Resumo O presente trabalho constitui-se de um fragmento de uma pesquisa realizada pela autora no período de 2008 a 2012, no curso de graduação em Letras, habilitação em Língua Brasileira de Sinais. O corpus compõe-se de expressões e sinais da Libras; objetivando analisar as manifestações metafóricas e particularidades apresentadas por indivíduos surdos no processo de … Continue reading Metáfora conceptual em Língua Brasileira de Sinais
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Metáfora conceptual em Língua Brasileira de Sinais

Resumo

O presente trabalho constitui-se de um fragmento de uma pesquisa realizada pela autora no período de 2008 a 2012, no curso de graduação em Letras, habilitação em Língua Brasileira de Sinais. O corpus compõe-se de expressões e sinais da Libras; objetivando analisar as manifestações metafóricas e particularidades apresentadas por indivíduos surdos no processo de conceptualização, de acordo os pressupostos teóricos propostos por Lakoff e Johnson (1987), que estão postulados na Teoria da Metáfora Conceptual. Como resultados, temos a confirmação da hipótese de que a Libras, assim como todas as línguas, sejam orais ou de sinais, são riquíssimas em processos metafóricos.

Palavras-chave: Libras, Metáfora conceptual, Linguagem, Surdos, Linguística Cognitiva.

1 Introdução

A linguagem está presente nos homens, nos animais e na natureza em geral, mas é a linguagem humana a única capaz de simbolizar, incluindo conceitos complexos e abstratos. A ciência tem dado cada vez mais espaço às investigações envolvendo este assunto em sua procura por entender melhor o homem e seus mecanismos cerebrais, sua vida como indivíduo em si e como ser social.

A linguística cognitiva surgiu como uma nova vertente para os estudos da linguagem. Segundo Silva (2001, p. 56),

A Linguística Cognitiva é uma ciência que aborda a linguagem perspectivada como meio de conhecimento e em conexão com a experiência humana do mundo. As unidades e as estruturas da linguagem são estudadas, não como se fossem entidades autônomas, mas como manifestações de capacidades cognitivas gerais, da organização conceptual, de princípios de categorização, de mecanismos de processamento e da experiência cultural, social e individual.

As capacidades cognitivas, como percepção, categorização, atenção e memória fazem com que a linguagem sofra uma interação mútua. A linguagem como parte integrante do pensamento e faz com que o conheçamos, pois é responsável pela construção e estruturação do pensamento.

Fauconnier (1997), concebe que a linguagem, bem como suas diferentes utilizações fazem parte de um processo de uma organização cognitiva maior, ou seja envolvem modelos sociológicos e culturais, aprendizagem, desenvolvimento psicológico e projeções neurobiológicas.

Para que possamos compreender e experienciar o mundo do qual fazemos parte, a linguagem utiliza um mecanismo importante neste processo: a metáfora, que tem sido estudada por diversos domínios da investigação humana, sendo mais perspectivada pela linguística.

As metáforas podem compor esquemas imagéticos que favorecem nossa compreensão de domínios mais abstratos. Para Lakoff & Johnson (1980), as metáforas extrapolam seu uso na poética ou retórica e passam a ser encaradas como algo presentes no dia a dia não só na linguagem, mas também no pensamento e na ação. O processamento da linguagem é altamente metafórico; portanto, se o conceito e a ação são estruturados metaforicamente, logo a linguagem também o é.

Para os autores citados, as orientações metafóricas não são arbitrárias e se baseiam na nossa experiência física e cultural. Alguns conceitos fundamentais que formulamos são organizados em termos metafóricos, e a experiência que temos com o mundo físico possibilita a base de formulação de metáforas, sejam elas espaciais ou ontológicas.

As metáforas, conceptuais por natureza, são caminhos para o entendimento. Essa abordagem foi proposta por Lakoff & Johnson (1980) passando a ser chamada Teoria da Metáfora Conceptual (TMC). Mas conceitos como domínios, mapeamento e projeções são termos elaborados pela Teoria dos Espaços Mentais e que, também são utilizados na TMC.

A proposta deste trabalho visa analisar que peculiaridades as pessoas surdas apresentam na comunicação, considerando-se indícios metafóricas que os surdos apresentam no processo de conceptualização, levando em consideração a definição de metáfora proposta por Lakoff e Johnson (1980), segundo a qual as metáforas são conceptuais por natureza e são um dos nossos maiores caminhos para o entendimento.

É necessário para tanto, revisar alguns conceitos fundamentais sobre a temática que veremos a seguir.

2 Fundamentação teórica

2.1 Conversando sobre a Língua Brasileira de Sinais – Libras e as pessoas surdas

A comunicação é uma necessidade humana, e as linguagens oral e escrita são as formas mais comuns de comunicação. Por isso, pode-se dizer que: (a) a linguagem é natural do ser humano; (b) através da linguagem, o ser humano estrutura seu pensamento, traduz o que sente e o que quer, registra o que conhece se comunica com os outros, produz significação e sentido; e (c) o ser humano cria novas linguagens para expressar o que pensa, sente, deseja e para comunicar-se com seus semelhantes. A língua utilizada por um indivíduo para comunicação depende do grupo em que está inserido. Para os ouvintes, a comunicação se estabelece em termos oral-auditivos. (KLIMSA FARIAS, 2006, p. 48).

No entanto, para os surdos pode se estabelecer em termos gestuais-visuais, onde gestual significa o conjunto de elementos linguísticos manuais, corporais e faciais necessários para a articulação e a significação visual cultural do sinal. Nas línguas de sinais, enquanto o emissor constrói uma sentença a partir desses elementos, o receptor utiliza os olhos para entender o que está sendo comunicado. Desta forma, já que a informação linguística é percebida pelos olhos, os sinais são construídos de acordo com as possibilidades perceptíveis do sistema visual humano.

As línguas de sinais não são diferentes das línguas orais, no que se refere à função primordial de evocar significados – elas devem ser consideradas por seus valores conceituais; não como um conjunto de sinais referentes a palavras da língua oral, mas como um código aberto de significantes e significados. (Ciccone, 1996, p.22).

No Brasil, existem duas línguas de sinais: a língua brasileira de sinais Kaapor – LSKB, utilizada pelos índios da tribo Kaapor, cuja maioria é surda, e a língua brasileira de sinais das comunidades surdas brasileiras – LSCB, que é utilizada nos centros urbanos[1]. (KLIMSA FARIAS, 2006, p. 48).

Como apontam Quadros & Karnopp (2004.); Quadros (1997a) Brito (1995); Fernandes (1995) e Moura (1993); as línguas de sinais são estruturadas de todos os componentes pertinentes às línguas orais como, fonologia, morfologia, sintaxe, semântica, pragmática e outros elementos, preenchendo, assim, os requisitos científicos para ser considerada língua. Podem ser comparadas em complexidade e expressividade as línguas orais, pois expressam ideias sutis, complexas e abstratas. Os seus usuários são capazes de discutir qualquer assunto: filosofia, literatura, política, esportes, trabalho, moda e utilizá-las com função estética para fazer poesias, contar estórias, criar peças de teatro e humor. Além de possuir todos os elementos característicos de uma língua, demanda de prática para seu aprendizado, como qualquer outra. (KLIMSA FARIAS, 2006, p. 49).

Ao contrário do que muitos pensam, as línguas de sinais não são universais, cada país tem a sua, com estrutura diferente, embora muito parecida. No Brasil tem-se a LIBRAS, nos Estados Unidos a American Sign Language – ASL (QUADROS e KARNOPP, 2004), e assim por diante. Nem mesmo no nível nacional existe uma padronização, ainda mais em um país de grandes dimensões como o Brasil.

Santarosa (2000) afirma que “língua” designa um específico sistema de signos que é utilizado por uma comunidade para comunicação. Portanto, a Libras é uma língua natural que surgiu nas comunidades de surdos brasileiros para atender às necessidades comunicativas deste grupo. Brito (1995) afirma que são línguas naturais porque, como as línguas orais, surgiram espontaneamente da interação entre os surdos, além de, através de sua estrutura, poder expressar qualquer conceito desde o descritivo, concreto ao emocional, abstrato. (KLIMSA FARIAS, 2006, p. 49).

Goldfeld (1997) esclarece que até o século XV a ideia vigente era de que o surdo era um ser incapaz não podendo ser educado. Durante muito tempo, os surdos foram proibidos de usar a língua de sinais, sendo oferecida então a língua oral, por ser considerada importante para seu convívio com a sociedade, uma língua difícil de ser aprendida e impossível de ser adquirida de forma espontânea. Tal fato, deixA evidente que essa proibição trouxe para os surdos dificuldades na escolarização e na socialização.

Os educadores, no decorrer da história da educação dos surdos, criaram diferentes metodologias de ensino para eles. Alguns se baseavam apenas na língua oral, isto é, a língua auditiva-oral utilizada no país. Outros pesquisaram a língua de sinais, uma língua espaço-visual criada pelas comunidades surdas através das gerações. E, outros ainda, criaram códigos visuais para facilitar a comunicação com os alunos, mas que não se configuravam como uma língua. Goldfeld (1997).

Na educação de pessoas surdas, destacam-se três abordagens educacionais, que ainda perduram no Brasil atualmente. Como ressalta Goldfeld, todas têm sua importância no trabalho escolar com os surdos. Com relação a essas abordagens a autora comenta:

O oralismo, ao considerar a oralização sua meta principal e ao não valorizar realmente o diálogo espontâneo e contextualizado, na única língua em que este é possível para a criança surda, a língua de sinais, provoca diversos danos ao desenvolvimento linguístico e cognitivo desta criança já que o desenvolvimento cognitivo é determinado pela aquisição da linguagem, que deve ocorrer através do diálogo contextualizado (1997, p.159).

A oralização não consegue evitar danos no desenvolvimento da criança surda, mesmo que tenha em determinado momento atingido seu objetivo. Como escreve Skliar, a proposta oralista “supõe que é possível ensinar a linguagem e sustenta a ideia (…) de que existe uma dependência unívoca entre a eficiência ou eficácia oral e o desenvolvimento cognitivo” (1997, p.11).

A comunicação total é abordagem que valoriza a comunicação e não a língua, mas por não oferecer à criança uma língua de fácil acesso, não supre as necessidades que possam lhe servir de ferramenta do pensamento. Por outro lado, “estimula a criação de códigos e línguas artificiais independentes do meio socioeconômico e cultural” (Goldfeld, 1997, p.160). A autora refere-se ao bilinguismo como:

A melhor opção educacional para a criança surda, pois a expõe a uma língua, de fácil acesso, a língua de sinais, que pode evitar o atraso da linguagem e possibilitar um pleno desenvolvimento cognitivo, além de expor a criança à linguagem oral, que é essencial para seu convívio com a comunidade ouvinte e a sua própria família (1997, p.160).

Nesse sentido, a educação, quando baseada no bilinguismo, parte da conversação, como acontece com as crianças ouvintes, possibilitando, desse modo, a internalização da linguagem e o desenvolvimento das funções superiores.

O bilinguismo permitindo o acesso da criança surda à comunidade que utilize a Libras de forma que ela possa adquiri-la naturalmente através da interação com surdos adultos. Na escola a Libras deverá ser a língua de instrução, ou seja, a primeira língua – L1 da criança e a língua portuguesa, a segunda língua – L2, na modalidade escrita. Para isso, a escola deve contar com o professores surdos experientes no processo de educação de crianças surdas.

A língua de sinais passa por um período de desvalorização devido às práticas oriundas da educação oral, como já foi visto anteriormente. Durante exatos 100 anos do oralismo (1880 a 1980) devido à intolerância da época com as minorias e com a preocupação dos pais e professores de surdos em ensiná-los a falar, somente a partir de 1980 se começou a dar a importância que a língua de sinais merece. (KLIMSA FARIAS, 2006, p. 49).

Embora se tenha estudos posteriores acerca das línguas de sinais, de acordo com Quadros e Karnopp (2004), apesar de existirem de forma natural em comunidades linguísticas de pessoas surdas, a Língua Brasileira de Sinais, só foi recentemente reconhecida em 24 de abril de 2002 pela Lei Nº 10.436, publicada em 24 de abril de 2002, instituindo-a como meio legal de comunicação e expressão oriunda de comunidades surdas do Brasil, não substituindo a modalidade escrita da Língua Portuguesa (KLIMSA FARIAS, 2006, p. 50).

Portanto, os problemas tradicionalmente apontados como característicos da pessoa surda são produzidos por condições sociais. Não há limitações cognitivas ou efetivas inerentes à surdez, tudo dependendo das possibilidades oferecidas pelo grupo social para seu desenvolvimento, em especial para a consolidação da linguagem (Góes, 1996, p.38).

2.2 A teoria da metáfora conceptual e as Línguas de Sinais

Ainda são raros os estudos envolvendo metáforas conceptuais e línguas de sinais. No entanto, podemos encontrar pesquisas louváveis sobre o assunto, como as de Wilcox e Wilbur – na American Sign Language/ASL e Brennam na British Sign Language/BSL. No Brasil também começam a despontar trabalhos envolvendo o tema, como os de Faria e Frehse, ambos em metáforas e Libras.

Em diferentes épocas, as metáforas, na concepção dos estudiosos da área, possuem um histórico complexo e diversificado se comparado com épocas anteriores. Para Lakoff e Johnson (1980; 2002, p.46-48), estudiosos da concepção cognitiva da metáfora, “o modo como pensamos, o que experienciamos e o que fazemos todos os dias são uma questão de metáfora”. Para eles, “a essência da metáfora é entender e experimentar um tipo de coisa em termos de outra”, ou seja, por terem base cognitiva, as metáforas não são assuntos da língua, mas do pensamento ou da ação. Assim, quase tudo o que dizemos ou escrevemos carrega tipo de conteúdo metafórico. (FARIA, 2003, p. 103)

O modelo proposto por Lakoff e Johnson (1980, p. 59) estabelece: (a) metáforas estruturais – definidas como um conceito estruturado de outro, por exemplo, PESSOAS SÃO ANIMAIS, ou seja, um tipo de experiência ou atividade em termos de outro tipo de experiência ou atividade (Ex.: Eu não vejo essa questão da mesma forma que você – Metáfora compreender é ver). As metáforas estruturais são denominadas metáforas básicas, pois seu uso é convencional, inconsciente, automático e tipicamente despercebido; (b) metáforas espaciais ou orientacionais – que organizam todo um sistema de conceitos em relação a outros a partir de várias bases físicas, sociais e culturais possíveis que estão enraizadas na experiência física e cultural e, por isso, não são construídas ao acaso, por exemplo: Acordei de alto astral, mas Ana está na fossa – Metáfora alegria é para cima e tristeza é para baixo (FARIA, 2003). Emergem de nossa experiência com nosso corpo em termos de orientação espacial fornecendo rico subsídio para compreender conceitos em termos orientacionais. Nas línguas orais ocidentais, e também na Língua Brasileira de Sinais – Libras, para cima vs para baixo refere-se, respectivamente, estar bem, a coisas positivas, ao que é bom vs estar mal, a coisas negativas, ao que é ruim; a noção de perto e longe refere-se a negação na Libras; o futuro é representado por um movimento para frente, enquanto o passado é representado com um movimento para trás. Assim, tem-se semana passada (movimento para frente), semana passada (movimento para trás); denominações que se referem à visão são realizadas perto dos olhos; as que se referem a alimentação, perto da boca; as que se referem a sentimentos, perto do coração; as que se referem a raciocínio, perto da cabeça. E (c) metáforas ontológicas – formas de conceber eventos, atividades, emoções, ideias etc. como entidades e substâncias. Na metáfora ontológica, a mente é uma entidade, (por exemplo: Já estou de cabeça cheia, preciso de descanso – Metáfora a mente é um recipiente). Objetos podem ser colocados dentro de um recipiente. A informação pode ser metaforicamente colocada em um recipiente e manejada por meio de vários Classificadores (CLs) e Configurações de Mãos (CMs) via o conduto metáfora. As pessoas usam ideias (objetos) criadas em mentes (recipientes) e colocam-nas em palavras (recipientes). Fauconnier (1997) amplia a visão de Lakoff e Johnson e determina que há várias fontes e vários alvos, aos quais denomina blending (combinação) – lexias visuais e relações sintáticas (FARIA, 2003).

Paralelamente às metáforas conceptuais temos as metonímias, conhecidas como figura da “fala”, na qual uma palavra ou frase é substituída por outra com a qual ela está proximamente associada. Lakoff (1987) afirma que a metonímia tem principalmente uma função referencial, isto é, permite-nos usar uma entidade para representar outra. Decifrar a metonímia consiste em chegar ao termo substituído, ou seja, ao referente que atende à dupla condição de ocupar a posição do substituto e manter com este relação de contiguidade (o gatilho é utilizado para referenciar a entidade alvo). A metonímia só pode ser entendia dentro de um cenário de uso da linguagem. (FARIA, 2003)

WILCOX (2000), a mais representativa autora de pesquisas em metáforas em ASL na atualidade, defende a ideia de que o estudo das metáforas em língua de sinais não pode ser empreendido sem considerar a influência da cultura. E, considerando que as comunidades surdas se caracterizam por uma apreensão de mundo essencialmente visual, certamente o motor cognitivo visual tem uma importância na organização de elementos da cultura e varia de acordo com a organização social. O exemplo relatado por FARIA (2006, p.182), sobre o trabalho de WILCOX (2000) ilustra esta interrelação:

A autora lembra que os conceitos da comunidade surda sobre si se substituíram através dos anos, e as metáforas usadas para descrever seu grupo cultural de pessoas têm mudado também. Segundo ela, muitas das primeiras descrições que as pessoas surdas escolheram para usar ao se descrever incluíam termos como ‘silêncio’. Havia ‘Clubes do Silêncio’, ‘Jornal do Silêncio’, etc. Correntemente, há uma tentativa de excluir o que se tornou um conceito frágil – silêncio – e incluir termos como ‘vendo’, ‘visão’, ou ‘surdo’, como em ‘Dia da visão’ ou ‘Dia da consciência Surda’, esforços que acentuam os aspectos positivos do grupo. (FREHSE, 2007, p. 75)

Para Frehse (2007), neste exemplo, como a organização conceitual abarca elementos da cultura aliada ao motor cognitivo visual. Em primeiro momento, a ausência de audição era o domínio fonte da metáfora, que vem sendo substituída pela visão, que realmente representa algo da experiência perceptiva destes sujeitos. É a substituição da falta de algo por uma experiência concreta que balisa uma organização cultural específica. A palavra “silêncio” representa uma metáfora “importada” da cultura ouvinte, uma vez que, do ponto de vista dos surdos congênitos, não há como faltar um sentido que nunca foi experimentado. A metaforização da visão representa o que há de mais autêntico em termos da experiência perceptiva dos surdos. (FREHSE, 2007, p. 76)

Wilcox (2000) afirma que os padrões conceituais não são conceitos inatos individuais, são culturalmente influenciados pela interação das pessoas ao nosso redor e nos estudos da metáfora na Língua de Sinais Americana (ASL) não se atêm apenas a sinais isolados ou palavras, mas também, e principalmente, a valores da comunidade surda. A autora lembra que os conceitos da comunidade surda sobre si se substituíram através dos anos, e as metáforas usadas para descrever seu grupo cultural de pessoas têm mudado também. (WILCOX, 2000, p.34).

Grushkin (1998) compara as expressões metafóricas de raiva (anger) para a língua inglesa e ASL, encontrando diferenças que considera significativas no que diz respeito ao mapeamento conceitual nas diferentes línguas. Para o autor, os elementos encontrados reforçam a existência de uma unidade cultural dos surdos, que se manifesta na linguagem. (FREHSE, 2007, p. 76)

Ainda pensando na relação entre os processos metafóricos e a cultura, BRITO (1995, p.225) afirma que as metáforas orientacionais em Libras são as mesmas encontradas nas línguas orais ocidentais. Ao comparar os sinais de tempo e espaço em Libras e LSKB (Língua de Sinais Kaapor Brasileira), aponta algumas diferenças na sinalização temporal da Libras em relação à língua de sinais dos Urubus-Kaapor, habitantes da floresta amazônica. A autora afirma que, na Libras, o futuro é apresentado ‘para frente’ e o passado ‘para trás’. Esta oposição polar não é encontrada em LSKB. Nesta língua, o futuro é direcionado para cima e o passado é não-marcado. (FREHSE, 2007, p. 68)

A autora apresenta algumas diferenças culturais esclarecedoras para as diferenças na marcação temporal nas duas línguas:

A oposição não-polar (na LSKB) mostra como o futuro é importante. Esta assimetria leva à conclusão de que os eventos futuros são concebidos como totalmente diferentes dos eventos passados, porque não podem ser dominados. A oposição simétrica ou polar do sistema de tempo em Libras mostra que o futuro e o passado são vistos como que podendo ser dominados. A polaridade engloba similaridade. (…) O que é visível produz a sensação de estar controlável. Frases como “vamos ao encontro do futuro” mostram que o homem em nossa cultura não vê o futuro como algo que não possa dominar. Ele não espera pelo futuro passivamente. Além disso, o tempo em Libras é mais discretizado, mais quantificado, mais medido do que em LSKB. Isto pode ajudar o homem a se sentir mais poderoso em relação ao tempo. (Brito, 1995, p. 225).

Entre os estudos da metáfora na ASL, apresentados por Wilcox (Wilcox, 2000), este trabalho põe em destaque os de Wilbur (1987 apud WILCOX, 2000, p.48) e Brennam (1990, apud WILCOX, 2000, p.50-53). Ambas apoiam seus estudos na teoria de Lakoff e Johnson (1980). Brennan lembra que referentes de palavras reais sejam concretas, abstratas ou estejam em algum ponto entre o concreto e o abstrato, são marcadas por uma forma simbólica visual, por exemplo, uma metáfora e estabelece metáforas estruturais, espaciais e ontológicas na ASL. Ela identifica metáforas espaciais, paralelamente às metáforas orientacionais descritas por Lakoff e Johnson (1980; 2000) e nota que encontrar metáforas estruturais em ASL é talvez a pesquisa mais difícil, uma vez que essa concepção conceptual da metáfora envolve a compreensão de um domínio da experiência, em termos de um domínio muito diferente do da experiência, como um mapeamento sistematicamente estruturado de um domínio de origem (concreto) a um domínio alvo (abstrato). (FARIA, 2003).

Brennam (1990, p.23 apud WILCOX, 2000, p.50 e 51), por sua vez, defende que as relações metafóricas são parte integrante da organização estrutural da BSL e participam ativamente na geração de novos sinais. Ela sugere que é possível agrupar sinais individuais num conjunto que partilha a mesma metáfora subjacente e nota que a comunicação efetiva, freqüentemente encontrada entre os sinalizantes de diferentes LS, pode ser oportuna para as relações do código vísuoespacial partilhado e para a exploração dele com a construção sobre a qual a metáfora está baseada. (FARIA, 2003).

Segundo Wilcox (2000, p.48), para surdos americanos, ‘alegria’ também é para cima; contudo, para os surdos japoneses, alegria e prazer possuem efeitos calmos no corpo. Na Língua de Sinais Japonesa (JSL), o sinal para alegre move a cabeça para trás e para baixo. Sinais para riqueza e promoção são projetados para fora ao invés de para cima. Na ASL, maldade, tristeza, doença, morte são para baixo, enquanto na JSL, um movimento para baixo e para fora, pode confundir um americano não familiar com a metáfora encontrada na JSL (WILCOX, 2000, p.188). Enfim, acima-abaixo, frente-trás, dentro-fora, perto-longe correspondem a funções corporais que, principalmente nas LS, podem e são metaforizadas pela própria tendência da modalidade. As diferenças entre as amostras da metáfora na LS da cultura ocidental em contraste com as da cultura oriental mostram como há um forte componente cultural na língua que também gera a metáfora. (FARIA, 2003)

Conforme Wilcox (2000, p.188), na JSL a área em volta do umbigo e tórax é considerada o centro do pensamento. Os sinais relacionados ao pensamento se iniciam nesse local. Na ASL, na Língua Britânica de Sinais (BSL), como na LSB, o processamento do pensamento ativo é indicado perto da porção frontal da cabeça, onde o pensamento e os processos cognitivos são geralmente associados. (FARIA, 2003). Segundo Brennam (1990, apud WILCOX, 2000, p.52), quando o sinal de pensar é representado pelo componente fonológico, a configuração de mão (CM) do indicador estendido na fronte é icônica para uma metonímia do referente. Assim, a fronte é uma metonímia do cérebro e pensamentos. Ao que parece, comparando-se aos outros pesquisadores sobre a metáfora na ASL, tais observações tornam o item pensar, não-icônico, como bem observa Brennam (1990, apud WILCOX, 2000, p.52), é icônico para uma metonímia e fazer parte de um campo semântico específico é pertencer a um campo metafórico.

A respeito da metáfora ontológica, nas LS, a informação pode ser metaforicamente colocada em um recipiente e manejada por meio de classificadores (CLs) e CMs, via o conduto metáfora. Segundo Wilbur (1987 apud WILCOX, 2000, p.49), as pessoas pegam ideias – objetos – de suas mentes – recipientes – e colocam-nas em palavras – recipientes – para transferi-las para outras. Segundo Wilcox (2000, p.49), a metáfora do recipiente na ASL, entretanto, pode ser mais poderosa que uma simples metáfora ontológica que denota uma entidade abstrata.

Podemos dizer que um item lexical é criado em LS a partir de uma metonímia do referente. Nos exemplos ‘cavalo’, ‘coelho’ e ‘boi/vaca’, as partes do corpo – orelhas ou chifres – são escolhidas, prototipicamente, por muitas línguas de sinais para representar o referente, ou seja, para especificar o animal inteiro. (FARIA, 2003). Em síntese, os chifres – representação metonímica dos bovinos – dizem respeito a autoridade. Bois são metaforicamente extendidos para representar “presidente”. O sinal que designa um boi é um ícone de chifre; chifre é uma metonímia de boi; boi é uma metáfora de presidente em ASL (WILCOX, 2000, p.90).

As metáforas podem participar da elaboração de esquemas imagéticos – EI – para fornecer nossa compreensão de domínios mais abstratos. Os EI formam-se através da percepção sensório-motora sobre as experiências humanas mais primitivas, e basicamente vividas espacialmente.

Mediante a definição apresentada, conclui-se que as metáforas, muito mais do que simples figuras de linguagem (como eram conceptualizadas há algum tempo) são instrumentos fundamentais às capacidades de comunicação e conceptualização do ser humano. São uma “janela” para os sistemas do conhecimento que são relevantes e centrais em uma determinada cultura.

3 Metodologia

O presente artigo constitui-se de um fragmento de uma pesquisa realizada pela autora quando ministrou a disciplina de Libras IV no curso de graduação em Letras com habilitação em Libras, curso de licenciatura, modalidade de educação à distância, semipresencial, com pólo na Universidade Federal de Pernambuco – UFPE . A parte prática foi concebida a partir de experiências da pesquisadora com alunos suros durante a trajetória do curso no período de 2008 até 2012. O corpus constitui-se de expressões e sinais da língua brasileira de sinais, e fora gerado a partir da prática anteriormente citada e de materiais didáticos específicos direcionados ao curso (DVDs das disciplinas de Libras I, II, III, IV, V e VI), tendo a pesquisa, portanto caráter qualitativo-interpretativista.

As etapas para elaboração da pesquisa passaram pelas etapas de escolha do fragmentos do corpus, reflexão sobre os sinais da Libras escolhidos e finalizando a análise. A constituição dos sinais para o corpus foi selecionada a partir de algumas gravações e fotografias dos sinais selecionados que foram tiradas com a imagem da autora para evitar o uso de imagens de terceiros.

Para este artigo, selecionamos quatro sinais em Libras ALEGRIA, PENSAMENTO, ABRIL, ATENÇÃO, objetivando verificar se as metáforas conceptuais propostas por Lakoff e Johnson podem ser encontradas na Libras, buscando a verificação da coerência com o sistema metafórico proposto pelos autores. Partimos da hipótese de que a libras, uma língua rica como todas as outras línguas de sinais e comparável a qualquer língua oral em termos linguísticos com estrutura e gramática própria e naturalmente adquirida, também possui rico arsenal metafórico originado de atos pragmáticos.

4 Corpus gerado

Para o artigo, selecionamos parte do corpus coletado na pesquisa realizada no curso de Letras/Libras. Faremos uma amostra dos sinais isolados (ALEGRIA, PENSAMENTO, ABRIL, ATENÇÃO) que apontam para a proposta de Lakoff e Johnson, considerando-se modelos culturais e a variação intercultural presentes em todas as línguas, sejam de sinais ou orais.

4.1 (SnCt) Sinais culturais coletados: variação cultural e libras

Foto 1: SnCt 01 Alegria. Foto 2: SnCt 02 Pensamento.
Foto 1: SnCt 03 Abril.
Foto 2:  SnCt 04 Atenção.

5 Análise do corpus

No recorte aqui apresentado, fizemos uma análise baseada em padrões e experiências culturais da língua. De acordo com os pressupostos de Lakoff e Johnson (1980) Ao análise do corpus chegamos a algumas reflexões sobre a Libras e aa metáforas conceptuais.

SnCt 01 Alegria

No sinal “alegria” (SnCt 01) consideramos que a metáfora “bom é para cima”. Emergindo como conceptualização de nossa experiência com nosso corpo em termos de orientação espacial (frente-atrás, dentro-fora, centro-periferia, cima-baixo). Esse tipo de conceptualização é importante para que possamos entender conceitos em termos orientacionais.

O sinal para alegria é feiro forma bastante positiva e com “eufória”; os movimentos são rápidos e ascendentes; a expressão facial utilizada é mais aberta e alegre, o que mostra a sensação de alegria gerada por processos corporais, evidenciados tantos nos surdos como em pessoas não surdas que fazem parte da cultura ocidental. Na Língua de Sinais Japonesa – LSJ o sinal para alegre move a cabeça para trás e para baixo, pois, na cultura oriental, alegria e prazer produzem efeitos calmos no corpo. (FARIA, 2003, p. 63 e 64)

SnCt 02 Pensamento

Com a imagem de “pensamento”, acontece o mesmo, pois na cultura ocidental o centro do pensamento e conhecimento se processa no cérebro. Na Libras, todos os sinais relacionados a tais processos serão realizados na parte frontal da cabeça, como em SnCt 02. Na cultura oriental (oral e na LSJ), a área em volta do umbigo e tórax denominada “hara” é considerada o centro do pensamento. (FARIA, 2003, p. 64)

SnCt 03 Abril

Alguns sinais da Libras só são compreendidos por fazerem parte da cultura brasileira, é o que acontece com o sinal de “Abril” (SnCt 03). Este é feito com um movimento que representa uma forca, sendo utilizado para representar o mês, representação a partir do sinal pessoal de Tiradentes, mártir da inconfidência mineira, que foi condenado à forca e morto em abril. Na Língua de Sinais Americana, Italiana, Japonesa ou outra, não faria sentido pelo fato de seus usuários não partilharem da mesma vivência cultural dos Brasileiros.

SnCt 04 Atenção

Para a análise cultural do sinal “atenção”, é necessário a compreensão marcada pela diferença entre a cultura ouvinte e a cultura surda. Na cultura surda há uma mudança de conceptualização e uma maior valorização do sentido da visão com relação à audição, fato que é evidente por considera-se que os surdos experienciam o mundo muito mais pelos “olhos” que pelos “ouvidos”.

Conforme Wilcox (2000) o traçado metafórico não pode ser entendido sem se buscar o impacto da cultura, e pessoas surdas usam seus olhos para propósitos funcionais além do que os usam os ouvintes, e nesse sentido, a metáfora nas línguas de sinais parece estar orientada pela visão, sendo este o sentido primordial no processo de significação e conceptualização de pessoas surdas. (FARIA, 2004, p. 72). Observamos que a sinalização em Libras dos sinais como atenção, interesse, desejo e percepção dentre muitos outros sempre é feito, preferencialmente, no campo visual. Várias são as metáforas que evidenciam o sinal da visão dos surdos como em SnCt 04 “atenção” que feito pelo dedo indicador apontando para o olho, daí a importância da visão para o surdo quando mantem-se atento, concentrado; diferente do que acontece na cultura ouvinte, onde a atenção é representada na “orelha”, remetendo-a ao ato de ouvir.

Diante do que refletimos, não restam dúvidas sobre o papel fundamental das metáforas na organização das línguas de sinais, e sua importância no processo de conceptualização dos indivíduos surdos.

6 Considerações Finais

Após conclusão da análise dos sinais selecionados para esta pesquisa, podemos concluir que os resultados apontam dados que condizem com os estudos de Wilcox (2000) para a língua de sinais americana (ASL) e Brito (1995) para a Língua Brasileira de Sinais. A pesquisa confirma a hipótese de que a Libras, assim como todas as línguas – sejam elas orais ou de sinais – são riquíssimas em processos metafóricos.

Percebemos também a importância que as experiências corporais, as vivências culturais e a interação comunicativa, bem como, os diferentes processos cognitivos experiencialmente orientados, são responsáveis pela geração de estruturas conceituais de vários tipos.

Neste estudo o que mais nos instigou foi verificar a adequação do sistema proposto por Lakoff a Libras – o que percebemos que se efetiva – e não procurar por metáforas específicas na língua brasileira de sinais, o que requer pesquisas mais complexas.

Confirma-se então, a evidência de que as experiências que os indivíduos vivenciam, a visão pragmática que estes têm do mundo e a forma como o experienciam é constituída por concepções socioculturais e cognitivas que são diferentes para os falantes de diferentes línguas, independentemente de partilharem o mesmo espaço físico (como surdos e ouvintes).

Por fim, acredita-se que foram lançadas várias reflexões e pistas que possam ser utilizadas outras análises envolvendo a temática da metáfora conceptual e as línguas de sinais, tema muitíssimo interessante e que promoverá cada vez mais uma maior valorização da Libras.

7 Referências Bibliográficas

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Nota de rodapé

[1] A partir das pesquisas desenvolvidas por Lucinda Ferreira Brito sobre a Língua Brasileira de Sinais, seguindo o padrão internacional de abreviação das Línguas de Sinais, tendo a brasileira sida batizada pela professora de LSCB (Língua de Sinais dos Centros Urbanos Brasileiros), para diferenciá-la da LSKB (Língua de Sinais Kapor Brasileira), utilizada pelos índios Urubu-Kapor da Floresta Amazônica. A partir de 1994, Brito (1995) passa a utilizar a abreviação LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais), que foi criada pela própria comunidade surda para designar a LSCB.

Como citar esse artigo [ISO 690/2010]:
Klimsa Severina Batista de Farias 2012. Metáfora conceptual em Língua Brasileira de Sinais [online]. [visto em 18/ 06/ 2019]. Disponível em: http://audiodescriptionworldwide.com/rbtv/metafora-conceptual-em-lingua-brasileira-de-sinais/.
Revista Brasileira de Tradução Visual

Este artigo faz parte da edição de número volume: 12, nº 12 (2012).
Para conhecer a edição completa, acesse: http://audiodescriptionworldwide.com/rbtv/rbtv-12-sumario.

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  • Professora Assistente do Departamento de Psicologia e Orientação Educacional – DPOE da Universidade Federal de Pernambuco - UFPE. Tem Mestrado em Educação pela Universidade Federal da Paraíba – UFPE e é doutoranda do programa de pós-graduação em Linguística da UFPB.View all posts by Severina Batista de Farias Klimsa

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