RBTV #3: O direito das crianças com deficiência visual à áudio-descrição

Escrito por Francisco José de Lima e Rosângela A. F. Lima

Resumo

Este artigo apresenta, em primeiro momento, robusta sustentação jurídica para o direito de as pessoas com deficiência visual ter acesso à áudio-descrição, defendendo que a não provisão desse recurso assistivo constitui, tanto negligência para com a educação da criança com deficiência visual, quanto discriminação por razão de deficiência. De um lado, esteia essa defesa em documentos internacionais de defesa das crianças, os quais as salvaguardam de maus tratos, da discriminação e da afronta à sua dignidade de criança e pessoa humana. De outro, sustenta o direito à áudio-descrição, na Constituição Brasileira, a qual define a educação como direito indisponível e garante esse direito a todas as crianças, com igualdade de condições, independentemente de suas características fenotípicas, sociais ou genéticas. Em um segundo momento, este artigo sustenta a defesa pela oferta da áudio-descrição, devido aos benefícios que este recurso assistivo pode trazer para a inclusão cultural e educacional da pessoa com deficiência visual, uma vez que, enquanto técnica de tradução visual, ela permite o acesso às imagens, por intermédio das palavras a serem ouvidas, lidas e/ou faladas, natural ou eletronicamente. Trata, também, de como as visões tradicionalistas sobre a capacidade de a pessoa cega fazer uso das imagens, produzindo-as e/ou as compreendendo, têm levado à negação de direitos, ao prejuízo educacional, e em última instância ao preconceito para com as pessoas cegas. Conclui, fazendo a assertiva de que não se trata de perguntar quando se vai oferecer a áudio-descrição, mas de se buscar as condições para melhor formar os áudio-descritores; melhor prover o serviço de áudio-descrição e melhor aparelhar o público alvo para a recepção desse serviço, começando com a criança pequena, lá na escolinha, até o adulto na universidade ou em outro locus social.

Palavras-chaves: áudio-descrição, direito inclusivo, criança com deficiência visual


Abstract

This article presents robust arguments for the provision of audio description for children with vision disability in Brazil. It supports its point of view on national and international laws and conventions that protect children from all forms of harm and discrimination. Audio description is considered an assistive technology capable of given children access to education, culture and leisure by providing visual information of things and events that originally were not available to blind people. It concludes that it is necessary to invest on training audio describers, improve audio description services and educate blind people about receiving and profiting from audio description accessibility.

Keywords: audio description, people with visual disability, accessibility, attitudinal barriers.

RBTV #3: Leitura comentada da carta sobre os cegos

Escrito por Isabel Pitta Ribeiro Machado (pccinemaempalavras@gmail.com). Trabalho originalmente apresentado em comunicação no COLE- Congresso de Leitura do Brasil- Unicamp, julho de 2005.

Resumo

O presente trabalho se funda na intenção de promover uma discursão crítica da leitura, não só oferecendo uma proposta de debate sobre o conteúdo da Carta sobre os cegos, escrita pelo filósofo iluminista Denis Diderot, mas principalmente, oferecendo um debate sobre a acessibilidade de pessoas com deficiência visual a textos de qualidade que os auxiliem na construção de princípios filosóficos e noções de cidadania.

Palavras-chave: filosofia; pessoa com deficiência; literatura; áudio-descrição; audiodescrição.

RBTV #3: Ergonomia e inclusão laboral de pessoas com deficiência

Resumo

O objetivo deste artigo é apresentar a revisão realizada sobre os elementos da Ergonomia que auxiliam a adaptação dos postos de trabalho às pessoas com deficiência (PD). Aborda-se algumas questões: contribuição da ergonomia no processo de inclusão laboral, influência da análise da tarefa/atividade e a avaliação das capacidades funcionais do trabalhador com deficiência. Também são apresentados e discutidos três métodos e técnicas específicas de adaptação de postos de trabalho à PD encontrados na literatura. Assim, observa-se que a ergonomia é uma ferramenta essencial para o processo de adaptação de postos de trabalho à pessoa com deficiência, na medida em que adapta para facilitar o uso com segurança e conforto para o usuário.

Palavras-chave: ergonomia, postos de trabalho, pessoa com deficiência.


Abstract

The aim of this paper is to present the review undertaken of the elements of ergonomics that help the adjustment of employment to persons with disabilities. It addresses a few issues: the contribution of ergonomics in the process of inclusion of labor, influence the analysis of the task / activity and the evaluation of the functional capabilities of the disabled worker. Are also presented and discussed three specific methods and techniques to adapt workplace to the people with disabilities in literature. Thus, it appears that ergonomics is an essential tool for the adaptation of workplace to people with disabilities, as it adapts to facilitate use with safety and comfort for the user.

Keywords: ergonomics, workplaces, people with disabilities

An Introduction to Audio Description: A practical guide (Translation Practices Explained)

Originaly published at: https://www.amazon.com/Introduction-Audio-Description-practical-Translation/dp/1138848174?SubscriptionId=AKIAI5WBGNATTQUFEHRQ&tag=blinbarg-20&linkCode=xm2&camp=2025&creative=165953&creativeASIN=1138848174

An Introduction to Audio Description is the first comprehensive, user-friendly student guide to the theory and practice of audio description, or media narration, providing readers with the skills needed for the effective translation of images into words for the blind and partially-sighted.

A wide range of examples – from film to multimedia events and touch tours in theatre, along with comments throughout from audio description users, serve to illustrate the following key themes:

the history of audio description
the audience
the legal background
how to write, prepare and deliver a script.
Covering the key genres of audio description and supplemented with exercises and discussion points throughout, this is the essential textbook for all students and translators involved in the practice of audio description. Accompanying film clips are also available at: https://www.routledge.com/products/9781138848177 and on the Routledge Translation Studies Portal: http://cw.routledge.com/textbooks/translationstudies/.

The Visual Made Verbal: A Comprehensive Training Manual and Guide to the History and Applications of Audio Description

Originaly published at: https://www.amazon.com/Visual-Made-Verbal-Comprehensive-Applications/dp/1457527227?SubscriptionId=AKIAI5WBGNATTQUFEHRQ&tag=blinbarg-20&linkCode=xm2&camp=2025&creative=165953&creativeASIN=1457527227

Verbal descriptions of life have been around for centuries, but the digital age has made access to those descriptions even more important. Dr. Joel Snyder, an audio description pioneer, has created a book and website offering the first overview of the field, including its history, application to a range of genres, description of training techniques and list of resources.
Audio description brings the visual world to life, making theater productions, television shows, films, visual art and events accessible to people who are blind or have low vision. Describers employ succinct, vivid, imaginative words to convey visual images those with sight take for granted. Although countries worldwide have taken up the cause, the United States has fallen short on research and institutions to study the field. Dr. Snyder’s book helps fill in some of those gaps.

“For decades, Joel Snyder has combined his astonishing command of language with his keen attention to detail to create word pictures that stir the mind’s eye, especially for patrons of the arts whose physical eyes cannot see. … His book has been long-awaited and no doubt will become the standard for prospective audio describers around the world.”
— Kelsey Marshall, founding director of accessibility, John F. Kennedy Center for the Performing Arts in Washington, D.C.

Dr. Joel Snyder is known internationally as one of the world’s first “audio describers,” a pioneer in the field of audio description: making theater events, museum exhibitions, and media accessible to people who are blind or have low vision. Since 1981, he has introduced audio description techniques in 36 states and D.C. and in 35 countries; he holds a Ph.D. in accessibility-audio description from the Universitat Autonoma de Barcelona.
Dr. Snyder’s company, Audio Description Associates, LLC (www.audiodescribe.com) uses audio description to enhance a wide range of arts projects including video and film, museum exhibitions and live events, As Director of Described Media for the National Captioning Institute, he supervised the production of description for Sesame Street and dozens of feature films and nationally broadcast television; his descriptions can be heard at Smithsonian Institution exhibits, the Getty Museum, the Albright-Knox Gallery and throughout the country at National Park Service visitor centers. As Director of the American Council of the Blind’s Audio Description Project (www.acb.org/adp), Dr. Snyder voiced description for network coverage of President Obama’s inauguration in 2009 and 2013 and recently produced the first-ever audio described tour of The White House; the ADP website is the nation’s principal provider of information and resources on audio description.

Áudiodescrição: ferramenta de inclusão social na publicidade televisiva

Por Milton Pereira de Carvalho Filho

A necessidade da realização dessa pesquisa deu-se em função da criação da primeira campanha no Brasil com recursos de acessibilidade, onde a audiodescrição, pela primeira vez, fez parte do cenário da publicidade nacional.

A iniciativa da Natura Cosméticos tornou-se um marco para a publicidade televisiva e para a inclusão de pessoas cegas a esse tipo de informação e entretenimento.

Olhar para os desdobramentos desta ação, suas possibilidades e desenvolvimento em novas campanhas tornou-se fundamental para fazer desta uma iniciativa de relevo também para a academia e a pesquisa da estrutura persuasiva deste tipo de publicidade.

Faça o download do trabalho completo: audiodescricao-ferramenta-de-inclusao-social-na-publicidade-televisiva

RBTV #3: Estudo da comunicabilidade das imagens: contribuições para o processo de ensino-aprendizagem na escola inclusiva

Escrito por Ernani Nunes Ribeiro e Francisco J. Lima

Resumo

O presente trabalho tem origem em uma pesquisa de mestrado em Educação, (área de Educação Inclusiva), a qual propõe analisar a comunicabilidade das imagens, como suplemento ou complemento aos textos em livros didáticos. Aqui, discutem-se as contribuições da comunicabilidade das imagens, sob a perspectiva de uma Escola para Todos, o que implica em oferecer uma Educação com qualidade, igualdade de condições e oportunidade de acesso a todo o processo educacional, ao ensino e à aprendizagem, também às pessoas com deficiência auditiva ou surdas. Defende-se que ao estarem ao nosso redor, as imagens têm 3 funções básicas de comunicação: De Ornato, de Complemento e de Suplemento. Conclui-se que se usadas bem, as imagens são grande aliadas para a inclusão educacional da pessoa com deficiência auditiva ou surdas, na medida em que servem como facilitadoras na sua aprendizagem, isto é, no entendimento do texto escrito.

Palavras chaves: Comunicabilidade das Imagens, ensino-aprendizagem, Inclusão da pessoa surda, livro didático, inteligência viso-espacial.

RBTV #3: A importância da pesquisa acadêmica para o estabelecimento de normas da audiodescrição no Brasil

Escrito po Eliana P. C. Franco (Universidade Federal da Bahia)

Resumo

O presente artigo versa sobre a necessidade de estearem em pesquisas científicas as bases para a criação de diretrizes que venham normatizar a audiodescrição no Brasil. Afirma que as pesquisas de opinião sobre a recepção do serviço não dão conta de sustentar a criação de regras para a audiodescrição. Faz a ressalva de que um consultor com deficiência visual, ou um pequeno grupo de pessoas com essa deficiência não pode servir como base para a construção de uma norma. Conclui que a pesquisa sistemática é a metodologia mais adequada para a investigação acadêmica a respeito da audiodescrição.

Palavras-chave: audiodescrição; pessoa com deficiência; inclusão; pesquisa sistemática; áudio-descrição

RBTV #2: Para inglês ouvir: Política de adoção da audiodescrição na TV digital do Reino Unido

Escrito por Flávia Oliveira Machado

Resumo

O Reino Unido estreou a era da televisão digital em 1998 com o padrão DVB (Digital Video Broadcasting). Onze anos depois, o Ofcom (Office of Communication – órgão regulador do setor de comunicação do Reino Unido) anunciou que 89,8% dos lares ingleses recebiam o sinal digital. Após o desenvolvimento dessa tecnologia, foi iniciado em 2008 o processo de desligamento da transmissão analógica de televisão, que está previsto para terminar em 2012. Além da multiprogramação e da alta qualidade de som e imagem, os ingleses foram os primeiros a conseguirem disponibilizar a audiodescrição como opção de acessibilidade nessa nova mídia. A audiodescrição é um áudio extra que descreve o cenário, o figurino, a movimentação dos personagens e todos os outros elementos que não são compreendidos, principalmente, por pessoas com deficiência visual. O objetivo é acrescentar esse áudio durante os intervalos dos diálogos, sem, no entanto, sobrepor informações contidas na trilha sonora original. Vale lembrar, que este recurso atende também às necessidades de pessoas com dislexia, com deficiência intelectual e ainda idosos.

Atualmente, 10% da programação já possuem audiodescrição e há uma forte pressão para que essa cota aumente para 20%. O presente artigo pretende apontar, através e referências bibliográficas e documentais, algumas especificidades da televisão digital no Reino Unido e como está sendo feita a política de promoção da audiodescrição nesse meio de comunicação. Primeiramente, será exposto o conceito do termo audiodescrição. Depois, será traçado um breve panorama da implementação da TV digital no país, bem como suas estratégias políticas até chegar no switch over e na segunda geração do DVB.

Após essa contextualização, pretende-se analisar as iniciativas políticas para a inserção, promoção e aprimoramento da audiodescrição na televisão digital inglesa. Para isso serão apresentados dois atores chaves no desenvolvimento dessa política: o Ofcom e o RNIB (Royal National Institute of Blind People). O estudo sobre a política de implantação desse recurso de acessibilidade no Reino Unido, onde a audiodescrição está mais difundida, serve como ponto de partida para outros países que pretendem avançar na questão de inclusão social de pessoas com deficiência visual através dos meios de comunicação, principalmente, a televisão.

Palavras chave: Audiodescrição. Televisão Digital. Política de Comunicação. Reino Unido.

RBTV #2: Inclusão e cultura surda: observando questões acerca da surdez

Escrito por Liane Carvalho Oleques [lioleques@gmail.com]

Resumo

Este artigo é um recorte da pesquisa de mestrado “Desenho infantil: entre a palavra e a imagem” que faz uma análise da produção gráfica de uma criança surda em paralelo a uma criança ouvinte. Assim, foi necessário conhecer e expor as questões que envolvem a surdez em toda sua complexidade, dando base a pesquisa. Num primeiro momento ressaltam-se alguns aspectos do processo de ensino e aprendizagem da educação especial introduzindo as questões concernentes a surdez e suas especificidades. Autores como Gonzalez (2007), Lucia Reily (2007), Vigotski (1997), Oliver Sacks (1998), Ronice de Quadros (1997) e Márcia Goldfeld dão base ao trabalho no tocante ao ensino especial bem como a cultura surda.

Palavras-chaves: educação especial, deficiência, surdez e cultura surda


Abstract

This article is part of a research Masters’ Playground Design: between word and image “which analyzes the graphic production of a deaf child in parallel with a hearing child. It was therefore necessary to understand and explain the issues surrounding deafness in all its complexity, giving basic research. At first it is worth highlighting some aspects of the teaching and learning of special education by introducing the issues concerning deafness and its specificities. Authors such as Gonzalez (2007), Lucia Reily (2007), Vygotsky (1997), Oliver Sacks (1998), Ronice Frame (1997) and Marcia Goldfeld are the basis of work with regard to special education and deaf culture.

Keywords: special education, disability, deafness and deaf culture