RBTV #4: Acessibilidade Web é um dever cívico

Resumo

O presente relato expressa a experiência na produção de sites acessíveis e com usabilidade, inclusive para pessoas com deficiência visual. Busca refletir a respeito da importância de se fazer do acesso a web uma experiência agradável, eficiente e eficaz para pessoas  de todas as idades, conhecimento e condição física ou sensorial. Em suma, defende, baseado na experiência, que fazer sites para todos é uma questão de dever cívico e de retorno de investimento.

Palavras-chave: acessibilidade, usabilidade, sites acessíveis.

RBTV #3: O direito das crianças com deficiência visual à áudio-descrição

Escrito por Francisco José de Lima e Rosângela A. F. Lima

Resumo

Este artigo apresenta, em primeiro momento, robusta sustentação jurídica para o direito de as pessoas com deficiência visual ter acesso à áudio-descrição, defendendo que a não provisão desse recurso assistivo constitui, tanto negligência para com a educação da criança com deficiência visual, quanto discriminação por razão de deficiência. De um lado, esteia essa defesa em documentos internacionais de defesa das crianças, os quais as salvaguardam de maus tratos, da discriminação e da afronta à sua dignidade de criança e pessoa humana. De outro, sustenta o direito à áudio-descrição, na Constituição Brasileira, a qual define a educação como direito indisponível e garante esse direito a todas as crianças, com igualdade de condições, independentemente de suas características fenotípicas, sociais ou genéticas. Em um segundo momento, este artigo sustenta a defesa pela oferta da áudio-descrição, devido aos benefícios que este recurso assistivo pode trazer para a inclusão cultural e educacional da pessoa com deficiência visual, uma vez que, enquanto técnica de tradução visual, ela permite o acesso às imagens, por intermédio das palavras a serem ouvidas, lidas e/ou faladas, natural ou eletronicamente. Trata, também, de como as visões tradicionalistas sobre a capacidade de a pessoa cega fazer uso das imagens, produzindo-as e/ou as compreendendo, têm levado à negação de direitos, ao prejuízo educacional, e em última instância ao preconceito para com as pessoas cegas. Conclui, fazendo a assertiva de que não se trata de perguntar quando se vai oferecer a áudio-descrição, mas de se buscar as condições para melhor formar os áudio-descritores; melhor prover o serviço de áudio-descrição e melhor aparelhar o público alvo para a recepção desse serviço, começando com a criança pequena, lá na escolinha, até o adulto na universidade ou em outro locus social.

Palavras-chaves: áudio-descrição, direito inclusivo, criança com deficiência visual


Abstract

This article presents robust arguments for the provision of audio description for children with vision disability in Brazil. It supports its point of view on national and international laws and conventions that protect children from all forms of harm and discrimination. Audio description is considered an assistive technology capable of given children access to education, culture and leisure by providing visual information of things and events that originally were not available to blind people. It concludes that it is necessary to invest on training audio describers, improve audio description services and educate blind people about receiving and profiting from audio description accessibility.

Keywords: audio description, people with visual disability, accessibility, attitudinal barriers.

Uberlândia é exemplo de acessibilidade para deficientes

Publicado originalmente em: Jornal Nacional

Com 600 mil habitantes, cidade tem rampas de acesso em todas esquinas. Projetos novos só são aprovados se tiver plano para facilitar a mobilidade.

Nesta semana, o Jornal Nacional está apresentando uma série especial de reportagens sobre o desrespeito do Brasil com as pessoas com deficiência. Mas, nesta sexta-feira (18), você vai ver como seria perfeitamente possível diminuir muito o problema da acessibilidade no nosso país. O exemplo é de uma cidade de Minas Gerais.

Cadeirantes para todo lado, cegos andando na rua sem esbarrar em nada, surdos interagindo com outras pessoas. Quem vê até pensa que essa cidade tem mais deficientes do que qualquer outra no Brasil. O que Uberlândia, no Triângulo Mineiro, tem mais que as outras, é acessibilidade.

“Hoje a pessoa tem a liberdade de ir e vir. Elas trabalham, estudam, tem lazer. Então, hoje elas saíram de casa”, afirmou Denise Rezende Faria, coordenadora da Associação Paraplégicos de Uberlândia.

Jornal Nacional: Mas, de onde veio toda essa consciência?

Denise: Isso foi, assim, uma luta árdua. Foi um dia a dia matando leão e onça todos os dias.

Homem sentando na cadeira de rodas vestindo uma camisa roxa, calça jeans e vultos de pessoas caminhando de diversas direções
Homem sentando na cadeira de rodas vestindo uma camisa roxa, calça jeans e vultos de pessoas caminhando de diversas direções

A luta da Associação dos Deficientes valeu a pena: Uberlândia, com 600 mil habitantes, tem rampas de acesso em todas esquinas, no centro e nos bairros, sem distinção: 100% da frota de ônibus com elevadores para quem tem dificuldade de locomoção. Piso tátil para orientar deficientes visuais em todas as calçadas, terminais rodoviários, lojas e prédios públicos. Lá, cada projeto novo de rua, prédio ou loteamento só é aprovado se tiver plano pra facilitar a mobilidade dos deficientes.

Esse programa de acessibilidade existe em Uberlândia há 20 anos, e vai muito além da infraestrutura. É um exercício diário de cidadania que começa nas escolas municipais, onde desde cedo alunos e professores aprendem a conviver com as diferenças.

Linguagem de sinais para quem é surdo poder acompanhar a aula. Máquina de braile, para quem é cego poder anotar tudo. Rampas para alunos cadeirantes e usuários de muletas e carinho, muito carinho.

“A Ana Júlia, ela surpreendeu, que ela é bem inteligente, bem esperta. Está sendo superfácil. Está aprendendo, começando a ler a escrever. Adora vir pra escola. Adora estudar”, comemorou Simone de Fátima Silva, mãe de aluna.

Quem sai de Uberlândia leva a pergunta: por que a acessibilidade tem que ser restrita a algumas cidades, uns poucos prédios, raríssimas iniciativas?

Em Araxá, no mesmo estado de Minas, o deficiente que entrou na Justiça contra uma companhia aérea por falta de acessibilidade em certos aviões precisou ser carregado dentro do fórum da cidade, para chegar à sala do juiz.

“É, no mínimo, irônico, porque a Justiça que deveria estar nos resguardando, cumprindo com a lei porque ela prega a lei e cobra dos outros, ela não seque o que ela está pregando. O que se fala não é o que se faz”, protestou Manoel Stefani Furtado, administrador de empresas.

Mas, justiça seja feita; na capital do Brasil, o prédio do STJ é considerado modelo. “É um paraíso. Aqui é um órgão que eu acho que Deus escolheu pra mim. Prestei concurso pro STJ e não sabia que tinha essa estrutura toda aqui para um cadeirante”, disse Fernanda Zago, técnica judiciária.

De um modo geral, todos os prédios do governo, do Legislativo e do Judiciário são acessíveis. Mas se a Fernanda precisar atravessar a rua para ir do Superior Tribunal de Justiça até o Tribunal Superior do Trabalho: “Não tem acessibilidade. A gente pensa: estou na capital do Brasil e aqui no plano piloto, do lado da Câmara e do Senado, junto dos três poderes, não é acessível”, conta Fernanda.

Precisaria consciência e vontade política, segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas. A ABNT tem uma receita básica para ampliar a acessibilidade: rampas com pouca inclinação, no máximo 8%, e sempre construídas da porta para dentro, para não obstruir as calçadas. Escadas com corrimão, piso tátil, cerâmicas com retângulos e bolinhas em alto relevo e semáforo sonoro para guiar deficientes visuais. Transporte público com elevador e espaço exclusivo para cadeirantes, facilidades que podem fazer diferença não só para quem hoje precisa.

“O que a população esquece que é muito importante é que todos envelhecerão – aliás, é a vontade de todo mundo. E a pessoa, quando ficar velha, ela vai ter perda de mobilidade física, sensorial, visual, auditiva. Então, as pessoas não se preocupam com o futuro”, observou Edison Passafaro, instrutor e auditor das normas de acessibilidade da ABNT.

Segundo a ABNT, por maior que seja o custo para fazer tudo o que é necessário, esse preço nunca chegará nem perto do tamanho dos benefícios para todos.

O governo de Brasília reconheceu o problema da acessibilidade nas calçadas e afirmou que um programa de construção e recuperação está na fase final de orçamento. Sobre a falta de acesso para cadeirantes em Araxá, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais declarou que vai abrir licitação no ano que vem para construir um fórum novo, com rampas.

Aplicativo ‘guiaderodas’ faz mapa colaborativo da acessibilidade

Publicado em: Luiz Alexandre Souza VENTURA do Blogs Vencer Limites | Estadão

Disponível para iOS e Android, o app considera a existência de vagas especiais para estacionamento ou manobrista, condições de circulação interna, banheiro para pessoas com deficiência e mais detalhes em restaurantes, supermercados, lojas, cinemas, farmácias, consultórios, teatros, baladas e outros locais.

Bruno Mahfuz usa cadeira de rodas há 15 anos e já vivenciou todo tipo de situação na qual a falta de acessibilidade trouxe dificuldades reais. A partir dessas experiências, nem sempre agradáveis, Bruno criou o aplicativo ‘guiaderodas’.

“Percebi que pessoas em diferentes momentos da vida enfrentam problemas similares, seja por limitação provisória ou permanente de exercer suas funções rotineiras. Além disso, algumas facilidades beneficiam muito idosos de uma maneira geral, que mesmo sem nenhuma limitação funcional, tendem a preferir um elevador a uma escada”, explica o empreendedor.

Disponível nas versões para iOS e Android, o app faz um mapa colaborativo dos recursos acessíveis de qualquer cidade, com registros em restaurantes, supermercados, lojas, cinemas, farmácias, consultórios, teatros, baladas e outros locais.

Homem sentado na cadeiras de roda, usando roupa social
Bruno Mahfuz usa cadeira de rodas há 15 anos. Imagem: Divulgação

“A meta é facilitar a vida de todas as pessoas com algum tipo de dificuldade de locomoção, sejam cadeirantes, idosos, gestantes, mães com filhos pequenos ou pessoas com outras limitações físicas e funcionais”, diz Bruno.

Com o ‘guiderodas’, o usuário faz uma avaliação, que dura no máximo 30 segundos, e consegue classificar o estabelecimento como acessível, parcialmente acessível e não acessível. O aplicativo considera a existência de vagas especiais para estacionamento ou manobrista, entrada, condições de circulação interna, banheiro para pessoas com deficiência e outros detalhes.

“São perguntas claras e objetivas que podem ser respondidas por pessoas com dificuldade de locomoção ou não. Com o GPS, o ‘guiaderodas’ favorece a avaliação in loco do estabelecimento. Outros filtros de busca podem ser feitos, seja por algum local específico, categoria ou lugares já marcados como acessíveis”, destaca o criador do app.

Acessibilidade nas paradas de ônibus: um desafio a ser enfrentado pelo Recife e RMR

Publicado em: Júlio Cirne | JC Trânsito

Se ser usuário de transporte coletivo na Região ​M​etropolitana do ​R​ecife (RMR)​ já é difícil para quem desfruta de mobilidade plena, a situação fica ainda pior quando se​ tem alg​uma deficiência. Nes​te​ 3 de dezembro, quando é comemorado o ​D​ia Internacional da Pessoa com Deficiência, o JC Trânsito traça um panorama da situação das paradas de ônibus nos principais pontos ​da ​RMR, no que diz respeito às políticas de acessibilidade para atender às necessidades especiais desse grupo que representa 26,75% da população pernambucana, de acordo com o Censo de 2010 do IBGE.​ Infraestrutura precária nos pontos, equipamentos quebrados nos ônibus, abrigos sem proteção do sol e da chuva, além de desrespeito são alguns desses problemas enfrentados diariamente pelos deficientes físicos.

Veja, na galeria de fotos abaixo, a situação de algumas paradas de ônibus no Centro do Recife:

Um dos locais de maior fluxo de pessoas no Recife, a área Central, principalmente os bairros do Derby e da Boa Vista, é o local que mais recebe críticas de quem precisa se locomover de ônibus para resolver as obrigações cotidianas. Mãe do cadeirante e paratleta Jackson da Silva Ramos, de 25 anos, a dona de casa Lindacy Maria da Silva Ramos, com 48 anos, reclama principalmente da infraestrutura das paradas de ônibus, que não estão preparadas para atender às necessidades especiais de pessoas com deficiência.

Homem com bolsa nas costa com o braço esticado solicitando para do ônibus que está chegando
Paradas de ônibus e acessibilidade na RMR Algumas paradas não contam sequer com cobertas para a proteção do sol e da chuva Crédito: Júlio Cirne/JC Trânsito

“São muito estreitas. Essa (parada de ônibus) aqui da Praça do Derby é maior um pouco, mas a maioria normalmente é pequena e descoberta. Quando chove a gente se molha, quando faz sol também é ruim, pois passamos muito tempo esperando o coletivo no calor”, disse dona Lindacy. Quando conversou com o JC Trânsito, na manhã des​s​​​a quarta-feira (2), a dona de casa vinha de uma consulta médica com Jackson no bairro do Derby. Morando em Jardim São Paulo,​ bairro Zona Oeste do Recife,​ mã​e​ e filho contam que demoram cerca de duas horas quando precisam sair ​de lá para chegar à área central.

Apesar de todas as dificuldades, Jackson não se deixa vencer por elas. ​E​ste ano o jovem começou a jogar basquete, através de um programa de inclusão oferecido pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Mesmo com o lugar dos treinamentos sendo mais próximo de sua casa, Jackson mantém a mesma reclamação da mãe: “A parada não é boa e o motorista sempre para longe de onde estamos para subir no ônibus”, disse o jovem. “Isso quando o carro está preparado para ele”, reiterou dona Lindacy, dizendo que alguns veículos ainda não possuem o equipamento necessário para que cadeirantes embarquem nos ônibus.

Jackson encontra dificuldades para embarcar no ônibus, pois o motorista para muito longe de onde ele está. Confira o vídeo:

Cadeirante enfrenta dificuldade para embarcar em ônibus na parada do Derby
Link para o vídeo: Cadeirante enfrenta dificuldade para embarcar em ônibus na parada do Derby
03/12/2015 19h39

De acordo com dados do Grande Recife Consórcio de Transporte, responsável pela operação do transporte coletivo no Recife e RMR, cerca de 5% da frota de 3 mil ônibus cadastrados ainda não contam com o elevador da porta do meio. Veja mais números sobre o transporte abaixo:

27,75% da população pernambucana possuem algum tipo de deificiência, segundo o Censo de 2010 do IBGE; 5% da frota de 3 mil ônibus da RMR ainda nã conta com os elevadores nas postas do meio; Nenhuma parada do Recife é adaptada com sinalização sonora ou voz sintética para deficientes visuais; a RMR tem cerca de 5,850 paradas de ônibus;
Ilustração: Guilherme Castro/NE10

Além dos cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida, os deficientes visuais formam outro grupo que sofre por causa da falta de infraestrutura das paradas, que não oferecem o mínimo possível de recursos de acessibilidade. É o que relata Michell Platini, que trabalha na área de comunicação social da Superintendência Estadual de Apoio à Pessoa com Deficiência (Sead). “Não existe, no Recife, nenhuma parada com sinal sonoro”, disse Michell, que também é usuário de transporte coletivo.

Paradas de ônibus e acessibilidade na RMR Falta de educação: população suja as paradas que já estão degradadas pelo tempo e pela falta de manutenção Crédito: Júlio Cirne/JC Trânsito
Paradas de ônibus e acessibilidade na RMR Falta de educação: população suja as paradas que já estão degradadas pelo tempo e pela falta de manutenção Crédito: Júlio Cirne/JC Trânsito

O jovem explica ainda que para atender integralmente as necessidades de um deficiente visual, as ​pa​radas de ônibus deveriam contar com dispositivo de “voz sintética”, que além de avisar sobre a chegada do ônibus, ainda informa qual é a linha que está na parada. Por causa da total ausência dessas paradas adaptadas, Michel conta que o deficiente visual acaba tendo que contar com a solidariedade de outras pessoas. Ele considera que o recifense está sempre disposto a ajudar, mas muitas pessoas ainda não sabem como agir para ajudar uma pessoa com deficiência visual. “São coisas simples como, por exemplo, a pessoa se oferecer para ajudar e, caso o ônibus dela chegue primeiro, ela vai embora sem avisar”.

Outra reclamação recorrente diz respeito à falta de preparo de alguns motoristas para lidar com pessoas com ​deficiência: “Além do despreparo, há alguns motoristas que param o ônibus muito longe de onde a pessoa está parada ou que simplesmente mostram má vontade para auxilar”, disse Michell, contando que já aconteceu de um motorista ironizar a sua deficiência apenas porque ele reclamou da distância com a qual o ônibus parou em relação ao ponto.

ALÉM DA DEFICIÊNCIA – Quando se fala em acessibilidade, o debate acaba ficando concentrado na questão da deficiência, essa crítica é compartilhada pelo gerente de Política da Sead, Geziel Bezerra: “A acessibilidade é universal. Ela serve para atender à mulher grávida, um idoso, uma pessoa obesa e a outros grupos”. Geziel também é cadeirante e, como usuário de ônibus, precisa enfrentar as dificuldades que a ausência das paradas adaptadas trazem. Ele se desloca diariamente de Olinda ao Centro do Recife usando o transporte coletivo.

EXEMPLOS DE FORA – A cidade do Rio de Janeiro se prepara para nos próximos dias instalar um sistema que promete melhorar a vida de deficientes visuais na hora de usar o transporte coletivo. Chamado de “ponto inteligente” e idealizado pelo estudante de engenharia elétrica Douglas Toledo, o projeto foi batizado de Viibus, sigla em inglês para “Visually Impaired Inteligente Bus Stop” (Ponto de Ônibus Inteligente para Deficientes Visuais).

No sistema, ponto de ônibus recebe um painel em braile com as informações das linhas que param nele. O usuário seleciona a linha e aguarda a chegada do veículo. Em​ seguida​, ​um sinalizador visual é acionado para indicar ao motorista que há um deficiente visual esperando naquele ponto. O motorista do coletivo também é informado da presença do passageiro no ponto. Quando o ônibus chega à parada, o passageiro é notificado e solicita o embarque apresentando um cartão de identificação.

O desenvolvimento do projeto foi o trabalho de conclusão de curso de Douglas e foi vencedor do “Desafio Cisco”, que premia iniciativas baseadas no conceito de “internet das coisas”. O Viibus será instalado como protótipo na área do Porto Maravilha, uma dos locais do projeto olímpico da cidade do Rio de Janeiro.

Confira o vídeo de divulgação do projeto:

PERSPECTIVAS PARA PERNAMBUCO – Atualmente, a RMR conta com aproximadamente 5.850 paradas de ônibus, padronizadas em cinco modelos diferentes: abrigos de metal coberto; abrigos feitos de concreto; montante, que são placas de metal com aproximadamente 1,80m de altura; colunas em “L” e placas em poste de concreto. O Grande Recife informa que as paradas nesse último modelo só são usadas para indicar os pontos quando não é possível utilizar modelos de outro tipo.

Ainda segundo o consórcio, um trabalho de reparos pontuais vem sendo realizado nas paradas do Centro do Recife. Além disso, será lançada em breve uma licitação para a manutenção de todos os abrigos de ônibus da RMR. A licitação está na fase interna (ajustes no edital) e após a conclusão será enviado à Secretaria de Administração para análise e publicação do edital. O contrato de concessão terá validade de 20 anos.

A respeito da adaptação das paradas, a assessoria do Grande Recife informou que ainda não há pontos específicos estabelecidos para esse tema, mas que a matéria será incluída no processo de análise do edital.

O consórcio atenta para que população zele pelo bom estado das paradas existentes e informa que, apenas de janeiro a julho de 2015, foram gastos mais R$ 404 mil em reparos de danos que foram causados por vandalismo.

Em matéria de calçadas, Brasil engatinha, diz Mara Gabrilli sobre acessibilidade

Publicado em: EBC | Leticia Constant | Fonte: RFI

Sair de casa para ir à padaria, comprar o jornal, ir ao cinema, jantar com os amigos, ver o show do cantor favorito ou curtir uma exposição, tuudo isso parece fácil, simples, mas não pra todo mundo. De cadeira de rodas, por exemplo, dependendo da cidade em que vivemos, sair é um verdadeiro combate.

Na Europa, as principais capitais são bem estruturadas para receber pessoas com necessidades especiais, mas também têm limites graves como, por exemplo, os metrôs de Paris, que são inviáveis para os cadeirantes.

Acessibilidade no Brasil

A deputada Mara Gabrilli, primeira tetraplégica a ocupar um cargo federal, é uma militante incansável, responsável pela Lei de Acessibilidade em São Paulo, que obriga os comerciantes a regularizar os estabelecimentos, permitindo o acesso e proteção de crianças, adolescentes, idosos e pessoas com necessidades especiais.

Ela acha que nos últimos dez anos, quando foi criada a primeira secretaria da pessoa com deficiência no Brasil, o país avançou em políticas públicas para inclusão e para as pessoas com deficiência. “O Brasil tem um dos ordenamentos jurídicos mais ricos do mundo no que diz respeito às pessoas com deficiência, mas ainda há muitos caminhos a percorrer e preconceitos a derrubar, preconceitos da iniciativa privada, do terceiro setor, das iniciativas individuais da sociedade e do setor público”, diz Mara.

O Brasil não tem nenhuma cidade modelo em termos de acessibilidade, mas vale destacar alguns locais que investiram na iniciativa.

“Existe uma cidade bem interessante, a cidade de Socorro, no interior de São Paulo, que tem uma vocação para o esporte radical das pessoas com deficiência”, diz Mara, explicanqo que por este motivo as pousadas os hotéis, os restaurantes, acabaram se adequando. “Também não dá para dizer que a cidade é 100% acessível, mas tem características bem bacanas que vale a pena conhecer. Além de Socorro, temos pequenas cidades e outras maiores como, por exemplo, Uberlândia, no Triângulo Mineiro, que foi a primeira a ter uma frota completa de ônibus para atender passageiros com necessidades especiais. Mas também não dá pra dizer que é uma cidade modelo”, observa.

As calçadas são fundamentais para as pessoas que precisam de acessibilidade especial. Mara Gabrilli sorri ao falar do estado das calçadas brasileiras. “Em matéria de calçada, o Brasil ainda engatinha e engatinha caindo. Não tem nenhuma cidade que a gente possa dizer que é modelo. São Paulo tem alguns pontos onde quem vem do interior ou de outros estados, usando uma cadeira de rodas, um cego, ou alguém que usa maletas, fica maravilhado. Mas São Paulo é muito grande, e do mesmo jeito que a gente tem pontos extremamente acessíveis, você vai na periferia e não tem nada…”, conclui Mara Gabrilli.

A arte de vivenciar as necessidades especiais

O acesso inserido na vida cotidiana é um tema que vem despertando interesse em outros campos. Um exemplo é o escritório de cenografia e conteúdo Folguedo, sediado no Rio de Janeiro, que apresentou recentemente na Casa da Ciência a exposição “Cidade Acessível” em que os visitantes se colocaram na situação vivida por cadeirantes, cegos, idosos, surdos ou velhos.

Leonardo Bumgarten de Freitas, um dos sócios do escritório, fala sobre a mostra. “ A ideia é criar essa sensibilização nas pessoas, essa consciência. A gente entende que se você vive uma situação, tem muito mais possibilidade de incorporar isso de uma forma verdadeira, então, se você passar pela dificuldade, óbvio que uma dificuldade controlada num ambiente seguro,você vai entender quem tem uma dificuldade grande; e quando vai para o espaço real da cidade consegue imaginar o cotidiano dessas pessoas. E não é só na questão do cadeirante, na questão da deficiência, mas acho que numa questão mais ampla da sensibilidade para todos, de fato; entender que todos têm uma necessidade – temporária, de maior ou menor grau -, na coisa de enxergar, de conseguir apertar um botão, ouvir informação, se localizar…Há uma série de questões envolvidas além do circular, além do andar”, reflete Leonardo.

Na mostra Cidade Acessível os visitantes foram convidados a experimentar, vivenciar, se colocar no lugar do outro, escolhendo restrições e barreiras como, por exemplo, cobrir os olhos com uma faixa, andar de cadeira de rodas e outras opções.

Blogs

A solidariedade entre os próprios necessitados de acesso especial também contribui para facilitar o cotidiano. Em diversos blogs, cadeirantes contam suas experiências de viagens, dão dicas de locais de lazer equipados para recebê-los, informam leis e direitos e as última novidades em acessórios como capas para cadeiras de rodas ou bengalas eletrônicas.