RBTV #4: Acessibilidade Web é um dever cívico

Resumo

O presente relato expressa a experiência na produção de sites acessíveis e com usabilidade, inclusive para pessoas com deficiência visual. Busca refletir a respeito da importância de se fazer do acesso a web uma experiência agradável, eficiente e eficaz para pessoas de todas as idades, conhecimento e condição física ou sensorial. Em suma, defende, baseado na experiência, que fazer sites para todos é uma questão de dever cívico e de retorno de investimento.

Palavras-chave: acessibilidade, usabilidade, sites acessíveis.

1- Acessibilidade

Acessibilidade. Você sabe o que é? Pra que serve e a quem ajuda? Pois saiba primeiro: “Acessibilidade web é um dever cívico”.

Claro que essa afirmação é uma opinião pessoal, mas minha intenção com tal premissa é por um bom motivo, promover o início de um debate ou minimamente uma breve reflexão sobre o assunto. Para que vocês possam pensar no tema e entender como ele influencia seu negócio ou posicionamento na web, descrevo abaixo alguns pontos sobre o que é acessibilidade na web e como isso nos afeta direta ou indiretamente.

Meu nome é Reinaldo Luz Santos, sou publicitário e empreendedor da área de criação e gestão de informação na web. Já há algum tempo minha empresa tem estudado maneiras de fazer uma internet mais democrática e eficiente no quesito ligado à navegação e à usabilidade.

Alguns de nossos estudos foram baseados em normativas do W3C (World Wide Web Consortium), um órgão oficial que regulamenta as tecnologias e padrões usados no desenvolvimento de ferramentas web. Além disso, a base do nosso conhecimento foi em trabalho de campo, aplicando na prática algumas das diretrizes do W3C e até criando saídas inteligentes para nossos modelos de desenvolvimento.

Com isso, quase dois anos antes que o assunto tomasse a atenção da mídia, nós já aplicamos conceitos de usabilidade, navegação intuitiva e acessibilidade web na maioria dos nossos projetos, criando inclusive alguns casos de sucesso que nos geraram contatos de empresas de fora do país nos tratando como “experts” no assunto. Não achamos que é pra tanto, mas com certeza ver um novo site ou ferramenta com esses conceitos aplicados nos dá um prazer mais intenso do que o provocado pelo retorno financeiro. É uma satisfação como cidadão.

Mas pra que entendam o grau de motivação em que estamos trabalhando nesses conceitos, vamos entender o que é acessibilidade aplicada à internet.

O que é Acessibilidade Web?

O termo “Acessibilidade” significa permitir que pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida participem de atividades que incluam o uso de produtos, serviços, locais e informação, além de permitir o uso destes por todas as parcelas da população. O Decreto Federal 5.296, de 02 de dezembro de 2004, já prevê tais direitos. Em suma, um local ou produto acessível é aquele que permite uso de todas as pessoas, de forma o mais independente possível de sua condição física.

Acessibilidade web, ou na internet, possui igual intuito. Permitir acesso democrático a sites, ferramentas, aplicações ou serviços baseados na rede de computadores, a internet.

Para isso é fundamental que tais ferramentas sigam alguns padrões, normativas ou recomendações do W3C. A acessibilidade na Internet, em síntese, engloba os fatores abaixo:

  • Sites e aplicações previamente desenvolvidos, possibilitando que as pessoas possam perceber, compreender, navegar e interagir com seu conteúdo;
  • Navegadores, tocadores de mídias e ferramentas que possuam meios de comunicação com tecnologias especialmente designadas e criadas para pessoas com deficiência, permitindo, assim, o acesso e utilização desses meios.

Por que ter um site acessível?

 Talvez o complemento a pergunta seja “Por que ter um site acessível e com usabilidade amigável?”.

Começando pela usabilidade, imagine-se fazendo o planejamento do seu site. Com certeza você será levado a prever o público alvo de visitantes que ele terá ou que espera ter. Jovens, adultos, antenados ou não, conhecedores ou não de navegação na web, talvez crianças, e, muito provavelmente, idosos. E isso sem citar ainda pessoas com alguma deficiência.

Seu site pode ser planejado e desenvolvido para um público específico, por exemplo os Geeks, modernos e antenados. Aí fica fácil!

Agora, imagine seu cliente, podendo ser ele um empresário de sucesso com pouco tempo para se aprofundar em informática. Sim, esse usuário existe. Ou, então, imagine uma senhora com 65 anos acessando seu site. Ou, para simplificar, imagine simplesmente um profissional liberal com agenda apertada.

Certo, agora junte esses perfis de profissionais entrando no seu site e demorando alguns segundos para encontrar o menu escondido, os links minúsculos, os títulos apagados ou as cores chocantes contrastando com o texto. Terror total. Isso é pedir zero de ROI (Retorno sobre Investimento) para seu site.

O tempo de captação de atenção do internauta é medido em algumas frações de segundos. Se ele não entende rapidamente como navegar, ele sai! Simples assim.

Fugir dos excessos em design; organizar claramente o conteúdo; diagramar corretamente os elementos e informações conforme o grau de importância; são apenas algumas das práticas para se criar um site amigável quanto à usabilidade e navegação.

Pense agora em alguns dos perfis que citei como exemplo: o idoso, o senhor sem tempo, a criança ou jovem ainda sem grande experiência. Finalmente traga para esse exercício as pessoas com deficiência visual. Essas são as pessoas que precisamos incluir digitalmente! Falando ainda e apenas de internet, sua empresa ou negócio precisa estar preparado para receber todas as pessoas. Seu site tem no mínimo o dever cívico de ser acessível!

Na verdade essa é uma escolha que as empresas podem fazer, mas com certeza é uma questão, não de decretos de lei, mas de conscientização e cidadania.

A lógica é bem simples. Sites bem escritos, quanto ao conteúdo, design e programação, são bem interpretados por pessoas com pouco conhecimento, dificuldade de visão e, até mesmo, por pessoas com deficiência visual total. Essas pessoas podem utilizar navegadores especiais que só interpretam o que encontrarem em texto no site ou mesmo utilizar os softwares chamados “Leitores de Tela” que literalmente lêem a tela com voz sintetizada. Tudo isso só funciona com um site preparado para tais visitantes.

2- Amigos e inimigos da acessibilidade web

Como eu disse anteriormente, criar um site acessível é um caminho que começa no planejamento e, completo aqui, começa pela escolha do profissional ou empresa produtora. O conceito é fácil de compreender, como explicado acima, porém a aplicação reserva alguns passos técnicos.

Não dá para descrever todas as técnicas aqui, pois acabaria por ser uma dissertação superficial. Mas é possível conhecermos, resumidamente, alguns amigos e inimigos da acessibilidade web.

Amigos da acessibilidade

Crie um site com os requisitos abaixo e terá um site acessível. Essas são apenas algumas dos muitas das diretrizes.

  • Acerto: Conteúdos em texto, com opção de ampliação de tamanho de fonte;
  • Acerto: Links em texto, ao invés de imagens, com bom tamanho de visualização;
  • Acerto: Opção de teclas de atalho para saltar aos principais links e áreas do site;
  • Acerto: Títulos declarados em destaque para identificação dos softwares leitores de tela;
  • Acerto: Opção de mudança de layout para modelo em alto contraste preto e branco; entre vários outros

Inimigos da acessibilidade

Fuja dos erros abaixo se você quer ser uma empresa ou profissional consciente.

  • Erro: Menus de navegação em flash ou imagem
  • Erro: Imagens sem declaração de descrição na tag ALT
  • Erro: Animações e elementos em flash usados de forma exagerada
  • Erro: Site feitos completamente em flash
  • Erro: Cores ou elementos de design não pensados para gerar contraste com o conteúdo; entre vários outros

Adendo técnico

Vale ressaltar que a tecnologia flash não é inimiga mortal da acessibilidade web. A Adobe divulga, desde a versão MX, que está seguindo requisitos de acessibilidade da Seção 508 e que prove suporte ao MSAA (Microsoft Active Accessibility). Porém, vale lembrar que animações ou scripts em flash precisam ser usados com extrema cautela e conhecimento. Na dúvida o uso das folhas de estilo CSS, documentos XHTML e demais técnicas sugeridas pelo W3C, merecem profunda atenção e prioridade.

3- Como construir um site acessível?

Um site acessível perde um pouco em design ou elementos gráficos? De um ponto de vista, talvez. Mas, se o profissional ou empresa que estiver desenvolvendo o site unir o conhecimento técnico sobre acessibilidade a criatividade e saídas inteligentes, não necessariamente se perde em design. Ganha-se em mensagem transmitida. Mais pessoas irão ver e compreender esse site!

O importante é pensar que, em acontecendo dilemas de perda de detalhes visuais, deve se lembrar o que vale mais priorizar. Um site bem desenhado e eficiente não é um site cheio de efeitos visuais, mas um site que informa, se faz entender, se faz navegar e trás resultados sem excluir nenhum perfil de pessoa.

Hora de remodelar ou construir sites acessíveis! Agora é colocar em prática.

Primeiro Passo – Conscientização das empresas e profissionais da área sobre a importância de construir sites que promovam a inclusão digital, a usabilidade amigável e a acessibilidade;

Segundo Passo – Tendo esse primeiro passo dado, o segundo é contratar um profissional, agência ou produtora web que conheça as técnicas e conceitos para o planejamento e elaboração de um site com tal meta. Ser acessível, democrático em seu conteúdo e bem escrito em seus códigos e desenho estrutural;

Terceiro Passo – O terceiro passo, de responsabilidade da produtora ou profissional especializado, é escolher ou assessorar na escolha de uma linguagem de programação mais adequada ao projeto e de um gestor de conteúdos preparado para criar conteúdos acessíveis. Aqui cabe também o papel da empresa que precisa confiar no profissional e nos direcionamentos que ele der. O projeto final pode ou não ser aprovado, dependendo do aceite da empresa que contratou o serviço.

Consideração final

Por fim trago de volta a indagação do título do artigo. “Acessibilidade web é um dever cívico?”. Sim? Não? Impossível ter uma resposta que não seja pessoal ou subjetiva. Vale sim pensar que os tempos mudaram.

A tecnologia por si só não é mais o astro principal. A tecnologia é apenas um instrumento ou ferramenta que tem a missão de levar a informação. Essa sim, a informação, o conteúdo, relevante ou não, é o que realmente conta. E esse só tem sentido quando se faz acessível e compreensível a todas as camadas da população!

Fontes de Pesquisa:

acessibilidadelegal.com
freedomscientific.com
presidencia.gov.br
w3c.org

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RBTV #3: O direito das crianças com deficiência visual à áudio-descrição

Escrito por Francisco José de Lima e Rosângela A. F. Lima

Resumo

Este artigo apresenta, em primeiro momento, robusta sustentação jurídica para o direito de as pessoas com deficiência visual ter acesso à áudio-descrição, defendendo que a não provisão desse recurso assistivo constitui, tanto negligência para com a educação da criança com deficiência visual, quanto discriminação por razão de deficiência. De um lado, esteia essa defesa em documentos internacionais de defesa das crianças, os quais as salvaguardam de maus tratos, da discriminação e da afronta à sua dignidade de criança e pessoa humana. De outro, sustenta o direito à áudio-descrição, na Constituição Brasileira, a qual define a educação como direito indisponível e garante esse direito a todas as crianças, com igualdade de condições, independentemente de suas características fenotípicas, sociais ou genéticas. Em um segundo momento, este artigo sustenta a defesa pela oferta da áudio-descrição, devido aos benefícios que este recurso assistivo pode trazer para a inclusão cultural e educacional da pessoa com deficiência visual, uma vez que, enquanto técnica de tradução visual, ela permite o acesso às imagens, por intermédio das palavras a serem ouvidas, lidas e/ou faladas, natural ou eletronicamente. Trata, também, de como as visões tradicionalistas sobre a capacidade de a pessoa cega fazer uso das imagens, produzindo-as e/ou as compreendendo, têm levado à negação de direitos, ao prejuízo educacional, e em última instância ao preconceito para com as pessoas cegas. Conclui, fazendo a assertiva de que não se trata de perguntar quando se vai oferecer a áudio-descrição, mas de se buscar as condições para melhor formar os áudio-descritores; melhor prover o serviço de áudio-descrição e melhor aparelhar o público alvo para a recepção desse serviço, começando com a criança pequena, lá na escolinha, até o adulto na universidade ou em outro locus social.

Palavras-chaves: áudio-descrição, direito inclusivo, criança com deficiência visual


Abstract

This article presents robust arguments for the provision of audio description for children with vision disability in Brazil. It supports its point of view on national and international laws and conventions that protect children from all forms of harm and discrimination. Audio description is considered an assistive technology capable of given children access to education, culture and leisure by providing visual information of things and events that originally were not available to blind people. It concludes that it is necessary to invest on training audio describers, improve audio description services and educate blind people about receiving and profiting from audio description accessibility.

Keywords: audio description, people with visual disability, accessibility, attitudinal barriers.

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Uberlândia é exemplo de acessibilidade para deficientes

Publicado originalmente em: Jornal Nacional

Com 600 mil habitantes, cidade tem rampas de acesso em todas esquinas. Projetos novos só são aprovados se tiver plano para facilitar a mobilidade.

Nesta semana, o Jornal Nacional está apresentando uma série especial de reportagens sobre o desrespeito do Brasil com as pessoas com deficiência. Mas, nesta sexta-feira (18), você vai ver como seria perfeitamente possível diminuir muito o problema da acessibilidade no nosso país. O exemplo é de uma cidade de Minas Gerais.

Cadeirantes para todo lado, cegos andando na rua sem esbarrar em nada, surdos interagindo com outras pessoas. Quem vê até pensa que essa cidade tem mais deficientes do que qualquer outra no Brasil. O que Uberlândia, no Triângulo Mineiro, tem mais que as outras, é acessibilidade.

“Hoje a pessoa tem a liberdade de ir e vir. Elas trabalham, estudam, tem lazer. Então, hoje elas saíram de casa”, afirmou Denise Rezende Faria, coordenadora da Associação Paraplégicos de Uberlândia.

Jornal Nacional: Mas, de onde veio toda essa consciência?

Denise: Isso foi, assim, uma luta árdua. Foi um dia a dia matando leão e onça todos os dias.

Homem sentando na cadeira de rodas vestindo uma camisa roxa, calça jeans e vultos de pessoas caminhando de diversas direções
Homem sentando na cadeira de rodas vestindo uma camisa roxa, calça jeans e vultos de pessoas caminhando de diversas direções

A luta da Associação dos Deficientes valeu a pena: Uberlândia, com 600 mil habitantes, tem rampas de acesso em todas esquinas, no centro e nos bairros, sem distinção: 100% da frota de ônibus com elevadores para quem tem dificuldade de locomoção. Piso tátil para orientar deficientes visuais em todas as calçadas, terminais rodoviários, lojas e prédios públicos. Lá, cada projeto novo de rua, prédio ou loteamento só é aprovado se tiver plano pra facilitar a mobilidade dos deficientes.

Esse programa de acessibilidade existe em Uberlândia há 20 anos, e vai muito além da infraestrutura. É um exercício diário de cidadania que começa nas escolas municipais, onde desde cedo alunos e professores aprendem a conviver com as diferenças.

Linguagem de sinais para quem é surdo poder acompanhar a aula. Máquina de braile, para quem é cego poder anotar tudo. Rampas para alunos cadeirantes e usuários de muletas e carinho, muito carinho.

“A Ana Júlia, ela surpreendeu, que ela é bem inteligente, bem esperta. Está sendo superfácil. Está aprendendo, começando a ler a escrever. Adora vir pra escola. Adora estudar”, comemorou Simone de Fátima Silva, mãe de aluna.

Quem sai de Uberlândia leva a pergunta: por que a acessibilidade tem que ser restrita a algumas cidades, uns poucos prédios, raríssimas iniciativas?

Em Araxá, no mesmo estado de Minas, o deficiente que entrou na Justiça contra uma companhia aérea por falta de acessibilidade em certos aviões precisou ser carregado dentro do fórum da cidade, para chegar à sala do juiz.

“É, no mínimo, irônico, porque a Justiça que deveria estar nos resguardando, cumprindo com a lei porque ela prega a lei e cobra dos outros, ela não seque o que ela está pregando. O que se fala não é o que se faz”, protestou Manoel Stefani Furtado, administrador de empresas.

Mas, justiça seja feita; na capital do Brasil, o prédio do STJ é considerado modelo. “É um paraíso. Aqui é um órgão que eu acho que Deus escolheu pra mim. Prestei concurso pro STJ e não sabia que tinha essa estrutura toda aqui para um cadeirante”, disse Fernanda Zago, técnica judiciária.

De um modo geral, todos os prédios do governo, do Legislativo e do Judiciário são acessíveis. Mas se a Fernanda precisar atravessar a rua para ir do Superior Tribunal de Justiça até o Tribunal Superior do Trabalho: “Não tem acessibilidade. A gente pensa: estou na capital do Brasil e aqui no plano piloto, do lado da Câmara e do Senado, junto dos três poderes, não é acessível”, conta Fernanda.

Precisaria consciência e vontade política, segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas. A ABNT tem uma receita básica para ampliar a acessibilidade: rampas com pouca inclinação, no máximo 8%, e sempre construídas da porta para dentro, para não obstruir as calçadas. Escadas com corrimão, piso tátil, cerâmicas com retângulos e bolinhas em alto relevo e semáforo sonoro para guiar deficientes visuais. Transporte público com elevador e espaço exclusivo para cadeirantes, facilidades que podem fazer diferença não só para quem hoje precisa.

“O que a população esquece que é muito importante é que todos envelhecerão – aliás, é a vontade de todo mundo. E a pessoa, quando ficar velha, ela vai ter perda de mobilidade física, sensorial, visual, auditiva. Então, as pessoas não se preocupam com o futuro”, observou Edison Passafaro, instrutor e auditor das normas de acessibilidade da ABNT.

Segundo a ABNT, por maior que seja o custo para fazer tudo o que é necessário, esse preço nunca chegará nem perto do tamanho dos benefícios para todos.

O governo de Brasília reconheceu o problema da acessibilidade nas calçadas e afirmou que um programa de construção e recuperação está na fase final de orçamento. Sobre a falta de acesso para cadeirantes em Araxá, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais declarou que vai abrir licitação no ano que vem para construir um fórum novo, com rampas.

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Aplicativo ‘guiaderodas’ faz mapa colaborativo da acessibilidade

Publicado em: Luiz Alexandre Souza VENTURA do Blogs Vencer Limites | Estadão

Disponível para iOS e Android, o app considera a existência de vagas especiais para estacionamento ou manobrista, condições de circulação interna, banheiro para pessoas com deficiência e mais detalhes em restaurantes, supermercados, lojas, cinemas, farmácias, consultórios, teatros, baladas e outros locais.

Bruno Mahfuz usa cadeira de rodas há 15 anos e já vivenciou todo tipo de situação na qual a falta de acessibilidade trouxe dificuldades reais. A partir dessas experiências, nem sempre agradáveis, Bruno criou o aplicativo ‘guiaderodas’.

“Percebi que pessoas em diferentes momentos da vida enfrentam problemas similares, seja por limitação provisória ou permanente de exercer suas funções rotineiras. Além disso, algumas facilidades beneficiam muito idosos de uma maneira geral, que mesmo sem nenhuma limitação funcional, tendem a preferir um elevador a uma escada”, explica o empreendedor.

Disponível nas versões para iOS e Android, o app faz um mapa colaborativo dos recursos acessíveis de qualquer cidade, com registros em restaurantes, supermercados, lojas, cinemas, farmácias, consultórios, teatros, baladas e outros locais.

Homem sentado na cadeiras de roda, usando roupa social
Bruno Mahfuz usa cadeira de rodas há 15 anos. Imagem: Divulgação

“A meta é facilitar a vida de todas as pessoas com algum tipo de dificuldade de locomoção, sejam cadeirantes, idosos, gestantes, mães com filhos pequenos ou pessoas com outras limitações físicas e funcionais”, diz Bruno.

Com o ‘guiderodas’, o usuário faz uma avaliação, que dura no máximo 30 segundos, e consegue classificar o estabelecimento como acessível, parcialmente acessível e não acessível. O aplicativo considera a existência de vagas especiais para estacionamento ou manobrista, entrada, condições de circulação interna, banheiro para pessoas com deficiência e outros detalhes.

“São perguntas claras e objetivas que podem ser respondidas por pessoas com dificuldade de locomoção ou não. Com o GPS, o ‘guiaderodas’ favorece a avaliação in loco do estabelecimento. Outros filtros de busca podem ser feitos, seja por algum local específico, categoria ou lugares já marcados como acessíveis”, destaca o criador do app.

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Acessibilidade nas paradas de ônibus: um desafio a ser enfrentado pelo Recife e RMR

Publicado em: Júlio Cirne | JC Trânsito

Se ser usuário de transporte coletivo na Região ​M​etropolitana do ​R​ecife (RMR)​ já é difícil para quem desfruta de mobilidade plena, a situação fica ainda pior quando se​ tem alg​uma deficiência. Nes​te​ 3 de dezembro, quando é comemorado o ​D​ia Internacional da Pessoa com Deficiência, o JC Trânsito traça um panorama da situação das paradas de ônibus nos principais pontos ​da ​RMR, no que diz respeito às políticas de acessibilidade para atender às necessidades especiais desse grupo que representa 26,75% da população pernambucana, de acordo com o Censo de 2010 do IBGE.​ Infraestrutura precária nos pontos, equipamentos quebrados nos ônibus, abrigos sem proteção do sol e da chuva, além de desrespeito são alguns desses problemas enfrentados diariamente pelos deficientes físicos.

Veja, na galeria de fotos abaixo, a situação de algumas paradas de ônibus no Centro do Recife:

Um dos locais de maior fluxo de pessoas no Recife, a área Central, principalmente os bairros do Derby e da Boa Vista, é o local que mais recebe críticas de quem precisa se locomover de ônibus para resolver as obrigações cotidianas. Mãe do cadeirante e paratleta Jackson da Silva Ramos, de 25 anos, a dona de casa Lindacy Maria da Silva Ramos, com 48 anos, reclama principalmente da infraestrutura das paradas de ônibus, que não estão preparadas para atender às necessidades especiais de pessoas com deficiência.

Homem com bolsa nas costa com o braço esticado solicitando para do ônibus que está chegando
Paradas de ônibus e acessibilidade na RMR Algumas paradas não contam sequer com cobertas para a proteção do sol e da chuva Crédito: Júlio Cirne/JC Trânsito

“São muito estreitas. Essa (parada de ônibus) aqui da Praça do Derby é maior um pouco, mas a maioria normalmente é pequena e descoberta. Quando chove a gente se molha, quando faz sol também é ruim, pois passamos muito tempo esperando o coletivo no calor”, disse dona Lindacy. Quando conversou com o JC Trânsito, na manhã des​s​​​a quarta-feira (2), a dona de casa vinha de uma consulta médica com Jackson no bairro do Derby. Morando em Jardim São Paulo,​ bairro Zona Oeste do Recife,​ mã​e​ e filho contam que demoram cerca de duas horas quando precisam sair ​de lá para chegar à área central.

Apesar de todas as dificuldades, Jackson não se deixa vencer por elas. ​E​ste ano o jovem começou a jogar basquete, através de um programa de inclusão oferecido pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Mesmo com o lugar dos treinamentos sendo mais próximo de sua casa, Jackson mantém a mesma reclamação da mãe: “A parada não é boa e o motorista sempre para longe de onde estamos para subir no ônibus”, disse o jovem. “Isso quando o carro está preparado para ele”, reiterou dona Lindacy, dizendo que alguns veículos ainda não possuem o equipamento necessário para que cadeirantes embarquem nos ônibus.

Jackson encontra dificuldades para embarcar no ônibus, pois o motorista para muito longe de onde ele está. Confira o vídeo:

Cadeirante enfrenta dificuldade para embarcar em ônibus na parada do Derby
Link para o vídeo: Cadeirante enfrenta dificuldade para embarcar em ônibus na parada do Derby
03/12/2015 19h39

De acordo com dados do Grande Recife Consórcio de Transporte, responsável pela operação do transporte coletivo no Recife e RMR, cerca de 5% da frota de 3 mil ônibus cadastrados ainda não contam com o elevador da porta do meio. Veja mais números sobre o transporte abaixo:

27,75% da população pernambucana possuem algum tipo de deificiência, segundo o Censo de 2010 do IBGE; 5% da frota de 3 mil ônibus da RMR ainda nã conta com os elevadores nas postas do meio; Nenhuma parada do Recife é adaptada com sinalização sonora ou voz sintética para deficientes visuais; a RMR tem cerca de 5,850 paradas de ônibus;
Ilustração: Guilherme Castro/NE10

Além dos cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida, os deficientes visuais formam outro grupo que sofre por causa da falta de infraestrutura das paradas, que não oferecem o mínimo possível de recursos de acessibilidade. É o que relata Michell Platini, que trabalha na área de comunicação social da Superintendência Estadual de Apoio à Pessoa com Deficiência (Sead). “Não existe, no Recife, nenhuma parada com sinal sonoro”, disse Michell, que também é usuário de transporte coletivo.

Paradas de ônibus e acessibilidade na RMR Falta de educação: população suja as paradas que já estão degradadas pelo tempo e pela falta de manutenção Crédito: Júlio Cirne/JC Trânsito
Paradas de ônibus e acessibilidade na RMR Falta de educação: população suja as paradas que já estão degradadas pelo tempo e pela falta de manutenção Crédito: Júlio Cirne/JC Trânsito

O jovem explica ainda que para atender integralmente as necessidades de um deficiente visual, as ​pa​radas de ônibus deveriam contar com dispositivo de “voz sintética”, que além de avisar sobre a chegada do ônibus, ainda informa qual é a linha que está na parada. Por causa da total ausência dessas paradas adaptadas, Michel conta que o deficiente visual acaba tendo que contar com a solidariedade de outras pessoas. Ele considera que o recifense está sempre disposto a ajudar, mas muitas pessoas ainda não sabem como agir para ajudar uma pessoa com deficiência visual. “São coisas simples como, por exemplo, a pessoa se oferecer para ajudar e, caso o ônibus dela chegue primeiro, ela vai embora sem avisar”.

Outra reclamação recorrente diz respeito à falta de preparo de alguns motoristas para lidar com pessoas com ​deficiência: “Além do despreparo, há alguns motoristas que param o ônibus muito longe de onde a pessoa está parada ou que simplesmente mostram má vontade para auxilar”, disse Michell, contando que já aconteceu de um motorista ironizar a sua deficiência apenas porque ele reclamou da distância com a qual o ônibus parou em relação ao ponto.

ALÉM DA DEFICIÊNCIA – Quando se fala em acessibilidade, o debate acaba ficando concentrado na questão da deficiência, essa crítica é compartilhada pelo gerente de Política da Sead, Geziel Bezerra: “A acessibilidade é universal. Ela serve para atender à mulher grávida, um idoso, uma pessoa obesa e a outros grupos”. Geziel também é cadeirante e, como usuário de ônibus, precisa enfrentar as dificuldades que a ausência das paradas adaptadas trazem. Ele se desloca diariamente de Olinda ao Centro do Recife usando o transporte coletivo.

EXEMPLOS DE FORA – A cidade do Rio de Janeiro se prepara para nos próximos dias instalar um sistema que promete melhorar a vida de deficientes visuais na hora de usar o transporte coletivo. Chamado de “ponto inteligente” e idealizado pelo estudante de engenharia elétrica Douglas Toledo, o projeto foi batizado de Viibus, sigla em inglês para “Visually Impaired Inteligente Bus Stop” (Ponto de Ônibus Inteligente para Deficientes Visuais).

No sistema, ponto de ônibus recebe um painel em braile com as informações das linhas que param nele. O usuário seleciona a linha e aguarda a chegada do veículo. Em​ seguida​, ​um sinalizador visual é acionado para indicar ao motorista que há um deficiente visual esperando naquele ponto. O motorista do coletivo também é informado da presença do passageiro no ponto. Quando o ônibus chega à parada, o passageiro é notificado e solicita o embarque apresentando um cartão de identificação.

O desenvolvimento do projeto foi o trabalho de conclusão de curso de Douglas e foi vencedor do “Desafio Cisco”, que premia iniciativas baseadas no conceito de “internet das coisas”. O Viibus será instalado como protótipo na área do Porto Maravilha, uma dos locais do projeto olímpico da cidade do Rio de Janeiro.

Confira o vídeo de divulgação do projeto:

PERSPECTIVAS PARA PERNAMBUCO – Atualmente, a RMR conta com aproximadamente 5.850 paradas de ônibus, padronizadas em cinco modelos diferentes: abrigos de metal coberto; abrigos feitos de concreto; montante, que são placas de metal com aproximadamente 1,80m de altura; colunas em “L” e placas em poste de concreto. O Grande Recife informa que as paradas nesse último modelo só são usadas para indicar os pontos quando não é possível utilizar modelos de outro tipo.

Ainda segundo o consórcio, um trabalho de reparos pontuais vem sendo realizado nas paradas do Centro do Recife. Além disso, será lançada em breve uma licitação para a manutenção de todos os abrigos de ônibus da RMR. A licitação está na fase interna (ajustes no edital) e após a conclusão será enviado à Secretaria de Administração para análise e publicação do edital. O contrato de concessão terá validade de 20 anos.

A respeito da adaptação das paradas, a assessoria do Grande Recife informou que ainda não há pontos específicos estabelecidos para esse tema, mas que a matéria será incluída no processo de análise do edital.

O consórcio atenta para que população zele pelo bom estado das paradas existentes e informa que, apenas de janeiro a julho de 2015, foram gastos mais R$ 404 mil em reparos de danos que foram causados por vandalismo.

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“Acessibilidade não é privilégio, é direito”, diz jornalista sobre audiodescrição na TV Folha

Fonte: Christh Lopes com supervisão de Vanessa Gonçalves | Portal Imprensa

Desde março, a jornalista Melina Cardoso se prepara para colocar em prática o aprendizado sobre acessibilidade em peças audiovisuais. Na última terça-feira (9/9), a TV Folha exibiu a primeira reportagem dela com audiodescrição e legendas, tendo como personagem o radialista Alberto Pereira, que conta a história do cão-guia Simon, que está próximo de se aposentar.

Melina Cardoso estuda para implantar audiodescrição em matéria da TV Folha (Foto: Arquivo pessoal)
Melina Cardoso estuda para implantar audiodescrição em matéria da TV Folha (Foto: Arquivo pessoal)

Na tarefa de ser os olhos do internauta, a repórter ressalta o apoio do veículo durante o processo de estudos na Universidade Federal de Juiz de Fora (MG). “A ideia é colocar em prática o que estou estudando, até porque é um direito das pessoas com deficiência ter acesso a notícias de forma clara, principalmente os vídeos da TV Folha, que são tão visuais, cheios de informações”, salienta Melina.

O projeto segue uma característica do jornal, que disponibilizou nos últimos dias um leitor de software para pessoas com deficiência visual nas matérias, a fim de facilitar a leitura de notícias veiculadas no portal do diário. O objetivo agora é trabalhar para conseguir oferecer a cada semana um vídeo acessível. “A acessibilidade não é um privilégio, ela é um direito”, afirma.

Reportagem acessível disserta sobre aposentadoria de cão-guia (Foto: :Reprodução)
Reportagem acessível disserta sobre aposentadoria de cão-guia (Foto: :Reprodução)Adww

A jornalista procura compartilhar as experiências adquiridas ao longo do curso com os colegas de redação e a importância de tornar o material do canal acessível ganha espaço a cada dia. Com o sucesso da matéria sobre Simon, há mais uma motivação para manter a iniciativa. “Este recurso é algo muito recente”, diz a jornalista, que teve ajuda de uma professora nesta primeira reportagem.

Existem termos que não podem ser usados na audiodescrição e formas de fazer um roteiro que necessita de uma supervisão”, destaca.

Como primeira lição, ela nos conta que a linguagem precisa se adaptar à audiodescrição, “que nada mais é do que narrar o que você está vendo“. “Só que evita adjetivos, pois a pessoa que está ouvindo chegará à conclusão se a cena é bonita, feia, legal ou chata”.

À IMPRENSA, Melina explica que o método não entrega a notícia “mastigada” para o telespectador. “Eu explico o que está passando na cena e a pessoa chega às suas próprias conclusões”, completa.

Para esta primeira pauta com audiodescrição, a jornalista aproveitou um tema sugerido durante a Copa, mas que estava na gaveta. Afinal, como ela mesmo diz, “nada mais justo do que colocar acessibilidade numa matéria, cujo personagem principal é uma pessoa com deficiência visual”.

Assista ao vídeo:

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Em matéria de calçadas, Brasil engatinha, diz Mara Gabrilli sobre acessibilidade

Publicado em: EBC | Leticia Constant | Fonte: RFI

Sair de casa para ir à padaria, comprar o jornal, ir ao cinema, jantar com os amigos, ver o show do cantor favorito ou curtir uma exposição, tuudo isso parece fácil, simples, mas não pra todo mundo. De cadeira de rodas, por exemplo, dependendo da cidade em que vivemos, sair é um verdadeiro combate.

Na Europa, as principais capitais são bem estruturadas para receber pessoas com necessidades especiais, mas também têm limites graves como, por exemplo, os metrôs de Paris, que são inviáveis para os cadeirantes.

Acessibilidade no Brasil

A deputada Mara Gabrilli, primeira tetraplégica a ocupar um cargo federal, é uma militante incansável, responsável pela Lei de Acessibilidade em São Paulo, que obriga os comerciantes a regularizar os estabelecimentos, permitindo o acesso e proteção de crianças, adolescentes, idosos e pessoas com necessidades especiais.

Ela acha que nos últimos dez anos, quando foi criada a primeira secretaria da pessoa com deficiência no Brasil, o país avançou em políticas públicas para inclusão e para as pessoas com deficiência. “O Brasil tem um dos ordenamentos jurídicos mais ricos do mundo no que diz respeito às pessoas com deficiência, mas ainda há muitos caminhos a percorrer e preconceitos a derrubar, preconceitos da iniciativa privada, do terceiro setor, das iniciativas individuais da sociedade e do setor público”, diz Mara.

O Brasil não tem nenhuma cidade modelo em termos de acessibilidade, mas vale destacar alguns locais que investiram na iniciativa.

“Existe uma cidade bem interessante, a cidade de Socorro, no interior de São Paulo, que tem uma vocação para o esporte radical das pessoas com deficiência”, diz Mara, explicanqo que por este motivo as pousadas os hotéis, os restaurantes, acabaram se adequando. “Também não dá para dizer que a cidade é 100% acessível, mas tem características bem bacanas que vale a pena conhecer. Além de Socorro, temos pequenas cidades e outras maiores como, por exemplo, Uberlândia, no Triângulo Mineiro, que foi a primeira a ter uma frota completa de ônibus para atender passageiros com necessidades especiais. Mas também não dá pra dizer que é uma cidade modelo”, observa.

As calçadas são fundamentais para as pessoas que precisam de acessibilidade especial. Mara Gabrilli sorri ao falar do estado das calçadas brasileiras. “Em matéria de calçada, o Brasil ainda engatinha e engatinha caindo. Não tem nenhuma cidade que a gente possa dizer que é modelo. São Paulo tem alguns pontos onde quem vem do interior ou de outros estados, usando uma cadeira de rodas, um cego, ou alguém que usa maletas, fica maravilhado. Mas São Paulo é muito grande, e do mesmo jeito que a gente tem pontos extremamente acessíveis, você vai na periferia e não tem nada…”, conclui Mara Gabrilli.

A arte de vivenciar as necessidades especiais

O acesso inserido na vida cotidiana é um tema que vem despertando interesse em outros campos. Um exemplo é o escritório de cenografia e conteúdo Folguedo, sediado no Rio de Janeiro, que apresentou recentemente na Casa da Ciência a exposição “Cidade Acessível” em que os visitantes se colocaram na situação vivida por cadeirantes, cegos, idosos, surdos ou velhos.

Leonardo Bumgarten de Freitas, um dos sócios do escritório, fala sobre a mostra. “ A ideia é criar essa sensibilização nas pessoas, essa consciência. A gente entende que se você vive uma situação, tem muito mais possibilidade de incorporar isso de uma forma verdadeira, então, se você passar pela dificuldade, óbvio que uma dificuldade controlada num ambiente seguro,você vai entender quem tem uma dificuldade grande; e quando vai para o espaço real da cidade consegue imaginar o cotidiano dessas pessoas. E não é só na questão do cadeirante, na questão da deficiência, mas acho que numa questão mais ampla da sensibilidade para todos, de fato; entender que todos têm uma necessidade – temporária, de maior ou menor grau -, na coisa de enxergar, de conseguir apertar um botão, ouvir informação, se localizar…Há uma série de questões envolvidas além do circular, além do andar”, reflete Leonardo.

Na mostra Cidade Acessível os visitantes foram convidados a experimentar, vivenciar, se colocar no lugar do outro, escolhendo restrições e barreiras como, por exemplo, cobrir os olhos com uma faixa, andar de cadeira de rodas e outras opções.

Blogs

A solidariedade entre os próprios necessitados de acesso especial também contribui para facilitar o cotidiano. Em diversos blogs, cadeirantes contam suas experiências de viagens, dão dicas de locais de lazer equipados para recebê-los, informam leis e direitos e as última novidades em acessórios como capas para cadeiras de rodas ou bengalas eletrônicas.

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RBTV #3: Marcus Vinícius

Prezado editor,

Ao cursar a disciplina de áudio-descrição ministrada no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, fui solicitada a produzir áudio-descrições e refletir sobre a natureza da inclusão que a áudio-descrição, enquanto tecnologia assistiva aplicada à educação, traz às pessoas com deficiência.

Um dos pontos trabalhados foi o de que a áudio-descrição, tanto pode ser de uma cena num filme ou peça teatral, quanto de uma imagem estática presente numa mostra de artes ou contida em um livro, na forma de pinturas, esculturas, fotos, desenhos etc.

Outro aspecto que foi mencionado em aula foi o fato de que, muitas vezes, pessoas cegas não têm acesso à descrição de como são seus próprios parentes, amigos, colegas de trabalho ou de escola etc.
A fim de despertar-nos para a multiplicidade de aplicações da áudio-descrição, o professor solicitou que efetuássemos a áudio-descrição de pessoas de nosso convívio, então fiz a descrição de uma foto em que meu filho Marcus Vinícius aparece em frente à Casa de Artesanato do Mestre Vitalino, situada no Alto do Moura, no município de Caruaru, em Pernambuco.

Agora, submeto esta áudio-descrição para publicação na seção foto-descrição da RBTV, desejando estimular outras pessoas para que venham tornar a áudio-descrição uma prática em suas vidas, descrevendo e oferecendo as informações visuais de maneira acessível para quem não as podem ver.

Isso é possível, necessário e inclusivo.

Marcus Vinicius

A foto é de um menino branco, cabelos castanhos claros e olhos claros, com aproximadamente três anos de idade. Ele está olhando para frente, tem a cabeça erguida e está com a boca aberta, mostrando os dentes e covinhas no rosto, parecendo dar uma gargalhada. Ao fundo e distante, vê-se uma casa pequena de pau-a-pique que está com a janela e a porta aberta. Na frente da casa existe um pequeno jardim com algumas plantas. Acima da casa, vê-se a copa de uma árvore tão alta que se sobressai às outras. Atrás da casa e por entre as folhas da árvore vê-se o azul do céu. O menino aparece apenas de meio corpo (da cintura para cima), veste regata alaranjada com detalhes brancos na gola e na borda onde veste os braços. A regata traz o desenho do cachorro scooby-doo.

Considerações finais:

A partir da descrição desta foto, é possível refletir sobre a áudio-descrição que pode e deve ser feita no dia-a-dia, seja de fotos, imagens ilustrativas, ou outros recursos visuais presentes em nosso meio. Precisamos desenvolver o hábito de descrever/traduzir imagens em palavras. Mais do que isso, é necessário tornar os ambientes, em especial a sala de aula inclusiva. Um dos passos a serem seguidos para que esse ambiente torne-se efetivamente inclusivo é transmitir as informações visuais do espaço escolar em palavras. A atenção que deve ser dada para o papel da áudio-descrição aplicada à educação, garantindo o direito de igualdade e oportunidade às crianças com deficiência é recomendada por Lima et al. (2009, p.14) ao afirmar que:

não podemos dizer que as crianças com deficiência visual terão igualdade de oportunidades, menos ainda, igualdade de condições de decidirem pelo que lhes é de direito, se essas crianças forem impedidas do acesso às informações visuais como aquelas contidas nos materiais didáticos (nos livros que trazem figuras, gráficos, mapas, etc.), nos materiais paradidáticos e destinados ao lazer, os quais trazem fotos, figuras para pintar, entre outros. Uma criança cega que recebe a áudio-descrição das imagens contidas em seu livro, melhor pode acessar as informações e conceitos dele advindos.

Referências

LIMA, F. J. et al. Em Defesa da Áudio-descrição: contribuições da Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência. Revista Brasileira de Tradução Visual. V. 1, 2009. Disponível em: http://www.rbtv.associadosdainclusao.com.br/index.php/principal/issue/view/2/showToc. Acesso em junho de 2010.

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