Cotidianamente as pessoas com deficiência têm sido agredidas contra sua dignidade por pessoas cujas barreiras atitudinais limitam e mesmo impedem os direitos daquelas pessoas, em fução de as discriminar por razão de deficiência. O ordenamento jurídico brasileiro coerente com os ditames dos direitos humanos observados pelas nações civilizadas definem como crime a discriminação por razão … Continuar lendo DESCONHECIMENTO DA LEI LEVA JUÍZES A COMETEREM CRIME POR DISCRIMINAÇÃO POR RAZÃO DE DEFICIÊNCIA
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DESCONHECIMENTO DA LEI LEVA JUÍZES A COMETEREM CRIME POR DISCRIMINAÇÃO POR RAZÃO DE DEFICIÊNCIA

Cotidianamente as pessoas com deficiência têm sido agredidas contra sua dignidade por pessoas cujas barreiras atitudinais limitam e mesmo impedem os direitos daquelas pessoas, em fução de as discriminar por razão de deficiência. O ordenamento jurídico brasileiro coerente com os ditames dos direitos humanos observados pelas nações civilizadas definem como crime a discriminação por razão de deficiência ( DECRETO Nº 3.956/01; DECRETO Nº 6949/09).
Todavia, agentes públicos e pessoas em geral infrigem a lei, aberta e despreocupadamente, visto que têm a convicção de que não serão punidos por discriminar propositadamente uma pessoa com deficiência ou , na melhor das hipóteses, por não terem tido o propósito, acharem que não podem ser punidos pelo efeito de sua discriminação.
O Decreto Nº 6949/09 , que tem força de Emenda Constitucional, não deixa dúvida à respeito do que significa discriminar por razão da deficiência, definindo que só não será crime se a diferenciação for em benefício da pessoa com deficiência e esta não estiver obrigada a aceitar a diferenciação que supostamente lhe será de benefício.
Nas matérias que abaixo estratificamos vemos que uma juíza e um desembargador supostamente cometeram crime de discriminação , aquela contra uma pessoa com deficiência física , este contra uma pessoa com deficiência visual. Sendo magistrados, mais que o conhecimento legal , era de se esperar que tivessem o bom senso e a razão acima da pretensa autoridade que parece terem se valido para denegar direitos constitucionais e outros. A vergonha que esses representantes do judiciário causam ao Brasil perante a comunidade nacional e mundial defensores dos direitos humanos é tal que só mesmo tendo acesso aos relatos do ocorrido que poderá o leitor tirar suas próprias conclusões.

Cadeirante afirma que falta de acessibilidade no Fórum de Monte Alto o obrigou o prestar depoimento na calçada
“A juíza, em nota, negou constrangimento e disse que foi o cadeirante quem se recusou a ser carregado por quatro degraus até o piso onde haveria a audiência.[…]”
“Um oficial de Justiça o intimou em sua casa. No documento, diz ele, a juíza cobrou sua presença, dizendo que “se [ele] está apto a se locomover ao exterior, com maior razão deve estar para se deslocar para este Fórum. […]”Ela admite a falta de rampas no Fórum, mas afirma que nunca ninguém se recusou a ser carregado.

“[…]Quando há alguma incapacidade de locomoção, as pessoas descem do carro e são ajudadas a subir as escadas até o primeiro andar do prédio, para o que é preciso transpor apenas quatro degraus”, diz, escrevendo o número em letras maiúsculas.

Para sua surpresa, diz, ele “se recusou a receber qualquer ajuda, dizendo que ninguém tocaria nele e permaneceu do lado de fora”.

Ela diz que ele afirmou se sentir constrangido na rua. “Disse a ele (…) que eu mesma não sentia constrangimento em ter que realizar um ato em plena praça pública.[…]”

“Entrevista com Deborah Prates: advogada e pessoa com deficiência visual”
“[…] Procurei a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça/RJ para a necessária autorização para que a Equipe de reportagem entrasse, bem como para as imagens. Qual fora a minha surpresa ao ouvir:
– A senhora e a Equipe entram. Seu cão não. Ficará guardado na portaria com nossos seguranças. É ordem do desembargador presidente, estando em seu Manual de Portaria.
Nem acreditei no que ouvira. Isso porque já frequentava COM meu PESSOCÃO o local há mais de dois anos! Nunca me viram? Éramos invisíveis! Naquele pedido materializamo-nos! Inacreditável! Persisti exageradamente com todos até que o próprio desembargador presidente que telefonou para a minha casa.
– Pois não, desembargador, é Deborah Prates falando.
– Não adianta a senhora insistir com minha assessoria, já que está decidido que o cão ficará até em minha sala no ar refrigerado. Contudo, com a senhora NÃO. Tenho uma Equipe muito bem treinada para conduzir os deficientes, de modo que a senhora estará bem amparada. Por exemplo, o seu cachorro saberia ler a placa da 24ª Vara Cível? Mas a minha Equipe sim.
– De fato o desembargador tem razão. Jimmy é americano, pelo que só fala INGLÊS! Certamente não saberia ler a escrita em português! Dentro da ética, educação, tomando-se em conta que não há hierarquia entre juiz, desembargador e advogados é que provarei ao senhor que a LEI vigente prevalecerá. O senhor tem que dar o exemplo, não podendo, escandalosamente, descumprir comando legal federal e estadual, relativamente à permanência do guia com seu usuário. […]”


Leia a seguir, na íntegra, as matérias que dão conta de como uma juíza e um desembargador supostamente discriminaram uma advogada cega ) e um professor com deficiência apura se juíza constrangeu deficiente) por razão de deficiência.
“Cadeirante afirma que falta de acessibilidade no Fórum de Monte Alto o obrigou o prestar depoimento na calçada”
Magistrada diz, por outro lado, que deficiente se negou a ser carregado até o local da audiência
O professor Orivaldo Tenório de Vasconcelos, no Fórum de Monte Alto
JULIANA COISSI
DE RIBEIRÃO PRETO
Um deficiente físico de Monte Alto fez uma denúncia ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça) em que acusa uma juíza da cidade de se negar a realizar audiência em um local com acessibilidade.
O professor aposentado da Unesp de Jaboticabal Orivaldo Tenório de Vasconcelos, 61, diz que a juíza Renata Carolina Nicodemos Andrade lhe ofendeu ao não respeitar sua condição de deficiente.
Ele diz ainda que, como a audiência acabou ocorrendo na calçada do Fórum da cidade, a situação lhe causou constrangimento.
A assessoria do CNJ confirmou que a denúncia foi recebida e que está sob análise. Por considerar sigiloso o caso, o órgão não deu detalhes.
A juíza, em nota, negou constrangimento e disse que foi o cadeirante quem se recusou a ser carregado por quatro degraus até o piso onde haveria a audiência.
O suposto incidente ocorreu em abril, quando Vasconcelos foi ouvido como testemunha em um processo.
Pela versão do docente, ele alertou o Fórum que, por não ter uma perna e depender de muletas e cadeira de rodas, precisaria de local acessível.
Um oficial de Justiça o intimou em sua casa. No documento, diz ele, a juíza cobrou sua presença, dizendo que “se [ele] está apto a se locomover ao exterior, com maior razão deve estar para se deslocar para este Fórum”.
A citação se refere, diz ele, a congressos que participa no exterior. Para o docente, houve preconceito da juíza.
“Eu participo, sim, de congressos fora do país, mas posso ir porque daqui de casa até lá não ponho o pé no chão, porque há acessibilidade. Mas aqui no Fórum, não.”
Por recomendação médica, Vasconcelos diz não poder ser carregado, sob risco de lesar a única perna.
O docente diz ter alertado da impossibilidade de ser carregado. Questionada, a juíza disse não se lembrar que houve o aviso.
CONSTRANGIMENTO
Sobre a audiência na calçada, o professor diz que havia muitos policiais em volta dele e que teve de ouvir crianças caçoarem da situação. “Elas [crianças] faziam sinal para mim com as mãos de que eu seria preso. Eu me senti muito constrangido.”
A Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência disse lamentar “que ainda haja servidores públicos, especialmente do Judiciário”, que desconheçam a convenção da pessoa deficiente e que “ajam da maneira descrita”.
Em nota, a Corregedoria do TJ (Tribunal de Justiça) informou não ter registro de representação contra a magistrada e que, caso haja algum, serão “tomadas as medidas cabíveis”. Antes disso, diz, não pode emitir um juízo sobre o caso.
Frases
“Eu participo de congressos fora do país. Posso ir porque, daqui de casa até lá, não ponho o pé no chão, porque há acessibilidade. Mas aqui no Fórum, não. Não posso esforçar minha única perna nem por 2 degraus”
ORIVALDO TENÓRIO VASCONCELOS
professor universitário aposentado
“Quando há alguma capacidade de locomoção, as pessoas [deficientes] descem do carro e são ajudadas a subir as escadas até o primeiro andar do prédio, para o que é preciso transpor apenas 4 degraus. Nunca houve quem se recusasse”
RENATA NICODEMOS ANDRADE
juíza de Monte Alto
Outro lado
Cadeirante se recusou a ser carregado em escada, diz juíza
DE RIBEIRÃO PRETO
A juíza Renata Nicodemos Andrade disse que foi o cadeirante quem se negou a ser carregado até a audiência.
Quando recebeu o pedido dele para ser ouvido no Juizado Especial, onde há rampa, ela afirmou, em nota, ter entendido que não se tratava de pessoa que necessitava de local diferenciado, por ser um “deficiente físico com ampla capacidade de locomoção”, por dirigir e por ter noticiado que viajaria para o exterior.
Ela admite a falta de rampas no Fórum, mas afirma que nunca ninguém se recusou a ser carregado.
“Quando há alguma incapacidade de locomoção, as pessoas descem do carro e são ajudadas a subir as escadas até o primeiro andar do prédio, para o que é preciso transpor apenas quatro degraus”, diz, escrevendo o número em letras maiúsculas.
Para sua surpresa, diz, ele “se recusou a receber qualquer ajuda, dizendo que ninguém tocaria nele e permaneceu do lado de fora”.
Ela diz que ele afirmou se sentir constrangido na rua. “Disse a ele (…) que eu mesma não sentia constrangimento em ter que realizar um ato em plena praça pública.”

“Entrevista com Deborah Prates: advogada e pessoa com deficiência visual”
Caro leitor,
A entrevistada desse mês pelo Blog Deficiente Ciente é a advogada carioca, Deborah Prates, mãe de uma linda jovem de 17 anos, Alice Mabel. Conheça sua história e veja qual a opinião de Deborah a respeito da acessibilidade, lei de cotas e outros… Imperdível!
Deficiente Ciente: Como você se tornou uma pessoa com deficiência?
Deborah Prates: Sempre sofri de glaucoma e estava com todos os exames prontos para mais uma cirurgia. Na véspera de um Natal, no frenesi da ceia, naquele abre e fecha forno, freezer, e geladeira, adquiri uma tosse que não passava por nada. Custei a saber que estava com uma tremenda pneumonia.
Então, entrei nos antibióticos e ainda restou uma tal prega no pulmão. Para essa prega tive que tomar corticoides que – pela doença – a pressão intraocular subiria ainda mais, valendo dizer que dilaceraria o nervo ótico. Seria final de linha rumo à cegueira.
O pneumo dizia para ingerir o corticóide e o oftalmo dizia que absolutamente não. Daí o melhor sempre é usar do bom senso. Afinal, os profissionais não tratavam de uma bicicleta, mas de uma vida, cuja propriedade a mim pertencia.
Chamei, para uma reunião de família, a minha filhota amada, querida, adorada, idolatrada. Salve! Salve! Perguntei-lhe – de forma muito natural e verdadeira como sempre falamos – e disse-lhe:
– Filha! Você prefere uma mãe morta ou uma mãe cega?
De igual naturalidade ela respondeu:
– Prefiro uma mãe CEGA.
Então, decidimos juntas e dissemos: “Que venham os corticóides!” Em quinze dias fiquei cega e até agora ainda não tive tempo para depressão tantas foram às adaptações a fazer para encarar a nova realidade.
Ceguei no início de janeiro e as aulas da minha filhota recomeçariam em meados de fevereiro.
Havia muito a fazer em tão pouco tempo. Até agora não parei e nem ela.
Decidi dormir pouco, pois só tinha cerca de 15 dias para me despedir VISUALMENTE do mundo. Esperava minha filhota adormecer e ficava contemplando seu rostinho e imaginando, como numa viagem ao futuro, como seria ela em seus 15 anos, aos 20… Por outro lado, me olhava no espelho, passava a mão em minhas faces, e me imaginava com 50, 60, 70 anos… Passei a olhar para o sol para guardar seus nuances, vez ser a cegueira questão de dias.
Peguei um guia de cores de tinta numa loja próximo de casa e ficava memorizando todos os matizes, por exemplo, dos vermelhos, azuis, verdes…
Tive a sorte de contemplar um arco-íris depois de forte chuva e muito mais. Denominei esse período de O APAGAR DAS LUZES.
Perto do final da visão ainda recebi umas seis aulas de mobilidade/bengala e nada mais para encarar a nova vida.
Num flash percebi que a minha personalidade não se dava com a bengala. Era tão cega quanto eu!
Decidi por um olho quadrúpede. Parti para a América (NI). Ao decolar tive certeza de que no voo de volta traria a totalidade da busca. Trouxe comigo Jimmy, um labrador macho e amarelo.
Pós Jimmy a qualidade de vida da família melhorou sensivelmente. Formamos uma dupla do barulho. Constatamos que a discriminação é uma realidade e, desde o amanhecer, lutamos para educar a sociedade para que aprenda a recepcionar o deficiente, o idoso, o obeso, o negro, o “soro positivo”, o “gari”, o residente em comunidade, etc…
D.C: Quais as maiores dificuldades pessoais que você encontrou após tornar-se uma pessoa com deficiência visual?
D. P.: Vencer as barreiras opostas pela sociedade é que foi a grande barra! Hoje,após a perda do sentido da visão, vejo muito mais que antes! O PREconceito e seguida DISCRIMINAÇÃO penso ser a grande dificuldade.
Imaginem que resido num condomínio faz nove anos e, há cinco, ouvi dos meus vizinhos: “A DRA. DEBORAH É ADVOGADA COMPETENTE, MAS É CEGA. POR ISSO TEM QUE SAIR DO CONSELHO CONSULTIVO, BEM COMO DAS AÇÕES DO CONDOMÍNIO”.
Cruel! Sim. Todavia comum. É que a sociedade tende a imaginar que, por exemplo, a perda do sentido da visão equivale à perda da capacidade intelectual. Eis o PREjulgamento e, consequente discriminação.
D.C.: E sua vida profissional, como ficou?
D.P.: Arrasada/detonada! Perdi quase todos os clientes. Olhem que não eram poucos!
Passado um pedaço da nova realidade fui procurada para uma matéria com a TV Record. Falaríamos sobre o cão-guia (Jimmy). Queriam filmar na Marina da Glória e outros recantos lindos. Sugeri, nesse momento, fosse feita parte da matéria no foro central do RJ, já que era nele que Jimmy mostrava um grande trabalho. Entendi interessante a coletividade de ver como Jimmy se comporta numa audiência, julgamento, cartório, etc..
Procurei a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça/RJ para a necessária autorização para que a Equipe de reportagem entrasse, bem como para as imagens. Qual fora a minha surpresa ao ouvir:
– A senhora e a Equipe entram. Seu cão não. Ficará guardado na portaria com nossos seguranças. É ordem do desembargador presidente, estando em seu Manual de Portaria.
Nem acreditei no que ouvira. Isso porque já frequentava COM meu PESSOCÃO o local há mais de dois anos! Nunca me viram? Éramos invisíveis! Naquele pedido materializamo-nos! Inacreditável! Persisti exageradamente com todos até que o próprio desembargador presidente que telefonou para a minha casa.
– Pois não, desembargador, é Deborah Prates falando.
– Não adianta a senhora insistir com minha assessoria, já que está decidido que o cão ficará até em minha sala no ar refrigerado. Contudo, com a senhora NÃO. Tenho uma Equipe muito bem treinada para conduzir os deficientes, de modo que a senhora estará bem amparada. Por exemplo, o seu cachorro saberia ler a placa da 24ª Vara Cível? Mas a minha Equipe sim.
– De fato o desembargador tem razão. Jimmy é americano, pelo que só fala INGLÊS! Certamente não saberia ler a escrita em português! Dentro da ética, educação, tomando-se em conta que não há hierarquia entre juiz, desembargador e advogados é que provarei ao senhor que a LEI vigente prevalecerá. O senhor tem que dar o exemplo, não podendo, escandalosamente, descumprir comando legal federal e estadual, relativamente à permanência do guia com seu usuário.
E foi por aí afora. Nossa! Mal acreditei no que ouvira. Inimaginável que a MAIOR autoridade do Poder Judiciário do RJ fosse tão arbitrário e malvado. Pura DISCRIMINAÇÃO, conforme previsto na legislação do cão-guia. Sem dinheiro para ir à Brasília, instância superior, decidi pelo “4º Poder”. A santa MÍDIA. Deu certo. O Jornal “O Globo” e “Extra”, no dia seguinte me acompanhou ao foro. Claro que fui barrada pelos seguranças que já estavam previnidos. Tamanho fora o nosso movimento e o acúmulo de pessoas e advogados que o desembargador logo determinou que as Equipes fossem ter com ele em seu gabinete, bem como eu fosse liberada para subir com Jimmy ESCOLTADA por seguranças e sua Equipe. Tremenda HUMILHAÇÃO! Parecia criminosa presa! Abuso de autoridade!
Entrei com ação contra o Estado do RJ e fui vitoriosa. Não no pedido indenizatório, mas na restauração de minha alma. Apesar de ter reconhecido o Dr. Juiz da causa a arbitrariedade do desembargador, ainda levei um PITO! O magistrado entendeu que eu fiz sensacionalismo e que não deveria ter levado a mídia.
Ora, sem dinheiro, nem tempo a perder o que deveria ter feito? Penso que todo magistrado deveria – OBRIGATORIAMENTE – passar pela defensoria pública ANTES de entrar para a magistratura. Isso para sentir o quanto é duro não ter recursos nem para o ônibus! Será que alguma empresa de aviação, pela urgência do caso, me daria gratuitamente uma passagem? Fácil julgar as pessoas sem estar em suas peles!
Pronto! Depois dessa desventura terminei por perder os raros clientes que ainda restavam. Sem mágoas! Compreensível. Só louco daria uma causa para uma advogada que, além de cega, litigava com a maior autoridade do Poder Judiciário local.
D.C.: Como você vê a questão dos direitos da pessoa com deficiência?
D.P.: Teoricamente muito bem protegidos. Temos uma boa legislação vigente. A questão é que NÃO é cumprida!
Vejam que nem mesmo a MAIOR autoridade do Poder Judiciário do RJ (desembargador presidente) cumpriu a legislação do cão-guia! Como exigir que o Sr. Joaquim, dono do bar da esquina, cumpra a lei? Se quem deveria cumpri-la não o faz, como exigir da coletividade que o faça?
É questão de educação. Não sabemos o que significa Estado Democrático de Direito. Tristeza!
D.C.: O censo de 2010 indicou que o Brasil possui 45,6 milhões de pessoas com deficiência. Mais de 27 milhões delas tem idade para atuar no mercado formal de trabalho, mas apenas 306 mil estavam com direitos garantidos. Qual sua opinião sobre esta questão? E o que você acha da lei de cotas?
D.P.: Coincidência essa pergunta! Nessa semana publiquei em meu blog e facebook minha última crônica de nome: “VOTO DE SAIAS”, onde abordo a questão. Peço licença para transcrever um trecho como resposta a essa pergunta.
““.. . Evidenciadas inúmeras AÇÕES POSITIVAS a favor do sexo feminino, objetivando a IGUALDADE de direitos/oportunidades entre homens e mulheres. Seria lindo se, em meus pensamentos, eu não tivesse trombado com a legislação da Pessoa COM Deficiência. Então lembrei que, além de ser mulher, sou DEFICIENTE! E tome de mais ações afirmativas!
Novo rosário a rezar! Agora destaco a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, aprovado pela ONU em 2006…
Mais um montão de diplomas legais complementam as prerrogativas. A pendenga a ser enfrentada é, justamente, a FALTA do cumprimento de todo arcabouço legal! Pessoas com deficiência têm farta e boa legislação que, se obedecidas, teriam agasalhados direitos básicos. Eis a questão!
Noutro dia, vendo um canal de compras que já assistia antes da perda do sentido da visão, tive olhos para ver que NÃO existia nenhum apresentador deficiente. Fiz um contato por e-mail indagando sobre essa ausência. Em resposta me fora perguntado por que eu não apresentava meu currículo. Não tive dúvidas! A Internet é mágica e, num flash, seguiam meus dados. Espero pela resposta faz mais de 3 anos!
Cristalino que pessoas com deficiência carecem de OPORTUNIDADE sob todos os aspectos. A sociedade não crê no deficiente. …
Você pode perguntar. Mas existe a Lei de Cotas? Sim. Existir é muito diferente de cumprir. Uma péssima característica do brasileiro é a de não obedecer aos comandos legais….
Deparamo-nos com ações afirmativas focando mais oportunidades para a mulher e, também, para as pessoas com deficiência. E quando somos mulheres e deficientes ao mesmo tempo? É propagado que a mulher já tem dupla jornada comumente. Então acumular características de mulher mais deficiente… Ninguém nega as estatísticas que mostram que, por ilustração, salários para os mesmos cargos, são maiores para os homens. Empresários preferem selecionar homens até pelo fato natural da mulher menstruar mensalmente!
Dentre as deficiências os empresários entendem como mais severas as apresentadas em cadeira de rodas e a cegueira em ambos os olhos. Óbvio pelos custos necessários para a adaptação do meio-ambiente no trabalho. Lamentável que candidatos que se apresentem com tais atributos sejam rotulados como INCAPACITADOS para os cargos. Quais cargos? Ora, quaisquer um!
Dá para contar nos dedos as mulheres que ocupam cargos tidos como de alto escalão nas grandes empresas. Tendo deficiência, nem se fale! Essas divas representam a exceção que, por seu turno, vem confirmar a regra geral da exclusão da mulher com deficiência do mercado de trabalho. …
Agora, outro exercício mental. Quantas mulheres CEGAS você já constatou ocupando cargos no topo da pirâmide empresarial? Muito provavelmente nenhuma, né? Poucas mulheres cadeirantes são vistas ocupando cadeiras no legislativo. Entretanto, no RJ, não sei de nenhuma CEGA na vereança. Conhece alguma?
Seguramente afirmo que a sociedade NÃO CRÊ NA MULHER DEFICIENTE E, MENOS AINDA, NA CEGA! O mundo é preponderantemente visual não resta a menor dúvida. “Todavia, o pior cego é o que não quer ver”. Já parou para refletir sobre tal slogan?
Precisamos elevar o nosso consciente espiritual que está baixíssimo! Mister se faz encontrarmos o nosso “ponto de Deus no cérebro”! Como investir em campanhas para a preservação do Planeta se não enxergamos que somos os principais PREDADORES de nós mesmos? Vivemos num vale de ossos ressequidos porque nos deixamos engessar/enlatar pela forma da indústria da moda. Estamos tão CEGOS que necessitamos materializar o ESPÍRITO para que, vendo, tenhamos a certeza de sua existência.
Nesse vale de ossos, em que fora transformado o Planeta, você seria capaz de encontrar os seus para receber – novamente – o sopro da vida? Creio que todos mereçamos nova OPORTUNIDADE!
Aliás, OPORTUNIDADE é a palavrinha mágica da hora! A oportunidade para a mulher deficiente é o tronco, tendo do lado esquerdo a mão da ACESSIBILIDADE e, do lado direito, a mão da IGUALDADE. Esta é uma conquista. Contudo, só poderemos chegar nela se tivermos ACESSIBILIDADE mais OPORTUNIDADE!
Leitor amigo, você precisa de óculos para rever seus conceitos e preconceitos?”
http://deborahpratesinclui.blogspot.com/2012/02/voto-desaias-xo- escoliose-descricao-da.html
D.C.: Qual sua opinião a respeito da acessibilidade no Brasil?
D.P.: Faz pouco fiz um vídeo onde mostrei que o RJ é maravilhoso por fora e INACESSÍVEL por dentro.
Acesse aqui e assista o vídeo.
Mostro, dentre outros, calçada refeita faz cerca de 5 meses sem qualquer rampa, nem piso tátil! Notem que as empresas que ganham as licitações não têm profissionais com conhecimento elementar de acessibilidade e, o que é pior, nem SENSIBILIDADE para intuir que um piso tátil não poderia JAMAIS terminar em quinas ou paredes! O que dizer de hidrômetro no meio de rampa? E vai por aí afora para todo o tipo de mau gosto.
Defendo que a acessibilidade ATITUDINAL deveria vir antes de tudo. Precisamos mudar hábitos, daí a acessibilidade física e de comunicação viriam naturalmente. Mas se os governantes não tem essa sensibilidade como fazer campanhas nesse sentido?
Eis uma questão que temos que responder em CORO! ACESSIBILIDADE ATITUDINAL JÁ!
D.C.: Em 2009 você travou uma disputa com o tribunal de justiça do Rio de Janeiro para poder andar livremente pelo prédio com o auxílio do seu cão-guia. Atualmente você ainda encontra dificuldade para entrar em prédios e estabelecimentos comerciais? Conte-nos um pouco sobre isso.
D.P.: Parte da pergunta já está respondida em questão acima.
Atualmente NÃO tenho tido problemas para entrar em lugar algum com meu pessocão. Ao contrário, as pessoas vêm nos recepcionar numa boa! Maravilha!
Penso que o diálogo é a grande chave para a conscientização da sociedade. Não adianta querermos pegar no tranco! Mudanças de hábitos são lentas. Já fomos arremessados contra paredões por sermos rotulados como IMPUROS. Assim, não tínhamos direito a vida! Evoluindo a humanidade, fomos deixados nas escadarias das Igrejas à espera de esmolas! Evoluindo mais, tidos como LOUCOS! E, mais recente, deixados na roda dos ENJEITADOS à espera que girassem para dentro de algum bom convento! Até que hoje não está tão ruim! Nossa!
D.C.: Atualmente quais são seus projetos?
D.P: Sou autora de vários projetos. Destaco “BONECOS COM DEFICIÊNCIA” (em meu blog), e dou ênfase a minha CAMPANHA de vida: “SUSTENTABILIDADE HUMANA”. O projeto para essa campanha é: REFLORESTANDO CÉREBROS. A frese a ser trabalhada com a coletividade é: QUERO MEU CÉREBRO VERDE!
Para o estereótipo do ser humano hodierno levo em minhas palestras um ESQUELETO. Faço menção ao profeta Ezequiel (Antigo Testamento) que se vê num enorme vale de ossos secos e questiona ao Senhor Deus se ele daria nova oportunidade ao ser humano, dando-lhes novo sopro de vida. Ao ser questionado pelo Senhor, responde: Só tu sabes Senhor!
A esperança PERECEU! Não sabemos mais sonhar! Amar o próximo! O que é isso? Se perguntássemos ao Profeta Ezequiel o que fazer, certamente nos diria: SÓ DEUS SABE!
Atualizando, lembro a canção interpretada por Zeca Pagodinho, no refrão: DEIXA A VIDA ME LEVAR, VIDA LEVA EU… SOU FELIZ E AGRADEÇO POR TUDO QUE DEUS ME DEU.
D.C.: Deixe uma mensagem aos leitores do blog Deficiente Ciente.
D.P.: Com profundo amor e carinho é que divido com os amigos leitores do “DEFICIENTE CIENTE” um pensamento de autor desconhecido: “SOMOS TODOS ANJOS DE UMA ASA SÓ. PRECISAMOS NOS ABRAÇAR PARA PODER VOAR”.

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