Resumo No último censo do IBGE, em 2010, foi constatado que existem mais de seis milhões de pessoas com baixa visão no Brasil. Esse número representa 3,5% dos brasileiros e, mesmo diante deste índice extremamente significativo a população ainda a desconhece. Mas como pode existir tantos brasileiros com essa limitação visual ainda ser tão desconhecido … Continue reading 10Focados – a importância da audiodescrição num relato coletivo de experiência de pessoas com baixa visão
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Áudio-descrição da logo da RBTV: Revista Brasileira de Tradução Visual. Em um fundo branco, a mão direita faz a letra t em libras. O indicador e o polegar se cruzam, os demais dedos ficam erguidos. Próximo ao indicador há, em verde, 3 ondas sonoras. Abaixo da mão, lê-se RBTV, com letras verdes e com letras Braille em preto.

10Focados – a importância da audiodescrição num relato coletivo de experiência de pessoas com baixa visão

Resumo

No último censo do IBGE, em 2010, foi constatado que existem mais de seis milhões de pessoas com baixa visão no Brasil. Esse número representa 3,5% dos brasileiros e, mesmo diante deste índice extremamente significativo a população ainda a desconhece. Mas como pode existir tantos brasileiros com essa limitação visual ainda ser tão desconhecido pela sociedade? O presente estudo busca evidenciar, através de relatos de experiência de pessoas com baixa visão, as principais dificuldades enfrentadas pela falta de conhecimento sobre este assunto, focando também a relevância do recurso de audiodescrição como ferramenta essencial para uma inclusão social e educacional deste público. A presente pesquisa seguiu a metodologia qualitativa, através da coleta de dados de dez pessoas com baixa visão, sendo o grupo composto por homens e mulheres de diversas idades. Foram abordadas sua relação com a sociedade e vice-versa diante de sua limitação visual e a falta de recursos para uma inclusão cultural e educacional satisfatória. Como resultados parciais da pesquisa, pode-se observar que todos os entrevistados fazem queixas semelhantes sobre as barreiras diárias encontradas para que possam se sentir inseridos na sociedade. Pelos relatos citados percebe-se que a auto exclusão é uma das reações mais comuns entre a maioria. Isso indica que há uma enorme parcela de pessoas com baixa visão que estão à margem dos meios sociais, culturais e educacionais devido a inacessibilidade de recurso audiovisual e a falta da identidade esclarecida sobre esta deficiência.

Palavras-chave: baixa visão; audiodescrição; acessibilidade; identidade.

Introdução

Os relatos descritos neste material são de 10 pessoas entre mulheres e homens de idades diversas, residentes da capital Baiana. Os “10Focados”, diagnosticados com baixa visão, nos quais relatam suas experiências numa sociedade ainda leiga sobre esta deficiência e suas dificuldades enfrentadas em termo de acessibilidade visual. A baixa visão, ou visão subnormal como também é conhecida pelos especialistas da Oftalmologia, é uma perda visual incorrigível. A médica especialista Marta Rebelo de Matos, com seis anos de experiência em Salvador, diz que essa deficiência tem dois conceitos: um voltado para classificação médica e outro, no conceito do dia-a-dia do paciente de baixa visão. Uma pessoa que mesmo em uso de óculos, ou a depender da patologia, fez cirurgia, ou seja, foi submetido a todo tratamento possível e ainda tem dificuldade nas atividades diárias para enxergar, é considerada uma pessoa com baixa visão, podendo ser em um olho ou dos dois olhos. A OMS (Organização Mundial da Saúde) considera que o indivíduo, no melhor olho, tenha uma acuidade visual de 20/60 parcial (classificação médica), é considerado um deficiente visual, com redução na visão. Além de a medicina atribuir a baixa visão a acuidade visual, também é considerada a redução do campo de visão. Se a pessoa tem uma acuidade visual normal, mas tem o campo de visão reduzido, menor que 30 graus, é considerada baixa visão. A baixa visão pode ocorrer por traumatismos, doenças ou imperfeições no órgão ou no sistema visual. As pessoas com essa deficiência podem ter baixa acuidade visual, dificuldade para enxergar de perto e/ou de longe, campo visual reduzido e problemas na visão de contraste, entre outros.

Atualmente, existem diversos recursos tecnológicos que permite uma pessoa com deficiência visual ter acesso à leitura, no entanto, há uma grande dificuldade a esses recursos por conta das poucas empresas que existem no mercado e seus valores são inacessíveis. Na Bahia, por exemplo, tem uma loja que comercializa estes produtos em Lauro de Freitas, região metropolitana de Salvador, sendo que todos os entrevistados informaram não conhecer a tal loja. E sobre o recurso da audiodescrição somente dois deles tinham ouvido falar nesta ferramenta de acessibilidade visual.

A audiodescrição surge, então, como uma tecnologia de acessibilidade que consiste em transformar imagens em palavras sonoras para atender às pessoas com deficiência visual. Esta ferramenta chegou ao Brasil em 2003, no festival temático Assim Vivemos: Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência.

O presente trabalho está composto por duas partes. A primeira aborda sobre as dificuldades enfrentadas no dia a dia pelas pessoas com baixa visão; a segunda parte, refere-se propriamente sobre o tema deste trabalho – a importância da audiodescrição para estas pessoas como forma de inclusão.

Pessoas com baixa visão – 10Focados

São dez pessoas possuidoras de baixa visão que fizeram parte deste estudo, inclusive a autora Edjane Santos. Sua limitação visual ocorre devido a um acidente automobilístico que afetou o nervo-óptico causando perda total no campo central da visão desde os 13 anos. A partir deste momento, passou a vivenciar um mundo que poucos conhecem: a baixa visão. Falar para as pessoas que tinha uma limitação visual era simplesmente ouvir a seguinte pergunta: Cadê seus óculos? Como se fosse a única correção para qualquer que seja problema visual. Explicá-lo era muitas das vezes incompreensível. É difícil entender porque não se fala sobre o assunto, a imprensa como grande mediador de informação não enxerga este grupo da deficiência. Amiralian (2004) relata em sua pesquisa “parece que as pessoas só conhecem duas formas de ver: o cego ou aquele que enxerga”.

Como a falta de conhecimento gera preconceito, as pessoas com essa deficiência são muitas das vezes tratadas de modo discriminatório, como diz Roseane Lemos, diagnosticada com Catarata Congênita[1]: “a gente que tem essa diferença, tem que viver com esse preconceito diariamente”. Ela relata alguns acontecimentos constrangedores que foi submetida por não aparentar deficiência alguma. Para muitos, a aparência ainda é um fator predominante para se tirar conclusões, no entanto muitas das vezes equivocadas. Eduardo Sanches tem Retinose Pigmentar[2] e diz que as pessoas onde ele mora comentam que ele é fingido por conta de usar bengala para sua melhor mobilidade e fazer cooper na praia sem nenhum recurso. A bengala é um instrumento utilizado pelas pessoas com deficiência visual que sentem dificuldades em mobilidade independente do grau da perda na visão. Além de Sanches, Kyrkykleydes Galindo e Robson Damásio também passam por situação semelhante por conta da bengala. Ela possui Atrofia Girata[3] e cegueira noturna precisa desta ferramenta durante a noite, e de dia não utiliza nenhum recurso, por conta disso as pessoas também duvidam de sua deficiência.

Devido essa doença congênita, Kyrkykleydys Galindo possui campo visual reduzido. Ela tem apenas a região central da visão, ou seja, as partes periféricas são nulas. Quem tem essa região perdida não tem noção de espaço, por isso tem muita dificuldade de locomoção. Além disso, distinguir a fisionomia do rosto de quem passa por ela é quase impossível. Ao andar na rua sempre atropela alguém que caminha ao seu lado, devido não conseguir enxergar absolutamente nada no seu campo lateral. Na sala de aula, ela consegue ler o que está escrito no quadro, mas em 1 metro de distância e com letras grandes. Edjane Santos, autora do presente texto, possui também o campo visual reduzido, enxergando apenas pela região das periféricas, não tem a visão central, ao contrário da jovem portadora de Atrofia Girata.

O ser humano enxerga com um ângulo de aproximadamente 180º, porém Kyrkykleyde e Edjane não têm todo campo de visão. Ao olhar para frente elas utilizam a região central, não consegue visualizar absolutamente nada, apenas uma mancha de cor neutra nesta região ocular. Tem que olhar para o contorno para conseguir ver algo. O campo central de visão humana é a parte mais nítida que existe, enquanto as periféricas são desfocadas.

A falta de compreensão da população e a rejeição são alguns dos fatores que podem prejudicar muito um indivíduo na relação interpessoal, causando-lhes a auto exclusão nos diversos meios sociais. Rosivaldo da Hora, que tem Catarata Congênita, afastou-se da escola devido a discriminação e a falta de apoio. Rosivaldo desistiu de estudar na 3ª série do primeiro grau. Atualmente, com 38 anos, mora da Ilha de Itaparica e, apesar de participar de um projeto educativo, ainda não tinha conseguido concluir o ensino fundamental.

Com oito anos ele desistiu de estudar devido a rejeição de alguns professores. Ele recorda de um comentário marcante dito por uma professora na sala de aula: “Não vou ensiná-lo porque atrapalha os outros alunos”. Ele consegue ler fonte padrão 12, mas prefere utilizar fonte 16 por questão de mais conforto. Usa óculos 12º graus em cada lente, e quando sente muita dificuldade de locomoção no período da noite utiliza bengala.

“Se sentir sozinha, ter a convicção de que as pessoas pareciam não entender sua limitação visual, inclusive a própria família” – estes são relatos de Ruthiara Santos (Catarata Congênita). No CAP (Centro de Apoio Pedagógico ao Deficiente Visual, localizado em Salvador-BA), aprendeu a lidar mais com a sua deficiência e conhecer pessoas com problemas similares. Ruthiara também se ausentou da escola por um período por conta da falta de conhecimento dos professores sobre a sua baixa visão.

Não podemos cobrar das pessoas entendimento daquilo que elas não conhecem”. Essa foi uma frase dita por Roseane Lemos. De fato, não se pode cobrar de alguém ou de um determinado grupo social algo que não têm conhecimento, mas ela completa – “conviver com a discriminação devido a esse desconhecido está sendo cada vez mais difícil. Queremos ser conhecidos e reconhecidos pela comunidade deste país”.

Audiodescrição

Os brasileiros, de um modo geral não têm hábito de participar ativamente de atividades culturais. Infelizmente a população desconhece tais valores. Uma imensa parcela está fora dessa realidade, não apenas pela falta de interesse mas pela questão da falta de acessibilidade. Mais de seis milhões de pessoas com deficiência visual que existe no país, segundo o senso do IBGE de 2010 estão à margem de participação ativa de atividades culturais.

Em novembro de 2012, a autora realizou uma visita ao Museu Tempostal, no Pelourinho – Centro Histórico de Salvador, para assistir a exposição “Pelourinho – Um cartão Postal da Bahia”, que estava em cartaz desde 31 de maio do mesmo ano. Foi uma mostra essencialmente visual, composta por cerca de 150 peças como fotografias, postais e vídeos que apresentam as mudanças sofridas no Pelourinho com o passar do tempo. Ela queria ter tido acesso a todas as informações do acervo, tanto por escrito quanto pelas imagens dessa exposição rica em conhecimento, porém, não foi possível por não ter recurso que transmitisse tais informações.

Além da falta de incentivo educacional, muitos deficientes visuais não vão aos eventos culturais espalhados pela cidade devido à falta de acessibilidade. O recurso que possibilitaria a essas pessoas a “enxergar” as imagens é a audiodescrição.

A audiodescrição consiste na transformação de imagens em palavras para que informações-chave transmitidas visualmente

não passem despercebidas e possam também ser acessadas por pessoas cegas ou com baixa visão (MOTA e FILHO, 2010).

 

Apesar de sua importância e regulamentação muitos deficientes visuais não conhecem esse recurso. Dos nove entrevistados com baixa visão, apenas dois deles conheciam o produto. Jorge Antônio e Roseane Lemos não a conheciam e, ao assistirem o vídeo Imagine uma menina com cabelos de Brasil, de História e animação de Alexandre Bersot com a audiodescrição ficaram encantados: “é maravilhoso! Nunca tinha visto esse recurso”, palavras de Roseane. Jorge também expressou suas palavras de alegria ao conhecer a audiodescrição: “é incrível, maravilhoso, demais!”.

A falta de informações completas das cenas visuais leva a desmotivação e o afastamento dessas pessoas dos meios culturais. Robson Damásio diz que participava bastante de teatro quando tinha uma visão mais apurada. Com a perda progressiva visual, ficou difícil ter acesso às informações levando-o a se afastar de vez dessas atividades de diversão e entretenimento. Deixou de frequentar também estádio de futebol, por não perceber, ou melhor, enxergar os jogadores, as jogadas e detalhes de cada partida. Devido a isso, ele optou somente assistir pela televisão. Mas também com dificuldade de localizar a bola nos jogos transmitidos na TV, pela mudança de cor, perdeu mais a empolgação de assistir partidas de futebol. Para Robson, a bola de cor branca é a única cor que ele consegue de fato enxergar, devido o contraste do verde da grama.

Como já foi dito, os deficientes visuais, além de enfrentar as dificuldades no seu dia-a-dia e nas relações sociais, têm que passar por diversos constrangimentos devido à falta de acessibilidade, do conhecimento das pessoas em relação a sua deficiência e seus direitos bem como o preconceito existente. Marcelo Monteiro, outro entrevistado com baixa visão, retrata muito bem essa questão quando vai transitar em diversos lugares da capital baiana com seu cão-guia Porsche da raça Labrador. Foram diversas vezes barrados na entrada de vários estabelecimentos, proibindo a entrada do seu cão-guia, sendo este um direito garantido por Lei, a Lei nº 11.126, de 27 de junho de 2005. Ele relata que isso é uma das maiores barreiras que ele tem que passar diariamente. Sobre a audiodescrição, tem conhecimento, mas não tem muito interesse sobre o recurso.

Valnélio da Paixão é um rapaz com baixa visão que sofreu deslocamento de retina no olho direito, seu grau de perda visual é baixa permitindo que enxergue muitas coisas ao seu redor. Ao falar da audiodescrição ele disse que não necessita do recurso para auxiliá-lo na acessibilidade das imagens transmitidas, mas reconhece a importância e a diferença que este instrumento pode levar para as pessoas com deficiência visual.

O recurso da audiodescrição favorece não apenas ao acesso a atividades culturais como museu, cinema, espetáculos, etc. ela surgiu para ser inserido em qualquer que seja evento visual estático ou móvel. Ou seja, pode ser um grande instrumento a ser utilizado dentro das salas de aula. Para que esta ação possa ocorrer com eficiência é preciso que este recurso possa fazer parte dos cursos de Formação de Professores e que seja cumprido a obrigatoriedade do uso da audiodesrição em produções culturais que recebam financiamento do governo federal.

Considerações Finais

Diante dos conteúdos abordados neste material pode-se observar que as pessoas com baixa visão estão à margem da sociedade devido ao não conhecimento de sua existência pelos diversos grupos sociais. Como de modo geral o ser humano tem a tendência de rejeitar o que não conhece, então conclui-se que as pessoas com baixa visão se auto excluem para não serem rejeitadas, excluídas. Com o acesso do recurso de audiodescrição eles podem se pois eles poderão ter acesso as informações como uma pessoa vidente sentir mais incluído.

A audiodescrição é um recurso extremamente importante para todos os deficientes visuais, que passam a ter acesso a muitas informações e que os levarão a compreender o produto assistido. Ele pode ser utilizado em todos os ambientes como nos espetáculos, na TV, na escola, etc…

Para que essa inserção seja de fato concretizada é preciso pessoas que se interessem sobre o estudo desse recurso, de seu cumprimento legal e em busca de ampliar a audiodescrição em inúmeras atividades culturais que existe no nosso país tão rico de arte. Como complemento deste trabalho, apresentamos um link de um mini documentário acadêmico “Meu Olhar” que retrata de modo sucinto essa faceta em que vive as pessoas de baixa visão.

Referências

AMIRALIAN, M. L. T. M. Sou cego ou enxergo? Curitiba: Editora UFPR, n. 23, p. 15-28, 2004.
FRANCO, E. P. C. e SILVA, M. C. C. C. Audiodescrição: Breve Passeio Histórico. In MOTTA, L.M.V. e ROMEU FILHO, P. (orgs): Audiodescrição: Transformando Imagens em Palavras. Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Estado de São Paulo, 2010.
BRASIL. Ministério da Educação. Compreender a Baixa Visão. Brasília: MEC/SEESP, 2002.
OLIVEIRA, Alvací Luiz. A ação do preconceito no aluno de baixa visão na construção da identidade. Artigo de conclusão – Especialização em Educação Inclusiva – Universidade do Estado da Bahia. Salvador: 2011
Sobre Deficiência visual. Disponível em: <http://www.fundacaodorina.org.br/deficiencia-visual/> Acesso em 15/12/2014.

Nota de rodapé

[1] É uma lesão ocular que atinge e opaca o cristalino, lente situada atrás da íris cuja transparência permite que a luz que atravesse e alcance a retina.
[2] É uma doença não-inflamatória progressiva do olho na qual mudanças estruturais na córnea (que alteram sua biomecânica – resistência e elasticidade), tornando-a mais fina e modificam sua curvatura normal (praticamente esférica) para um formato mais cônico.
[3] É uma desordem genética de herança autossômica recessiva considerada bastante rara, com cerca de 100 casos descritos na literatura mundial.

Como citar esse artigo [ISO 690/2010]:
Santos Edjane Santos Adriana 2015. 10Focados – a importância da audiodescrição num relato coletivo de experiência de pessoas com baixa visão [online]. [visto em 18/ 06/ 2019]. Disponível em: http://audiodescriptionworldwide.com/rbtv/10focados-a-importancia-da-audiodescricao-num-relato-coletivo-de-experiencia-de-pessoas-com-baixa-visao/.
Revista Brasileira de Tradução Visual

Este artigo faz parte da edição de número volume: 18, nº 18 (2015).
Para conhecer a edição completa, acesse: http://audiodescriptionworldwide.com/rbtv/rbtv-18-sumario.

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  • Graduada em Jornalismo Faculdade Dois de Julho. Funcionária Setor ADM – Tecnologia da Rede Bahia de Televisão S.A.View all posts by Edjane Santos
  • Graduada em Letras com Inglês pela Universidade Católica do Salvador- UCSal. Especialista em Mídias na Educação pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB. Qualificada em Educação de pessoas com Deficiência visual – IBC – RJView all posts by Adriana Santos

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