento da comunicação entre jovens surdos e seus familiares e crescimento na capacidade de expressão, além da visibilidade e autoestima dos participantes, são alguns exemplos.

Mais informações:
www.fotolibras.org
comunicação@fotolibras.org

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Acessibilidade nas paradas de ônibus: um desafio a ser enfrentado pelo Recife e RMR

Publicado em: Júlio Cirne | JC Trânsito

Se ser usuário de transporte coletivo na Região ​M​etropolitana do ​R​ecife (RMR)​ já é difícil para quem desfruta de mobilidade plena, a situação fica ainda pior quando se​ tem alg​uma deficiência. Nes​te​ 3 de dezembro, quando é comemorado o ​D​ia Internacional da Pessoa com Deficiência, o JC Trânsito traça um panorama da situação das paradas de ônibus nos principais pontos ​da ​RMR, no que diz respeito às políticas de acessibilidade para atender às necessidades especiais desse grupo que representa 26,75% da população pernambucana, de acordo com o Censo de 2010 do IBGE.​ Infraestrutura precária nos pontos, equipamentos quebrados nos ônibus, abrigos sem proteção do sol e da chuva, além de desrespeito são alguns desses problemas enfrentados diariamente pelos deficientes físicos.

Veja, na galeria de fotos abaixo, a situação de algumas paradas de ônibus no Centro do Recife:

Um dos locais de maior fluxo de pessoas no Recife, a área Central, principalmente os bairros do Derby e da Boa Vista, é o local que mais recebe críticas de quem precisa se locomover de ônibus para resolver as obrigações cotidianas. Mãe do cadeirante e paratleta Jackson da Silva Ramos, de 25 anos, a dona de casa Lindacy Maria da Silva Ramos, com 48 anos, reclama principalmente da infraestrutura das paradas de ônibus, que não estão preparadas para atender às necessidades especiais de pessoas com deficiência.

Homem com bolsa nas costa com o braço esticado solicitando para do ônibus que está chegando
Paradas de ônibus e acessibilidade na RMR Algumas paradas não contam sequer com cobertas para a proteção do sol e da chuva Crédito: Júlio Cirne/JC Trânsito

“São muito estreitas. Essa (parada de ônibus) aqui da Praça do Derby é maior um pouco, mas a maioria normalmente é pequena e descoberta. Quando chove a gente se molha, quando faz sol também é ruim, pois passamos muito tempo esperando o coletivo no calor”, disse dona Lindacy. Quando conversou com o JC Trânsito, na manhã des​s​​​a quarta-feira (2), a dona de casa vinha de uma consulta médica com Jackson no bairro do Derby. Morando em Jardim São Paulo,​ bairro Zona Oeste do Recife,​ mã​e​ e filho contam que demoram cerca de duas horas quando precisam sair ​de lá para chegar à área central.

Apesar de todas as dificuldades, Jackson não se deixa vencer por elas. ​E​ste ano o jovem começou a jogar basquete, através de um programa de inclusão oferecido pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Mesmo com o lugar dos treinamentos sendo mais próximo de sua casa, Jackson mantém a mesma reclamação da mãe: “A parada não é boa e o motorista sempre para longe de onde estamos para subir no ônibus”, disse o jovem. “Isso quando o carro está preparado para ele”, reiterou dona Lindacy, dizendo que alguns veículos ainda não possuem o equipamento necessário para que cadeirantes embarquem nos ônibus.

Jackson encontra dificuldades para embarcar no ônibus, pois o motorista para muito longe de onde ele está. Confira o vídeo:

Cadeirante enfrenta dificuldade para embarcar em ônibus na parada do Derby
Link para o vídeo: Cadeirante enfrenta dificuldade para embarcar em ônibus na parada do Derby
03/12/2015 19h39

De acordo com dados do Grande Recife Consórcio de Transporte, responsável pela operação do transporte coletivo no Recife e RMR, cerca de 5% da frota de 3 mil ônibus cadastrados ainda não contam com o elevador da porta do meio. Veja mais números sobre o transporte abaixo:

27,75% da população pernambucana possuem algum tipo de deificiência, segundo o Censo de 2010 do IBGE; 5% da frota de 3 mil ônibus da RMR ainda nã conta com os elevadores nas postas do meio; Nenhuma parada do Recife é adaptada com sinalização sonora ou voz sintética para deficientes visuais; a RMR tem cerca de 5,850 paradas de ônibus;
Ilustração: Guilherme Castro/NE10

Além dos cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida, os deficientes visuais formam outro grupo que sofre por causa da falta de infraestrutura das paradas, que não oferecem o mínimo possível de recursos de acessibilidade. É o que relata Michell Platini, que trabalha na área de comunicação social da Superintendência Estadual de Apoio à Pessoa com Deficiência (Sead). “Não existe, no Recife, nenhuma parada com sinal sonoro”, disse Michell, que também é usuário de transporte coletivo.

Paradas de ônibus e acessibilidade na RMR Falta de educação: população suja as paradas que já estão degradadas pelo tempo e pela falta de manutenção Crédito: Júlio Cirne/JC Trânsito
Paradas de ônibus e acessibilidade na RMR Falta de educação: população suja as paradas que já estão degradadas pelo tempo e pela falta de manutenção Crédito: Júlio Cirne/JC Trânsito

O jovem explica ainda que para atender integralmente as necessidades de um deficiente visual, as ​pa​radas de ônibus deveriam contar com dispositivo de “voz sintética”, que além de avisar sobre a chegada do ônibus, ainda informa qual é a linha que está na parada. Por causa da total ausência dessas paradas adaptadas, Michel conta que o deficiente visual acaba tendo que contar com a solidariedade de outras pessoas. Ele considera que o recifense está sempre disposto a ajudar, mas muitas pessoas ainda não sabem como agir para ajudar uma pessoa com deficiência visual. “São coisas simples como, por exemplo, a pessoa se oferecer para ajudar e, caso o ônibus dela chegue primeiro, ela vai embora sem avisar”.

Outra reclamação recorrente diz respeito à falta de preparo de alguns motoristas para lidar com pessoas com ​deficiência: “Além do despreparo, há alguns motoristas que param o ônibus muito longe de onde a pessoa está parada ou que simplesmente mostram má vontade para auxilar”, disse Michell, contando que já aconteceu de um motorista ironizar a sua deficiência apenas porque ele reclamou da distância com a qual o ônibus parou em relação ao ponto.

ALÉM DA DEFICIÊNCIA – Quando se fala em acessibilidade, o debate acaba ficando concentrado na questão da deficiência, essa crítica é compartilhada pelo gerente de Política da Sead, Geziel Bezerra: “A acessibilidade é universal. Ela serve para atender à mulher grávida, um idoso, uma pessoa obesa e a outros grupos”. Geziel também é cadeirante e, como usuário de ônibus, precisa enfrentar as dificuldades que a ausência das paradas adaptadas trazem. Ele se desloca diariamente de Olinda ao Centro do Recife usando o transporte coletivo.

EXEMPLOS DE FORA – A cidade do Rio de Janeiro se prepara para nos próximos dias instalar um sistema que promete melhorar a vida de deficientes visuais na hora de usar o transporte coletivo. Chamado de “ponto inteligente” e idealizado pelo estudante de engenharia elétrica Douglas Toledo, o projeto foi batizado de Viibus, sigla em inglês para “Visually Impaired Inteligente Bus Stop” (Ponto de Ônibus Inteligente para Deficientes Visuais).

No sistema, ponto de ônibus recebe um painel em braile com as informações das linhas que param nele. O usuário seleciona a linha e aguarda a chegada do veículo. Em​ seguida​, ​um sinalizador visual é acionado para indicar ao motorista que há um deficiente visual esperando naquele ponto. O motorista do coletivo também é informado da presença do passageiro no ponto. Quando o ônibus chega à parada, o passageiro é notificado e solicita o embarque apresentando um cartão de identificação.

O desenvolvimento do projeto foi o trabalho de conclusão de curso de Douglas e foi vencedor do “Desafio Cisco”, que premia iniciativas baseadas no conceito de “internet das coisas”. O Viibus será instalado como protótipo na área do Porto Maravilha, uma dos locais do projeto olímpico da cidade do Rio de Janeiro.

Confira o vídeo de divulgação do projeto:

PERSPECTIVAS PARA PERNAMBUCO – Atualmente, a RMR conta com aproximadamente 5.850 paradas de ônibus, padronizadas em cinco modelos diferentes: abrigos de metal coberto; abrigos feitos de concreto; montante, que são placas de metal com aproximadamente 1,80m de altura; colunas em “L” e placas em poste de concreto. O Grande Recife informa que as paradas nesse último modelo só são usadas para indicar os pontos quando não é possível utilizar modelos de outro tipo.

Ainda segundo o consórcio, um trabalho de reparos pontuais vem sendo realizado nas paradas do Centro do Recife. Além disso, será lançada em breve uma licitação para a manutenção de todos os abrigos de ônibus da RMR. A licitação está na fase interna (ajustes no edital) e após a conclusão será enviado à Secretaria de Administração para análise e publicação do edital. O contrato de concessão terá validade de 20 anos.

A respeito da adaptação das paradas, a assessoria do Grande Recife informou que ainda não há pontos específicos estabelecidos para esse tema, mas que a matéria será incluída no processo de análise do edital.

O consórcio atenta para que população zele pelo bom estado das paradas existentes e informa que, apenas de janeiro a julho de 2015, foram gastos mais R$ 404 mil em reparos de danos que foram causados por vandalismo.

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Áudio-descrição de caboclos de lança

Editor,
Desejamos partilhar a áudio-descrição que fizemos deste importante personagem do folclore pernambucano, pois acreditamos que todas as formas de cultura devem estar igualmente acessíveis a todos.
Obrigada

Fotografia

Os caboclos de lança, de Nazaré da Mata, interior de Pernambuco, se preparam para mais uma apresentação do maracatu rural. Todos os anos, no Carnaval, eles se vestem com cores e brilhos e se apresentam em rodas no Centro da cidade, num ritual glorioso e único, tipicamente brasileiro.
Foto: Antonio Pinheiro
Fonte: http://antoniopinheiro-apphoto.blogspot.com/2009/10/maracatu-rural-pe.html

 

Notas proemias

O caboclo de lança é uma figura folclórica do estado de Pernambuco, atrelada às manifestações culturais do carnaval e do Maracatu Rural. Caracterizado por suas roupas exuberantes compostas principalmente por uma imensa peruca colorida, por uma manta bordada com lantejoulas coloridas e por carregar nas costas um surrão ornado por chocalhos que dão o ritmo à dança. É por muitos considerado um dos símbolos da cultura pernambucana, também conhecido como lanceiro africano, caboclo de guiada ou guerreiro de Ogum, que traz consigo um certo mistério.

Áudio-descrição

No centro há duas pessoas de costas, a da esquerda com uma grande peruca vermelha, a da direita com uma grande peruca azul. Vestidas com uma manta com desenhos de flores nas cores roxo, verde e branco com franja dourada na barra. Seguram lanças totalmente adornadas com muitas e longas fitas de cores variadas. Elas caminham por uma estrada de chão de tom alaranjado. À esquerda uma plantação de cana-de-açúcar margeia a estrada. Ao fundo a linha do horizonte aparece sobre vegetação de tom verde escuro.

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