Prezado editor, Na intenção de contribuir com a promoção da acessibilidade às obras de artes produzidas no século XX, submetemos o presente trabalho à publicação na RBTV. Por meio dele, convidamos o leitor a conhecer /degustar a narrativa de um artista carioca que transportou muitas das técnicas assimiladas das escolas estrangeiras para o cenário brasileiro. … Continue reading Ler imagens: áudio-descrição da narrativa de Orlando Teruz
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Áudio-descrição da logo da RBTV: Revista Brasileira de Tradução Visual. Em um fundo branco, a mão direita faz a letra t em libras. O indicador e o polegar se cruzam, os demais dedos ficam erguidos. Próximo ao indicador há, em verde, 3 ondas sonoras. Abaixo da mão, lê-se RBTV, com letras verdes e com letras Braille em preto.

Ler imagens: áudio-descrição da narrativa de Orlando Teruz

Prezado editor,

Na intenção de contribuir com a promoção da acessibilidade às obras de artes produzidas no século XX, submetemos o presente trabalho à publicação na RBTV. Por meio dele, convidamos o leitor a conhecer /degustar a narrativa de um artista carioca que transportou muitas das técnicas assimiladas das escolas estrangeiras para o cenário brasileiro. Este cenário, naquele período, foi contundentemente marcado pelas guerras mundiais e por conflitos que deflagraram, a posteriori, um brasileirismo exacerbado.

Em meio a este turvo contexto sócio-político, um artista carioca, Orlando Rabello Teruz (Rio de Janeiro RJ 1902 – idem 1984), começou a trabalhar com Lucio Costa e Candido Portinari, na proposição/construção de uma pintura essencialmente moderna, fugidia das determinações acadêmicas, mas vinculadas à tradição.

Teruz, reconhecido como grande personalidade na pintura brasileira produzida no século das violências e do patriotismo, participou de várias exposições individuais e coletivas, em âmbitos nacionais e internacionais. Na década de 60, já se podia contemplar as obras teruzianas em valorosas coleções de todo mundo, como as do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand – Masp; do Museu Nacional de Belas Artes – MNBA; do Museu do Vaticano; do La Plata, na Argentina; do Museu Hermitage, de São Petesburgo, Rússia.

Nas telas deste artista descendente de árabe, percebem-se com substantiva frequência duas características: as personagens femininas e os cavalos; o uso de tons de marrom e azul, sendo este um dos elementos sinalizados pela crítica como fator que remete as obras dele ao Portinari de 1940.

Consoante o historiador Walmir Ayla, a principal característica da arte teruziana é o “nível intermediário entre o antigo e o novo, a norma e a ruptura, segundo um encaminhamento percorrido pouco a pouco, cotidianamente, sem maiores contradições ou inquietudes.” (AYLA, 1986, p. 379 apud Enciclopédia Itau Cultural Artes Visuais).

Orlando Teruz, pintor e professor, através de um intenso colorido, por vezes surrealista, retratou desde ambientes oníricos a paisagens do cotidiano brasileiro, revelando uma concepção de modernidade que demonstra “os anseios da semente modernista: um cotidiano de brasilidade, nas cenas e figuras reconhecíveis à primeira vista como nossas” (Ibidem).

Em suas telas, o artista carioca se auto-retrata; narra situações corriqueiras como o cotidiano na favela, as crianças brincando, moças dançando ciranda etc; traz imagens de cidades do interior; apresenta jovens moças brancas, negras ou indígenas de sensualidade marcante; contempla temas religiosos como imagens de Francisco de Assis; mostra um nu feminino sensual, erótico e sem vulgaridades, a mulher aparece integrada a natureza de modo casto, por vezes pueril, por vezes maternal.

Nas áudios-descrições disponibilizadas a seguir contemplamos dez das obras do vasto acervo construído por Teruz. Organizamos a exposição em quadrantes: 1- Retrato e Autorretratos; 2- Cena na Favela; 3- Mulheres; 4- Crianças.

1. Autorretratos:

Orlando Teruz foi fortemente influenciado, durante sua formação (Escola Nacional de Belas Artes – Enba / 1920-1923), pelos flamengos e pelos renascentistas italianos. O retrato e o autorretrato são construções que foram se tornando mais comuns no período renascentista. Aquele atendia a interesses particulares de consolidação de prestígio e hegemonia social; este como um viés para que o gênero retrato fosse vivificado.

1.1 – Áudio-descrição das obras “Auto-retrato” (1923), “Auto-Retrato com Temas do Artista” (1971) e “Minha Mãe” (1938)

1.1.1 – Auto-Retrato (1923)

Notas proêmias

Técnica óleo sobre tela colada em madeira. A obra auto-retrato faz parte do acervo da Coleção Gilberto Chateaubriand – MAM RJ, produzida em 1923, com dimensões de 25 cm x 21 cm. A imagem áudio-descrita tem dimensões de 11 cm X 17 cm, reprodução fotográfica de Paulo Scheuenstuhl.

Reprodução da tela

Áudio-descrição da obra “Auto-Retrato(1923)

Cabeça de um homem branco, em semiperfil para a direita. O homem tem cabelos pretos, que se confundem com o preto da tela, o qual toma a face esquerda da sobrancelha para baixo.

A cabeça dele é ovalada; a testa é larga, com um pequeno sulco acima do que seria a sobrancelha esquerda. A orelha do homem é grande, ligeiramente pontiaguda. A face direita mostra sobrancelha preta, grossa, arredondada e o olho amendoado e preto.

O homem tem nariz grande e reto. Os lábios são avermelhados, carnudos, pequenos e bem delineados. O queixo dele é proeminente, arredondado, com uma curta linha de expressão semicircular, horizontal. O pescoço é comprido e estreito.

Na lateral esquerda inferior da tela, em letras maiúsculas e marrons, assinatura de Teruz.

1.1.2- Auto-Retrato com Temas do Artista (1971)

Notas proêmias

Pintura a óleo. Produzida em 1971. Dimensões da obra original: 100 cm x 81 cm. Dimensões da imagem áudio-descrita: 12 cm X 17 cm.

Reprodução da tela

Áudio-descrição da obra “Auto-Retrato com Temas do Artista” (1971)

Ao centro da tela preta, iluminada por uma luz vermelha fluorescente, vê-se a imagem meio corpo de um homem branco, de cabelos levemente ondulados e brancos.

O homem está de semiperfil para a direita. Ele tem cabeça arredondada e orelha grande, colada a cabeça, com parte superior sob o cabelo.

O homem tem testa larga, sobrancelhas ralas, levemente acinzentadas, entre elas há duas pequenas rugas verticais. Os olhos são amendoados, pretos e as bochechas caídas. O homem tem nariz grande e reto. Os lábios dele são finos e retraídos. Há marcas de expressão que partem da base da ponta do nariz e contornam a boca, chegando ao centro do queixo, o qual é arredondado e delineado por uma marca de expressão semicircular, horizontal.

Ele veste roupa preta, com colarinho, delineada pela luz vermelha, que incide suavemente na altura da barriga, desenha uma curva, desce arredondada, desenha uma segunda curva mais rasa e incide em um filete na metade inferior das costas do homem.

Em segundo plano, há várias figuras brancas que refletem luz vermelha fluorescente. Na lateral superior da tela, entre essas imagens há, a frente da cabeça do homem, um cavalo em pé, com a cabeça voltada para trás. Abaixo deste, a silhueta de um cachorro. Mais a frente, um homem. Abaixo do cachorro, uma menina pulando corda. À esquerda dela, uma menina sentada. Mais abaixo, um garoto. Depois deste, um cavalo. Por trás do homem, em toda lateral direita da tela, várias imagens de pessoas.

1.1.3- Minha Mãe (1938)

Notas proêmias

Técnica óleo sobre madeira. Pintura produzida em 1938. Dimensões da obra original: 61cm X 50 cm. Dimensões da imagem áudio-descrita: 14cm X 20cm.

Reprodução da tela

Áudio-descrição da obra “Minha Mãe” (1938)

Ao centro de uma tela preta, imagem meio corpo de uma mulher branca, de cabelos grisalhos. Ela está olhando para a frente e com a cabeça levemente inclinada para a esquerda.

A mulher tem rosto arredondado, testa pequena e sobrancelhas pretas, arredondadas. Apresenta olhos pequenos, pretos, com pálpebras salientes. As bochechas são levemente caídas. O nariz dela é afilado. A boca é pequena, tem lábios avermelhados, assimétricos, sendo o superior mais grosso e o inferior retraído. Há marcas de expressão que partem da base da ponta do nariz e contornam a boca, chegando ao centro do queixo, o qual é arredondado e delineado por marca de expressão semicircular e por papada.

A mulher usa um decote em V, em cujo término há um objeto pequeno, colorido, com bordas douradas em alguns trechos.

2. Cena na Favela

Muitas telas de Orlando Teruz são ambientadas em favelas do Rio de Janeiro. As favelas no Rio surgiram no final do séuclo XIX e início do Século XX, período em que vivenciamos o fim da escravatura e o consequente crescimento de problemas sócio-econômicos oriundos da divisão de classes. A ocupação informal da então capital federal do Brasil é retratada por Teruz de modo a registrar o cotidiano, a dinâmica de vida que era catalisada por ele naquele espaço/tempo.

2.1- Áudio-descrição da obra “Favela” (1969)

Notas proêmias

Pintura a óleo, produzida em 1969. Dimensões da obra original: 100 cm x 81 cm. Dimensões da imagem áudio-descrita: 12 cm X 17 cm.

Reprodução da tela

Áudio-descrição da obra “Favela” (1969)

Morro marrom escuro com várias casas quadradas, pequenas, também marrom clara, de porta única, marrom escura. Na parte superior da tela, algumas casas afastadas, mais abaixo, a um quarto da tela, uma fileira diagonal de casas afastadas.

À frente, seis casas, mais juntas.

Ao centro da tela uma porção de casas, onde incide luz suave. À frente delas, outra porção de casas muito juntas. À esquerda delas, casas pouco afastadas umas das outras estão em terreno com muitas saliências.

À direita e na parte inferior da tela, mais casas, umas distantes das outras.

3. Mulheres

As mulheres são temas amplamente presentes nas obras de Teruz. A sensualidade é percebida através do desenho redondo, quase barroco, das mulheres com suas formas cheias e carnais. De acordo com Cony, esta sensualidade é também composta a partir do calor das tintas utilizadas pelo artista, do peculiar jogo de luz que realça as formas das personagens, sejam estas meninas, jovens ou já adultas. (CONY, 1985 apud Enciclopédia Itau Cultural Artes Visuais).

O nu feminino também é frequente nas obras teruzianas. Nas telas que expressam este tema, a mulher surge casta, às vezes nua em pêlo, integrada a natureza.

No caso de seus nus, sem nunca resvalar para vulgaridade, ele consegue transmitir sua visão erótica da mulher, seja no barroco de suas redondezas, seja na postura desleixada e mole das pernas ou braços. (Idem)

Na representação da mulher, a eroticidade propriamente dita não teve espaço nas obras de Orlando Teruz, tamanha a sensualidade que emana dos traços e cores dos pinceis teruzianos.

Com exceção de duas ou três incursões mais fortes ao erótico, como a moça e o cavalo, onde dois de seus temas prediletos se mesclam e, por se mesclarem, formam um duplo sentido. Já o tema da maternidade, uma de suas constantes, encontra em Teruz um dos expoentes mais fartos da pintura brasileira. (Idem)

3.1- Áudio-descrição das obras “Nu feminino” (1972), “Lavadeiras na Favela” (1972), “Baiana” (1930), “Baianinha” (1963) e “Ciranda” (1972)

3.1.1 – Nu feminino (1972)

Notas proêmias

A obra “Nu feminino”, pintura a óleo, produzida em 1972. Dimensões da obra original: 22 cm x 16 cm. A imagem áudio-descrita tem dimensões de 12 cm x 19 cm.

Reprodução da tela

Áudio-descrição da obra “Nu Feminino” (1972)

Figura feminina, branca, nua, de semiperfil, com corpo voltado para a esquerda, sentada num degrau. Traz o braço direito dobrado sobre a fronte; a perna esquerda estirada para frente e a direita flexionada. Com a ponta do pé direito, ela toca o chão.

Ela tem cabelos castanho claro, amarrados. Tem corpo curvilíneo, as nádegas arredondadas e as pernas bem torneadas.

A face e a parte frontal da figura são desfocadas, num marrom avermelhado. Ao lado esquerdo inferior da tela, em letras brancas e maiúsculas, assinatura de Teruz.

3.1.2- Lavadeiras na Favela (1972)

Notas proêmias

Técnica óleo sobre tela. Imagem produzida em 1972, com dimensões de 92 x 73 cm. A imagem áudio-descrita tem dimensões de 18 cm X 20 cm.

Reprodução da tela

Áudio-descrição da obra “Lavadeiras na Favela” (1972).

Ao centro do quadro, em primeiro plano, há duas jovens brancas, de corpos curvilíneos. Elas têm cabelos castanhos, cacheados, que lhes passam dos ombros. Ambas estão descalças.

A mulher da esquerda está em pé, como que dando um passo (perna esquerda à frente, perna direita flexionada para trás).

Ela tem rosto arredondado e uma mancha marrom que lhe cobre a face esquerda. Os olhos são pequenos, o nariz afilado e lábios finos. O pescoço dela é curto. Os seios são pequenos e a cintura é fina. Ela usa vestido azul claro, de alças largas, justo nos bustos e na cintura, que deixa perceber a marca do umbigo. O vestido curto, levemente folgado na altura do quadril, cai sobre as nádegas e deixando à mostra as coxas curtas e roliças.

Ela segura, com a mão direita, um objeto retangular, marrom claro, apoiado sobre a cabeça. Com o braço esquerdo estirado, ela toca os cabelos da mulher da direita. Esta, reclinada para a frente, com a cabeça voltada para o chão, cabelos caídos, nádegas para cima, pega, com a mão esquerda, um objeto cinza próximo ao pé direito.

Ela tem rosto comprido. Usa vestido vermelho vibrante, o qual deixa à mostra as pernas bem torneadas.

Há uma incidência de luz no corpo das duas mulheres e no chão.

Em segundo plano, distante das primeiras, há uma terceira mulher. Ela é branca e de corpo curvilíneo. Carrega sobre a cabeça um objeto retangular, o qual segura com ambas as mãos. Ela usa vestido verde claro, curto.

Ao fundo e ao centro da tela, há quatro rochas grandes e irregulares.

Na lateral inferior, ao lado direito, com letras maiúsculas e brancas, a assinatura de Teruz.

3.1.3 – Baiana (1930)

Notas proêmias

Pintura a óleo, produzida em 1930. Dimensões da obra original: 129 cm x 91 cm. Dimensões da imagem áudio-descrita: 14 cm X 20cm.

Reprodução da tela

Áudio-descrição da obra “Baia]na” (1930)

Mulher branca, magra, sentada com as pernas encruzadas, olha para a frente. Ela tem rosto ovalado, sobrancelhas espessas, pretas, arredondadas. Os olhos dela são pequenos, amendoados, castanhos, com cílios curtos e pretos. O nariz é afilado e as maçãs do rosto são rosadas. Ela tem lábios avermelhados, carnudos e pequenos. O queixo dela é ovalado e pequeno; o pescoço é curto e fino.

Ela usa turbante branco e brincos de argola prateada, pequena. A baiana está com um vestido longo, branco, brilhoso, com alças largas e um lenço que lhe cobre do ombro esquerdo ao quadril direito. O lenço é preto, esfiapado na lateral superior, e com suaves manchas cinzas, horizontais. A indumentária da mulher reflete a luz.

A baiana está com a cabeça levemente inclinada para a direita e a mão esquerda, apoiada na perna esquerda encruzada. Ela encosta a mão direita numa superfície marrom escura, os dedos mínimo, anelar e médio estão sobre um pedaço de tecido alaranjado. À esquerda da mão da mulher, sobre a superfície marrom escura, há uma pedra pequena, transparente e um copo de vidro transparente, próximo a uma pequena jarra de barro. Mais à frente da mão da mulher, há três objetos alaranjados, pequenos, de formato ovalado. À esquerda destes, sobre o tecido alaranjado, um objeto marrom escuro, brilhoso, de formato ovalado. À esquerda do objeto marrom escuro, há outro objeto parecendo uma cabaça, mais arredondado e largo na parte superior e com base arredondada e estreita, a partir da qual estende para baixo uma parte pequena e fina.

Na lateral esquerda da tela, ao fundo, um objeto quadrado marrom claro, sobre este, um outro marrom mais escuro. À direita, uma parede marrom clara, na qual incidem sombras. Mais a direita da tela, ambiente escuro. Por trás e distante da mulher sentada, há uma mulher de pé, com vestido branco, longo, de saia armada. À direita, vê-se, parcialmente a frente e o telhado de duas casas.

3.1.4 – Baianinha (1963)

Notas proêmias

Pintura a óleo, produzida em 1963. Dimensões da obra original: 61 cm X 50 cm. Dimensões da imagem áudio-descrita: 12 cm X 17 cm.

Reprodução da tela

 

Áudio-descrição da obra “Baianinha” (1963)

Mulher negra, magra, com um lenço marrom amarrado na cabeça, está sentada próximo a um tabuleiro. Ela tem rosto arredondado. Usa brincos de argola amarela, pequena e um colar de contas vermelhas, pequenas, o qual na terceira volta ao entorno do pequeno pescoço da mulher, mostra um pingente preto e ovalado.

Ela veste camiseta branca. Usa, sobre o ombro direito até a cintura, um lenço vermelho, com linhas verticais marrons, escuras. Veste saia vermelha, em cuja borda há bico branco e estreito. Usa sapatilhas na cor de ouro envelhecido. A mulher está com as mãos juntas sobre o regaço.

Frente à perna esquerda dela, vê-se uma pequena tabuleta de madeira, com pés cruzados, apoiados no chão de terra marrom escura. Dentro do tabuleiro, há algo redondo, alaranjado, pequeno, de base branca sobre uma substância cinza claro, com vários pontinhos brancos, organizados em duas fileiras, e à esquerda destes, uma fileira de pontinhos alaranjados.

Por trás da mulher, há incidência de luz.

Ao fundo da tela, céu azul claro com nuvens escuras. Na lateral esquerda inferior, uma casa branca, com duas janelas marrons.

À direita, a silhueta escura de um cavalo, mais distante deste, um pequeno morro. Ao longe, por trás do morro, a silhueta escura de três pessoas, frente a uma casa pequena e branca. À direita, outro morro. Por trás dele, uma casa branca, pequena.

3.1.5- Ciranda (1972)

Notas proêmias

Pintura a óleo. Produzida em 1972. Dimensões da obra original: 81 cm x 100 cm. Dimensões da imagem áudio-descrita: 12 cm X 17 cm.

Reprodução da tela

Áudio-descrição da obra “Ciranda” (1972)

Ao centro de uma tela marrom escura, há seis mulheres, de corpos curvilíneos. Elas têm braços e pernas grossos, musculosos. Estão descalças e de mãos dadas, em círculo.

À esquerda da tela, há uma mulher de vestido cinza, com alças largas, justo ao corpo, curto. Ela está com a cabeça inclinada para a esquerda, perna esquerda estirada, calcanhar levantado, ponta do pé no chão.

Mais ao centro da tela, há uma mulher de vestido branco. Ela está com a cabeça voltada para a direita. Os cabelos são castanhos, cacheados, longos até pouco abaixo dos ombros. O rosto é comprido. Ela está com a perna direita dobrada e a esquerda levemente flexionada. Segura o braço da mulher da direita. Esta traja vestido vermelho, colado ao corpo e curto.

A mulher está de semiperfil para a direita. Os cabelos dela são cacheados, compridos até os ombros, balançam no ar. Ela tem orelha pequena, cintura fina e nádegas redondas que marcam o vestido.

Ela está com o braço esquerdo estirado e os joelhos flexionados para frente. A mulher se equilibra nas pontas dos pés.

Uma luz avermelhada incide sobre essas três mulheres.

À direita desta última, mais ao fundo da tela, há uma mulher com a face voltada para a esquerda. Ela tem cabelos longos até os ombros.

A direita desta, há uma mulher com a face voltada para a esquerda, ela dá a mão a uma outra, cuja cabeça está voltada para a esquerda. Os cabelos desta são pretos, longos, estão amarrados para trás. Ela está de mão dada com a primeira mulher.

Na lateral inferior da tela, assinatura de Teruz.

4. Crianças

Orlando Teruz registra de modo vívido, criativo a infância; as brincadeiras tradicionais/folclóricas do Brasil: jogos de peteca, cabra cega, pula carniça, jogo de bola de gude, jogo de futebol etc; os brinquedos: pipa, gangorra, bonecas, carrinhos etc.

4.1- Áudio-descrição da obra “Futebol” (1967)

Notas proêmias

Pintura a óleo, produzida em 1967. Dimensões da obra original: 65 cm X 80 cm. Esta tela faz parte da coleção Gilberto Chateaubriand – MAM RJ.

Reprodução fotográfica Paulo Scheuenstuhl. Dimensões da imagem áudio-descrita: 18 cm X 16 cm.

Reprodução da tela

Áudio-descrição da obra “Futebol” (1967)

Meninos magros, descalços, jogam futebol, num campo de terra marrom escura. À esquerda da tela, estão as traves do gol, formadas por estacas finas de madeira. À frente da trave da esquerda, há um menino moreno, magro. Ele veste camisa vermelha e calça marrom escura. Está com o braço direito solto, próximo ao corpo; o braço esquerdo está levemente aberto e a perna esquerda pouco flexionada.

À frente dele, mais ao centro da tela, voltado para a direita, há um menino branco, de cabelos amarelados, encaracolados, curtos. Este veste camisa branca e calça marrom escura. Está com o braço direito levemente levantado para a frente e a perna direita ligeiramente dobrada.

À frente dele, voltado para a esquerda, há um menino moreno. Ele veste camisa branca. Está com o braço esquerdo levemente dobrado, frente ao corpo.

À frente do garoto, mais ao fundo da tela, um menino moreno. Ele veste camisa branca e calça marrom escura. Está com a cabeça ligeiramente inclinada para a direita, os braços rentes ao corpo. Perna direita mais a frente, próxima a uma bola pequena, marrom clara.

À esquerda deste garoto, vê-se outro menino de camisa rosa.

Mais ao fundo da tela, há uma árvore marrom escura, de tronco e galhos finos. Por trás dela, vê-se no céu, uma circunferência amarela.

À direita da árvore, uma fileira semidiagonal de finos postes de madeira, ligados por fios, os quais são percebidos desde a lateral superior direita da tela. Próximo ao primeiro poste, há um objeto vermelho, pequeno, preso aos fios.

À direita deste poste, pouco mais atrás, vê-se uma árvore baixa, com copa comprida, irregular, verde oliva.

Na lateral superior da tela, céu em tom escuro, com variações em lilás e verde claro até um terço da tela. Mais abaixo, céu alaranjado e outra fina faixa em tom esverdeado.

Algumas palavras sobre a exposição de obras teruzianas:

No limiar entre o moderno e o tradicional encontramos Teruz, um artista que imprimia às suas obras a catalisação da realidade brasileira da época: carregada de contradições sociais, de desejos oníricos, da prática ao culto do corpo curvilíneo sensual, resultante da miscigenação.

Na arte teruziana, a família/ o papel maternal da mulher, ainda como eco de atitudes sócio-políticas fomentadas no século das máquinas, é representada nas inúmeras telas que retratam a maternidade, especificamente o amamentar.

Áudio-descrever estas telas foi como que tomar o passaporte dos pincéis teruzianos e viajar na história das artes, no Renascimento, no Barroco, nos ismos da vanguarda (especialmente no surrealismo), na Modernidade e perceber o quanto a áudio-descrição é um relevante caminho para educar o nosso olho mental a ler o que está no subsolo das imagens.

Referências

AYLA, Walmir. Dicionário de Pintores Brasileiros. Rio de Janeiro: Spala, 1986. In Enciclopédia Itau culturas Artes Visuais. Disponível em <http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=artistas_biografia&cd_verbete=2950&cd_item=2&cd_idioma=28555> Acesso em 13/06/2011.
CONY, Carlos Heitor. Orlando Teruz: pintor. s.l., Galeria de Arte Antônio Bandeira, Acervo Teruz, Korum, 1985. In Enciclopédia Itau culturas Artes Visuais. Disponível em <http://www.itaucultural. org.br/aplicexternas/ enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=artistas_biografia&cd_verbete=2950&cd_item=2&cd_idioma=28555> Acesso em 13/06/2011.
http://www.pinturabrasileira.com/artistas_det.asp?cod=1356&in=1&cod_a=66

Como citar esse artigo [ISO 690/2010]:
Silva Fabiana Tavares dos Santos 2011. Ler imagens: áudio-descrição da narrativa de Orlando Teruz [online]. [visto em 20/ 07/ 2019]. Disponível em: http://audiodescriptionworldwide.com/rbtv/ler-imagens-audio-descricao-da-narrativa-de-orlando-teruz/.
Revista Brasileira de Tradução Visual

Este artigo faz parte da edição de número volume: 7, nº 7 (2011).
Para conhecer a edição completa, acesse: http://audiodescriptionworldwide.com/rbtv/rbtv-7-sumario.

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  • Mestranda em Educação Inclusiva (UFPE). Aluna do III Curso de Tradução Visual com ênfase em Áudio-descrição “Imagens que Falam” (CEI/UFPE). Especialista em Literatura Infanto-Juvenil (FAFIRE). Graduada em Letras (FAINTVISA). Professora dos cursos de licenciatura em Pedagogia e Letras (Faculdades Integradas da Vitória de Santo Antão). Professora conteudista e executora do curso de licenciatura em Pedagogia (UFRPE- EaD). Professora da rede pública estadual de Pernambuco.View all posts by Fabiana Tavares dos Santos Silva

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