O direito à educação especial inclusiva. Breves considerações Fabiana Maria Lobo da Silva Elaborado em 01/2011. Disponível em: http://jus.com.br/revista/texto/18354/o-direito-a-educacao-especial-inclusiva 1.Considerações iniciais Antes, a educação das pessoas portadoras de deficiência ficava ao encargo de instituições, escolas ou classes especiais. Hoje, com a nova política de educação inclusiva, deve se dar em todos os níveis do sistema … Continue reading “O direito à educação especial inclusiva.”
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“O direito à educação especial inclusiva.”

O direito à educação especial inclusiva.

Breves considerações
Fabiana Maria Lobo da Silva
Elaborado em 01/2011.
Disponível em:
http://jus.com.br/revista/texto/18354/o-direito-a-educacao-especial-inclusiva

1.Considerações iniciais
Antes, a educação das pessoas portadoras de deficiência ficava ao encargo
de instituições, escolas ou classes especiais. Hoje, com a nova política
de educação inclusiva, deve se dar em todos os níveis do sistema regular
de ensino.
Com efeito, diversos documentos internacionais garantem às pessoas com
deficiência o direito fundamental de não serem excluídas do ensino regular
por motivo de suas deficiências, a exemplo da Convenção de Guatemala de
1999, da Convenção das Pessoas com Deficiência de 2006 e da Convenção de
Nova York de 2007.
Essa última, especificamente, passou a viger como norma jurídica interna do
ordenamento brasileiro através do Decreto nº 6.949/2009. Com isso,
reforçou, em solo pátrio, o direito fundamental das pessoas com
deficiência de não serem “excluídas do sistema educacional geral sob
alegação de deficiência” e das crianças com deficiência de não serem
“excluídas do ensino primário gratuito e compulsório ou do ensino
secundário, sob alegação de deficiência” (art. 24, item 2, “a”, do texto
da Convenção) [01].
Ademais, como lei nova, a convenção novaiorquina revogou as disposições
em contrário e deu nova interpretação aos arts. 58 e seguintes da Lei de
Diretrizes e Bases da Educação (Lei nº 9.394/90), que falam em educação
especial inclusiva “se possível” ou “preferencialmente”.

2. O Atendimento Educacional Especializado (AEE)
De acordo com o novo norte da educação especial, as pessoas portadoras de
deficiência (física, mental, intelectual ou sensorial), transtornos globais
do desenvolvimento (síndrome de Aspeger, síndrome de Rett, autismo, por
exemplo), assim como altas habilidades/superdotação devem ser matriculadas,
concomitantemente, no ensino regular e no Atendimento Educacional
Especializado (AEE), previsto no art. 208, III, da Constituição Federal de
1988 [02].
O AEEconsiste no conjunto de atividades, recursos de acessibilidade e
pedagógicos organizados institucionalmente, prestado de forma complementar
ou suplementar ao ensino regular, mas nunca substitutiva(art. 1º, § 1º, do
Decreto nº 6.571/2008) [03]. Destina-se a oferecer aquilo que há de
específico na educação de um aluno com deficiência sem impedi-lo de
frequentar, quando em idade própria, ambientes comuns de ensino [04].
Esse atendimento deve ser ofertado no turno oposto ao do ensino regular, quer
na própria escola em que o aluno estuda, em outra escola do ensino regular
ou em instituição comunitária, confessional ou filantrópica sem fins
lucrativos [05]. Todavia, nos termos do art. 208, III, da Constituição
Federal, deve ser feito, preferencialmente, na rede regular de ensino.
Nas escolas da rede regular, o AEE pode ser feito nas salas de recursos
multifuncionais, que são ambientes dotados de equipamentos, mobiliários e
materiais didáticos para oferta desse tipo de atendimento, a exemplo dos
livros didáticos e paradidáticos em braile, áudio e em Língua Brasileira
de Sinais (LIBRAS) [06], laptops com sintetizador de voz e outros
equipamentos descritos no § 2º, do Decreto nº 6.571/2008.
Outrossim, o AEE deve contar com professor específico, atuando conjuntamente
com os demais professores do ensino regular. Já no caso dos alunos surdos,
deve haver, obrigatoriamente, intérprete de libras nas salas de aula para
tradução simultânea do conteúdo repassado.
Como matérias específicas do AEE, tem-se o ensino da Língua Brasileira de
Sinais (LIBRAS), ensino da língua portuguesa para surdos, do código
braille, de orientação e mobilidade, da utilização do soroban, da
educação física adaptada, dentre outras.
Apesar de sua abrangência, o AEE não é sinônimo de educação especial,
mas apenas um dos seus aspectos. Essa abrange, também, outras ações que
garantam a educação inclusiva, tais como: a) a formação de professores e
demais profissionais da educação para o atendimento educacional inclusivo,
que pode ocorrer através das plataformas de educação à distância do
Ministério da Educação e Cultura – MEC; e b) a adequação arquitetônica
de prédios escolares para acessibilidade [07].


4.A educação especial nas escolas privadas
As escolas particulares exercem função sujeita à autorização e à
fiscalização pelo Poder Público no que se refere ao cumprimento das normas
gerais da educação nacional (art. 209, da Constituição Federal). Em face
disso, possuem as mesmas obrigações impostas à rede pública de ensino
pela política nacional de educação inclusiva adotada pelo Estado
brasileiro.
Sem falar que o direito das pessoas com deficiência à educação inclusiva
se impõe, plenamente, nas relações entre particulares, à vista da
denominada eficácia horizontal dos direitos fundamentais (Drittwirkung).
Nessa perspectiva, as escolas particulares devem possuir acessibilidade
arquitetônica, disponibilizar intérpretes para alunos surdos, material
pedagógico em braille para os alunos cegos, assim como outros instrumentos
do AEE, sem que haja cobrança de taxa adicional [10]. Ademais, seus
dirigentes não podem recusar matrícula por motivo de deficiência, sob pena
de crime (art. 8º, I, da Lei nº 7.853/89).
Como consequência, uma escola privada só pode ser autorizada a funcionar ou
a continuar funcionando pelos respectivos Conselhos de Educação quando
atenda às normas de acessibilidade como um todo.

O direito à educação especial inclusiva.
Breves considerações
Elaborado em 01/2011.

Fabiana Maria Lobo da Silva
Promotora de Justiça do Estado da Paraíba. Mestranda em Ciências Jurídico-Políticas – Universidade de Lisboa
Informações sobre o texto
Como citar este texto (NBR 6023:2002 ABNT):
SILVA, Fabiana Maria Lobo da. O direito à educação especial inclusiva. Breves considerações. Jus Navigandi, Teresina, ano 16, n. 2765, 26jan.2011 .
Disponível em: . Acesso em: 11 nov. 2012.

1.Considerações iniciais
Antes, a educação das pessoas portadoras de deficiência ficava ao encargo de instituições, escolas ou classes especiais. Hoje, com a nova política de educação inclusiva, deve se dar em todos os níveis do sistema regular de ensino.
Com efeito, diversos documentos internacionais garantem às pessoas com deficiência o direito fundamental de não serem excluídas do ensino regular por motivo de suas deficiências, a exemplo da Convenção de Guatemala de 1999, da Convenção das Pessoas com Deficiência de 2006 e da Convenção de Nova York de 2007.
Essa última, especificamente, passou a viger como norma jurídica interna do ordenamento brasileiro através do Decreto nº 6.949/2009. Com isso, reforçou, em solo pátrio, o direito fundamental das pessoas com deficiência de não serem “excluídas do sistema educacional geral sob alegação de deficiência” e das crianças com deficiência de não serem “excluídas do ensino primário gratuito e compulsório ou do ensino secundário, sob alegação de deficiência” (art. 24, item 2, “a”, do texto da Convenção) [01].
Ademais, como lei nova, a convenção novaiorquina revogou as disposições em contrário e deu nova interpretação aos arts. 58 e seguintes da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei nº 9.394/90), que falam em educação especial inclusiva “se possível” ou “preferencialmente”.

2. O Atendimento Educacional Especializado (AEE)
De acordo com o novo norte da educação especial, as pessoas portadoras de deficiência (física, mental, intelectual ou sensorial), transtornos globais do desenvolvimento (síndrome de Aspeger, síndrome de Rett, autismo, por exemplo), assim como altas habilidades/superdotação devem ser matriculadas, concomitantemente, no ensino regular e no Atendimento Educacional Especializado (AEE), previsto no art. 208, III, da Constituição Federal de 1988 [02].
O AEEconsiste no conjunto de atividades, recursos de acessibilidade e pedagógicos organizados institucionalmente, prestado de forma complementar ou suplementar ao ensino regular, mas nunca substitutiva(art. 1º, § 1º, do Decreto nº 6.571/2008) [03]. Destina-se a oferecer aquilo que há de específico na educação de um aluno com deficiência sem impedi-lo de frequentar, quando em idade própria, ambientes comuns de ensino [04].
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Esse atendimento deve ser ofertado no turno oposto ao do ensino regular, quer na própria escola em que o aluno estuda, em outra escola do ensino regular ou em instituição comunitária, confessional ou filantrópica sem fins lucrativos [05]. Todavia, nos termos do art. 208, III, da Constituição Federal, deve ser feito, preferencialmente, na rede regular de ensino.
Nas escolas da rede regular, o AEE pode ser feito nas salas de recursos multifuncionais, que são ambientes dotados de equipamentos, mobiliários e materiais didáticos para oferta desse tipo de atendimento, a exemplo dos livros didáticos e paradidáticos em braile, áudio e em Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) [06], laptops com sintetizador de voz e outros equipamentos descritos no § 2º, do Decreto nº 6.571/2008.
Outrossim, o AEE deve contar com professor específico, atuando conjuntamente com os demais professores do ensino regular. Já no caso dos alunos surdos, deve haver, obrigatoriamente, intérprete de libras nas salas de aula para tradução simultânea do conteúdo repassado.
Como matérias específicas do AEE, tem-se o ensino da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS), ensino da língua portuguesa para surdos, do código braille, de orientação e mobilidade, da utilização do soroban, da educação física adaptada, dentre outras.
Apesar de sua abrangência, o AEE não é sinônimo de educação especial, mas apenas um dos seus aspectos. Essa abrange, também, outras ações que garantam a educação inclusiva, tais como: a) a formação de professores e demais profissionais da educação para o atendimento educacional inclusivo, que pode ocorrer através das plataformas de educação à distância do Ministério da Educação e Cultura – MEC; e b) a adequação arquitetônica de prédios escolares para acessibilidade [07].

3. A educação especial inclusiva nas escolas públicas
No que tange ao sistema público de ensino, o Governo Federal presta apoio técnico e financeiropara a implantação das salas multifuncionais de recursos nas escolas públicas (Programa de Implantação das Salas de Recursos Multifuncionais); para a capacitação dos professores, gestores e demais profissionais da educação (Programa Educação Inclusiva); e para adequação arquitetônica dos prédios escolares (Programa Escola Acessível) [08].
Além disso, quando há matrícula de aluno portador de deficiência na rede regular de ensino e, concomitantemente, no AEE prestado na própria escola, em outra escola pública ou em instituição comunitária, filantrópica ou confessional, o cômputo do coeficiente do FUNDEB é dobrado, conforme o art. 9º-A, do Decreto 6.253/2007.
Isso significa que os Estados, Distrito Federal e Municípios recebem a mais por cada aluno portador de deficiência matriculado em suas respectivas rede de ensino, que frequente o AEE [09]. Sem falar nas verbas específicas para acessibilidade e para implantação de sala de recursos direcionadas pelo MEC.
Por consequência, não se justifica a rotineira desculpa de que a rede pública de ensino não tem condições de receber alunos portadores de deficiências, por faltar-lhe recursos para as adaptações necessárias.
Cuida-se de dever legalmente imposto, consistindo crime, nos termos do art. 8º, I, da Lei nº 7.853/89, punível com 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa, a ação do agente responsável que “recusar, suspender, procrastinar, cancelar ou fazer cessar, sem justa causa, a inscrição de aluno em estabelecimento de ensino de qualquer curso ou grau, público ou privado, por motivos derivados da deficiência que porta”.

4.A educação especial nas escolas privadas
As escolas particulares exercem função sujeita à autorização e à fiscalização pelo Poder Público no que se refere ao cumprimento das normas gerais da educação nacional (art. 209, da Constituição Federal). Em face disso, possuem as mesmas obrigações impostas à rede pública de ensino pela política nacional de educação inclusiva adotada pelo Estado brasileiro.
Sem falar que o direito das pessoas com deficiência à educação inclusiva se impõe, plenamente, nas relações entre particulares, à vista da denominada eficácia horizontal dos direitos fundamentais (Drittwirkung).
Nessa perspectiva, as escolas particulares devem possuir acessibilidade arquitetônica, disponibilizar intérpretes para alunos surdos, material pedagógico em braille para os alunos cegos, assim como outros instrumentos do AEE, sem que haja cobrança de taxa adicional [10]. Ademais, seus dirigentes não podem recusar matrícula por motivo de deficiência, sob pena de crime (art. 8º, I, da Lei nº 7.853/89).
Como consequência, uma escola privada só pode ser autorizada a funcionar ou a continuar funcionando pelos respectivos Conselhos de Educação quando atenda às normas de acessibilidade como um todo.

5. A tutela judicial da educação especial inclusiva
O direito fundamental à educação inclusiva vem sendo reconhecido pacificamente pela jurisprudência pátria, inclusive pelo instrumento constitucional do mandado de segurança, dado seu caráter líquido e certo:
EMENTA: MANDADO DE SEGURANÇA. ENSINO MÉDIO. NECESSIDADE DE ACOMPANHAMENTO DE ALUNA POR INTÉRPRETE DE LINGUAGEM DE SINAIS. A impetrante é adolescente portadora de deficiência auditiva e está impossibilitada de cursar o ensino médio, em razão da falta de professores habilitados. Nesse contexto, cabe ao Estado disponibilizá-los imediatamente de modo a cumprir os ditames legais, assegurando o direito à educação sem qualquer discriminação. CONCEDERAM A SEGURANÇA, POR MAIORIA. (SEGREDO DE JUSTIÇA) (Mandado de Segurança Nº 70033604216, Quarto Grupo de Câmaras Cíveis, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Rui Portanova, Julgado em 12/03/2010).
Outrossim, por se tratar de direito fundamental indisponível, mesmo quando violado individualmente, pode ser perseguido pelo Ministério Público na condição de substituto processual, tal como prevê o art. 6º da Lei nº 7.853/89.
Com efeito, inúmeras são as ações propostas pelo Órgão Ministerial para garantir a educação especial inclusiva, a exemplo da ação civil pública do Ministério Público do Rio Grande do Sul que motivou o seguinte julgado:
EMENTA: AÇÃO CIVIL PÚBLICA. DIREITO DO ADOLESCENTE AO ATENDIMENTO EM ESCOLA ESPECIAL E TRANSPORTE DE QUE NECESSITA. PRIORIDADE LEGAL. OBRIGAÇÃO DO PODER PÚBLICO DE FORNECÊ-LO. BLOQUEIO DE VALORES. CABIMENTO. 1. Os entes públicos têm o dever de fornecer gratuitamente o atendimento especial e o transporte de que necessita o menor, cuja família não tem condições de custear. 2. A responsabilidade dos entes públicos é solidária e a exigência de atuação integrada do poder público como um todo, isto é, União, Estados e Municípios para garantir a saúde de crianças e adolescentes, do qual decorre o direito ao fornecimento de ensino especial, está posto no art. 196 da CF e art. 11, §2º, do ECA. 3. É cabível a antecipação de tutela quando ocorre a presença das hipóteses do art. 273 do CPC. 4. É cabível o bloqueio de valores quando permanece situação de inadimplência imotivada do ente público, pois o objetivo é garantir o célere cumprimento da obrigação de fazer estabelecida na decisão judicial. Recurso desprovido. (SEGREDO DE JUSTIÇA) (Agravo de Instrumento Nº 70034910448, Sétima Câmara Cível, Tribunal de Justiça do RS, Relator: Sérgio Fernando de Vasconcellos Chaves, Julgado em 12/05/2010).

6.Conclusão
Observa-se, portanto, que apesar dos debates pedagógicos ainda travados a respeito, a educação especial inclusiva é direito fundamental positivado de todas as pessoas com deficiência, com eficácia imediata e oponível erga omnes.
O aluno portador de deficiência tem direito de ser inserido em todos os níveis do ensino regular, sendo avaliado não de forma homogeneizada, mas de acordo com suas diferenças e aptidões, assim como com a evolução do conhecimento adquirido a cada nível de ensino [11]. A respeito, esclarece EUGÊNIA FÁVERO que, “mesmo que não consigam aprender todos os conteúdos escolares, há que se garantir (inclusive) aos alunos com severas limitações o direito à convivência na escola, entendida como espaço privilegiado da educação global das novas gerações” [12].

Notas
1. O artigo 24 da Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, de 30 de março de 2007, trata, detalhadamente, do direito fundamental à educação, assim dispondo em sua íntegra: “Artigo 24. Educação: 1.Os Estados Partes reconhecem o direito das pessoas com deficiência à educação. Para efetivar esse direito sem discriminação e com base na igualdade de oportunidades, os Estados Partes assegurarão sistema educacional inclusivo em todos os níveis, bem como o aprendizado ao longo de toda a vida, com os seguintes objetivos: a) O pleno desenvolvimento do potencial humano e do senso de dignidade e auto-estima, além do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos, pelas liberdades fundamentais e pela diversidade humana; b) O máximo desenvolvimento possível da personalidade e dos talentos e da criatividade das pessoas com deficiência, assim como de suas habilidades físicas e intelectuais; c) A participação efetiva das pessoas com deficiência em uma sociedade livre. 2. Para a realização desse direito, os Estados Partes assegurarão que: a) As pessoas com deficiência não sejam excluídas do sistema educacional geral sob alegação de deficiência e que as crianças com deficiência não sejam excluídas do ensino primário gratuito e compulsório ou do ensino secundário, sob alegação de deficiência; b) As pessoas com deficiência possam ter acesso ao ensino primário inclusivo, de qualidade e gratuito, e ao ensino secundário, em igualdade de condições com as demais pessoas na comunidade em que vivem; c) Adaptações razoáveis de acordo com as necessidades individuais sejam providenciadas; d) As pessoas com deficiência recebam o apoio necessário, no âmbito do sistema educacional geral, com vistas a facilitar sua efetiva educação; e) Medidas de apoio individualizadas e efetivas sejam adotadas em ambientes que maximizem o desenvolvimento acadêmico e social, de acordo com a meta de inclusão plena. 3.Os Estados Partes assegurarão às pessoas com deficiência a possibilidade de adquirir as competências práticas e sociais necessárias de modo a facilitar às pessoas com deficiência sua plena e igual participação no sistema de ensino e na vida em comunidade. Para tanto, os Estados Partes tomarão medidas apropriadas, incluindo: a) Facilitação do aprendizado do braille, escrita alternativa, modos, meios e formatos de comunicação aumentativa e alternativa, e habilidades de orientação e mobilidade, além de facilitação do apoio e aconselhamento de pares; b) Facilitação do aprendizado da língua de sinais e promoção da identidade linguística da comunidade surda; c) Garantia de que a educação de pessoas, em particular crianças cegas, surdocegas e surdas, seja ministrada nas línguas e nos modos e meios de comunicação mais adequados ao indivíduo e em ambientes que favoreçam ao máximo seu desenvolvimento acadêmico e social. 4.A fim de contribuir para o exercício desse direito, os Estados Partes tomarão medidas apropriadas para empregar professores, inclusive professores com deficiência, habilitados para o ensino da língua de sinais e/ou do braille, e para capacitar profissionais e equipes atuantes em todos os níveis de ensino. Essa capacitação incorporará a conscientização da deficiência e a utilização de modos, meios e formatos apropriados de comunicação aumentativa e alternativa, e técnicas e materiais pedagógicos, como apoios para pessoas com deficiência. 5.Os Estados Partes assegurarão que as pessoas com deficiência possam ter acesso ao ensino superior em geral, treinamento profissional de acordo com sua vocação, educação para adultos formação continuada, sem discriminação e em igualdade de condições. Para tanto, os Estados Partes assegurarão a provisão de adaptações razoáveis para pessoas com deficiência.
2. “Art. 208. O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de: (…) III- Atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino”.
3. A Resolução nº 04/2009, do Conselho Nacional de Educação, trata, detalhadamente, do AEE.
4. FÁVERO, Eugênia Augusta Gonzaga et alli.Atendimento Educacional Especializado. Aspectos Legais e Orientação Pedagógica. Capturado in http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me004881.pdf, aos 26.11.2010.
5. O AEE prestado por essas instituições não podem substituir a rede regular de ensino. Portanto, as mesmas devem encaminhar seus usuários, quando em idade escolar, para à educação básica das escolas oficiais, inclusive para a Educação de Jovens e Adultos – EJA, de acordo com o critério cronológico. Conforme o Plano Nacional de Educação de 2001-2010, esse prazo se expira em 2011.
6. A Lei nº 10.436/02 reconhece a Língua Brasileira de Sinais – Libras como meio legal de comunicação e expressão, determinando que sejam garantidas formas institucionalizadas de apoiar seu uso e difusão, bem como a inclusão da disciplina de Libras como parte integrante do currículo nos cursos de formação de professores e de fonoaudiologia.
7. Sobre a acessibilidade arquitetônica e outras disposições vide a Lei nº 10.098/00.
8. Para maiores esclarecimentos, vide o link da Secretaria de Educação Especial no site do Ministério da Educação e Cultura: www.mec.gov.br.
9. No entanto, convém registrar que o aluno portador de deficiência não é obrigado a se matricular no AEE. Trata-se de um direito, com a faculdade de ser ou não ser exercido.
10. Esses gastos fazem parte da atividade educacional assumida, não podendo ser repassados para a família do aluno portador de deficiência.
11. A respeito: FÁVERO, Eugênia. Os Alunos com Deficiência Incluídos e sua Avaliação, capturado in www.grupo25.org.br/…/4Encontro-EugeniaFavero-AvaliacoeserepetencianalegislacaoBrasileira.doc, aos 26.11.2010.
12. FÁVERO, Eugênia. Os Alunos com Deficiência Incluídos e sua Avaliação, capturado in www.grupo25.org.br/…/4Encontro-EugeniaFavero-AvaliacoeserepetencianalegislacaoBrasileira. doc, aos 26.11.2010.
Pessoas portadoras de deficiência
Direito da pessoa portadora de deficiência à igualdade
Educação
Igualdade
Ordem Social
Direitos fundamentais (Direito Constitucional)
Direito Constitucional

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