O primeiro espetáculo com áudio-descrição em Pernambuco. A peça relata a história de Jorginho, O Menino que Contava Estrelas, que não se cansa de olhar para o céu e admirá-las. Curioso, sempre pergunta sobre estrelas, planetas e astros celestes. Certa noite foi convidado para uma viagem fascinante pelo espaço, cujo ponto alto foi o encontro … Continue reading O Menino que Contava Estrelas
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Áudio-descrição da logo da RBTV: Revista Brasileira de Tradução Visual. Em um fundo branco, a mão direita faz a letra t em libras. O indicador e o polegar se cruzam, os demais dedos ficam erguidos. Próximo ao indicador há, em verde, 3 ondas sonoras. Abaixo da mão, lê-se RBTV, com letras verdes e com letras Braille em preto.

O Menino que Contava Estrelas

O primeiro espetáculo com áudio-descrição em Pernambuco.

A peça relata a história de Jorginho, O Menino que Contava Estrelas, que não se cansa de olhar para o céu e admirá-las. Curioso, sempre pergunta sobre estrelas, planetas e astros celestes. Certa noite foi convidado para uma viagem fascinante pelo espaço, cujo ponto alto foi o encontro com o seu xará, São Jorge.

A sala de aula

Cena do espetáculo: A sala de aula. (da esq. para a dir.): Gleisse Paixão, Lais Castro, Rosane Bezerra, Fátima Roxa, Sidmar Gianette e Soraya Nejaim.
Foto de Mariana Lima.

Áudio-descrição

Fotografia, orientação horizontal. Vê-se uma mulher, a professora, em pé, ladeada por cinco crianças fardadas, dois meninos e uma menina de um lado, e dois meninos do outro, todos no palco de madeira. A professora está de frente, com o perfil voltado para a esquerda, e com os braços abertos; ela é alta magra e tem cabelos curtos, escuros, sobre os quais ela amarrou uma fita; ela usa uma espécie de túnica azul-escura, com bordados prateados nas laterais e na barra da túnica, e sapatos baixos. As crianças usam camiseta branca de mangas curtas com gravata laranja, calções e saia laranja e sapatos pretos com meias brancas; estão sentadas em banquinhos, cada uma delas em uma posição, todas olhando em direção à professora; da esquerda para a direita, vê-se um menino, com o tronco flexionado, as mãos ajeitando a meia direita; ao lado dele, vê-se outro menino, de pernas abertas, com as mãos juntas próximas à cintura; a seguir, vê-se uma menina, com o braço direito flexionado; do outro lado da professora, vê-se um menino de pernas abertas e meio encolhido; e ao lado dele, um menino com um gorro laranja, com as mãos sobre os joelhos, atento. Por trás das personagens, vê-se parcialmente uma tela branca sobre fundo negro.

O cavalo Galope

Cena do espetáculo: O cavalo Galope.
Foto de Mariana Lima.

Áudio-descrição

Fotografia, orientação horizontal. Sobre fundo preto, vê-se ao centro, parcialmente, a sombra de um cavalo, envolto em um semicírculo de luz em tom alaranjado; ele está com a cabeça e o corpo voltados para a esquerda, e com as patas dianteiras flexionadas. Acima do círculo luminoso, há um pequeno ponto luminoso, em tom amarelado.

O boneco Jorginho montado no cavalo Galope

Cena do espetáculo: O boneco Jorginho montado no cavalo Galope.
Foto de Mariana Lima.

Áudio-descrição

Fotografia, orientação horizontal. Veem-se as sombras do boneco Jorginho e do cavalo Galope por trás da tela branca. Jorginho está montado em Galope; ambos estão com a cabeça e o corpo voltados para a direita; Jorginho está de braços abertos; Galope está com as patas dianteiras para trás e com a cauda levantada. Veem-se as varetas que sustentam cada sombra. Na parte inferior da imagem, está à mostra uma parte da cortina, preta. Acima das figuras de Jorginho e Galope há uma forma clara, circular, que é a luz projetada pelo refletor.

 Sobre o espetáculo

O espetáculo teatral “O Menino que Contava Estrelas” foi produzido por alunos do curso de Artes Cênicas da Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, em Recife, sob a coordenação da professora Izabel Concessa. Trata-se de um espetáculo para crianças e jovens, que reúne técnicas do teatro de formas animadas (bonecos, sombras, marionetes) e do teatro humano. O texto é de Eron Villar. O elenco foi formado por estudantes do Curso de Artes Cênicas, sob a direção de Concessa, elenco esse responsável também pela produção e pela montagem. O espetáculo estreou em janeiro de 2008, no Teatro Milton Baccarelli. No mesmo ano, participou do Festival de Formas Animadas, no teatro Hermilo Borba Filho, da IV Mostra Pernambucana de Teatro de Bonecos, no Teatro Apolo, cumpriu temporada no Teatro Joaquim Cardozo, participou da Mostra SESC de Teatro de Formas Animadas, em Jaboatão/PE, e da I Mostra de Áudio-descrição Imagens que Falam, no Teatro Milton Baccarelli. Em 2009 apresentou-se no Teatro Gato no Telhado, em Olinda/PE. Em 2010, cumpriu 2ª temporada no Teatro Joaquim Cardozo e, em agosto desse ano, o grupo foi dissolvido. Fim de jogo para o espetáculo…

Eu e a Áudio-Descrição (AD)

Meu primeiro contato com a AD deu-se em meados de 2008. Na ocasião, eu era integrante do grupo de teatro Assíntota, e estávamos em cartaz com a peça infantil O Menino que Contava Estrelas, teatro de sombras e de bonecos, primeira temporada no Teatro Joaquim Cardozo, no Centro Cultural Benfica, em Recife/PE.

Uma das atrizes do grupo estava estudando Educação Inclusiva, no Centro de Educação da UFPE, com o professor Francisco Lima, pessoa com deficiência visual, então coordenador do Centro de Estudos Inclusivos da UFPE, para quem falou sobre o nosso espetáculo. A partir desse contato, o professor Lima, que estava ministrando o primeiro curso de tradução visual com ênfase na Áudio-descrição (A-d) na UFPE, foi ver o espetáculo e nos propôs fazer a áudio-descrição da peça, para acessibilidade para espectadores com deficiência visual! Nós não fazíamos a mínima ideia de que se tratava, mas aceitamos e, a partir desse momento, começou a nossa parceria. Repassamos o texto, de Eron Villar para o professor, para ser estudado e analisado pelos alunos do curso, e Gleisse Paixão e eu fomos até à UFPE, para falarmos sobre a peça em detalhes, para que os alunos do curso de AD pudessem preparar os seus roteiros e exercitar a prática na nossa peça.

Enfim, chegou o grande dia! Chegaram o professor Francisco e seus alunos, portando os audiofones e microfones, e alguns usuários com deficiência visual, convidados pelo professor, e os demais espectadores… Logo a seguir começou a apresentação do primeiro espetáculo com AD no Estado de Pernambuco! Depois dessa primeira, vieram outras, e era sempre emocionante ver o semblante das pessoas após o espetáculo, sobretudo das pessoas cegas ou com baixa visão que experimentavam o serviço de áudio-descrição.

Era praxe nossa, após o espetáculo, convidar os espectadores para subirem ao palco, manipularem as sombras, tocarem no dragão-boneco, enfim, para verem um pouco como funcionava a peça por trás da cortina. Era sempre um alumbramento! As crianças e os pais ficavam encantados, houve crianças que estavam lá todos os domingos nos prestigiando! E as crianças cegas, então, nos emocionavam a todos! Falo especificamente de Mateus e Mariana, que foram várias vezes ao espetáculo. Era indescritível ver o semblante de Mariana, que resplandecia e dava risadas tocando no dragão Fumaça, nas sombras e nos atores… Quanto a Mateus, sabia o espetáculo de cor e ficava anunciando a próxima cena… As duas crianças sempre queriam tocar nos atores, sobretudo na atriz Soraya Nejaim, que fazia Jorginho, o papel principal. Mas eles queriam falar também com os atores que faziam o cavalo Galope, o São Jorge, o São Pedro, o Astronauta etc. Pois o nosso espetáculo era um sonho de Jorginho, e em sonho a gente pode tudo; então tinha o cavalo de São Jorge, tinha peixes, estrelas, bombons dançarinos, placas andantes, céu estrelado e outras curiosidades.

O primeiro espetáculo com AD foi notícia nos dois principais jornais da cidade do Recife, o Jornal do Comércio e o Diário de Pernambuco.

Em 2009, eu participei do segundo curso de áudio-descrição “Imagens que Falam” ministrado pelo professor Lima. Decidi fazer o curso meio que por curiosidade, pois muito me impressionou ver a reação dos espectadores com deficiência visual, após apreciarem o espetáculo com A-d. Participei ativamente do curso – o professor Lima é muito exigente! Fizemos várias AD, sobretudo de vídeos curtas-metragens. O curso culminou com um seminário aberto ao público em que apresentamos os conteúdos aprendidos e os vídeos áudio-descritos.

Após o curso, a vida segue… Em 2010, foi realizada uma segunda temporada do espetáculo O Menino que Contava Estrelas, no Teatro Joaquim Cardozo, também oferecida com o recurso da áudio-descrição.

Em 2011 fui convidada a fazer parte de um projeto cujo objetivo era áudio-descrever 100 (cem) obras do acervo do Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães, no Recife, na função de áudio-descritora. Este foi um projeto pioneiro na cidade, no qual trabalhamos durante mais de um ano, e que está ainda em fase final de acabamento.

No segundo semestre de 2012, surgiu uma oportunidade e grande desafio: fazer a acessibilidade do vestibular e dos exames seriados da Universidade de Pernambuco, no Recife, descrevendo as imagens das provas, para acessibilidade dos vestibulandos com deficiência visual. Foram 187 (cento e oitenta e sete) imagens áudio-descritas em parceria com o áudio-descritor Ernani Ribeiro. Um trabalho árduo, mas muito gratificante.

Neste ano de 2013, neste momento, estou finalizando a áudio-descrição das obras da exposição Bela Aurora do Recife, do artista Wilton de Souza, em exibição no Centro Cultural dos Correios, no Recife, em parceria com o áudio-descritor Ernani Ribeiro. Desta feita, são 176 (cento e setenta e seis) imagens, entre pinturas, desenhos, gravuras e ilustrações, além de uma escultura, que as pessoas com deficiência visual poderão apreciar a partir do próximo mês de abril.

Que venham muitas outras áudio-descrições… Já está na pauta mais uma, para breve, desta feita de uma exposição fotografias.

Como citar esse artigo [ISO 690/2010]:
Castro Laís 2013. O Menino que Contava Estrelas [online]. [visto em 18/ 06/ 2019]. Disponível em: http://audiodescriptionworldwide.com/rbtv/o-menino-que-contava-estrelas/.
Revista Brasileira de Tradução Visual

Este artigo faz parte da edição de número volume: 14, nº 14 (2013).
Para conhecer a edição completa, acesse: http://audiodescriptionworldwide.com/rbtv/rbtv-14-sumario.

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