Resumo Este trabalho discorre sobre o tema da aprendizagem televisiva e reflete sobre como as instâncias, escola e família, colaboram no processo de legitimação dessa aprendizagem. Reconhece que a criança constitui um considerável público-alvo para as programações televisivas e, muitas vezes, por falta da acessibilidade comunicacional, é privada das culturas apresentadas por tais programações. Defende … Continue reading Chaves da legitimação e da aprendizagem televisiva: áudio-descrição de um herói humano e de um herói mendigo
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Áudio-descrição da logo da RBTV: Revista Brasileira de Tradução Visual. Em um fundo branco, a mão direita faz a letra t em libras. O indicador e o polegar se cruzam, os demais dedos ficam erguidos. Próximo ao indicador há, em verde, 3 ondas sonoras. Abaixo da mão, lê-se RBTV, com letras verdes e com letras Braille em preto.

Chaves da legitimação e da aprendizagem televisiva: áudio-descrição de um herói humano e de um herói mendigo

Resumo

Este trabalho discorre sobre o tema da aprendizagem televisiva e reflete sobre como as instâncias, escola e família, colaboram no processo de legitimação dessa aprendizagem. Reconhece que a criança constitui um considerável público-alvo para as programações televisivas e, muitas vezes, por falta da acessibilidade comunicacional, é privada das culturas apresentadas por tais programações. Defende que a ausência da áudio-descrição prejudica a experiência lúdica, de identificação e de projeção vivenciadas entre as crianças com e sem deficiência, quando estas realizam jogos ficcionais que se remetem ao contexto visual das programações. Apresenta a áudio-descrição na televisão, especificamente, na oferta desse serviço nos programas humorísticos,

Conhecidos como Chapolin e Chaves, destinados ao infante. Traz a áudio-descrição de quatorze personagens desses programas. E, conclui que o percurso conflitante para que a áudio-descrição seja ofertada na TV demonstra o despertar da sociedade para que o direito a acessibilidade comunicacional seja assegurado.

Palavras-chaves: aprendizagem televisiva; instituição familiar; escola; áudio-descrição; programas Chaves e Chapolin.

Abstract

This paper discusses the theme of learning and reflects on how television instances, school and family, collaborate in the process of acquiring knowledge. It acknowledges that children are a considerable audience for television programs. It also asserts that children with disability are frequently deprived of culture and leisure presented by `television shows due to a lack of communicational accessibility. It is argued that the lack of audio description affect the recreational experience, identification or projection experienced among children with and without disabilities, when the latter ones realize that fictional games refer to the context of visual shows.

It concludes that by making available televisions shows for children with visual disability will not only respond to the obligation of the law, but also provide children with means of leisure and inclusion.

Keywords,,: learning television, the family institution, school, audio description, programs Chaves and Chapolin.

Considerações iniciais

A televisão chegou ao Brasil em 18 de setembro de 1950, sob coordenação de Assis Chateaubriand, fundador da TV Tupi. A partir desse período, marcado pelos improvisos ao vivo, ela foi tornando-se um elemento mais elaborado de comunicação, de difusão de culturas e de valores, exercendo, portanto, influência na formação das crianças.

Assim, quando se considerou que as crianças constituem um considerável público-alvo para as programações televisivas, iniciaram-se os debates e as pesquisas sobre a aprendizagem televisiva/ a influência da TV na formação das crianças e, mais recentemente, tem estado no foco dos debates a inacessibilidade de tais programações para os espectadores com deficiência. (RODRIGUES, 2008; SILVA, 2009)

Nessa linha, é, pois, relevante perceber que vários prejuízos formativos são experienciados pelos espectadores com deficiência e que tais desvantagens podem ser tonificadas nos espaços de socialização e de legitimação da aprendizagem televisiva e da cultura como um todo, quando, por exemplo, nas instituições família e escola, entre outras situações, comenta-se sobre piadas visuais que não estão disponíveis/acessíveis para quem não as enxergam.

Na atuação dessas instituições, a aprendizagem televisiva pode ser mediada, ratificada, socializada, legitimada ou até mesmo, quando parcialmente ou totalmente inacessível, esvaziada de sentido, através do intercâmbio que ela suscita entre a cultura que se funda por trás da tela e diante dela, por entre os telespectadores e intrasubjetivamente.

Diante desse processo vivificado pela sociedade e em especial possibilitado às crianças, por meio de inúmeros empreendimentos a elas destinados, faz-se premente considerar que a programação televisiva, como mecanismo de comunicação, (in)formação, deleite e fantasia constitui fonte de cultura, traz efeitos que transpassam o momento da recepção, fomentam práticas discursivas, atitudes, compreensão do real e, portanto, merece atenção dos pesquisadores sociais.

Discutir esse tema é, então, considerar a TV como espaço de sociabilidade, é perceber que o receptor é o alvo do processo produtivo, é buscar compreender que processos de recepção conduzem o público a buscar o mesmo programa ou episódio televisivo e a (re)produzir comportamentos, atitudes, falas que se remetem ao contexto de tais programações (COLVARA, 2007), muitas dessas importadas, como os programas criados por “Chespirito” (Chapolin e Chaves), reproduzidos no Brasil há cerca de quarenta anos, ampliando o repertório simbólico das crianças.

Esses programas mexicanos estabelecem laços entre públicos de diversos países (Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, Equador, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru, Porto Rico, República Dominicana, Uruguai, Venezuela) e de várias faixas etárias. Tal envolvimento do público se deve a uma sedução engendrada por personagens e situações que geram um “humor branco”, possível porque essas personagens “exercem fascínio sobre o espectador, colocando-o em contato mais profundo e oculto com suas tensões e pulsões, com seus conflitos e ânsias, com seus desejos e temores” (FERRÉS, 1998 apud COLVARA, 2007, p. 113).

Os Programas, elaborados por Roberto Gómez Bolaños, são fundamentados, entre outros aspectos, em tramas cotidianas simples, quebra de expectativas, trocadilhos, jargões, gestos etc, em episódios com começo, meio e fim que materializam uma gramática da persuasão, através da linguagem híbrida a qual resulta numa sensação de realidade com alta fidelidade (COLVARA, 2007; CARDOSO, 2008).

Esse discurso híbrido provoca o humor, por meio da quebra de valores éticos efetivada por alguns personagens ou por meio de repetições, de clichês, de jargões etc, ou seja, de elementos que, para além da recepção, podem nutrir o simbólico, persuadir, incitar interações, contribuir para a formação de identidades.

No presente texto, discutimos, pois, sobre a aprendizagem televisiva, sobre a mediação operada pela família e pela escola, enquanto instâncias formativas e sobre a acessibilidade a esses programas. Também apresentamos brevemente a história dos seriados criados por “Chespirito” e áudio-descrevemos algumas personagens, a fim de socializar as características visuais que as constituem e colaboram para a construção de tipos sociais.

1 – Aprendizagem televisiva: a mediação da família e da escola

A televisão é mais que um “tubo de raios catódicos ativados por células fotoelétricas com elétrons em movimento” (CASHMORE, 1998, p.9 apud CARDOSO, 2008, 97), é um sistema informativo que coaduna culturas e tem o poder de influenciar, positiva ou negativamente, as pessoas por trazer valores, repre­sentações e concepções relacionadas com o cotidiano, por ditar regras, por se apresentar sempre numa atmosfera narrativa, engendrando identidades, ideologias, fantasias, anseios, por tornar quase que palpável os objetos de desejo, por propagar a indústria do consumismo etc (PRADO, GOMES, 2011).

A televisão, veículo persuasivo de comunicação, oferece

[…] ao público três tipos de atividades: distrair-se, informar-se, educar-se. Ou seja […] é a única que junta informação e programas de entretenimento, colaborando na unidade social e cultural, enfim sendo uma comunicação constitutiva do laço social, já que os programas estão dados, à disposição de todos, cabendo à cada um escolher se assiste ou não e sabendo que outros assistirão simultaneamente. (CARDOSO, 2008, p. 99).

Ela viabiliza, portanto, a quebra do isolamento social ao enlaçar diferentes pessoas numa realidade simulada, contudo, dicotomicamente tonifica a tendência à individualização, ao fechamento do homem consigo, num diálogo, muitas vezes acrítico, com a programação televisiva, a qual é operada através de uma gramática persuasiva, em que se alicerça o verbal televisivo.

Cardoso (Idem), esteando-se na literatura de Rocco (2003), resume essa gramática nos seguintes elementos:

[…] uso econômico da linguagem; fácil apreensão do que é dito; sequências justapostas, baseadas numa sintaxe simplificada e cuidadosamente medida; pequeno repasse de informações novas; exploração da argumentatividade do verbal; mensagens calcadas quase sempre no verossímil; no plausível, no provável, no emotivo e no afetivo.

A autora explica que, em razão desses fatores, a televisão pode persuadir os telespectadores, embora nem os indivíduos nem a recepção sejam homogêneos, passivos. A linguagem da TV é, por assim dizer, “dinâmica, dirige-se mais à afetividade do que a razão, visto que mexe com a emoção e imaginação da criança e também da população adulta”. (RODRIGUES, 2008, p.29).

Destarte, é possível perceber que a TV, através de sua linguagem híbrida, firma um laço social invisível, instaura formas de interação social, incita a criação ou a manutenção de hábitos, traz novos padrões e variações de linguagem, (des)valoriza comportamentos, tipos sociais, estilos de vida, compleições físicas etc, (des)valoriza públicos, quando, por exemplo, nega às pessoas com deficiência o direito à acessibilidade comunicacional e a cultura difundida pela face imagética da mídia televisiva.

A ausência dos recursos de acessibilidade, por exemplo, da áudio-descrição, priva, portanto, uma significativa parcela da população de utilizar equitativamente a TV como uma ferramenta para que se construa novas significações, novas descobertas, novas conotações, mesmo que as informações por ela socializadas, muitas vezes, não sejam ou pareçam coesas e coerentes. Mas que, naturalmente, sempre são tributárias de um contexto, enfatizam a dimensão social da televisão, na qual estão presentes “duas características do texto imagético midiático: a identificação e a representação, que colaboram para retratar ou modificar as ideias que se têm do mundo”. (WOLTON, 1993 apud CARDOSO, 2008, p. 107).

Esse processo de identificação e de representação, a um só tempo, gera e é gerado na intersecção de campos/instâncias sociais em que o telespectador é partícipe ativo. É o que Oroz (1991 apud COLVARA, 2007) define como “comunidade de apropriação”, atribuindo a família e a escola o papel de legitimadoras da aprendizagem televisiva, definindo, portanto, que através dessas instâncias ocorre a mediação da cultura, numa tríade: TV, família e escola. Nesse sentido, Colvara (Idem; Ibidem, p. 38) afirma:

A escola e a família constituem uma mediação institucional, também no sentido de ter sua própria esfera de significação, produto particular de sua historicidade e institucionalidade, em que se outorga relevância aos programas televisivos e legitimam as ações nos contextos sociais.

No processo de mediação há, portanto, que se reconhecer as interferências e as contribuições dessas instâncias sociais que do lugar de seus discursos específicos mobilizam saberes, sentimentos, ideologias que vem à tona no ato da recepção da programação televisiva, a qual fornece modelos para as crianças, visto que elas aprendem observando o comportamento, as atitudes, o discurso, o ethos dos outros. (ATKINSON; ATKINSON; BEM; NOELEN-HOEKSEMA, 2002; MARQUES, 2008).

A mediação da aprendizagem televisiva é, portanto, o lugar onde, consoante Martin-Barbero (2003 apud COLVARA, 2007) a comunicação e as culturas são viabilizadas na cotidianidade familiar, na temporalidade social e na competência cultural. Esses processos são, pois, legitimados nas ações, intervenções, mediações advindas das instituições família e escola.

1.1 A televisão, a infância e a família

A infância foi legitimada e promovida no século XVIII, período da industrialização no Brasil, sendo, portanto, o infante reconhecido como pessoa que deveria ser equipada para uma exitosa vida adulta. Então, a partir desse século, é que objetos industrializados (brinquedos) e culturais (livros), além das novas ciências (Psicologia Infantil, Pedagogia, Pediatria) começam a ser desenvolvidos para atender às necessidades das crianças (LAJOLO, ZILBERMAN, 2006).

Muitas décadas depois, com a instalação da televisão, cujo principal intuito é a formação de um público consumidor de suas programações (GOMES, 2008), as crianças tornam-se público seduzido por uma narrativa que permite “ingressar num mundo de heróis, fantasias e diversões” (RODRIGUES, 2008, p. 28).

É nesse contexto, que a família, enquanto célula social responsável pela formação basilar da criança, precisa e deve assumir uma postura crítica em relação às programações televisivas, à acessibilidade a essas programações e a seus respectivos conteúdos.

A família, geralmente, é quem define os programas e horários em que as crianças poderão estar frente a TV. Logo, a participação das crianças na cultura advinda da programação televisiva é seletiva, pois ocorre consoante a cultura do grupo familiar em que o telespectador infantil está inserido.

No caso da criança com deficiência visual, o acesso a programação televisiva, por vezes, ou fica limitado às informações auditivas, ou alguém termina por efetivar uma descrição, em muitos casos, pautada na subjetividade de quem lê as imagens e as seleciona.

Assim sendo, é possível perceber que, quando o direito ao acesso igualitário às programações televisivas é prejudicado, veta-se a criança de captar o que está disponível para todos, veta-se o acesso às culturas que se fazem presentes por trás da tela e diante dela, o que, por vezes, prejudica a interação das crianças com deficiência visual com seus pares, pois quando crianças sem deficiência comentam os conteúdos imagéticos ou vivenciam processos projetivos através de jogos de faz de conta, esteadas na identificação e na representação de personagens, as crianças com deficiência podem ser mantidas a margem da sociabilidade, da brincadeira, do jogo.

Assim, o vínculo entre as crianças com e sem deficiência e o vínculo das crianças com deficiência visual com a TV podem ser fragilizados, pois, a falta de acessibilidade às imagens presentes na programação televisiva pode prejudicar as trocas simbólicas, as quais geralmente são tonificadas no processo lúdico de significação e ressignificação do mundo. E como o jogo e o lúdico estão na base da formação cultural, as crianças, a quem o processo de (in)formação, deleite e fantasia proposto pela TV é inacessível, permanecem em situação de desvantagem formativa.

Muitas vezes, a família não tem condições de auxiliar adequadamente à criança a compreender e a analisar a programação televisiva, ou a vivenciar plenamente esse processo subjetivo/projetivo, seja porque a programação não está acessível e a família busca descrever resumida e subjetivamente o que vê, já fornecendo a interpretação; seja porque a família julga que as imagens não vão interessar à criança com deficiência visual; seja porque muitos pais “nem sequer observam se o que os filhos estão assistindo é apropriado ou não” (RODRIGUES, 2008, p. 33).

Essas lacunas na formação do telespectador infantil trazem à escola novas demandas educativas. Mas será que os professores estão atentos a essas necessidades? Será que percebem a ausência da acessibilidade à programação televisiva? Será que exercitam a criticidade frente à programação televisiva? E a escola, tem concebido a televisão como um espaço comunicativo-formativo que pode contribuir positivamente com a formação de sujeitos críticos e criativos ou a escola tem ficado limitada a queixumes sobre a qualidade da programação televisiva?

Essas questões surgem imputando a cada um de nós a reflexão acerca das nossas posturas enquanto pais, professores, formadores e aprendizes. A tecnologia da comunicação, indubitavelmente, exige de cada um de nós novas competências, inclusive, a de lutar pelo direito a comunicação quando essa não estiver plenamente acessível e o de contribuir para que a acessibilidade esteja naturalmente presente em nossas ações e produções.

1.2 A televisão, a infância e a escola

O processo de escolarização, em sua gênese, foi facultativo e mesmo dispensável até o século XVIII, mas, aos poucos, a escola transformou-se na atividade compulsória das crianças, bem como a frequência às salas de aula, seu destino natural. (LAJOLO; ZILBERMAN, 2006).

A escola é, pois, a segunda instância convocada dentro da engrenagem da sociedade a colaborar com a formação da criança, consoante a tônica dos direitos humanos e da cidadania. Essa instituição coexiste com os limites, as necessidades e as determinações da sociedade e como consequência desse processo, lacunas e demandas formativas tornam a escola um espaço de contínua construção em que os elementos de difusão de culturas, a exemplo da televisão, não podem deixar de ser alvo de análise e, quiçá, tornar-se elemento contributivo da Pedagogia.

A Educação não deve, então, ignorar que o imaginário das crianças está povoado por construções midiáticas. Colvara (s./d.) menciona em seu estudo que o IBOPE nota que as crianças assistem em média 03 horas e 55 minutos de TV todos os dias (média Nacional), tempo comparável às 04 horas em que permanecem na escola. A avaliação de acordo com a classe social: classe A passa: 3horas e 04 minutos; classe B: 3 horas e 21 minutos; e na classe C: 4 horas e 09 minutos.

Segundo Kehl (1988), esse tempo de exposição das crianças a programação televisiva e o processo que elas vivenciam demonstram que a TV “universaliza o imaginário, responde com formulações do código social às questões mais subjetivas e não as contraria em nenhum momento pela lógica da realização de desejos”. (Idem, p. 63 apud COLVARA, s./d., p. 8)

A autora, nesse contexto, ainda propõe que se reflita:

Quem poderá desencantar esta criança, bela adormecida enfeitiçada pelo espelho que só responde sim às suas tentativas de ficar onipotente? Quem poderá despertá-la de seu sonho de alienação e devolvê-la ao mundo onde convivem homens e mulheres? Um beijo de amor, diz a lenda. E aqui cabe lembrar que o mundo desta criança já foi povoado antes que ela tenha sido entregue aos cuidados da TV. (KEHL, 1988, p. 63 apud COLVARA, s./d., p. 8)

Na escola, parece ser comum os profissionais esquecerem os elementos culturais socializados através das programações televisivas ou tecerem críticas contundentes sobre tais programações. Quando isso ocorre, por vezes, é perceptível a omissão dos profissionais da educação que se mantêm apenas na linha de defesa, advogando que a TV é a grande vilã para que construções inadequadas se instalem e se solidifiquem na mente e nas ações das crianças. (PEREIRA, 2008). Contudo, apenas alimentar queixumes não vai auxiliar a escola a formar cidadãos críticos, capazes de selecionar as informações e as programações disponíveis na TV.

Não restam dúvidas de que a TV ajuda a construir a realidade da sociedade e contribui para alterações no modo de viver de inúmeros indivíduos, modificando sua forma de pensar, aprender, agir, viver e expressar suas idéias e comportamentos sociais. Um exemplo disso são os costumes adquiridos pelo homem, ao longo dos anos, como as conversas em rodas de amigos e reuniões familiares, cada vez mais substituídas pela programação televisiva. (RODRIGUES, 2008, p. 29)

Diante dessas considerações, podemos afirmar que é de suma importância que a escola, ampliando a formação ofertada pela família, auxilie as crianças a perceber que a programação televisiva pode ser não apenas fonte de prazer, mas de reflexão acerca de valores e informações difundidas.

Os programas televisivos podem, portanto, tornar-se ferramenta pedagógica. A partir deles o educador tem a oportunidade de, através de debates, possibilitar o exercício da criticidade; mostrar ao aluno que o que é apresentado na TV é um recorte, uma representação da realidade com trilha sonora e cenas das mais diversas.

Nesse percurso discursivo/reflexivo, o professor precisa considerar que “a relação do imaginário e do real na televisão faz com que o educando reconheça ou se identifique com personagens ou situações, tornando o debate mais rico” (GENTILE, 2006 apud PRADO, GOMES, 2011, p. 47).

Na escola, através da interação, é possível perceber a influência da TV, seja quando se reproduz jargões utilizados por personagens, seja por meio de gestualidades que se remetem a determinados personagens ou ainda através do uso de produtos que configuram a construção cultural do corpo.

Nessa construção cultural do corpo, da gestualidade, as crianças com deficiência visual poderão estar em processo de desvantagem quando a elas não for ofertado o recurso da áudio-descrição.

O professor, ciente de que o lúdico, explorado pela TV, mobiliza, numa relação sinestésica, o áudio e o visual na representação de objetos, de pessoas, de situações, do mundo, não pode deixar de considerar a relevância desse processo que quase compete com a cultura privilegiada e difundida pela escola. O docente não deve, pois, deixar de considerar que as crianças, parcial ou totalmente privadas da vivência desse processo, podem apresentar dificuldade de construir

[…] vínculo com programas que contém os elementos míticos (como a mitologia grega), simbólicos através da constituição do personagem ou do próprio enredo ou metafóricos (em alguns desenhos que a personalidade do personagem é expressa pela cor de seu cabelo ou pelo antroporfismo, por exemplo) […]. (COLVARA, s./d., p. 10)

Esse vínculo é importante para a formação da criança porque a partir dos mitos dos desenhos animados preferidos, dos seriados etc, a criança elabora medos e satisfaz necessidades fundamentais como:

[…] viver a magia da ficção; a importância de, ainda que magicamente, desafiar as regras que o adulto lhe impõe no seu dia-a-dia; e a substituição do tempo métrico, que é real, pelo tempo psicológico que lhe permite libertar-se da gravidade, ficar invisível, e assim, comandar o universo por meio da sua onipotência. (PACHECO, 2000, p. 34).

Talvez isso explique como programas humorísticos como Chapolin e Chaves permanecem fazendo sucesso e conquistando novas audiências. Talvez explique porque as crianças cumprem o ritual de assistir aos mesmos desenhos ou seriados, sabendo e, às vezes, recitando a próxima fala do personagem. Talvez explique o encanto pelo espelho chamado TV.

2 – Uma historinha bem gostosa de se ver!?

vem o Chaves, Chaves, Chaves,
Todos atentos, olhando pra TV,
vem o Chaves, Chaves, Chaves,
Com uma historinha bem gostosa de se ver […]
 (Trecho da música vem o Chaves. Abertura do Programa Chaves).(Grifo nosso)

Considerando que a programação televisiva é constituída por uma linguagem híbrida, em que se une o visual e o aural, esse trecho da música de abertura do programa “Chaves” nos impulsiona a refletir sobre a natureza dessa programação e sobre o hiato entre o discurso e a prática da acessibilidade comunicacional.

Assim, é relevante recordar a obrigação legal, para que se tenha o direito à acessibilidade comunicacional, de modo mais específico a áudio-descrição, assegurado. A publicação da Lei de acessibilidade (nº 10.098/00) não deixa dúvidas a esse respeito, quando reza que deve ser erradicado “qualquer entrave ou obstáculo que dificulte ou impossibilite a expressão ou o recebimento de mensagens por intermédio dos meios ou sistemas de comunicação, sejam ou não de massa”. A partir da Portaria nº 188/2010, a tradução visual passou a fazer parte da agenda das emissoras, as quais tiveram o prazo de um ano para prover o recurso e deverão promover cerca de 20 (vinte) horas de programação áudio-descrita num prazo de dez anos.

A efetivação da equiparação de oportunidades exige que a sociedade esteja alerta para a construção, publicação e efetivação da lei. Como relatou Paulo Romeu, as

Duas horas por semana podem ser um pequeno passo para nós hoje, mas são resultado de uma luta de mais de cinco anos de conversas com o Ministério das Comunicações e a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), foi uma luta difícil. )

Depreende-se do discurso de Romeu que a inclusão é resultante da luta constante pela efetivação de direitos. Uma luta, muitas vezes, travada com aqueles que deveriam ser promotores de ações que fizessem valer o discurso, o espírito da Lei.

Esse percurso, para que se tenha respeitado o direito de todos à comunicação, a cultura etc, conduz-nos a refletir sobre o quanto avançamos no discurso e o quanto, por vezes, retrocedemos na ação de o materializarmos e, como consequência desse hiato, alijamos pessoas de seus direitos fundamentais.

Tal movimento de avanços e recuos fez com que a emissora SBT (SistemaBrasileiro de Televisão) adiasse, ou melhor, suspendesse a programação acessível dos episódios Chaves e Chapolin, privando as crianças de se beneficiarem do recurso. Fato registrado por Paulo Romeu no blog da áudio-descrição:

Em 2008, poucos dias após o Ministério das Comunicações suspender o início das transmissões de programas com audiodescrição pelas emissoras de televisão conforme previsto na Portaria 310, recebi a informação de que o SBT havia criado um centro de custos em sua estrutura administrativa, um departamento que, com apenas três funcionários (um audiodescritor, um locutor e um técnico de áudio), realizaram, em menos de 40 dias, a audiodescrição de todos os episódios das séries Chaves, Chapolin Colorado e ainda haviam audiodescrito praticamente todos os episódios da série Smallville. Obviamente este departamento foi desativado com a suspensão da obrigatoriedade das emissoras veicularem seus programas com audiodescrição.(http://blogdaaudiodescricao.blogspot.com/2011/06/sbt-trailer-de-episodio-de-chaves-com.html)

Em meio a esses avanços e recuos estão, portanto, as crianças com deficiência visual, sujeitos de direito à comunicação, à cultura, ao lazer, as quais têm sido privadas do acesso a programação que é destinada ao público infantil.

Nesse sentido, é relevante retomar aquele percentual de pesquisa apresentado por Colvara (s./d.) sobre quantas horas por dia, geralmente, uma criança assiste TV: uma média nacional de 03 horas e 55 minutos todos os dias; e refletirmos sobre o fato de que o recurso da áudio-descrição passou a ser obrigatório por duas horas semanais a partir do dia 1º de julho em emissoras de TV com sinal digital, de acordo com o cumprimento da Portaria n. 188/2010, o que impõe que crianças com deficiência visual não podem assistir a programas em horários que lhes interessar e for autorizado pelos pais.

Em outras palavras, a determinação impõe que as crianças com deficiência visual para ter acesso a programação como um todo (eventos visuais e audíveis) devem adequar o horário de entretenimento a fração de horas em que a TV disponibiliza o recurso da áudio-descrição. Como se vê, rumo a acessibilidade, caminhamos bastante, através de pequenas-grandes conquistas, mas não podemos ter o entendimento turvo de que já é o suficiente.

Dentre várias programações educativas, de entretenimento etc, a falta de acessibilidade comunicacional impossibilitou, por exemplo, durante 40 anos de exibição no Brasil dos programas criados por “Chespirito”, que crianças com deficiência visual tivessem acesso ao todo dos episódios de Chaves e Chapolin.

Em 02 de julho de 2011, o SBT exibiu pela primeira vez o seriado Chaves com áudio-descrição:

Na telinha, a emissora de Sílvio Santos largou na frente “sem querer, querendo” e “Chaves” abriu a programação audiodescrita na TV brasileira. O seriado, criado há mais de 40 anos por Roberto Bolaños (82), que também interpreta o menino Chaves e o super [atrapalhado] herói Chapolin, é um dos seriados latino-americanos mais famosos em todo o mundo. Além do seriado, que irá ao ar com AD toda sexta-feira, das 18h às 19h30, a edição do Jornal SBT Manhã, que vai ao ar aos sábados, também contará do com recurso de acessibilidade para as pessoas com deficiência visual. (ATAV Brasil).

É um significativo passo, contudo, muito ainda há de ser conquistado, exigido para que a equiparação de oportunidades, a acessibilidade seja algo tão comum quanto o é a programação desprovida dos recursos de tecnologia assistiva.

3 – Chaves de um sucesso

O mexicano Roberto Gòmez Bolãnos (1929-) é escritor, publicitário, desenhista, compositor de músicas e letras de canções populares, ator, diretor e produtor, apelidado de Chespirito pelo diretor de cinema Agustin Delgado, em razão da escrita intensa de Bolãnos e da estatura dele (1.60 m). Ou seja, o pseudônimo de Bolãnos é uma forma “castelhanizada” do vocábulo inglês Shakespeare.

Na década de 70, Bolãnos criou o personagem Chapolin Colorado e, um ano depois, Chaves do Oito. Em 1973, “quase todos os países da América Latina exibiam com sucesso os programas do autor”. (PRADO, GOMES, 2011, p.47).

O personagem Chapolin Colorado, do programa que leva o mesmo nome, é um herói que apresenta características bem humanas: para combater seus inimigos enfrenta, primeiro, os seus medos, além de ser muito atrapalhado. No programa Chapolin Colorado há o personagem Super Sam, que, de for­ma bem humorada, critica o capitalismo. O outro programa de Bolaños mostra-nos o personagem Chaves, um garoto órfão, inspirado nas crianças que podemos encontrar em diversos pontos da América Latina. (Idem, Ibidem, p. 47).

Com o personagem Chapolin Colorado, Bolaños satiriza os super-heróis americanos, construindo-o “magrelo, medroso, baixinho, preguiçoso, mulherengo, humano”, o qual precisava utilizar da “inteligência” ou da “sua astúcia” para combater os grandes vilões. Chaves, por seu turno, é inspirado numa história real e torna-se o herói mendigo muito popular em vários países. ).

No Brasil, o programa batizado como Chaves começou a ser exibido em 1984 como parte do programa do palhaço Bozo, na emissora TVS, que depois viria a se chamar SBT (Sistema Brasileiro De Televisão). O SBT faz uma parceria com a Televisa e a emissora de Sílvio Santos passa a exibir também as novelas mexicanas. Devido ao grande sucesso que o seriado faz no Brasil, a emissora SBT decide, em 1988, exibir o seriado em horário nobre. O último episódio foi em 1992 e se chamava “Aula de Inglês”. (RENÓ, s./d. p.7)

Em janeiro de 2007, a Televisa lança os episódios do seriado EL Chavo del Ocho em desenho animado. E em 2011, o SBT coloca o seriado com áudio-descrição.

No livro “Chaves de um sucesso”, publicado em 2006 pela editora SENAC Rio, Pablo Kaschner afirma que “o Brasil é o país com o maior número de sites sobre Chaves, sinal de que não são poucos os fãs do seriado por aqui” e que “não é à toa que o Programa é usado como coringa pelo SBT para levantar audiência” […] (KASCHNER, 2006, p. 20). Segundo o autor, a influência do seriado é visível em “expressões já incorporadas no falar do brasileiro” que, “sem se dar conta ou mesmo ignorando a origem de tais expressões” vão utilizando o “ foi sem querer querendo” e “isso, isso, isso”, aos quatro cantos do país.

4. Chaves da acessibilidade: áudio-descrição das personagens dos seriados mexicanos Chapolin e Chaves

Chespirito criou um grande acervo de personagens participantes dos seriados Chapolin e Chaves. O autor, diretor e ator também homenageou comediantes famosos, como “O gordo e o Magro” e “Charlie Chaplin”, criando assim episódios que os parodiavam. A seguir áudio-descrevemos os personagens principais da narrativa chespiritiana.

4.1 – Chapolin Colorado

4.1.1 – Chapolin Colorado:

Notas proêmias

El Chapolin Colorado é um típico anti-herói latino, que apresenta em seu nome muitas curiosidades, pois, “Chapolin” é um gafanhoto característico do México, que muitas pessoas comem com pimenta, e “Colorado” remete-se ao vermelho, cor escolhida após muita controvérsia para compor a vestimenta do personagem. (JOLY, FRANCO & THUKER, 2005 apud RODRIGUES, 2008).

Chapolin é interpretado pelo ator Roberto Gomés Balaños, “Chespirito”. O personagem é um herói diferente, completamente oposto ao herói tradicional: desastrado, medroso, enfim, humano, detentor de uma honestidade, da qual se aproveitam, muitas vezes, seus inimigos, que o ridicularizam, posto que ele não tem nada de heróico nem de sobre-humano, aspecto que se encontra nas “armas” que este utiliza (CARDOZO, 2008).

O personagem também é chamado de Vermelhinho ou Polegar Vermelho. É caracterizado como

[…] atemporal – até onde se tenha visto – imortal. Aparece nos lugares mais exóticos das mais variadas épocas: no Velho Oeste, na Idade Média, no Renascimento ou até mesmo no espaço sideral. […] Para que Chapolin apareça de qualquer lugar, sem o menos aviso, basta que alguém pronuncie as palavras mágicas: “Oh, e agora quem poderá me defender?” e ele surge frequentemente, tropeçando em alguma coisa e sempre respondendo ao apelo: “Eu”. (KASCHNER, 2006, p. 20).

As armas utilizadas por Chapolin são:

*Pastilhas encolhedoras (pastillas de chiquitolina): geralmente só Chapolin as toma, mas faz efeito com qualquer pessoa. Quem tomar fica reduzido a um tamanho de 20 cm durante cerca de quinze minutos. É útil para se esconder, passar por baixo de portas e ter acesso a locais antes inacessíveis.

*Anteninhas de vinil (antenitas de vinil): captam (muito mal) todos os sinais de rádio do Universo. Entendem e traduzem todos os idiomas do Sistema Solar (exceto o falado pelos críticos de televisão) e avisam a Chapolin da presença de algum inimigo. Elas começam a apitar e ele diz “Silêncio, silêncio… Minhas anteninhas de vinil estão detectando a presença do inimigo.”. As anteninhas têm cerca de 30 cm de comprimento e são enfeitadas com pompons bicolores (vermelho e amarelo).

*Corneta paralisadora (chicharra paralizadora): com uma buzinada, o indivíduo fica paralisado. Só volta a se mexer se a corneta for novamente apontada para ele com o disparo de duas buzinadas. Útil para tirar um sarro dos inimigos, colocando-os em situações hilárias. Também pode paralisar os objetos.

*Marreta biônica (chipote chillón): vem às mãos do nosso herói com um único chamado. Assim como Chapolin, a marreta aparece do nada, é só ele pensar nela. Útil para dar boas marteladas nos inimigos quando Chapolin é obrigado a usar de métodos mais “rígidos” de fazer justiça. E ele diz “Vou fulminá-lo a golpes com minha marreta biônica”. É uma espécie de martelo com cabeça dupla simétrica de plástico vermelho e com um cabo amarelo. O nome original da arma é “chipote chillón”, que indica que a marreta faz um barulho quando acerta o inimigo. Bem, não é uma arma que se diga “caramba, como assusta o inimigo!”… Mas um autêntico herói não usa armas violentas. )

As frases e ditados frequentemente utilizadas pelo personagem:

“Não contavam com a minha astúcia!”,
“Sigam-me os bons!”
“Aproveitam-se de minha nobreza”;
“Abusam de minha dignidade”
“Suspeitei desde o princípio”
“Silêncio! Silêncio! Minhas anteninhas de vinil estão detectando a presença do inimigo!”
“Eu vou… sim.. eu vou… eu vou”
“Era exatamente o que eu ia dizer”
“O Chapolin não tem medo de nada, nem de ninguém”
“ O Chapolin Colorado não sabe o que é o medo”
“Todos os meus movimentos são friamente calculados”
“Quando estou dormindo, não consigo tomar café”
“Palma, palma, não priemos cânico!”.

Ditados:
“Como dizia o velho refrão: ‘Ajuda pouco atrapalhando…Não… Pouco se faz quem ajuda atrapalhando… Também não… Bom, é por aí.”
“Quem não se arrisca, não entra mosca”,
“Pau que nasce torto e te direis quem és”
“Fazer alguém sem olhar o bem que tem”
“Em mosca fechada não entram bocas”
“ As moscas não se arriscam a ir a Roma com a boca fechada, pois morreriam de fome”
“Um erro se comete ao equivocar-se” (KASCHNER, 2006, p. 26).

As principais personagens do seriado são: Chapolin, Super Sam, os mocinhos (Dr. Chapatin e Enfermeira-secretária do Dr. Chapatin; Chômpiras; Chaparron Bonaparte; Dom Caveira etc) e os vilões (Alma Negra; Almôndega; Bebê Jupiteriano; Botina; Bruxa Baratuxa; Chinesinho; Cientista Louco; Conde Vitório Terra Nova; Faraó; Louca dos Dinossauros; Matadouro; Prof. Baratinha, Rajá Cara Rachada; Yeti).

No Brasil, Chapolin é dublado por Marcelo Gastaldi (Maga – TVS /SBT), Sérgio Galvão (BKS/ Parisi – CNT/ Gazeta); Cassiano Ricardo (Gota magia – SBT); Tatá Guarnieri (Studio Gabia – DVDs Amazonas Filmes).

Foto de Chapolin Colorado (Ator: Roberto Gòmez Bolãnos)

Áudio-descrição do personagem Chapolin Colorado

Foto de Chapolin, em pé, segurando a marreta biônica. O personagem é branco, magro e tem cabeça ovalada. Ele mostra duas anteninhas de vinil no topo da cabeça, as quais são finas, pendem cada uma para um lado e nas pontas mostram uma bolinha vermelha.

O herói apresenta cabelos lisos e castanhos, com a franja penteada para a direita. Chapolin possui olhos pequenos, arredondados e pretos. O nariz dele é grande, afilado e os lábios são finos. Ele está com a boca fechada. Apresenta queixo arredondado e pequeno.

O personagem veste um uniforme vermelho, justo ao corpo, deixando a mostra apenas o rosto e as mãos. O uniforme tem capuz e um bordado, na altura do peitoral, de um coração amarelo, contendo as letras C e H, maiúsculas e em vermelho. Chapolin também usa um short amarelo e um cinto vermelho, estreito que segura as duas pontas semelhantes a grandes asas de gafanhoto, as quais são vistas, parcialmente, por entre as pernas do personagem. Vermelhinho calça um tênis amarelo e branco de cano longo.

Ele levanta levemente a cabeça, olha para cima e, com o braço direito estirado, segura o cabo amarelo e fino da marreta biônica, apoiando-a no quadril. A marreta tem cabeça cilíndrica, dupla, simétrica, sanfonada, de plástico vermelho. Chapolin apoia, no quadril, a mão esquerda fechada. O personagem está com a perna direita levemente flexionada, ponta do pé no chão e a perna esquerda firme.

4.1.2 – Super Sam

Notas proêmias

O personagem Super Sam, inspirado no Super-Homem, é interpretado pelo ator Ramón Valdés. Super Sam é uma espécie de rival do Vermelhinho. O personagem tem um sotaque americanizado, surge misteriosamente quando alguém faz o mesmo chamado do Chapolin e diz: “Time is money, oh yeah!”.

No Brasil, Super Sam é dublado por Carlos Seidl e aparece em apenas dois episódios: num hotel, ele se hospeda no mesmo quarto que Chapolin, mas eles nunca se encontram; e numa casa no bairro da Barra Funda, onde ele e Chapolin unem forças para prender o malfeitor Poucas Trancas. ()

Foto do personagem Super Sam (Ator: Ramón Valdés)

Áudio-descrição do personagem Super Sam

Foto meio corpo de Super Sam.

Ele é pardo e magro. Usa uma cartola colorida. Na parte superior da copa, a cartola é branca com listras vermelhas verticais, na parte inferior, azul escura com estrelas brancas. A aba é azul escura e ligeiramente dobrada, nas laterais, para cima.

O personagem está com o corpo levemente inclinado para a esquerda.

Super Sam tem cabelos grisalhos, curtos e um pouco volumosos. O rosto dele é ovalado. As sobrancelhas são grossas e angulosas. Ele tem olhos pequenos, castanhos-claros, com várias linhas de expressão contornando-os. O nariz de Super Sam é comprido, com ponta larga e achatada. Os lábios são finos. Ele está com a boca semiaberta em sorriso, deixando os dentes superiores à mostra. O personagem tem barbicha comprida e grisalha.

Super Sam usa capa vermelha, uniforme azul, de mangas compridas, justo ao corpo e, na altura do peitoral, traz um S maiúsculo vermelho, sob fundo amarelo, mesmo símbolo do super-homem.

O personagem olha para a direita. Está com os braços abertos. Segura, com a mão esquerda, a boca de um saco de tecido branco, de tamanho médio, cheio, com um grande S maiúsculo, preto na frente. Ao fundo, vê-se, parcialmente, uma parede marrom.

4.1.2 – Dr. Chapatin

Notas proêmias

O personagem Dr Chapatin é interpretado por Roberto Gómez Bolaños e dublado por diferentes profissionais: Marcelo Gastaldi (Maga – TVS/SBT), Sérgio Galvão (BKS /Parisi – CNT / Gazeta), Cassiano Ricardo (Gota Mágica – SBT), Tatá Guarnieri (Studio Gabia – DVDs Amazonas Filmes).

O Dr. Chapatin é um médico muito velhinho e pirado, quase sempre está acompanhado de sua enfermeira-secretária. Ele apronta as maiores confusões em sua clínica, no hospital, na rua, no restaurante ou onde mais estiver. Detesta quando insinuam que ele é velho.

O personagem sempre carrega um saquinho de papel, mas ninguém – e talvez nem ele mesmo! – sabe o que há dentro. E o tal saquinho acaba virando uma perigosa “arma” quando alguém insinua que sua idade seja um tanto avançada. Já disseram que o doutor distribuiu bolinhos na Santa Ceia, operou dinossauros com bisturi de pedra lascada etc. O velho ranzinza, sempre impiedoso, distribui muitas “sacadas” nas pessoas que dizem essas grosserias, tudo porque comentários assim lhe dão “coisas”…

Os bordões utilizados pelo médico: “Insinua que sou velho?” “Isso me dá coisas…” ().

Foto do personagem Dr. Chapatin (Ator: Roberto Gómez Bolaños)

Áudio-descrição do personagem Dr. Chapatin

Foto de Dr. Chapatin sentado a mesa.

Ele é branco, tem cabelos brancos, crespos, longos até o pescoço e com franja. A cabeça dele é ovalada. Chapatin está com o rosto tensionado, unindo as sobrancelhas, parcialmente cobertas pela franja. Os olhos dele são pequenos, arredondados e pretos. Ele usa óculos de armação prateada, fina, pequena, apoiando-a no meio do nariz grande. O personagem usa bigode grosso e branco. Os lábios dele são finos, estão levemente dobrados.

Dr. Chapatin usa sobretudo marrom desbotado, cachecol vermelho e relógio preto.

O médico está sentado numa poltrona preta. Repousa a mão direita num crânio, o qual se encontra sobre a mesa marrom. Apoia o cotovelo esquerdo sobre a mesa, segura a boca de um saco de papel, de tamanho médio, cheio, e encosta a mão no rosto.

A frente do personagem, sobre a mesa, há, junto ao crânio, alguns livros de cores, tamanhos e espessura variados. Mais a frente, alguns tubos de ensaio vazios, por detrás deles e mais a direita da foto, alguns livros e um objeto preto e dourado.

Ao fundo, na parte superior da foto, papel de parede estampado, nas cores verde, vermelho e bege. Na parte inferior, parede azul clara.

4.1.3 – Chômpiras

Notas proêmias

 O personagem Chômpiras, cujo nome original completo é Aquiles Esquivel Madrazo, é interpretado por Roberto Bolaños e dublado pelos profissionais: Marcelo Gastaldi (Maga – TVS /SBT), Sérgio Galvão (BKS / Parisi – CNT/Gazeta), Cassiano Ricardo (Gota Mágica – SBT), Tata Guarnieri (Studio Gabia – DVDs Amazonas Filmes).

Chômpiras é o personagem que acabou se tornando carro-chefe do programa Chespirito (1980 – 1995). Seu quadro foi criado ainda na década de 70 e se chamava Los Caquitos (Os Gatunos). Seus dois intérpretes eram: Roberto Bolaños e Ramón Valdés (Peterete).

Ambos eram gatunos, porém, bem trapalhões e, digamos, até mesmo inofensivos. Algumas vezes tentavam assaltar com pistolas de verdade, mas nunca foram bem sucedidos. Porém, em um dos episódios, estavam simplesmente tentando vender uma pistola de brinquedo e acabaram sendo mal interpretados por um homem que pensou ser um assalto de verdade e lhes deu até mesmo a roupa que vestia.

Uma das melhores características da série é que Chômpiras sempre estraga as tentativas de assalto de seu colega de trabalho, e acaba sendo castigado com uma bofetada bem servida, com direito a uma “preparação do terreno” onde seus cabelos são previamente repartidos com um pente. O personagem já foi chamado, em dublagens anteriores, de Beterraba, Carne-seca e Chaveco.

Foto do personagem Chômpiras (Ator: Roberto Gómez Bolaños)

Áudio-descrição do personagem Chômpiras

Foto meio corpo do personagem Chômpiras. Ele está levemente inclinado para a esquerda.

Chômpiras é branco e magro. Usa boina verde escura. Ele tem cabelos lisos, castanhos e curtos. O rosto dele é ovalado. O personagem apresenta orelha esquerda pequena e sobrancelhas arqueadas e ralas. Os olhos dele são pequenos, arredondados, pretos e mostram olheiras. O nariz dele é grande. Chômpiras possui lábios finos. Está com a boca fechada, esboçando um sorriso. Há marcas de expressão que partem da base da ponta do nariz e contornam a boca, chegando ao centro do queixo, o qual é arredondado. O personagem está com a barba por fazer.

Ele veste uma camisa branca, de listras horizontais, largas e pretas, com gola em V, sob paletó verde escuro.

O personagem olha para a direita.

Ao fundo, imagem marrom e difusa.

4.1.4 – Chaparron Bonaparte

Notas proêmias

O personagem Chaparron Bonaparte é interpretado por Roberto Bolaños e dublado pelos profissionais Sérgio Galvão (BKS/ Parisi – CNT / Gazeta); Cassiano Ricardo (Gota Mágica – SBT) e Tatá Guarnieri (Studio Gabia (DVDs Amazonas Filmes).

Chaparron, grande colecionador de objetos, já colecionou até torres Eiffel, é um homem que enxerga a realidade de um ponto de vista muito particular: é capaz de confundir uma multidão com um enxame de abelhas ou até se casar com sua carabina, desde que para isso use fraque, uma vez que sua futura senhora Carabina é genta da alta e exige um casamento elegante.

Sem prévio aviso, Chaparron costuma ser atacado por suas rebimbocas, assim como o Chaves fica paralisado com seu piripaque. Só que Chaparron tem os mais estranhos ataques, desde ficar paralisado numa pose ridícula até disparar em movimentos repetitivos como se estivesse dançando um twist. Seu estado só é revertido ao “normal” com um belo tapão nas costas dado por seu amigo Lucas. Chaparron foi criado em 1980, quando Chaves e Chapolin passaram a integrar o programa Chespirito. O quadro era chamado Los Chifladitos (“Os Louquinhos”).

Os bordões utilizados pelo personagem são: “Já vai?” (normalmente, quando alguém chega); “Sim, você deve estar certo!” (quando Lucas diz alguma de suas loucuras). ().

Foto do personagem Chaparron (Ator: Roberto Gómez Bolaños)

Áudio-descrição do personagem Chaparron

Foto de Chaparron correndo. Ele está com o corpo levemente inclinado para a direita.

Chaparron é pardo, magro e tem barriga saliente. Ele usa chapéu do tipo palheta: amarelado, de copa baixa, fita preta e com aba curta. O personagem tem cabelos ondulados, pretos e curtos. Apresenta rosto retangular. Mostra orelha direita pequena. Chaparron tem olhos pequenos, arredondados e pretos. Usa óculos de armação preta, fina, redonda e muito grande. O nariz dele é aquilino. O personagem usa bigode preto, grosso, estreito, estilo Chaplin. Possui lábios finos e está com a boca fechada. O queixo dele é arredondado e o pescoço largo e curto.

Veste camisa branca com listras azuis claras, de mangas compridas, punhos dobrados, sob colete bege. Usa calça e sapatos pretos.

Chaparron olha para a frente. Está com o braço direito aberto, palma da mão voltada para o chão e o braço esquerdo flexionado, na altura do peito, mão levemente aberta. Ele sustenta o corpo na perna esquerda, flexiona a perna direita, planta do pé voltada para trás.

Ao fundo, parede verde escuro.

4.1.6 – Dom Caveira

Notas proêmias

O personagem Don Calavera, último quadro criado para o programa Chespirito, já nos anos 90, é interpretado por Roberto Bolaños e dublado pelos profissionais: Sérgio Galvão (BKS / Parisi – CNT / Gazeta), Cassiano Ricardo (Gota Mágica – SBT), Tatá Guarnieri (Studio Gabia – DVDs Amazonas Filmes).

O milionário Dom Carlos Veira, conhecido como Dom Caveira (Carlos + Veira), é um velho viúvo, dono da funerária Pompas Fúnebres. Seu empregado é o desastrado e simpático Celório (Moises Suárez), que está sempre dormindo em serviço. Don Calavera, dono de uma bela mansão cuidada pela empregada Genoveva (María Antonieta), tem uma filha jovem que namora um soldado que não o agrada.

Caveira torce para que seu negócio decole, o que depende da morte de seus clientes. Ironicamente, seu melhor amigo é o médico Rafael Contreras (Rubén Aguirre), que salva a vida de seus pacientes. chaves.com/personagens-chapolin.htm).

Foto do personagem Dom Caveira (Ator: Roberto Gómez Bolaños)

Áudio-descrição do personagem Dom Caveira

Foto meio corpo de Dom Caveira.

Ele é branco e tem rosto arredondado. O cabelo dele é castanho claro, curto. O personagem está de semiperfil para a direita. Apresenta orelha pequena e pontuda. Dom Caveira tem sobrancelhas arqueadas e ralas. Os olhos dele são pequenos, arredondados, pretos e demonstram olheiras. O nariz dele é grande. Dom Caveira possui bigode e lábios finos. Ele está com a boca levemente aberta; tem queixo arredondado, com papada.

O personagem usa chapéu-coco, o qual é duro, de copa redonda e curta, de aba curvada dos lados. Veste camisa branca; gravata do tipo borboleta e paletó pretos.

Ao fundo, vê-se, sobre parede branca, a parte inferior de um quadro de moldura em tonalidade de ouro envelhecido e campo predominantemente verde.

4.2 – Turma do Chaves

Renó (s./d.) conta-nos que o programa Chaves, idealizado por Roberto Gómez Bolaños, em 1971, é baseado na biografia de um garoto de oito anos, o qual foi abandonado pela mãe em um orfanato, instituição que tinha a senhora Martina como principal responsável. A mulher costumava espancar as crianças e isso fez com que “Chaves” fugisse. Renó comenta que Bolãnos contou que Chaves, caminhando pelas ruas, conheceu Maneta, um homem que vivia em um carro e apresentou ao menino “Chaves” às drogas e o sexo.

O garoto era engraxate e foi assim que o produtor Bolaños o conheceu e travou um longo diálogo. Ao término do serviço,

Chaves foi presenteado com uma bela gorjeta que, por sua vez, saiu correndo e gritando que iria comprar vários sanduíches de presunto, e acabou esquecendo todo o seu material de trabalho. Roberto foi atrás do menino, mas sem êxito. Então Bolaños resolveu abrir as coisas que o menino esquecera ali para ver se encontrava algum endereço para entregar os pertences ao menino. Não encontrou nenhuma referência, somente um caderno sujo e com erros de ortografia onde relatava toda sua vida. (RENÓ, s./d.p. 5)

De acordo com Renó (Idem), a partir da leitura desse diário, Bolaños criou o seriado de maior sucesso no México, intitulado El Chavo Del Ocho. Assim como o garoto da vida real, o personagem também não tem nome.

Todos o chamavam de El Chavo Del Ocho (este é o nome original do programa. Chaves foi um erro de tradução para o português, pois a tradução correta é O menino da casa oito), por viver com uma senhora idosa que morava na casa oito em uma vila miserável. Em seguida, a senhora morre e Chaves passa a viver na vila, dormindo de casa em casa. Tinha muitos amigos mas sempre ficava sozinho. (Idem. Ibidem., p. 4)

No seriado, o garoto órfão sempre aparece brincando com os colegas da vila e nas horas difíceis, em que se chateia ou está triste, fica dentro de um barril.

De acordo com kaschner (2006), os personagens principais do Programa Chaves, e seus respectivos atores, são: Chaves (Roberto Gómez Bolaños); Chiquinha (María Antonieta de las Nieves); Seu Madruga (Ramón Valdez); Dona Florinda (Florinda Meza); Quico (Carlos Villagrán); Professor Girafales (Rubén Aguirre Fuentes); Dona Clotilde (Angelines Fernández Abad) e Sr Barriga e Nhonho (Edgar Vivar).

Como personagens secundários, esse autor (Idem) destaca: Pópis (Florinda Meza); Paty (Ana Lilian de la Macorra, Rosita Bouchot, Verónica Fernández – para versões diferentes do Programa); Glória (Maribel Fernández, Olívia Leyva e Regina Tomé – em versões diferentes do programa); Godinez (Horácio Gómez Bolaños); Jaiminho (Raúl Padilha); Dona Neves (María Antonieta de las Nieves).

Por fim, Kaschner (2006) indica que os personagens com menor participação são: Senhor Calvillo (Ricardo de Pascual); Seu Madroga (Germán Robles); Malu (María Luisa Alcalá); Dona Edviges (Janet Arceo); Frederico (Carlos Villagrán); Hector Bonilla (Hector Bonilla); Senhor Furtado (José Antonio Mena e Ricardo de Pascual – duas versões); Iara (Angélica María). E ainda acrescenta-se a grupo os personagens Sr Carequinha ou Calvillo (Ricardo de Pascual); Elizabeth (Marta Zabaleta); Cândida (Ángel Roldan); Freguês do Restaurante (Abraham Stavans); Guarda (José Luis Amaro); O homem que trabalha no parque de diversões (Abraham Stavans)

4.2.1 – Foto da Turma do Chaves

Áudio-descrição da turma do Chaves

Foto de Chaves junto a alguns dos principais personagens do programa: Chiquinha, Sr Barriga, Dona Florinda, Professor Girafales, Seu Madruga e Dona Clotilde.

Chaves (Roberto Gómez Bolaños) é branco, tem cabeça ovalada, usa chapéu de tecido quadriculado em tonalidades bege, marrom escuro e preto, com viseira e orelhas arredondadas, que se estendem até a altura do pescoço do garoto.

O menino tem cabelos lisos e castanhos, a franja quase cobre as sobrancelhas. Ele tem olhos pequenos, arredondados e pretos. Apresenta sardas nas bochechas e no nariz aquilino. Possui lábios finos e está com a boca fechada. O queixo dele é arredondado e tem uma covinha.

Chaves veste camisa de malha, marrom, com listras pretas, mangas curtas. Vê-se parte do suspensório laranja, no ombro direito dele. E ainda no lado direito, parte da calça de tecido bege.

O garoto, dentro do barril, apoia os cotovelos na borda, o rosto nas palmas das mãos, quase juntas, e olha para frente.

Chiquinha (María Antonieta de las Nieves) está do lado esquerdo de Chaves. Ela é branca, tem cabeça pequena, cabelos pretos, lisos, com franja pequena; os cabelos dela estão divididos ao meio, amarrados com duas maria-chiquinhas desalinhadas, com o pitó da direita perto do centro da cabeça e o da esquerda, próximo a orelha. Ela tem rosto arredondado, testa pequena, sobrancelhas pretas e arredondadas. A menina tem olhos pequenos e nariz pequeno e afilado. Ela mostra sardas pretas e grandes nas bochechas. Os lábios dela são finos e a boca está aberta em sorriso, deixando à mostra os dentes superiores, com uma janelinha no meio. Chiquinha tem queixo arredondado, pequeno e o pescoço estreito.

Ela usa óculos de armação preta, grande, quadrada. Veste um suéter vermelho, de mangas compridas, sobre um vestido godê, azul claro, sem gola, com um laço pequeno, do mesmo tecido do vestido, ao lado esquerdo, acima do peito.

Chiquinha olha para a frente, está com o corpo inclinado para a direita. O ombro direito da menina está encostado na parte posterior do ombro esquerdo de Chaves. Ela apoia o cotovelo direito na borda do barril, mantém o braço próximo a cintura; com a mão esquerda, a menina segura o dorso da mão direita.

Atrás dos dois, estão, lado a lado, Seu Barriga, Dona Florinda, Professor Girafalles, Seu Madruga e Dona Clotilde.

Seu barriga (Edgar Vivar) é branco, gordo, tem 1.60m de altura e 49 anos. Ele tem cabeça redonda, calva, com cabelos pretos, penteados para trás, ralos no topo da cabeça e com costeletas que se estendem até o maxilar dele. O homem tem rosto redondo, sobrancelhas grossas, pretas, angulares; apresenta olhos pequenos e castanhos. Ele usa óculos de armação preta, grande, quadrado. O nariz dele é pequeno e afilado. Seu Barriga mostra bigode largo, grosso, arqueado, o qual cobre, parcialmente, o lábio superior e chega aos cantos da boca, de lábios finos e rosados. Apresenta queixo redondo e papada.

Seu Barriga veste camisa branca, gravata marrom, paletó e calça pretos. Vê-se, parcialmente, o braço direito dele e o dorso da mão direita rente ao corpo, o qual está levemente inclinado para a esquerda.

À frente do ombro esquerdo de Seu Barriga, encontra-se Dona Florinda (Florinda Meza). Ela é magra, branca, tem 1.60m de altura e 39 anos. Apresenta cabeça ovalada, cabelo castanho claro, enrolado em bobs rosa e azul. Ela tem sobrancelhas finas e arredondadas. Os olhos dela são pequenos e tem cílios ralos. Dona Florinda possui nariz pequeno e afilado. Os lábios dela são finos. Ela está com a boca semi-aberta, em sorriso, deixando à mostra os dentes superiores. A personagem apresenta queixo arredondado.

Vê-se parte da manga curta do vestido de tecido em xadrez usado por Dona Florinda e próximo ao quadril direito, sobre a saia branca, há um largo bolso de tecido em xadrez marrom, preto e cor de vinho. Dona Florinda está com o corpo levemente virado para a direita. Ela olha para um buquê de rosas vermelhas, envolto em papel branco, o qual ela segura com o braço direito.

Ao lado esquerdo dela, está o professor Inocêncio Girafalles (Rubén Aguirre Fuentes). Ele é branco, magro, tem 1.95m de altura e 48 anos. Girafalles está com o corpo levemente virado para a direita.

O Professor usa chapéu do tipo borsalino, preto, com aba larga, levemente virada para cima, e com uma concavidade na copa.

Girafalles tem cabelos castanhos, ligeiramente grisalhos. As orelhas dele são grandes. Ele apresenta sobrancelhas grossas e angulares. Tem olhos pequenos, castanhos e nariz aquilino. O bigode dele é largo, grosso, arqueado, estendendo-se até os cantos da boca, a qual tem lábios finos e está semiaberta em sorriso, deixando à mostra os dentes superiores.

O Professor Girafalles veste camisa branca, gravata cinza escuro e paletó cinza claro. Com a mão esquerda, na altura do peito, segura o lado esquerdo da gola do paletó. Com a mão direita, segura um charuto, entre os dedos indicador e médio, a palma da mão direita encosta nos dedos fechados da esquerda e o dedo polegar está em pé, encostado no corpo.

À esquerda está Seu Madruga (Ramón Valdez). Ele é pardo, magro, tem 1.65m de altura e 56 anos. Usa chapéu de tecido azul desbotado, com aba estreita, levemente dobrada nas laterais.

Seu Madruga tem cabelos pretos e ondulados. Apresenta orelhas pequenas. Possui rosto ovalado e ossudo, testa pequena, com três rugas horizontais. As sobrancelhas dele são grossas e angulosas. Seu Madruga aproxima as sobrancelhas, formando duas ruguinhas verticais entre elas. Ele tem olhos pequenos, castanho-claros e o nariz comprido, com ponta larga e achatada. Apresenta bigode largo, grosso, castanho claro, arqueado, cobrindo-lhe o lábio superior e descendo até pouco depois do inferior. O pescoço dele é estreito.

O personagem veste camisa de malha, azul escura, com gola esgarçada e mangas curtas. Usa calça jeans.

Ele está com o corpo levemente virado para a direita, apoia as mãos nos ombros de Chiquinha e olha para a Bruxa do 71.

No ombro esquerdo de Seu Madruga, a Dona Clotilde (Angelines Fernández Abad) apoia-se. Ela é branca, magra, tem 1.65m de altura e 66 anos. A personagem usa chapéu do tipo casquette com cabagge; ele é azul claro, pequeno, de copa rasa, com largos babados de tule. Dona Clotilde tem cabelo castanho claro, com alguns fios brancos, divididos ao meio e presos para trás. O rosto dela é arredondado e tem muitas rugas. As sobrancelhas dela são finas e arqueadas. Os olhos estão fechados, apresentam cílios ralos e castanhos. O nariz dela é afilado e os lábios são finos. Dona Clotilde, com a boca fechada, esboça um sorriso.

A Bruxa do 71 veste vestido roxo, com gola semelhante a do tipo rolê, justa ao pescoço, e com mangas longas. Dona Clotilde encosta o lado direito do corpo em Seu Madruga. Ela está com a mão direita apoiada no lado esquerdo da cintura, sobre o dedo indicador dessa mão ela sustenta o cotovelo esquerdo; mostra o punho apoiado em Seu Madruga e ampara o queixo com os dedos indicador e médio da mão esquerda.

4.2.1 – Quico (Carlos Villagrán)

Notas proêmias

Quico é um personagem interpretado por Carlos Villagrán. O apelidio do personagem, às vezes, também é grafado Kiko, cujo nome completo é Frederico Matalascayando y Corcuera ou Frederico Bardón de la Regueira (ambos são considerados convenientes, por não se saber exatamente qual dos dois é o correto).

Frederico é um garoto mimado pela mãe, Dona Florinda, sendo alvo de gozação por parte das outras crianças e de outros inquilinos da vila. Por suas atrapalhadas, é chamado por Chaves de burro. É também conhecido por suas bochechas protuberantes, que lhe valeram o apelido de bochechas de buldogue velho. (http://www. sitedochaves.com/personagens-chapolin.htm / https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%89dgar_Vivar

Os bordões mais utilizados pelo personagem são:

Mamãããããe!” (chamando a sua mãe, depois que o batem ou o desrespeitam)
Você vai ver, eu vou contar tudo pra minha mãe” (ameaça para quando o batem o desrespeitam)
Ele me bateu/beliscou!” (quando alguém, na maioria das vezes Chaves, o bate ou belisca. Ele diz isso à sua mãe, que sempre confunda a pessoa com o Seu Madruga)
Sim, mamãe! Gentalha, gentalha!” (depois que a sua mãe o pode para ir para casa e “não se misturar com essa gentalha”, ele faz isso empurrando Seu Madruga)
Da parte de quem?” (quando perguntam onde está a sua mãe)
Quer um pirulito, Chaves?” Chaves responde que sim e ele diz: “Compra!”
Você não vai com a minha cara?” (quando o desrespeitam)
Que coisa, não?
Táa legal!” (quando ele concorda com algo, diz isso num tom animado)
Ai, cale(m)-se, cale(m)-se, cale(m)-se, você(s) me deixa(m) loooouco!” (quando alguém fica repetindo alguma coisa e ele se irrita; apesar de ser o “dono” da frase, ela é também repetida em algumas ocasiões por outros personagens, como Chaves e Seu Madruga)
Não deu
Quando lhe perguntam: O que te importa?” Ele diz: “Boca torta!
Diz que sim, diz que sim, vaiSiiiim?” (persuasão)
Ah-rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr” (choro)
Por isso eu digo que
Ah bom, então assim, sim” (frase compartilhada com seu amigo Chaves)
Esperem até eu ganhar minha bola quadrada!
Com licencinha…
Legal!

Foto do personagem Quico

Áudio-descrição do personagem Quico

Foto 3 X 4 de Quico, de meio perfil virado para a esquerda.

Ele é branco, usa um gorro de tecido, amarelo, azul e vermelho, a viseira é estreita e está levantada. O cabelo dele é castanho e ondulado. Na frente da cabeça arredondada, sob o gorro, duas porções pequenas de cabelos saem nas laterais da testa e, em pé, são acomodadas na viseira. Mais cabelos passam por trás da orelha grande de Quico e vão até a altura do pescoço.         O garoto tem testa grande, sobrancelhas ralas, angulares. Os olhos dele são pequenos, castanhos e estão arregalados.             Quico tem nariz avantajado e as bochechas grandes, levemente caídas. Os lábios dele são finos. A boca está fechada, com os cantos arqueados para baixo. Ele tem queixo redondo, pequeno e está com muitas covinhas.

Vê-se parcialmente a roupa preta de Quico e as três listras brancas diagonais na gola.

Quico olha para a direita. Ao fundo, cortina salmão.

4.2.2 – Nhonho (Edgar Vivar).

Notas proêmias

Ñoño (ou Nhonho, no Brasil) é um personagem interpretado pelo ator Edgar Vivar (que também fez o papel do Senhor Barriga, pai do Nhonho). Por ser filho do Senhor Barriga, o dono das casas do cortiço onde a trama é gravada, algumas vezes usa esse fato para tirar vantagem dos amigos, mas na maioria das vezes é generoso, em especial, quando se trata de dinheiro, o que tem de sobra (muito mais que o Quico). Contudo, quando se trata de comida, essa generosidade já não é percebida porque ele acha que se der um pedacinho de seus lanches aos amigos vai fazer muita falta ao estômago.

Nhonho teve pouca importância no seriado, tendo maior destaque em 1980 quando Quico (Carlos Villagrán) saiu dos seriados. A aparição desse personagem aumenta no desenho, pois quando ocorreu a briga entre os atores Roberto Bolaños e María Antonitea de Las Neves (intérprete da Chiquinha e Dona Neves) a personagem Chiquinha não apareceu. Nhonho se destacou e apareceu bastante, substituindo a função da Chiquinha em vários episódios. (http://pt.wikipedia.org/Nhonho).

Os principais bordões utilizados pelo personagem:

Olha ele hein! Olha ele hein! Olha ele…
Ai meu (substantivo)! Ai meu (substantivo)!
Papai!! Papai!! Papaaaaaaaai!! (Quando acontece alguma coisa com ele)
Vem,vem

Foto do personagem Nhonho (Ator: Edgar Vivar)

Áudio-descrição do personagem Nonho

Foto de Nhonho sentado na sala de aula. Nhonho é branco e gordo. Ele tem cabeça redonda, cabelos pretos, lisos penteados para o lado direito, com costeletas que se estendem até o maxilar. O personagem tem rosto redondo, as sobrancelhas dele são grossas, pretas, angulares. Ele apresenta olhos pequenos e castanhos e o nariz pequeno e afilado. O menino tem lábios finos e está com a boca semiaberta, deixando à mostra os dentes superiores. Nhonho tem queixo arredondado e com papada.

O personagem veste camisa sob macacão verde escuro. A camisa, feita de tecido verde acetinado, tem gola redonda com bico branco aplicado nas bordas e apresenta mangas longas, folgadas, com elástico no punho e bico branco aplicado nas bordas.

Ao fundo, na lateral esquerda e superior da foto, vê-se a extremidade inferior de um mapa, a parede amarela e, mais a direita, parte de uma janela bege com divisórias marrons.

5 – Considerações finais

A televisão, dentre os meios de comunicação, tem se destacado em razão da abrangente potencialidade de atrair pessoas das mais variadas culturas, classes sociais, faixas etárias que, muitas vezes, tornam-se espectadores precisos para programas que se tornam clássicos, âncoras de determinadas emissoras.

As crianças, nesse contexto, tornam-se consumidoras de um tipo de narrativa de linguagem híbrida, a qual se torna quase que um espelho da realidade. Esse fato convoca a família e a escola, instâncias legitimadoras da aprendizagem televisiva, a funcionar como andaime para que as crianças tenham condições de selecionar as programações que são pertinentes a sua faixa etária e necessidades sociais: de entretenimento, de informação etc.

Essas instâncias e a academia têm debatido sobre a difusão de culturas, representações sociais, identidades advindas do discurso das programações televisivas (OROZCO, 1991; FISCHER, 2002; GENTILE, 2006; COLVARA, 2007; OLIVEIRA, MARIOTTO, 2010; GOMES, 2011; MARQUES, 2011). Mas, para além da discussão acirrada sobre os “males” ou “benefícios” advindos da experiência da recepção televisiva, não se pode deixar de perceber que o receptor infantil continua sendo o espectador que se deixa levar

[…] pelo universo das imagens, a sensação de projeção (o receptor desloca seus desejos e pulsões para o que vê), de identificação (o receptor percebe similaridades com as situações e/ou personagens) e empatia (sentimento de “solidariedade” com a situação e/ou personagem em que o receptor “troca de lugar”, coloca-se mentalmente no lugar visto). As imagens operam diretamente nestes apelos emocionais e as ilusões de objetividade fabricada pela TV. (Grifos nossos) (COLVARA, s./d. p. 13)

Quando, no entanto, as crianças não têm disponíveis/acessíveis os dois pilares da linguagem televisiva: o áudio e a imagem, o processo de excludência comunicacional engendra a fragilidade no processo projetivo, de identificação e de empatia, os quais são relevantes para que a criança vivencie o simbólico, o lúdico, o jogo e trave relações com o mundo e com os seus pares a partir desse processo catalisador, estético, criador e simbólico.

Nesse sentido, é relevante recordar que, esteados em mitos e barreiras atitudinais, muitos operadores do sistema televisivo negaram por décadas o direito de crianças com deficiência visual a terem disponível recursos, como a áudio-descrição, que possibilitam a acessibilidade comunicacional, a equiparação de oportunidade de vivenciar plenamente as culturas que são geradas por trás e diante da telinha.

A saga para que o direito a programação áudio-descrita seja efetivado demonstra, com eficiência, os avanços e recuos do próprio legislador para que a efetivação do direito seja realidade; demonstra também a persistência e luta das pessoas com deficiência para que seja cumprido o que está apregoado na lei; demonstra ainda o despertar da sociedade para que não apenas se conceba, mas se trate todos os indivíduos como pessoas humanas, detentoras de direitos, no contexto dessa discussão: do direito de conhecer os personagens, as piadas visuais de programas humorísticos, como Chapolin e Chaves, contemplados nesse trabalho; do direito de selecionar a programação, o horário que lhe convier para acessar, por meio da TV, a informação de interesse; do direito a ter o direito comunicacional respeitado.

Em suma, a reflexão suscitada nesse texto, longe de estabelecer conclusões apressadas sobre o tema, traz alguns pontos importantes para que se reflita não apenas sobre o papel das instâncias legitimadoras da aprendizagem televisiva, mas para que se reflita sobre as possibilidades democráticas e legais de se ofertar o acesso a programações que podem contribuir qualitativamente para a formação das crianças. A elas, o encanto da TV, da palavra feita imagem, da imagem-palavra, da brincadeira com a linguagem, com o objeto, com o outro e o eu ficcionais e reais, afinal:

[…] Quando uma criança brinca de novela
Ou
de um grande ator
Sempre
no fim da história
felicidade junto com o amor

(Música: Vem comigo ser criança. Programa Chaves)

6 – Referências

ATKINSON, Rita L.; ATKINSON,C. Richard; SMITH, E. Edward; BEM,Darly J.; NOELEN-HOEKSEMA, Susan. Introdução à Psicologia de Hilgard. 13ªed. Porto Alegre: Artmed, 2002.
BOLAÑOS, Roberto Gómez. Diário do Chaves. São Pau­lo, SP: Suma de Letras, 2006.
CARDOSO. Ludimila Stival. A saga do herói mendigo: o riso e a neopicaresca no Programa Chaves. Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Comunicação – Mestrado – da Universidade Federal de Goiás: Goiânia: 2008. 259p.
CHESPIRITO. El Chavo Del Ocho. Disponível em:<www.chespirito.org>. Acesso em 23 de setembro de 2011.
COLVARA, L. A TV e os vários olhares da criança. 2007. 215f. Dissertação (Mestrado em Comunicação Midiática) – UNESP, Bauru, 2007.
__________. Do que interessa a Psicologia o estudo dos meios de comunicação? Disponível em < http://www.assis.unesp.br/ encontrosdepsicologia/ANAIS_DO_XIX_ENCONTRO/108_LAUREN_FERREIRA_COLVARA.pdf> Acesso em 20 de setembro de 2011.
__________. A criança em tempo de TV. Disponível em < ; Acesso em 20 de setembro de 2011.
FISCHER, Rosa Maria Bueno. O dispositivo pedagógico da mí­dia: educar na (e pela) TV. Educação e Pesquisa. São Paulo, v. 28, n. 1, p. 151-162, jan./jun. 2002.
GENTILE, Paola. Liguem a TV: vamos estudar. Revista Nova Escola, Editora Abril, ed. 189, jan./fev. 2006. Disponí­vel em:<http://revistaescola.abril.com.br/crianca-e-adolescen­te/comportamento/liguem-tv-vamos-estudar-431451.shtml>. Acesso em: nov. 2008.
GOMES, Itania. Ingenuidade e recepção: as relações da criança com a TV. 1996. Disponível em: <http://www.facom.ufba.br>. Acesso em 23 de setembro de 2011.
KASCHNER, Pablo. Chaves de um sucesso. Rio de Janeiro: Editora SENAC Rio, 2006.
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OLIVEIRA, Neide Aparecida Arruda de; MARIOTTO, Vanessa Aparecidada Ferreira. Televisão, educação e crianças: os desafios da escola e da família. ECCOM, v. 1, n. 1, p. 999-999, jan./jun., 2010 Disponível em http://www.fatea.br/seer/index.php/eccom/article/view/238/192 Acesso em 25 de setembro de 2011.
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PACHECO, Elza Dias (org.) Comunicação educação e arte na cultural infanto-juvenil. São Paulo: Edições Loyola, 1991.
PEREIRA, Leonellea; SALGADO, Ana Alice Ramos Tejo. O humor de Roberto Bolaños: análise sóciojurídica de episódios de chaves. Disponível em < > Acesso em 20 de setembro de 2011.
PRADO, Lilian Santos de Godoy; Gomes, Ana Claudia Fernandes. Representações simbólicas da sociedade: Estudo do programa chaves. Iniciação Científica CESUMAR. Jan./Jun. 2011, v. 13, n. 1, p. 45-52. Disponível em < www.cesumar.br/pesquisa/periodicos/index.php/iccesumar/…/1394 > Acesso em 20 de setembro de 2011.
RENÓ, Denis Porto. O seriado el chavo del ocho como um producto folkcomunicacional que reflete a sociedade mexicana descrita por Octavio Paz. RAZÓN Y PALABRA (Revista Electrónica en América Latina Especializada en Comunicación) Disponível em < > Acesso em 23 de setembro de 2011.
RODRIGUES, Maria Rosilene. A influência da televisão na formação da criança Caderno Discente do Instituto Superior de Educação – Ano 2, n. 2 – Aparecida de Goiânia – 2008. Disponível em < . br/files/pesquisa/Artigo%20A%20INFLU%C3%8ANCIA% 20DA%20TELEVIS %C3% 83O%20NA%20FORMA%C3%87%C3% 83O%20DA%20CRIAN% C3%87A.pdf> Acesso em 25 de setembro de 2011
SILVA, Manoela C. C.C. Com os olhos do coração: estudo acerca da audiodescrição de desenhos animados para o público infantil. Salvador, 2009. 216p. Dissertação (Mestrado em Letras e Linguística). Universidade Federal da Bahia, UFPB, 2009.
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http://www.razonypalabra.org.mx/Reno.pdf

Como citar esse artigo [ISO 690/2010]:
Silva Fabiana Tavares dos Santos Lima Francisco José de 2011. Chaves da legitimação e da aprendizagem televisiva: áudio-descrição de um herói humano e de um herói mendigo [online]. [visto em 18/ 12/ 2018]. Disponível em: http://audiodescriptionworldwide.com/rbtv/chaves-da-legitimacao-e-da-aprendizagem-televisiva-audio-descricao-de-um-heroi-humano-e-de-um-heroi-mendigo/.
Revista Brasileira de Tradução Visual

Este artigo faz parte da edição de número volume: 9, nº 9 (2011).
Para conhecer a edição completa, acesse: http://audiodescriptionworldwide.com/rbtv/rbtv-9-sumario.

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  • Mestranda em Educação Inclusiva (UFPE). Aluna do III Curso de Tradução Visual com ênfase em Áudio-descrição “Imagens que Falam” (CEI/UFPE). Especialista em Literatura Infanto-Juvenil (FAFIRE). Graduada em Letras (FAINTVISA). Professora dos cursos de licenciatura em Pedagogia e Letras (Faculdades Integradas da Vitória de Santo Antão). Professora conteudista e executora do curso de licenciatura em Pedagogia (UFRPE- EaD). Professora da rede pública estadual de Pernambuco.View all posts by Fabiana Tavares dos Santos Silva
  • Professor Adjunto da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); Coordenador do Centro de Estudos Inclusivos (CEI/UFPE); Idealizador e Formador do Curso de Tradução Visual com ênfase em Áudio-descrição “Imagens que Falam” (CEI/UFPE);Tradutor e intérprete, psicólogo, coordenador do Centro de Estudos Inclusivos. E-mail: cei@ce.ufpe.brView all posts by Francisco José de Lima

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