Senhor Editor, No semestre passado, durante a disciplina de Áudio-descrição aplicada à educação, cursada no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Pernambuco, realizamos vários exercícios de audiodescrição.  Escolhi um, que considero curioso pelo conteúdo trabalhado, para servir de exemplo de como a audiodescrição é imprescindível para a compreensão e execução da tarefa … Continue reading RBTV #10: Tarefas acessíveis: pela audiodescrição nos livros didáticos
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Áudio-descrição da logo da RBTV: Revista Brasileira de Tradução Visual. Em um fundo branco, a mão direita faz a letra t em libras. O indicador e o polegar se cruzam, os demais dedos ficam erguidos. Próximo ao indicador há, em verde, 3 ondas sonoras. Abaixo da mão, lê-se RBTV, com letras verdes e com letras Braille em preto.

RBTV #10: Tarefas acessíveis: pela audiodescrição nos livros didáticos

Senhor Editor,

No semestre passado, durante a disciplina de Áudio-descrição aplicada à educação, cursada no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Pernambuco, realizamos vários exercícios de audiodescrição.  Escolhi um, que considero curioso pelo conteúdo trabalhado, para servir de exemplo de como a audiodescrição é imprescindível para a compreensão e execução da tarefa por uma pessoa cega ou com baixa visão.

Tarefa página 239, capítulo 19.

Esta tela impressionista de Édouard Manet foi recusada no salão oficial de Paris por retratar uma prostituta de luxo em trajes íntimos observada por seu amante. Essa personagem é Naná, de um livro homônimo de Émile Zola, no qual o escritor descreve a vida de uma artista sem importância do teatro de variedades no final do século XIX, e que pela beleza e sedução extorque os bens de seus amantes. Ao mesmo tempo, Zola expõe o desregramento e a hipocrisia da sociedade. Segundo o enfoque naturalista do escritor, a origem pobre e humilde da protagonista explica a frieza e o cálculo com que envolve os homens em sua teia. Ao mesmo tempo, percebemos nessa literatura a mudança na concepção da “heroína” do romance que, de mulher frágil e dependente, surge como a destruidora de lares. Seria preciso esperar mais tempo para que a figura feminina fosse vista além desses dois pólos excessivamente simplificadores. Comente com um colega as mudanças que já ocorreram nesse âmbito até os dias atuais.

Audiodescrição de uma fotografia in, ARANHA, Maria Lúcia Arruda, Filosofando: introdução à Filosofia- 4. ed. rev. –São Paulo: Moderna, 2009. Pg. 239.

Notas proêmias:

A foto mede 6cm X 8cm e fica no extremo lado esquerdo da página 239. Ao lado direito está escrito o exercício. Abaixo da foto está escrito: Tela Naná. Édouard Manet, 1877.

Sobre o autor:

Édouard Manet, pintor francês do século XIX que influenciou alguns precursores do impressionismo. Suas principais obras: Almoço na relva, Olímpia, O tocador de pífano e A   execução de Maximiliano.

Reprodução da pintura:

Sobre a tela:

Pintura originalmente feita em óleo sobre tela, medindo 2,64m X 1,15m, retrata a personagem principal de um romance escrito pelo escritor francês naturalista Émile Zola.

Áudio-descrição:

No centro, uma jovem mulher de pé ocupa toda a extensão vertical da tela. Ela está de perfil e olha para nós. Pele branca, cabelos ruivos presos em coque no alto da cabeça por uma fita azul clara. Tem franja acima das sobrancelhas finas. Os olhos são escuros, o nariz afilado. A orelha esquerda tem um brinco de uma pedrinha brilhante. Veste um corpete azul claro de alças estreitas contornadas por um babado rendado, uma saia anágua branca transparente, uma meia calça que tem uma estampa de flores na parte anterior do tornozelo e o sapato preto de salto ¾ e bico fino com uma fivela quadrada na frente. Ela tem braços roliços, cintura fina marcada pelo corpete, ventre acentuado e ancas largas.

O braço esquerdo está dobrado na altura da cintura e tem um bracelete dourado no antebraço. A mão, próxima ao rosto, segura um batom. O dedo mindinho está levantado e há um anel no dedo anelar. Por trás do punho veem-se os dedos da mão direita que seguram uma esponja de pó facial. Em frente à mulher, um espelho redondo, com diâmetro pouco maior que uma face, está ladeado por dois castiçais que contêm, cada um deles, uma vela apagada. Esse conjunto, espelho e castiçais, é seguro por uma haste tripé de ferro.

Em segundo plano, um homem sentado de pernas cruzadas e de frente para nós, olha em direção à mulher na altura dos quadris. Vê-se apenas parte direita de seu corpo e o rosto de perfil virado para a direita. Ele veste fraque e cartola pretos, tem bigode castanho que se estende até o queixo. Segura no meio de uma bengala apoiada no joelho. Ao seu lado, no sofá de estofado preto, há duas almofadas, uma verde e outra branca. Por trás do sofá, no lado esquerdo, uma penteadeira com um vaso verde e uma planta dentro.

Ao fundo, em um terceiro plano, uma pintura de um flamingo branco à beira de um lago azul decora a parede.

Uma luz projetada do lado esquerdo ilumina o corpo da mulher e faz uma pequena sombra no chão marrom. No extremo lado esquerdo da borda inferior está a assinatura do autor e o ano de 77.

Página do livro.

Transcrição do exercício.
Tarefa página 239, capítulo 19.

“Esta tela impressionista de Édouard Manet foi recusada no salão oficial de Paris por retratar uma prostituta de luxo em trajes íntimos observada por seu amante. Essa personagem é Naná, de um livro homônimo de Émile Zola, no qual o escritor descreve a vida de uma artista sem importância do teatro de variedades no final do século XIX, e que pela beleza e sedução extorque os bens de seus amantes. Ao mesmo tempo, Zola expõe o desregramento e a hipocrisia da sociedade. Segundo o enfoque naturalista do escritor, a origem pobre e humilde da protagonista explica a frieza e o cálculo com que envolve os homens em sua teia. Ao mesmo tempo, percebemos nessa literatura a mudança na concepção da “heroína” do romance que, de mulher frágil e dependente, surge como a destruidora de lares. Seria preciso esperar mais tempo para que a figura feminina fosse vista além desses dois pólos excessivamente simplificadores. Comente com um colega as mudanças que já ocorreram nesse âmbito até os dias atuais.”[1]

Nota de rodapé

[1] ARANHA, Maria Lúcia Arruda, Filosofando: introdução à Filosofia- 4. ed. rev. –São Paulo: Moderna, 2009. Pg. 239.

Como citar esse artigo [ISO 690/2010]:
Tavares Liliana Barros 2012. RBTV #10: Tarefas acessíveis: pela audiodescrição nos livros didáticos [online]. [visto em 19/ 11/ 2018]. Disponível em: http://audiodescriptionworldwide.com/rbtv/tarefas-acessiveis-pela-audiodescricao-nos-livros-didaticos/.
Revista Brasileira de Tradução Visual

Este artigo faz parte da edição de número volume: 10, nº 10 (2012).
Para conhecer a edição completa, acesse: http://audiodescriptionworldwide.com/rbtv/rbtv-10-sumario.

Published by

  • Psicóloga, Mestre em Educação pela UFPE, Professora de Psicologia da Faculdade de Saúde – FPS e da UFRPE. Áudio-descritora pelo CEI/UFPE.View all posts by Liliana Barros Tavares

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