Dia Internacional das Pessoas com Deficiência: “Sei o que sou, não tenho que dar satisfação. Não sou diferente de ninguém!” Comentário: Desde o dia 25 de novembro de 2012 venho trazendo matérias a respeito do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência e denunciando a falta de acessibilidade física e comunicacional no seio da Universidade Federal … Continuar lendo Dia Internacional das Pessoas com Deficiência: “Sei o que sou, não tenho que dar satisfação. Não sou diferente de ninguém!”
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Dia Internacional das Pessoas com Deficiência: “Sei o que sou, não tenho que dar satisfação. Não sou diferente de ninguém!”

Dia Internacional das Pessoas com Deficiência: “Sei o que sou, não tenho que dar satisfação. Não sou diferente de ninguém!”

Comentário:

Desde o dia 25 de novembro de 2012 venho trazendo matérias a respeito do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência e denunciando a falta de acessibilidade física e comunicacional no seio da Universidade Federal de Pernambuco, onde sou professor de Educação Inclusiva. Tenho feito isso, pois sei que o que acontece nesta Universidade e com este Professor com deficiência acontece com os estudantes com deficiência na UFPE, tanto quanto acontece com professores e alunos com deficiência de muitas outras universidades, escolas de ensino Médio e Fundamental, sejam públicas, sejam privadas.

O objetivo da www.direitoparatodos.associadosdainclusao.com.br, como o nome já anuncia é defender e divulgar o direito para todos, neste todos inclusive as pessoas com deficiência, as quais podem ser de raças/etnias diversas; de origens geográficas, religiosas, linguísticas etc. diversas; as quais podem ser de orientação sexual diversas; do gênero masculino ou feminino, ou de qualquer outra segmentação que se possa fazer, inclusive de idade.

Em outras palavras, tratar dos direitos das pessoas com deficiência é tratar de direitos humanos, dos direitos humanos fundamentais, do Direito Natural, é tratar de pessoas humanas e sua dignidade inerente.

Ocorre que este idealizador e mantenedor da www.direitoparatodos.associadosdainclusao.com.br é professor e neste dia 03 de dezembro não poderia deixar de trazer algo sobre a educação, sobre o direito à educação.

Assim, nas matérias abaixo transcritas vocês lerão a respeito da primeira pessoa com síndrome de down a entrar num vestibular para direito no Brasil.

Coincidentemente, ou não, ela é a de número 21, entre os estudantes com a síndrome da trissomia do 21 e, simbolicamente, a primeira pessoa, uma mulher, de origem pobre e trabalhadora a trilhar o caminho que poderia ser trilhado por todos os que assim desejassem, fossem-lhes dadas as condições de acessibilidade e igualdade de condições materiais de recursos humanos e de tecnologia assistiva. Logo, o que tem de extraordinário nesta matéria e na seguinte não é o fato de discorrerem sobre estudantes que, tendo síndrome de down, entraram na universidade, é o fato de essas pessoas, mesmo tendo a adversidade contra si, mesmo tendo as negativas de direitos perpetradas contra si, mesmo sendo vítimas de contínuo preconceito e demais formas de discriminação perpetuadas contra si, ainda assim estão vencendo as batalhas dessa luta, desta guerra que não é só delas, mas que é das pessoas com deficiência e de todos que são capazes de se indignar contra este estado de coisas, onde quer que estejamos, na UFPE ou em qualquer outra instância deste nosso Brasil, deste nosso continente Americano, deste nosso Planeta.

Por isso, neste dia 03 de dezembro de 2012, convido a todos que nos leem que divulguem em suas redes sociais, que comentem e que façam chegar a mais pessoas esta mensagem. Será apenas com a livre expressão que faremos frente à censura e à exclusão.

Francisco Lima

Estudante com síndrome de Down é a 1ª do Brasil a se matricular em curso de direito

Disponível em:

Jovem mineira portadora de síndrome, que trabalha como caixa de supermercado, é a a 21ª pessoa no Brasil e a primeira em Minas Gerais a se matricular em uma faculdade

“As pessoas me olham de um jeito estranho, como se eu fosse diferente”, percebe Aline. A professora se admirou quando, ainda criança, ela foi a primeira a aprender a ler em uma turma de escola regular. Muita gente se espanta ao descobrir que a moça acorda antes de o sol nascer e, sozinha, pega dois ônibus para chegar ao trabalho. Quem a conhece, porém, não se surpreende ao saber que ela quer estudar para ser advogada. Aos 25 anos, Aline Hélio Figueiredo Terrinha é a primeira pessoa com síndrome de Down a se matricular em um curso de direito no Brasil.

Até hoje, apenas 20 pessoas com a síndrome, classificada como doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS), ingressaram no ensino superior no país, segundo levantamento da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down (Febasd). Os cursos mais procurados foram educação física (quatro estudantes) e pedagogia (três). O Rio Grande do Sul é o estado campeão em número de universitários (quatro), seguido por São Paulo (três). Aline será a 21ª da lista, a primeira mineira. “Direito é um curso mais exigente, o estudante tem que ler muito. Ficamos felizes com a iniciativa da Aline”, diz a presidente da Febasd, Maria de Lourdes Marques Lima.

Em seu primeiro vestibular, Aline foi aprovada para ingressar em uma faculdade particular em Belo Horizonte. As aulas começam em 1º de fevereiro de 2013. No entanto, a moça não conseguiria pagar a mensalidade de R$ 650. “É quase meu salário”, explica. Ela tentará obter uma bolsa pelo Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies), programa federal mantido pelo Ministério da Educação. Se tudo der certo, frequentará as aulas à noite, depois de sair do supermercado no qual é atendente de caixa. Ela precisaria abandonar o curso de auxiliar administrativo, iniciado em maio, pois passaria a ter poucas horas de sono, já que precisa acordar às 5h para chegar ao trabalho.

A moça mora com os pais e uma irmã em uma casa simples no Bairro Bela Vitória, Região Nordeste. Por volta das 5h40, pega o primeiro ônibus e desce no Centro, onde toma outro até o supermercado, no Bairro Funcionários, Região Centro-Sul. O expediente não tem horário exato para terminar, geralmente entre as 18h e as 19h. Por causa da rotina corrida, a mãe, Regina Figueiredo Terrinha, não queria que a filha estudasse à noite. “Pra ser sincera, sou contra. Fico com muito dó de ela trabalhar o dia todo e depois ainda ter aula. Vai ser uma maratona muito puxada. Mas ela é bem cabeça dura: quando quer, quer mesmo”, resigna-se a mulher, que tem 56 anos e é auxiliar de enfermagem. Aline está decidida: “Sei que é um curso difícil, mas se tiver força de vontade, perseverança, a gente consegue, na força de Deus”.

Caçula de quatro irmãos, Aline poderá ser primeira da família a ter diploma de nível superior. Ela nasceu em Montes Claros, no Norte de Minas, a 424 quilômetros da capital. Com 4,6 quilos e 56 centímetros, era maior do que costumam ser bebês com síndrome de Down. O diagnóstico da doença foi difícil. “Um pediatra chegou a dizer que ela não tinha Down”, lembra a mãe. Os cabelos, geralmente finos e lisos, são crespos em Aline. Com o tempo, porém, algumas das características típicas se tornaram evidentes, como os olhos com pálpebras oblíquas para cima e a face mais plana. Manifestou também outro traço habitual: um problema na visão. “O olho direito quase não enxergava. Ela fez uma cirurgia, mas, por causa de um erro médico, precisou retirar (o globo ocular)”, conta Regina. No lugar, implantou-se uma prótese de silicone.

Convivência com o preconceito

Todavia, não se notou em Aline um dos sintomas mais corriqueiros: o déficit de desenvolvimento intelectual. “Nunca a diferenciei dos outros filhos. Cuidei dela sem frescura. Nunca tive tempo de ficar paparicando ninguém; trabalhava demais”, conta a mãe. Matriculada em uma escola regular, ela foi a primeira da sala a aprender a ler. “A professora se surpreendeu. Até eu me surpreendi. Não era tão estudiosa, mas nunca levou bomba, sempre teve boas notas”, ressalta Regina. No histórico escolar, as melhores notas era alcançadas em história, português, filosofia e sociologia. Apesar do bom desempenho, sofria preconceito dos colegas. “Eles me tratavam mal, me humilhavam, falavam que eu tinha problema, que era feia, que era demônio. Ser rejeitado é ruim demais”, diz Aline.

Ela concluiu o ensino médio em 2005, chegou a fazer cursinho pré-vestibular, pensava em tentar entrar na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “Mas não me preparei muito bem. Não estava muito interessada. Quis descansar um pouco a cabeça depois de tantos anos de escola”, explica. Em 2008, ela decidiu procurar um emprego. “Queria minha independência financeira, conhecer pessoas diferentes.” Indicada pelo Serviço de Proteção Social à Pessoa com Deficiência, mantido pela Secretaria Municipal Adjunta de Assistência Social de BH, Aline conseguiu uma vaga em um supermercado. Começou na salsicharia, embalando embutidos. Depois, tornou-se empacotado e, afinal, foi para o caixa.

No trabalho, apesar de a funcionária ser eficiente, o preconceito persiste. “Uma vez, uma cliente disse que eu era lerda, tinha problema, não podia trabalhar ali. Foi até reclamar com o gerente”, recorda. Sem querer se identificar, uma colega confirma a discriminação. Alguns clientes do supermercado, quando podem escolher, evitam usar o caixa da moça. “Mal sabem eles que a Aline, mesmo sendo especial, é a única entre as caixas com conhecimento e preparo suficiente para fazer uma faculdade”, diz a colega. Aline chegou a pensar em cursar medicina veterinária, mas acabou se decidindo pelo direito. “Quero advogar. Quando estiver bem fera na área, quero entrar na Promotoria de Justiça”, ambiciona.

LIVROS

Aline tem qualidades caras a um bom advogado. Expressa-se com segurança, tem cuidado ao escolher as palavras. No começo da conversa, ela parecia tímida, mas logo desandou a falar. “Essa fala mesmo, igual pobre na chuva”, brinca a mãe, rindo. Nas horas vagas, a filha gosta de ler, sobretudo livros de história. Atualmente, está lendo Cartas para Hitler, de Henrik Eberle, que reproduz a correspondência enviada ao ditador e narra, a partir dela, a ascensão e a queda do nazismo. Foi um dos cinco livros que ela ganhou de presente de um cliente do supermercado. Aline é fã dos enredos misteriosos de Agatha Christie e adora o romance Capitães da areia, de Jorge Amado. “A história me chamou a atenção. As crianças que viviam na rua eram humilhadas, tratadas pior do que bicho”, narra.

Outra paixão são as artes plásticas. Ela frequenta o Palácio das Artes, no Centro, cujos funcionários já a reconhecem. Nas últimas férias, em outra galeria, visitou a exposição Caravaggio e seus seguidores e se deliciou com as obras do pintor italiano. Também gosta muito de ouvir música sertaneja e de torcer pelo Atlético. Satisfeita, sorri ao descobrir que seria a primeira pessoa com síndrome de Down a cursar direito, mas enfatiza não querer provar nada: “Sei o que sou, não tenho que dar satisfação. Não sou diferente de ninguém”. A iniciativa de Aline deve “abrir caminhos”, avalia Maria de Lourdes, presidente da Febasd: “Ela serve de exemplo para toda a sociedade, que deve respeitar mais quem tem a síndrome. Queremos parabenizar Aline. Que ela desempenhe bem suas atividades e brilhe muito, para orgulho de todos nós”.

Fonte: http://www.jornalcco.com.br/noticia/3120/Estudante-com-sindrome-de-Down-e-a-1–do-Brasil-a-se-matricular-em-curso-de-direito

Inclusão leva à Universidade. E além.

Por Patricia Almeida

Disponível em:

A cada novo vestibular vem aumentando o número de jovens com síndrome de Down que entram no ensino superior, o que muitos imaginavam impossível há poucos anos. No Brasil, tenho notícia de 19 (lista abaixo).

Débora Seabra, do Rio Grande do Norte, foi a pioneira. Em 2004 tornou-se a primeira professora habilitada a dar aulas na América do Sul. Ana Carolina Fruit, de Joinville, se formou em Pedagogia e também fez especialização. Outra que quis trabalhar com educação foi Erica Nublat, de Brasília.

Alguns rapazes preferiram Educação Física, como João Vitor Silverio de Curitiba, Humberto Suassuna de Recife e Bruno Knigel, de São Paulo. Outros escolheram artes, moda, história, geografia, turismo, gastronomia… Jessica Figueiredo, de Brasília, passou para três vestibulares esse ano! Escolheu o curso de fotografia.

Mais do que um rito de passagem, o sucesso acadêmico destes jovens, ao mesmo tempo que traz uma onda de otimismo e euforia para familiares e professores – e os próprios alunos com síndrome de Down – reforça duas certezas que nós mães e pais desses alunos temos: nada é impossível e o único caminho que levará nossos filhos a atingirem toda a sua potencialidade é a inclusão.

Todos esses jovens citados acima frequentaram escolas comuns. Tinham em seus companheiros estímulo para se esforçarem, como conta a mãe de Jessica, Ana Claudia Figueiredo: “Acho que por ela ter estudado em um regime de ensino regular, sempre conviveu com esse ambiente já no colégio. Por isso se interessou muito em prestar vestibular”.

Que motivação teriam se estivessem em escolas especiais, onde as expectativas são muito menos ambiciosas?

Não quero dizer com isso que todos os jovens com síndrome de Down devam ter como objetivo de vida chegar à universidade, nem que os que passaram por essa elapa sejam melhores do que os que não tentaram ou tentaram e não conseguiram. Afinal, quantos jovens brasileiros sem deficiência não passam no vestibular por falta de oportunidade interesse ou qualquer outro motivo, e nem por isso são piores ou melhores do que outros jovens?

Mas com a oportunidade de estudar, o indivídou vai descobrindo o mundo, conhecendo novas pessoas, encontrando seus talentos, desenvolvendo todo o seu potencial para direcioná-lo para um trabalho que o complete e satisfaça, alcançando assim uma vida produtiva e feliz.

A mensagem que quero deixar é que SIM, vale a pena investir na educação regular de alunos com síndrome de Down. Há desafios, mas comprovamos dia após dia que, com vontade e bons professores, os obstáculos vão caindo um a um. Nossos filhos têm o mesmo direito que qualquer estudante a receber uma educação de qualidade na escola regular mais próxima às suas casas. A nós pais, cabe garantir que esse direito seja exercido, com o apoio do Ministério Público, se for necessário.

O caminho nem sempre é fácil, mas, como nossos filhos, precisamos ser perseverantes e confiar em nossas convicções.

Abaixo, alguns dos jovens com síndrome de Down que entraram, estão cursando ou terminaram o nível superior. Caso conheça outros, por favor, nos informe: inclusive@inclusive.org.br

1 – Debora Seabra – Curso Normal – Natal, RN

2 -Humberto Suassuna – Educação Física – Recife, PE

3 – Joao Vitor Silverio – Educação Fisica – Curitiba, PR

4 – Erica Nublat – Pedagogia – Brasília, DF

5 – Ana Carolina Fruit – Pedagogia, com pós – Joinville. SC

6 – Henrique Bezerra – Historia – Maceió, AL

7 – Florença Sanfelice – Artes cênicas – Porto Alegre, RS

8 – Samuel Sestaro – Moda – Santos, SP

9 – Priscila Silveira – Gastronomia – Santos, SP

10 – Kalil Tavares – Geografia – Goiânia, GO (federal)

11 – Jessica Figueiredo – Fotografia e Moda – Brasília, DF

12 – Marina Marandini – Artes – Rio Grande, RS (federal)

13 – Bruno Knigel – Educação Física – São Paulo, SP

14 – Amanda Ferreira – Pedagogia – Recife, PE

15 – Amanda Amaral – Biologia – Vitória da Conquista, BA

16 – Bruno Ribeiro – Turismo – Recife, PE

17 – Gabriel Nogueira – Teatro – Pelotas, RS (federal)

18 – Henrique Cavalcante – História – Marechal Deodoro, AL

19 – Robson Deola – Tecnólogo em Gestão Pública – Irani, SC

20 – Andrielli Machado – Educação Física – Lajeado, RS

21 – Aline Hélio Figueiredo Terrinha – Direito – Belo Horizonte, MG

Dia Internacional das Pessoas com Deficiência: “Sei o que sou, não tenho que dar satisfação. Não sou diferente de ninguém!”

Comentário:

Desde o dia 25 de novembro de 2012 venho trazendo matérias a respeito do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência e denunciando a falta de acessibilidade física e comunicacional no seio da Universidade Federal de Pernambuco, onde sou professor de Educação Inclusiva. Tenho feito isso, pois sei que o que acontece nesta Universidade e com este Professor com deficiência acontece com os estudantes com deficiência na UFPE, tanto quanto acontece com professores e alunos com deficiência de muitas outras universidades, escolas de ensino Médio e Fundamental, sejam públicas, sejam privadas.

O objetivo da www.direitoparatodos.associadosdainclusao.com.br, como o nome já anuncia é defender e divulgar o direito para todos, neste todos inclusive as pessoas com deficiência, as quais podem ser de raças/etnias diversas; de origens geográficas, religiosas, linguísticas etc. diversas; as quais podem ser de orientação sexual diversas; do gênero masculino ou feminino, ou de qualquer outra segmentação que se possa fazer, inclusive de idade.

Em outras palavras, tratar dos direitos das pessoas com deficiência é tratar de direitos humanos, dos direitos humanos fundamentais, do Direito Natural, é tratar de pessoas humanas e sua dignidade inerente.

Ocorre que este idealizador e mantenedor da www.direitoparatodos.associadosdainclusao.com.br é professor e neste dia 03 de dezembro não poderia deixar de trazer algo sobre a educação, sobre o direito à educação.

Assim, nas matérias abaixo transcritas vocês lerão a respeito da primeira pessoa com síndrome de down a entrar num vestibular para direito no Brasil.

Coincidentemente, ou não, ela é a de número 21, entre os estudantes com a síndrome da trissomia do 21 e, simbolicamente, a primeira pessoa, uma mulher, de origem pobre e trabalhadora a trilhar o caminho que poderia ser trilhado por todos os que assim desejassem, fossem-lhes dadas as condições de acessibilidade e igualdade de condições materiais de recursos humanos e de tecnologia assistiva. Logo, o que tem de extraordinário nesta matéria e na seguinte não é o fato de discorrerem sobre estudantes que, tendo síndrome de down, entraram na universidade, é o fato de essas pessoas, mesmo tendo a adversidade contra si, mesmo tendo as negativas de direitos perpetradas contra si, mesmo sendo vítimas de contínuo preconceito e demais formas de discriminação perpetuadas contra si, ainda assim estão vencendo as batalhas dessa luta, desta guerra que não é só delas, mas que é das pessoas com deficiência e de todos que são capazes de se indignar contra este estado de coisas, onde quer que estejamos, na UFPE ou em qualquer outra instância deste nosso Brasil, deste nosso continente Americano, deste nosso Planeta.

Por isso, neste dia 03 de dezembro de 2012, convido a todos que nos leem que divulguem em suas redes sociais, que comentem e que façam chegar a mais pessoas esta mensagem. Será apenas com a livre expressão que faremos frente à censura e à exclusão.

Francisco Lima

Estudante com síndrome de Down é a 1ª do Brasil a se matricular em curso de direito

Disponível em:

Jovem mineira portadora de síndrome, que trabalha como caixa de supermercado, é a a 21ª pessoa no Brasil e a primeira em Minas Gerais a se matricular em uma faculdade

“As pessoas me olham de um jeito estranho, como se eu fosse diferente”, percebe Aline. A professora se admirou quando, ainda criança, ela foi a primeira a aprender a ler em uma turma de escola regular. Muita gente se espanta ao descobrir que a moça acorda antes de o sol nascer e, sozinha, pega dois ônibus para chegar ao trabalho. Quem a conhece, porém, não se surpreende ao saber que ela quer estudar para ser advogada. Aos 25 anos, Aline Hélio Figueiredo Terrinha é a primeira pessoa com síndrome de Down a se matricular em um curso de direito no Brasil.

Até hoje, apenas 20 pessoas com a síndrome, classificada como doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS), ingressaram no ensino superior no país, segundo levantamento da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down (Febasd). Os cursos mais procurados foram educação física (quatro estudantes) e pedagogia (três). O Rio Grande do Sul é o estado campeão em número de universitários (quatro), seguido por São Paulo (três). Aline será a 21ª da lista, a primeira mineira. “Direito é um curso mais exigente, o estudante tem que ler muito. Ficamos felizes com a iniciativa da Aline”, diz a presidente da Febasd, Maria de Lourdes Marques Lima.

Em seu primeiro vestibular, Aline foi aprovada para ingressar em uma faculdade particular em Belo Horizonte. As aulas começam em 1º de fevereiro de 2013. No entanto, a moça não conseguiria pagar a mensalidade de R$ 650. “É quase meu salário”, explica. Ela tentará obter uma bolsa pelo Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies), programa federal mantido pelo Ministério da Educação. Se tudo der certo, frequentará as aulas à noite, depois de sair do supermercado no qual é atendente de caixa. Ela precisaria abandonar o curso de auxiliar administrativo, iniciado em maio, pois passaria a ter poucas horas de sono, já que precisa acordar às 5h para chegar ao trabalho.

A moça mora com os pais e uma irmã em uma casa simples no Bairro Bela Vitória, Região Nordeste. Por volta das 5h40, pega o primeiro ônibus e desce no Centro, onde toma outro até o supermercado, no Bairro Funcionários, Região Centro-Sul. O expediente não tem horário exato para terminar, geralmente entre as 18h e as 19h. Por causa da rotina corrida, a mãe, Regina Figueiredo Terrinha, não queria que a filha estudasse à noite. “Pra ser sincera, sou contra. Fico com muito dó de ela trabalhar o dia todo e depois ainda ter aula. Vai ser uma maratona muito puxada. Mas ela é bem cabeça dura: quando quer, quer mesmo”, resigna-se a mulher, que tem 56 anos e é auxiliar de enfermagem. Aline está decidida: “Sei que é um curso difícil, mas se tiver força de vontade, perseverança, a gente consegue, na força de Deus”.

Caçula de quatro irmãos, Aline poderá ser primeira da família a ter diploma de nível superior. Ela nasceu em Montes Claros, no Norte de Minas, a 424 quilômetros da capital. Com 4,6 quilos e 56 centímetros, era maior do que costumam ser bebês com síndrome de Down. O diagnóstico da doença foi difícil. “Um pediatra chegou a dizer que ela não tinha Down”, lembra a mãe. Os cabelos, geralmente finos e lisos, são crespos em Aline. Com o tempo, porém, algumas das características típicas se tornaram evidentes, como os olhos com pálpebras oblíquas para cima e a face mais plana. Manifestou também outro traço habitual: um problema na visão. “O olho direito quase não enxergava. Ela fez uma cirurgia, mas, por causa de um erro médico, precisou retirar (o globo ocular)”, conta Regina. No lugar, implantou-se uma prótese de silicone.

Convivência com o preconceito

Todavia, não se notou em Aline um dos sintomas mais corriqueiros: o déficit de desenvolvimento intelectual. “Nunca a diferenciei dos outros filhos. Cuidei dela sem frescura. Nunca tive tempo de ficar paparicando ninguém; trabalhava demais”, conta a mãe. Matriculada em uma escola regular, ela foi a primeira da sala a aprender a ler. “A professora se surpreendeu. Até eu me surpreendi. Não era tão estudiosa, mas nunca levou bomba, sempre teve boas notas”, ressalta Regina. No histórico escolar, as melhores notas era alcançadas em história, português, filosofia e sociologia. Apesar do bom desempenho, sofria preconceito dos colegas. “Eles me tratavam mal, me humilhavam, falavam que eu tinha problema, que era feia, que era demônio. Ser rejeitado é ruim demais”, diz Aline.

Ela concluiu o ensino médio em 2005, chegou a fazer cursinho pré-vestibular, pensava em tentar entrar na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “Mas não me preparei muito bem. Não estava muito interessada. Quis descansar um pouco a cabeça depois de tantos anos de escola”, explica. Em 2008, ela decidiu procurar um emprego. “Queria minha independência financeira, conhecer pessoas diferentes.” Indicada pelo Serviço de Proteção Social à Pessoa com Deficiência, mantido pela Secretaria Municipal Adjunta de Assistência Social de BH, Aline conseguiu uma vaga em um supermercado. Começou na salsicharia, embalando embutidos. Depois, tornou-se empacotado e, afinal, foi para o caixa.

No trabalho, apesar de a funcionária ser eficiente, o preconceito persiste. “Uma vez, uma cliente disse que eu era lerda, tinha problema, não podia trabalhar ali. Foi até reclamar com o gerente”, recorda. Sem querer se identificar, uma colega confirma a discriminação. Alguns clientes do supermercado, quando podem escolher, evitam usar o caixa da moça. “Mal sabem eles que a Aline, mesmo sendo especial, é a única entre as caixas com conhecimento e preparo suficiente para fazer uma faculdade”, diz a colega. Aline chegou a pensar em cursar medicina veterinária, mas acabou se decidindo pelo direito. “Quero advogar. Quando estiver bem fera na área, quero entrar na Promotoria de Justiça”, ambiciona.

LIVROS

Aline tem qualidades caras a um bom advogado. Expressa-se com segurança, tem cuidado ao escolher as palavras. No começo da conversa, ela parecia tímida, mas logo desandou a falar. “Essa fala mesmo, igual pobre na chuva”, brinca a mãe, rindo. Nas horas vagas, a filha gosta de ler, sobretudo livros de história. Atualmente, está lendo Cartas para Hitler, de Henrik Eberle, que reproduz a correspondência enviada ao ditador e narra, a partir dela, a ascensão e a queda do nazismo. Foi um dos cinco livros que ela ganhou de presente de um cliente do supermercado. Aline é fã dos enredos misteriosos de Agatha Christie e adora o romance Capitães da areia, de Jorge Amado. “A história me chamou a atenção. As crianças que viviam na rua eram humilhadas, tratadas pior do que bicho”, narra.

Outra paixão são as artes plásticas. Ela frequenta o Palácio das Artes, no Centro, cujos funcionários já a reconhecem. Nas últimas férias, em outra galeria, visitou a exposição Caravaggio e seus seguidores e se deliciou com as obras do pintor italiano. Também gosta muito de ouvir música sertaneja e de torcer pelo Atlético. Satisfeita, sorri ao descobrir que seria a primeira pessoa com síndrome de Down a cursar direito, mas enfatiza não querer provar nada: “Sei o que sou, não tenho que dar satisfação. Não sou diferente de ninguém”. A iniciativa de Aline deve “abrir caminhos”, avalia Maria de Lourdes, presidente da Febasd: “Ela serve de exemplo para toda a sociedade, que deve respeitar mais quem tem a síndrome. Queremos parabenizar Aline. Que ela desempenhe bem suas atividades e brilhe muito, para orgulho de todos nós”.

Fonte: http://www.jornalcco.com.br/noticia/3120/Estudante-com-sindrome-de-Down-e-a-1–do-Brasil-a-se-matricular-em-curso-de-direito

Inclusão leva à Universidade. E além.

Por Patricia Almeida

Disponível em:

A cada novo vestibular vem aumentando o número de jovens com síndrome de Down que entram no ensino superior, o que muitos imaginavam impossível há poucos anos. No Brasil, tenho notícia de 19 (lista abaixo).

Débora Seabra, do Rio Grande do Norte, foi a pioneira. Em 2004 tornou-se a primeira professora habilitada a dar aulas na América do Sul. Ana Carolina Fruit, de Joinville, se formou em Pedagogia e também fez especialização. Outra que quis trabalhar com educação foi Erica Nublat, de Brasília.

Alguns rapazes preferiram Educação Física, como João Vitor Silverio de Curitiba, Humberto Suassuna de Recife e Bruno Knigel, de São Paulo. Outros escolheram artes, moda, história, geografia, turismo, gastronomia… Jessica Figueiredo, de Brasília, passou para três vestibulares esse ano! Escolheu o curso de fotografia.

Mais do que um rito de passagem, o sucesso acadêmico destes jovens, ao mesmo tempo que traz uma onda de otimismo e euforia para familiares e professores – e os próprios alunos com síndrome de Down – reforça duas certezas que nós mães e pais desses alunos temos: nada é impossível e o único caminho que levará nossos filhos a atingirem toda a sua potencialidade é a inclusão.

Todos esses jovens citados acima frequentaram escolas comuns. Tinham em seus companheiros estímulo para se esforçarem, como conta a mãe de Jessica, Ana Claudia Figueiredo: “Acho que por ela ter estudado em um regime de ensino regular, sempre conviveu com esse ambiente já no colégio. Por isso se interessou muito em prestar vestibular”.

Que motivação teriam se estivessem em escolas especiais, onde as expectativas são muito menos ambiciosas?

Não quero dizer com isso que todos os jovens com síndrome de Down devam ter como objetivo de vida chegar à universidade, nem que os que passaram por essa elapa sejam melhores do que os que não tentaram ou tentaram e não conseguiram. Afinal, quantos jovens brasileiros sem deficiência não passam no vestibular por falta de oportunidade interesse ou qualquer outro motivo, e nem por isso são piores ou melhores do que outros jovens?

Mas com a oportunidade de estudar, o indivídou vai descobrindo o mundo, conhecendo novas pessoas, encontrando seus talentos, desenvolvendo todo o seu potencial para direcioná-lo para um trabalho que o complete e satisfaça, alcançando assim uma vida produtiva e feliz.

A mensagem que quero deixar é que SIM, vale a pena investir na educação regular de alunos com síndrome de Down. Há desafios, mas comprovamos dia após dia que, com vontade e bons professores, os obstáculos vão caindo um a um. Nossos filhos têm o mesmo direito que qualquer estudante a receber uma educação de qualidade na escola regular mais próxima às suas casas. A nós pais, cabe garantir que esse direito seja exercido, com o apoio do Ministério Público, se for necessário.

O caminho nem sempre é fácil, mas, como nossos filhos, precisamos ser perseverantes e confiar em nossas convicções.

Abaixo, alguns dos jovens com síndrome de Down que entraram, estão cursando ou terminaram o nível superior. Caso conheça outros, por favor, nos informe: inclusive@inclusive.org.br

1 – Debora Seabra – Curso Normal – Natal, RN

2 -Humberto Suassuna – Educação Física – Recife, PE

3 – Joao Vitor Silverio – Educação Fisica – Curitiba, PR

4 – Erica Nublat – Pedagogia – Brasília, DF

5 – Ana Carolina Fruit – Pedagogia, com pós – Joinville. SC

6 – Henrique Bezerra – Historia – Maceió, AL

7 – Florença Sanfelice – Artes cênicas – Porto Alegre, RS

8 – Samuel Sestaro – Moda – Santos, SP

9 – Priscila Silveira – Gastronomia – Santos, SP

10 – Kalil Tavares – Geografia – Goiânia, GO (federal)

11 – Jessica Figueiredo – Fotografia e Moda – Brasília, DF

12 – Marina Marandini – Artes – Rio Grande, RS (federal)

13 – Bruno Knigel – Educação Física – São Paulo, SP

14 – Amanda Ferreira – Pedagogia – Recife, PE

15 – Amanda Amaral – Biologia – Vitória da Conquista, BA

16 – Bruno Ribeiro – Turismo – Recife, PE

17 – Gabriel Nogueira – Teatro – Pelotas, RS (federal)

18 – Henrique Cavalcante – História – Marechal Deodoro, AL

19 – Robson Deola – Tecnólogo em Gestão Pública – Irani, SC

20 – Andrielli Machado – Educação Física – Lajeado, RS

21 – Aline Hélio Figueiredo Terrinha – Direito – Belo Horizonte, MG

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  • 2019-09-04T19:24:22-03:00
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