Oração da Razão

Ah, pai, que me negou a educação
sob o manto do cuidado,
à minha potencialidade disse não.

Ah pai
sua prática deplorável
de diagnose e rotulação
me titulou de não treinável,
providenciou o meu caixão.

Sua visão de especialista,
de formação incontestável,
deu-me o rótulo que carrego,
“deficiente mental treinável”.

E agora que emoção,
três décadas se passaram
chegou a colação.

Hoje com seu trabalho notável,
pai do meu coração,
tenho 30 anos
posso falar com perfeição,
sou deficiente educável
não aprendi a dizer não.

Ah, pai
isso não se faz.
enquanto o mundo caminhava,
me deixava para trás.

Sozinho descobri
que sou um homem capaz.
O tempo se passou,
ele não volta mais.

Vida minha eu perdi,
trinta anos então,
achando que eu aprendia
na sua instituição.

Aprender eu aprendi,
digo com minha razão.
Depois que dela saí,
aprendi a dizer não.

O que escrevo é exemplo,
minha razão bem revela,
agora não é sim,
é não à tutela.

É não à fala mais doce,
à aparência mais bela.
Meu “não” não é bomba,
não mata, nem enterra,
mas mostra da escola,
que antes era bela,
sua verdadeira face:
a face de uma fera.

Ah, pai,
receba esta lição.
Não é mágoa, nem tristeza,
é a mais pura razão.

O que o deficiente precisa,
é de boa educação;
é de escola para todos,
no modelo da inclusão.

Mude sua postura,
isso você precisa
deixe essa atitude
atitude intrusiva.

Defenda comigo
de maneira incisiva,
uma escola que explicita
a educação inclusiva.

A escola especial
teve lá sua função:
Tratou-me como diferente
Manteve-me na exclusão

Tudo isso percebi,
Entendi com a razão
À escola especial
Aprendi a dizer não

Luto por uma escola inclusiva
Que fará transformação
Não amanhã, nem depois
Não sei quando com precisão

Mas, sei que acontecerá
Sinto em meu coração
Quando acontecer
Verei a inclusão

Os filhos de meus filhos
Também Cláudia, Paula e João,
Todos na escola
aprendendo a lição:
A escola para todos
não faz distinção
estudam crianças,
deficientes ou não

É o que determina
Nossa Constituição,
o ECA, a LBI,
Também a Convenção

De tudo isso hoje eu sei
Sei com a razão
Daí querer que mude
A sua instituição
que do especial usa
para impedir a inclusão
Cala as pessoas
Não as ensina dizer não.

RBTV #3: A importância da pesquisa acadêmica para o estabelecimento de normas da audiodescrição no Brasil

Escrito po Eliana P. C. Franco (Universidade Federal da Bahia)

Resumo

O presente artigo versa sobre a necessidade de estearem em pesquisas científicas as bases para a criação de diretrizes que venham normatizar a audiodescrição no Brasil. Afirma que as pesquisas de opinião sobre a recepção do serviço não dão conta de sustentar a criação de regras para a audiodescrição. Faz a ressalva de que um consultor com deficiência visual, ou um pequeno grupo de pessoas com essa deficiência não pode servir como base para a construção de uma norma. Conclui que a pesquisa sistemática é a metodologia mais adequada para a investigação acadêmica a respeito da audiodescrição.

Palavras-chave: audiodescrição; pessoa com deficiência; inclusão; pesquisa sistemática; áudio-descrição