Prezado editor, Ao cursar a disciplina de áudio-descrição ministrada no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, fui solicitada a produzir áudio-descrições e refletir sobre a natureza da inclusão que a áudio-descrição, enquanto tecnologia assistiva aplicada à educação, traz às pessoas com deficiência. Um dos pontos trabalhados foi o de … Continue reading Marcus Vinícius
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Áudio-descrição da logo da RBTV: Revista Brasileira de Tradução Visual. Em um fundo branco, a mão direita faz a letra t em libras. O indicador e o polegar se cruzam, os demais dedos ficam erguidos. Próximo ao indicador há, em verde, 3 ondas sonoras. Abaixo da mão, lê-se RBTV, com letras verdes e com letras Braille em preto.

Marcus Vinícius

Prezado editor,

Ao cursar a disciplina de áudio-descrição ministrada no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, fui solicitada a produzir áudio-descrições e refletir sobre a natureza da inclusão que a áudio-descrição, enquanto tecnologia assistiva aplicada à educação, traz às pessoas com deficiência.

Um dos pontos trabalhados foi o de que a áudio-descrição, tanto pode ser de uma cena num filme ou peça teatral, quanto de uma imagem estática presente numa mostra de artes ou contida em um livro, na forma de pinturas, esculturas, fotos, desenhos etc.

Outro aspecto que foi mencionado em aula foi o fato de que, muitas vezes, pessoas cegas não têm acesso à descrição de como são seus próprios parentes, amigos, colegas de trabalho ou de escola etc.
A fim de despertar-nos para a multiplicidade de aplicações da áudio-descrição, o professor solicitou que efetuássemos a áudio-descrição de pessoas de nosso convívio, então fiz a descrição de uma foto em que meu filho Marcus Vinícius aparece em frente à Casa de Artesanato do Mestre Vitalino, situada no Alto do Moura, no município de Caruaru, em Pernambuco.

Agora, submeto esta áudio-descrição para publicação na seção foto-descrição da RBTV, desejando estimular outras pessoas para que venham tornar a áudio-descrição uma prática em suas vidas, descrevendo e oferecendo as informações visuais de maneira acessível para quem não as podem ver.

Isso é possível, necessário e inclusivo.

Marcus Vinicius

A foto é de um menino branco, cabelos castanhos claros e olhos claros, com aproximadamente três anos de idade. Ele está olhando para frente, tem a cabeça erguida e está com a boca aberta, mostrando os dentes e covinhas no rosto, parecendo dar uma gargalhada. Ao fundo e distante, vê-se uma casa pequena de pau-a-pique que está com a janela e a porta aberta. Na frente da casa existe um pequeno jardim com algumas plantas. Acima da casa, vê-se a copa de uma árvore tão alta que se sobressai às outras. Atrás da casa e por entre as folhas da árvore vê-se o azul do céu. O menino aparece apenas de meio corpo (da cintura para cima), veste regata alaranjada com detalhes brancos na gola e na borda onde veste os braços. A regata traz o desenho do cachorro scooby-doo.

Considerações finais:

A partir da descrição desta foto, é possível refletir sobre a áudio-descrição que pode e deve ser feita no dia-a-dia, seja de fotos, imagens ilustrativas, ou outros recursos visuais presentes em nosso meio. Precisamos desenvolver o hábito de descrever/traduzir imagens em palavras. Mais do que isso, é necessário tornar os ambientes, em especial a sala de aula inclusiva. Um dos passos a serem seguidos para que esse ambiente torne-se efetivamente inclusivo é transmitir as informações visuais do espaço escolar em palavras. A atenção que deve ser dada para o papel da áudio-descrição aplicada à educação, garantindo o direito de igualdade e oportunidade às crianças com deficiência é recomendada por Lima et al. (2009, p.14) ao afirmar que:

não podemos dizer que as crianças com deficiência visual terão igualdade de oportunidades, menos ainda, igualdade de condições de decidirem pelo que lhes é de direito, se essas crianças forem impedidas do acesso às informações visuais como aquelas contidas nos materiais didáticos (nos livros que trazem figuras, gráficos, mapas, etc.), nos materiais paradidáticos e destinados ao lazer, os quais trazem fotos, figuras para pintar, entre outros. Uma criança cega que recebe a áudio-descrição das imagens contidas em seu livro, melhor pode acessar as informações e conceitos dele advindos.

Referências

LIMA, F. J. et al. Em Defesa da Áudio-descrição: contribuições da Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência. Revista Brasileira de Tradução Visual. V. 1, 2009. Disponível em: http://www.rbtv.associadosdainclusao.com.br/index.php/principal/issue/view/2/showToc. Acesso em junho de 2010.

Como citar esse artigo [ISO 690/2010]:
Bona Viviane 2010. Marcus Vinícius [online]. [visto em 18/ 12/ 2018]. Disponível em: http://audiodescriptionworldwide.com/rbtv/marcus-vinicius/.
Revista Brasileira de Tradução Visual

Este artigo faz parte da edição de número volume: 3, nº 3 (2010).
Para conhecer a edição completa, acesse: http://audiodescriptionworldwide.com/rbtv/rbtv-3-sumario.

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