Aborto Seletivo Por Razão de Deficiência

Fonte: Adrienne Asch | Scientific Electronic Library Online

Por um lado, os sanitaristas resistem à seleção por gênero e, provavelmente, serão contrários a qualquer seleção por orientação sexual; mas, por outro, são favoráveis à idéia de que as pessoas devem evitar ter filhos com deficiências. Isso se deve à visão dos profissionais de saúde, de que a deficiência seria algo muito diferente – e pior que – outras formas devariação humana. À primeira vista, este parece ser um argumento óbvio e desafiá-lo pode parecer um questionamento aos nossos compromissos profissionais. Características como doenças crônicas e deficiências (que serão discutidas conjuntamente) não se assemelham a traços como gênero, orientação sexual ou raça, uma vez que estes últimos não são percebidos como obstáculos para uma vida satisfatória. A deficiência é, por sua vez, considerada incompatível com uma vida satisfatória. Aliás, vale lembrar que algumas pessoas que se opõem ao aborto seletivo por gênero (Wertz e Fletcher, 1992) ou por orientação sexual (Stein, 1998) diferenciam esses traços como sendo uma deficiência de origem social, em contraste às deficiências de origem médica, para as quais os exames pré-natais e o aborto seletivo fazem sentido. Para as questões de sexo, orientação sexual ou raça, as autoridades de saúde pública avaliam em que medida fatores sociais ou econômicos são obstáculos para a saúde e para o atendimento médico, e defendem a melhoria do bem-estar daqueles que se encontram em desvantagem pela discriminação que acompanha aqueles ditos como minorias. Os sanitaristas, por outro lado, lutam para erradicar doenças e deficiências ou para tratar ou mesmo curá-las. Para os profissionais de saúde, a doença e a deficiência são problemas a serem resolvidos, e, para tanto, parece ser natural lançar mão de testes pré-natais e do aborto como mais uma maneira de minimizar a incidência da deficiência.

Neste artigo, argumentarei, em primeiro lugar, que a maior parte dos problemas associados a se ter uma deficiência provém de arranjos sociais discriminatórios que são passíveis de mudança. No passado, as mulheres e os homossexuais experimentaram desafio semelhante. Após discutir de que modo as características da deficiência se assemelham ou não a outras características, analisamos a razão pela qual acreditamos que a tecnologia do teste pré-natal seguido do aborto seletivo seja uma maneira singular de prevenir ou aliviar a deficiência. Além disso, analisamos por que muitas pessoas, que não vêem qualquer problema na prevenção de doenças ou na promoção da saúde, se sentem ofendidas pela testagem pré-natal e seus desdobramentos. Ao final, sugerimos algumas maneiras pelas quais os profissionais da saúde e instâncias reguladoras podem oferecer essa tecnologia, de modo a promover escolhas reprodutivas legítimas e a ajudar as famílias e a sociedade a se desenvolver.

2. Um Contraste entre o Paradigma Médico e Social da Deficiência

As definições de termos como saúde, normalidade e deficiência não são claras, objetivas e universais ao longo do tempo e nem o são em diferentes locais. As características físicas individuais são avaliadas com base em um padrão de normalidade, de saúde e do que alguns autores chamam de “funcionamento típico da espécie” (Daniels, 1985; Boorse, 1987). Esses autores chamam a atenção para o fato de que em uma sociedade, em certo momento histórico, há uma percepção compartilhada do que seja o funcionamento físico típico da espécie, bem como do papel esperado de uma menina, de um menino, de uma mulher e de um homem. A definição de Boorse sobre os desvios indesejados dessa tipicidade da espécie se concentra na pessoa, em vez de se concentrar na causa do problema: “[Uma] condição é patológica quando a habilidade para realizar uma ou mais funções biológicas típicas da espécie não alcança o nível de distribuição estatística da habilidade em questão” (Boorse, 1987, p. 370). Daniels, por sua vez, argumenta que “lesões no funcionamento normal das espécies reduzem as oportunidades disponíveis ao indivíduo pelas quais se constrói o planejamento de vida ou do que seja bom” (Daniels, 1985, p. 27).

Doenças crônicas, lesões traumáticas e deficiências congênitas podem, de fato, causar desvios do “funcionamento típico da espécie”, e essas condições constituem diferenças tanto da média estatística quanto da norma de bem-estar desejada. Certamente, a sociedade preza algumas características, tais como inteligência, habilidades desportivas, musicais e artísticas, além de dar mais valor àqueles que possuem mais atributos que a norma estatística. As normas relacionadas aos atributos relativos à saúde também mudam com o tempo. Na medida em que a expectativa de vida das pessoas aumenta no Canadá e nos Estados Unidos, as condições que geralmente causam a morte antes dos quarenta anos, como é o caso da fibrose cística, podem se tornar ainda mais impressionantes do que são hoje. A expectativa de que os homens serão mais altos que as mulheres e que os adultos devam chegar à altura de pelo menos um metro e sessenta gera uma percepção de que ser diferente dessas normas não é apenas incomum, mas indesejável e pouco saudável. Algo que não surpreende é o fato de que os profissionais que estão comprometidos com a prevenção, melhora e cura de doenças e lesões estejam especialmente preparados para lidar com os problemas e dificuldades que afetam a vida de seus pacientes. Tais profissionais, cientes da dor ou da fraqueza física e psicológica, como também dos problemas sociais causados por uma doença aguda ou uma lesão repentina, dedicam suas vidas a reduzir os percalços que esses eventos possam acarretar.

O que muitos pesquisadores, formadores de políticas públicas e militantes da área de deficiência argumentam é que a compreensão médica do impacto da deficiência sobre a vida da pessoa contém duas suposições equivocadas com sérias conseqüências adversas: 1. que a vida de uma pessoa com uma doença ou deficiência crônica estará comprometida para sempre, como se a vida de uma pessoa estivesse temporariamente interrompida ou comprometida por causa de uma crise de coluna, de pneumonia, ou uma perna quebrada; 2. que se uma pessoa deficiente estiver passando por uma situação de isolamento, de impotência, de desemprego, de pobreza ou viver em um estado social abaixo da média, tudo isso se deve única e inevitavelmente às limitações biológicas. O corpo, a psique e a vida social, de fato, sofrem mudanças após uma doença, acidente ou lesão, e os profissionais de saúde e da bioética atentam, corretamente, à vulnerabilidade física e psicológica dos pacientes e seus familiares ou amigos na fase aguda da crise. Entretanto, falham ao concluir que, devido à improbabilidade da recuperação física plena, uma pessoa deficiente nunca conseguirá reunir os recursos físicos, psicológicos e cognitivos para que tenha uma vida satisfatória. Deficiências e doenças crônicas não são equivalentes a doenças agudas ou lesões repentinas, situações nas quais um processo de doença ativo ou uma mudança inesperada na função física interrompe a rotina de vida. A maioria das pessoas com espinha bífida, acondroplasia, síndrome de Down e outras lesões ligadas à mobilidade e aos sentidos se vêem como pessoas saudáveis, isto é, como não doentes, e descrevem suas condições como que inerentes às suas vidas: é a maneira pela qual interagem com o mundo. O mesmo se aplica para pessoas em condições crônicas, como a fibrose cística, a diabetes, a anemia falciforme, a hemofilia e a distrofia muscular. Essas condições contam com crises intermitentes que exigem cuidados médicos e ajustes à vida diária. Contudo, tais condições não fazem com que essas pessoas não sejam saudáveis, como muitas pessoas, incluindo os profissionais de saúde, imaginam.

Os portadores de deficiência se preocupam com engarrafamentos, com uma discussão com um amigo, sobre qual filme assistir, ou que país vaiganhar a Copa do Mundo, e não apenas com seus diagnósticos. É claro que uma deficiência pode interferir no comportamento da pessoa se certos eventos vierem a ocorrer, como por exemplo: se dois ônibus, um após o outro, que possuem equipamento próprio para cadeira de rodas não atenderem ao sinal de parada de uma pessoa que está sentada em uma cadeira de rodas em um ponto de ônibus; se um atendente na bilheteria do cinema insultar uma pessoa com síndrome de Down, por não querer receber o dinheiro de seu ingresso; se uma pessoa com dificuldades auditivas perder o trem por não saber que a mudança na linha foi anunciada.

A segunda forma pela qual os profissionais da saúde e da bioética erram é ao enxergar todos os problemas que existem na vida de um portador de deficiência como conseqüência da condição em si e não de fatores externos. Quando profissionais da ética e da saúde pública e os formadores de políticas públicas discutem a importância da assistência médica, da prevenção de acidentes, da promoção de estilos de vida mais saudáveis, eles o fazem baseados na idéia de que um certo nível de saúde seria não apenas intrinsecamente desejável, mas também um pré-requisito para uma vida aceitável. Um comentarista da bioética descreve essa visão consensual sobre os tipos de vida em termos de uma “faixa normal de oportunidade”: “a faixa normal de oportunidade para uma dada sociedade é todo o conjunto de planejamentos de vida que pessoas comuns constroem, ou podem construir para si”. A atenção à saúde acrescenta que seu propósito é “manter, restaurar ou fornecer equivalentes funcionais, sempre que possível, ao funcionamento normal da espécie” (Daniels, 1985, p. 33-32).

De acordo com o paradigma da medicina, a diferença existente entre níveis de educação, de emprego e de renda entre adultos portadores de deficiência e adultos sem deficiência são inevitáveis, uma vez que as lesões prejudicam os estudos ou mesmo limitam o trabalho. O paradigma alternativo, o qual entende as pessoas deficientes em termos sociológicos, isto é, como uma minoria, analisa como o contexto social (as regras, leis, meios de comunicação, característica dos prédios e sistemas de trânsito, a carga horária convencional de oito horas diárias) exclui algumas pessoas da participação da vida social, escolar, profissional ou cívica. O novo paradigma foi incorporado na “Lei de Educação para a Pessoa Portadora de Deficiência” (Individual with Disabilities Education Act) e na “Lei Americana de Pessoas Portadoras de Deficiência” (Americans with Disabilities Act), e também está implícito na garantia de acesso à assistência médica por meio do Medicare e do Medicaid às pessoas com deficiência que estejam trabalhando. Esse paradigma, mais aceito por pessoas fora da saúde e da bioética, questiona se a diferença entre pessoas com deficiência e pessoas sem deficiência é realmente inevitável e imutável. Em 1999, nove anos após a aprovação das leis pelo fim da discriminação no emprego, milhões de pessoas com deficiência ainda estão fora do mercado de trabalho, apesar de sua disposição para trabalhar (Organização Nacional de Deficiência, 1999), um dado que faz com que o paradigma social questione quais sejam os fatores que impedem as pessoas de se tornarem produtivas. Esses pontos levantam questões éticas e políticas sobre a existência ou não de uma relação entre saúde e as oportunidades abertas às pessoas.

Nossos esforços para amenizar as dificuldades provocadas por deficiências e doenças crônicas, assim como para promover estilos de vida mais saudáveis para a população não devem, necessariamente, levar a uma desvalorização das pessoas que não se enquadram nessa compreensão convencional da saúde. No entanto, as pessoas com deficiência têm sido sistematicamente submetidas à segregação e a um tratamento inferior emtodas as áreas da vida. É possível apreciar a norma de ter dois braços, sem ser discriminado por uma mulher com um braço só; entretanto, a ciência social, as autobiografias, a legislação e as decisões judiciais revelam que as pessoas, tanto com deficiências visíveis ou “invisíveis”, perdem oportunidades de trabalhar, de estudar e de viver onde ou com quem escolhem, de participar de reuniões religiosas e até mesmo de votar (Goffman, 1963; Schneider e Conrad, 1983; Brightman, 1984; Gartner e Joe, 1987; Bickenbach,1993; Hocknberry,1996; Russel,1998).

A “Lei Americana de Pessoas Portadoras de Deficiência”, aprovada em 1990, é um chamado à revisão histórica no que diz respeito às pessoas deficientes: “O Congresso conclui que (…) (3) a discriminação contra indivíduos com deficiência persiste em áreas críticas, tais como emprego (…) educação, diversão (…) serviços de saúde (…) e acesso aos serviços públicos; (…)(7) indivíduos com deficiência são uma minoria isolada e segregada que enfrenta limitações e restrições; que tem se submetido a uma história de tratamento propositalmente desigual e relegada à posição de impotência política (…), com base em características que estão acima do controle de tais indivíduos e que resultam de suposições estereotipadas que não indicam de maneira real a capacidade de cada um de participar e contribuir com a sociedade” (Lei Americana de Pessoas Portadoras de Deficiência, 1990).

Oito anos após a aprovação da “Lei Americana de Pessoas Portadoras de Deficiência”, as pessoas deficientes reconhecem algumas melhorias no acesso aos locais públicos e mudanças em certos aspectos da vida, mas as principais diferenças entre as pessoas deficientes e as pessoas não-deficientes ainda persistem, no que diz respeito à renda, ao emprego e à participação social. Por exemplo, segundo uma estatística exageradamente otimista sobre a prevalência do preconceito e da discriminação social, “pouco menos da metade (45%) dos adultos com deficiência afirma que as pessoas geralmente os tratam de maneira desigual ao saberem que são portadores de alguma deficiência” (Organização Nacional de Deficiência, 1999).

Estima-se que 54 milhões de pessoas nos Estados Unidos sejam portadoras de deficiência. As mais conhecidas são as lesões relativas à mobilidade, à audição, à visão e ao aprendizado, artrite, fibrose cística, diabetes, condições cardíacas e problemas de coluna (Organização Nacional de Deficiência, 1999). Nesse sentido, ao discutir discriminação, preconceito e tratamento desigual em relação às pessoas com deficiência, estamos tratando de uma população que é maior que a população homossexual ou que a população negra nos Estados Unidos. Esses números recebem novo significado ao avaliarmos o fundamento lógico por trás do diagnóstico pré-natal e do aborto seletivo como uma estratégia para lidar com a deficiência.

3. Diagnóstico Pré-natal para a Prevenção da Deficiência

Se algumas formas de prevenção da deficiência são atividades legítimas da medicina e da saúde pública, e se os portadores de deficiência utilizam o sistema de saúde para melhorar e manter sua própria saúde, pressupõe-se que seja porque a deficiência não seja algo desejável. Muito embora muitas pessoas na comunidade de deficientes resistam ao diagnóstico prénatal como uma forma de prevenir a deficiência, não há quem se posicione contrariamente aos esforços para despoluir o meio ambiente, ao uso do cinto de segurança, à redução do consumo do álcool e do cigarro e à oferta de atenção pré-natal a todas as mulheres grávidas. Todas essas atividades lidam com a saúde de seres humanos vivos (ou fetos que virão a nascer) e buscam garantir seu bem-estar. O que diferencia o teste pré-natal seguido de aborto de outras formas de tratamento médico e prevenção da deficiência é que a estratégia não tem a intenção de evitar a deficiência ou a doença de um ser humano que já nasceu ou que irá nascer, mas de evitar o nascimento de um ser humano que terá uma dessas características consideradas indesejadas.”

Quer saber muito mais sobre este assunto?

Leia por completo o artigo “Diagnóstico Pré-natal e Aborto Seletivo: Um Desafio à Prática e às Políticas” disponível em Scientific Electronic Library Online

Published by

Psicofísica do Tato: O que Diz a Ciência sobre o Sistema Háptico

PREFÁCIO

Os editores querem mostrar que não existe “uma única teoria” do tato. O campo não chegou ao ponto onde nós tenhamos uma harmonia teórica, porque muitas questões permanecem não resolvidas. Nós devemos notar que a háptica compartilha dessa condição com quase todos os outros campos da percepção e da psicologia. Alguns pesquisadores têm adotado uma abordagem gibsoniana (Epstein, Hughes, Schneider, & Bach-y-Rita, 1989; Solomon & Turvey, 1988). Outros têm feito uso de tipos de paradigmas experimentais de processamento de informações (e.g. Horner & Craig, 1989; Manning, 1989); ainda muitos outros pesquisadores não se encaixam num único modelo teórico.

Há mais coisas relativas à psicologia do tato do que “a mão pode alcançar”. Embora muitas pessoas possam não associar o tato à filosofia, existe uma ampla literatura abrangendo questões filosóficas relacionadas à percepção tátil. Claro, a filosofia é apenas uma das muitas áreas relacionadas, também inclui o interesse em identificação de desenhos, reconhecimento de objetos, fisiologia sensorial, relações intermodais, e questões relativas ao desenvolvimento.

O fenômeno sensorial pode ser estudado a partir de muitos pontos-de-vista, como ilustrado na primeira parte deste volume. Os autores desses capítulos discutem várias técnicas psicofísicas usadas para investigar a acuidade de nossos sentidos, a magnitude de nossas sensações, e a natureza das qualidades táteis que nós experienciamos.

Métodos alternativos de estudarmos o fenômeno sensorial, tratados nesta primeira parte, também incluem introspecção e fisiologia.

Cholewiak e Collins tratam da base sensorial e fisiológica do tato: uma pesquisa tradicional que tem envolvido tentativas de ligar órgãos receptores na pele com classes de sensações. Seguintes a estes, os próximos dois capítulos, por Stevens e por Rollman, abrangem a sensibilidade térmica à dor. Ambas as áreas envolvem substanciais componentes afetivos. Stevens trata sobre a sensibilidade termal, e Rollman fornece um interessante relato dos problemas envolvidos na mensuração da dor, assim como abrange as principais teorias da sensibilidade à dor.

A segunda parte é concernente às relações intermodais e o desenvolvimento do tato. Warren e Rossano dão uma visão panorâmica de trabalho em relações intermodais e a influência da visão no tato. No seu capítulo, Bushnell e Boudreau focalizaram a atenção em relações intermodais na infância e early childhood.

A percepção tátil de desenhos é tratada na terceira parte deste livro. Apelle trata sobre a influência da atividade motora na percepção da forma e os atributos da forma. Seu relato é orientado pela idéia de que a natureza dos nossos movimentos manuais determinam o que nós percebemos. Sherrick fornece uma descrição perceptiva da pesquisa sobre estimulação vibrotátil, uma área que tem se demonstrado útil para a comunicação através da pele. Além disso, ele descreve a aplicação de estimuladores vibrotáteis para resolver problemas impostos por limitações visuais ou auditivas. Finalmente, o capítulo de Foulke apresenta uma visão panorâmica da pesquisa sobre a leitura em Braille.

A parte final deste livro trata da percepção tátil em pessoas cegas; uma área que tem fascinado os filósofos por centenas de anos. Embora uma parte das pesquisas sobre percepção tátil em pessoas cegas tem se preocupado com a solução de problemas aplicados, os capítulos nesta parte são principalmente dedicados à evidência empírica sobre questões teóricas em háptica. Heller fornece uma discussão geral sobre a percepção tátil em indivíduos cegos. Kennedy, Gabias, e Nicholls descrevem o desenho de gravuras por pessoas cegas. Millar reconcilia a capacidade de desenhar de crianças cegas com uma aparente/visível dificuldade na interpretação deles de desenhos em linhas em relevo.

CAPÍTULO 1

INTRODUÇÃO

Morton A. Heller Winston-Salem State University

Este livro é sobre o sentido do tato. Abrangemos aqui desde detalhes de fisiologia até questões de comunicação, cognição, e representação. A psicologia do tato inclui a sensitividade cutânea, cinestese, e háptica. O termo háptica incorpora informação cutânea e cinestésica (Revesz, 1950).

Através da háptica, nós obtemos informações sobre objetos manipulando-os ativamente, com input covariantes cutâneos e cinestésicos (Gibson, 1966). A década de 80 assistiu a um vigoroso debate teórico e desafiadoras descobertas empíricas sobre o tato e a gama de percepções que ele permite. Nós examinaremos o pensamento contemporâneo sobre esses assuntos. Em alguns casos, a discussão esperará para seções mais à frente neste livro. Eu peço a indulgência do leitor nesta questão, e paciência. O leitor interessado fará uma jornada intelectual pelos capítulos deste volume.

O tato pode envolver formas de perceber e representar a realidade que muitas pessoas uma vez pensaram que era uma reserva exclusiva da visão e audição. Apenas na história recente, as pessoas têm tentado usar o tato como um canal para a leitura, sinalização manual de fala, gravuras, e música (via vibração). Algumas dessas idéias têm sido incrivelmente bem-sucedidas.

A mão é um instrumento extraordinário, mas não é o órgão exclusivo do sentido do tato. Sendo as sensações a fonte da percepção, como muitos pesquisadores têm implícita e explicitamente sustentado, então nós podemos experienciar sensações táteis com toda a superfície de nossa pele. Se, por outro lado, o tato é um conjunto de atividades produzindo vários tipos de informações relativas à estrutura, estado, localização de superfícies, substâncias, e objetos no ambiente, nós usamos muitos tipos de informações hápticas para orientar as nossas atividades. Os pés, por exemplo, fazem uso de informação textural a respeito das superfícies ao andarmos sobre elas. Pense sobre a dificuldade que a pessoa tem de andar sobre o gelo escorregadiço. Nós mudamos nossa passada como resposta a mudanças em fricção, textura da superfície, dureza e temperatura. Pedestres cegos fazem uso de informações hápticas vindas de uma bengala ao andarem mundo afora. Os lábios são instrumentos maravilhosos para se adquirir informação sobre a forma, substância, e talvez intenção e são uma grande fonte de informação sobre forma.

Critchley (1971, p. 118) mostra uma fotografia de uma criança cega lendo Braille com o nariz. Esta é uma indicação a mais da utilidade de outras superfícies da pele para a percepção de padrões. Nós nos apoiamos muito fortemente no input tátil sobre grande parte de nossa pele ao estarmos envolvidos em muitas atividades perceptuais. Este apoio no sentido do tato muitas vezes passa despercebido, mas em vez de diminuirmos sua importância, deve estimular a consideração quanto a quão limitados têm sido nossos estudos sobre o tato.

Podemos nos conscientizar de nossa dependência do sentido do tato quando algo o faz funcionar mal, e somente então é que nós reconhecemos a sua importância. Nem a pessoa com hanseníase , nem o acometido pelo diabetes duvidam da importância do input tátil. O tato serve para nos advertir sobre o perigo iminente ou imediato, por exemplo, através da sensibilidade à dor. Além disso, nossa capacidade de manuseio e de exploração do mundo, como fazemos, exige input tátil. Isto fica óbvio quando nós observamos o processo de reaprendizagem quando os astronautas pela primeira vez andaram sobre a superfície da Lua. Até mesmo para sentar utilizamos informação tátil, apenas para nos dizer a mudar de posição. O fato de nos apoiarmos no tato muitas vezes passa despercebido por causa da atenção à percepção visual, e porque nós tendemos a pensar sobre o papel performatório da mão, em vez de sua função sensorial (Gibson, 1962, 1966). Nós usamos nossas mãos para obtermos informações táteis como também para manipularmos objetos. Contudo, muitas de nossas informações táteis vêm de partes do corpo que não as mãos (ver Stevens, 1990). A tendência de indentificar o tato principalmente com as mãos, e a íntima ligação entre performance e percepção, pode ter contribuído para esse viés.

A falta histórica de interesse em formal e seriamente estudar o tato deve ser mencionada. Tradicionalmente, os psicólogos têm tido a tendência de enfatizar o estudo da percepção de padrões visuais ao tentar resolver questões epistemológicas. Muitas das pesquisas sobre a visão têm focalizado na tentativa de entender o reconhecimento de padrões através da percepção de formas. Por exemplo, mais de mil experimentos foram realizados sobre ilusões de ótica, tais como as conhecidas setas de Muller-Lyer. O sentido do tato não parece operar tão eficientemente quanto a visão na detecção de formas de contorno. O tato é, de longe, mais lento, tipicamente scaneia seqüencialmente, e tem um “campo de visão” muito mais restrito. Isto tem levado muitos pesquisadores a achar que o tato é menos importante do que a visão – um modo mais primitivo de perceber que a visão. Nós devemos também notar que a postulada predominância da visão e audição é apenas recente, e que historicamente, o tato tem sido considerado como predominante. Além do mais, muitos diriam que o tato ainda é predominante, pelo menos em termos como uma prova de existência para objetos, isto é, nós testamos a realidade de uma miragem ou imagem onírica tentando tocá-la.

Este livro tem muito a oferecer a pesquisadores da visão e estudantes de psicologia em geral. Ele sustenta que a investigação do tato é importante e valiosa. Poucos de nós estamos querendo meramente olhar para o nosso mundo. Nossas vidas seriam curtas, de fato, se nós só pudéssemos olhar e não tocar; muitas espécies iriam certamente desaparecer. E mais, muitos dos eventos mais importantes de nossa vida envolvem o sentido do tato. O tato possui um poderoso componente afetivo como também cognitivo. Nós sentimos dor ou prazer, e estes parecem essenciais à existência. Não se pode pensar num indivíduo sem o sentido do tato. Imagine toda a superfície de nossa pele sempre sob o efeito de anestesia! Rollman fornece uma detalhada discussão sobre a dor em seu capítulo neste volume.

Além do mais, os componentes cognitivos/afetivos da experiência tátil parecem diferentes da experiência visual. Nós podemos prontamente sentir que algo é quente ou frio, suave ou duro, áspero ou macio, além de seus atributos espaciais. Nós podemos sentir a sensualidade de um pedaço muito macio de nogueira, e a fria e impessoal dureza do metal. Uma estilha incita intensas reações emocionais às quais faríamos bem em atender.

Enquanto nós dependemos de nosso sentido do tato, algumas pessoas se apóiam muito mais intensamente no input tátil. Pessoas cegas usam informação tátil para ler e escrever Braille, para examinarem mapas, e para muito de sua cognição espacial. Pessoas surdas e cegas são ainda mais dependentes de informações táteis, já que lhes falta o contato acústico com o mundo.

O indivíduo com deficiência múltipla e lesões na coluna pode estar quase completamente limitado ao input tátil. Em seu provocativo livro de ficção “Johnny Got His Gun”, Dalton Trumbo (!970) descreveu a difícil situação de um veterano que perdeu quase todo o input sensorial devido a um trauma físico; Johnny não podia ouvir, nem ver, nem falar, mas aprendeu a se comunicar com uma enfermeira batendo o código Morse com o pouco que restou de sua cabeça. A enfermeira podia falar com ele imprimindo mensagens na pele de seu peito com o dedo dela (pp. 197-199). O indivíduo surdo e cego pode fazer uso de impressão na palma da mão (POP) para se comunicar com pessoas que não são familiarizadas com a sinalização manual, a saber, pessoas com ou sem o sentido da visão (Heller, 1986). Três capítulos neste volume tratam da percepção e desenhos em adultos (Heller, Kennedy et. Al.) E crianças (Millar).

O QUE E POR QUE OS PESQUISADORES SOBRE A VISÃO DEVERIAM SABER SOBRE O TATO

Se todos os sentidos trabalhassem exatamente como o sistema visual, poderia não ser tão importante estudar os sentidos não-visuais. Nós poderíamos aprender tudo sobre percepção apenas estudando a visão. O problema não é, de perto, tão simples, contudo. Muitos aspectos de objetos e espaço podem ser conhecidos igualmente bem através da visão ou tato, mas alguns não podem (ver Warren & Rossano, neste volume). Texturas muito delicadas ou variações de superfícies, por exemplo, são percebidas com precisão pelo tato, mesmo quando a visão falha (Heller, 1989 a.). Além do mais, nós podemos muitas vezes sentir uma estilha (para o nosso desconforto!) quando o mesmo objeto não é visível sem ampliação óptica. O tato pode ser especialmente adequado para a percepção de características do objeto tais como dureza ou suavidade (ver Lederman & Klatzky, 1987). Ou substâncias de substâncias (e.g. pedrinha na comida ou óleo de motor). Alguns aspectos da condutividade termal só podem ser revelados através do tato. O capítulo de Stevens fornece uma discussão sobre a sensação termal. Claro, nós podemos também obter informações sobre a dureza de superfícies vendo e ouvindo eventos que os envolvem. Além do que tato e visão podem nem sempre operar da mesma maneira (ver Day, 1990; Over, 1968). Alguns pesquisadores têm enfatizado limitações do tato, principalmente por causa da natureza seqüencial do processamento (Revesz, 1950; ver Balakrishnan, Klatzky, Loomis, & Lederman, 1989). Mais recentemente, contudo, os pesquisadores têm demonstrado os efeitos da superioridade da palavra na leitura do Braille (Krueger, 1982 b). O efeito se refere à mais rápida e mais precisa detecção de uma letra numa palavra do que numa não-palavra. Como veremos, este é um assunto teórico em curso, que é considerado no capítulo sobre a leitura de Braille por Foulke.

Enquanto a visão e o tato podem produzir alguns percepts equivalentes, é no campo da experiência sensorial onde as diferenças aparecem mais obviamente. Não há dúvida de que as reações afetivas surgem pela visão. Muitos de nós temos experimentado a grande emoção trazida à tona por um pôr-do-sol, uma cachoeira, ou outro panorama natural de grande beleza. Nós todos conhecemos o impacto emocional da visão de uma pessoa muito atraente.

As conseqüências afetivas do tato diferem dramaticamente da visão, mas são dignas de investigação por si mesmas. Isto tem incitado o estudo de sensações táteis e sensibilidade. Cholewiak e Collins trata sobre a sensitividade tátil e a fisiologia em seu capítulo. Rollman fornece um relato interessante sobre a sensibilidade à dor, em termos tanto de teoria quanto de aplicação.

Finalmente, deve ser apontado que pesquisadores interessados no tato têm estudado muitas das mesmas questões teóricas que têm direcionado a pesquisa em visão e outras áreas.

A pesquisa sobre o tato pode fornecer evidências convergentes em alguns problemas teóricos muito intrincados. A pesquisa sobre o tato possui algumas vantagens singulares para o estudo de questões teóricas básicas. O tato é bem adequado para a investigação do papel do movimento revelatório na percepção, isto é, de que mudanças na informação do estímulo são reveladas pela manipulação ativa. É fácil imobilizar ou controlar o movimento da mão, mas tal controle é, na melhor das hipóteses, árduo para a visão, a menos que você limite o campo de visão como através de uma fenda. Contudo, nós devemos notar que a maior inércia mecânica da mão (versus o olho) pode fazer a mão mais fácil de controlar e estudar, mas ela também faz a mão muito mais “desajeitada” para o observador.

Além disso, a pesquisa tátil nos permite estudar as relações entre visão e um outro sentido. Berkley (1709/1974, p. 302) afirmou que “as idéias de espaço, exterioridade e coisas colocadas a uma distância não são, estritamente falando, objeto da visão… eu nem mesmo vejo a própria distância, nem nada que eu admito estar distante.” Ele sugeriu que nós aprendemos a associar experiências visuais e auditivas com idéias tangíveis. Este tipo de discussão tem levado alguns indivíduos a acreditarem que o tato educa a visão e a audição (e.g. Diderot). Trabalhadores em comportamento motor têm estado interessados na influência da orientação visual na performance de destreza durante algum tempo. A orientação visual pode auxiliar o tato através da provisão de informação redundante, e por movimento de sintonia fina, a fim de otimizar a assimilação da informação. A orientação visual da mão pode ajudar a pessoa a enfrentar a alteração de padrões ao tentar identificar o Braille (Heller, 1989c).

QUESTÕES TEÓRICAS

Muito da pesquisa do tato tem sido direcionado para a solução de questões teóricas fundamentais.

Equivalência Sensorial

Os sentidos da visão e do tato podem nos dar as mesmas informações sobre objetos e eventos? Uma versão da tradição empiricista sustenta que os sentidos são originalmente separados e têm que aprender a tratar a informação como equivalente. Nós podemos concluir isso quando nós aprendemos a, digamos, anexar a mesma resposta ou rótulo a alguma coisa que tocamos e sentimos (ver Revesz, 1950). Pesquisas recentes sobre memória, especialmente aquela adotando uma abordagem de processamento de informação, têm tendido a enfatizar as diferenças de modalidade.

Os psicólogos gestálticos tenderam a enfatizar a noção de que nós obtemos estruturas equivalentes de modalidades de visão e tato (ver Marks, 1978). A visão ecológica de Gibson (1966) tem favorecido percepts amodais, isto é, a noção de que a percepção transcende a experiência sensorial de modalidade específica. Atenção a sensações atípicas, e fenômenos subjetivos como a dor ou frio, levam-nos a notar as diferenças entre as modalidades. Assim, nós vemos a cor, mas sentimos a dor. Quando nós identificamos objetos, contudo, pode importar pouco que sentido obtém a “informação” relevante. O capítulo de Warren e Rossano preocupa-se com relações intermodais, especialmente a relação entre a visão e o tato.

Representação: Imagem Visual, Cognição no Cego, e Imagem Tátil

Há pouca dúvida de que a aprendizagem desempenha um papel fundamental no desenvolvimento de habilidades táteis. Basta observar uma pessoa que é habilidosa no uso desse sentido, usando Braille, ou uma bengala para se compreender o tremendo papel que a aprendizagem deve desempenhar.

Papel do Movimento Receptor: Tato Ativo versus Tato Passivo

Pesquisadores do tato têm, por muito tempo, ficado fascinados pelo papel do movimento na percepção (Katz, 1989; Revesz, 1950). Gibson (1962, 1966) tem sido mais amplamente citado para esta discussão entre o tato ativo e passivo. De acordo com Gibson, o tato é passivo quando o observador não se move e a informação é imposta sobre a pele. O tato ativo consiste de um movimento auto-produzido que permite ao perceptor obter informação objetiva sobre o mundo. Gibson argumentou que o tato passivo é atípico de experiências “normais”. Nós, na maioria das vezes obtemos informações sobre o mundo através de movimento intencional.

O movimento ativo permite que se atinja percepts “amodais” que não estão ligados a uma modalidade específica, e permite a interpretação de que muito do que se aprende na percepção tátil são estratégias ou exploratórias ou manipulatórias que revelam informações mais úteis.

Várias pessoas podem usar o Optacon, um aparelho que traduz o input visual (letras e números) para um mostrador vibratório. Essas pessoas movem ativamente a câmera do Optacon com a mão direita, mas o dedo indicador fica passivo no display vibrotátil.

Muitos pesquisadores têm enfatizado a natureza ativa do tato. A partir desse ponto de vista, a percepção é uma realização que pode depender de performance treinada. Esta tradição é consistente com uma tendência recente em direção a uma ênfase da natureza ativa da cognição; embora o local de atividade seja principalmente na cabeça, em vez de na mão, onde ela tende a ser metaforicamente colocada por pesquisadores na tradição gibsoniana.

Percepção Total versus Percepção Parcial Processamento Serial versus Processamento Paralelo

Nós processamos input tátil em forma serial ou paralela? Por exemplo, a pessoa pode pensar se o leitor do Braille assimila um carácter por vez, ou percebe a palavra como uma unidade perceptual básica?

Dominância Sensória

Nós temos um conflito intersensório apenas se nós acreditamos que sentimos um objeto unitário, mas os sentidos não nos dizem a mesma história sobre este objeto único. Isto pode acontecer se nós observarmos um remo na água, para tomar o clássico exemplo de John Locke. A aparência do remo é distorcida pela juntura do ar e da água. O remo parece torto, mas a sensação é de que ele é reto. Em que sentido nós acreditamos? (ver Welch & Warren, 1980)?

Um sentido com maiores poderes de alerta, a saber a audição, pode ser dominado pela visão durante o efeito do ventriloquismo; a audição pode ser ignorada quando “boa” informação visual está disponível (Schiff & Oldak, 1990).

Uma pessoa pode interpretar os experimentos de dominância com indicando que não é um sentido que é dominado, em vez disso, um atributo, por exemplo, direção. Assim, quando nós caímos vítimas do “efeito do ventriloquismo”, nós erramos em nossa crença de que o boneco disse alguma coisa. Este é um erro na fonte de fala, não no que foi dito.

Efeitos de Lateralidade e Especialização Hemisférica

Pesquisadores do tato, como da visão, têm estado preocupados com a especialização hemisférica. A pessoa pode pensar que a mão esquerda seria melhor para a percepção espacial, se o lado direito do cérebro fosse especializado para esta habilidade. Tem havido demonstrações de vantagens da mão esquerda para a leitura de print-on-palm (Heller, 1986).

Muitos pesquisadores acreditam que o hemisfério direito é especializado para o processamento do Braille e de outras informações táteis.

A literatura sobre a leitura do Braille sugere que a lateralização pode mudar com a experiência intelectual e cognitiva (Harris, 1980; Karavatos, Kaprinis, & Tzavaras, 1984).

BREVE HISTÓRIA

Os médicos têm estado interessados na percepção da dor, e desordens do funcionamento tátil.

Diderot também fornece uma ilustração do conflito intersensório de como lentes de aumento podem levar os sentidos da visão e do tato a um conflito, de modo que as impressões visuais de um objeto são diferentes.

Diderot descreveu a importância das exigências de memória no sentido do tato, e acreditava que uma impressão de formas depende da retenção de sensações componentes.

Fenômeno Sensorial e Psicofísica

Weber (1934/1978) deve ser considerado o pai do estudo sistemático da sensitividade da pele. Ele dedicou tempo considerável à investigação da resolução espacial da superfície da pele. Além disso, Weber forneceu um relato abrangente sobre a variação em sensibilidade a propriedades termais, peso, e outras propriedades táteis.

No transcurso de suas investigações empíricas da sensação cutânea, Weber formulou o que mais tarde se tornou sua famosa “lei” . A lei de Weber: a capacidade da pessoa de discriminar diferenças entre um estímulo padrão e de comparação é uma função constante da magnitude do padrão. Assim, a pessoa precisa de uma diferença muito maior entre os pesos para discriminá-los com sucesso quando o padrão pesa 100 gramas do que quando o padrão pesa 20 gramas. A proporção, claro, permanece constante ao longo de uma amplitude moderada de estímulo. Fechner mais tarde traduziu esses princípios numa fórmula matemática. Nós devemos lembrar que este importante avanço em psicologia dependeu em grande parte da investigação dos sentidos do tato e cinestesia.

Baseado em evidência empírica, Weber sugeriu que a mão esquerda é mais sensitiva ao peso e propriedades termais dos objetos (ver Harris, 1980; Heller et al., 1990).

Teorias da Sensação

Os pesquisadores têm muitas vezes tentado associar os receptores na pele com qualidades sensórias específicas.

Nós sabemos que o corpúsculo paciniano responde à vibração. Outras estruturas estão relacionadas à sensação termal.

Henry Head distinguiu entre a sensibilidade epicrítica e protopática. Ele achava que os dois tipos de sensibilidade eram servidos por mecanismos diferentes de transmissão neural. A sensibilidade epicrítica envolve o tato leve, discriminação fina de temperatura, e localização espacial (Sinclair, 1967). A sensação protopática envolve diferentes fibras nervosas e serve à dor e extremos de temperatura. A teoria pode representar uma supersimplificação, e a evidência fisiológica não apóia claramente todos os aspectos da teoria (Sinclair, 1967).

Raízes Clínicas

Vários autores têm estudado o tato num setting clínico. O tato pode ser suscetível a dramáticas distorções perceptuais devido a traumas na cabeça ou danos neurológicos. O fenômeno do membro fantasma, no qual uma pessoa sente dor numa parte do corpo não existente, é um dos mais admiráveis exemplos de experiência tátil ilusória.

História Moderna: Katz, Revesz, e Gibson

Katz, Revesz, e Gibson têm tido um forte impacto na pesquisa sobre o tato. Muitos pesquisadores têm sido influenciados pelos seus textos. Um curso comum ao longo do trabalho deles é a ênfase na importância do movimento da mão para a percepção.

Katz (1989) enfatizou o papel essencial do movimento para a percepção tátil. O movimento das mãos ou do estímulo pareciam essenciais para a percepção de texturas. Katz notou que o sentido do tato era superior à visão para julgamentos de atributos tais como a espessura do papel ou a presença de vibração. O tato pode certamente superar a visão em julgamentos de textura (Heller, 1989 a).

A háptica opera através do princípio estereoplástico, uma tendência de apreender um objetoi de todos os lados. Isso pode apresentar um problema quando nos defrontamos com 2-D. Um scanning quase simultâneo pode ser mais provável com objetos menores que cabem na mão, ou nas duas mãos juntas, ou talvez nos braços.

PARTE I

Fenômeno Sensório

Nesta seção, os autores começam a análise da psicologia do tato considerando-a de maneira clássica, isto é, com um sentido proximal passando uma variedade de sensações (e. g., pressão, dor, calor) para o SNC (sistema nervoso central) quando receptores, ou conjuntos de receptores são ativados por energias de estímulos. Tal visão do tato conceitualiza as questões em torno de nosso conhecimento do mundo através do tato, principalmente como um conjunto de problemas preocupados em como um sistema neural de transdução armazena e converte energias e eventos que ocorrem nas interfaces do ambiente-organismo em códigos neurais para serem analisados pelo cérebro. Enquanto esta não é a única forma possível de conceitualizar a base fundamental para a percepção tátil/háptica (e.g. ver Gibson, 1966) é a adotada pela maioria dos psicólogos, e virtualmente todos os fisiologistas sensoriais.

Pesquisadores sobre a dor são confrontados com paradoxos difíceis, mas importantes. A dor é um fenômeno “subjetivo”, mas nós muitas vezes tentamos medi-la “objetivamente”. Rollman tem se debatido com várias questões teóricas e aplicadas relativas à percepção da dor.”

Gostou de saber deste assunto? Quer saber mais? Então, compre o livro “The Psychology of Touch” aqui

Published by

Revista Brasileira de Tradução Visual: chamada para Publicação de Artigos para o 11 volume da RBTV

Nestes dias, você perceberá mudanças nas diferentes seções, entre elas, na seção de Política de Submissão, na Política de Seção, nas Diretrizes para Autores, entre outras melhorias, como, por exemplo, a criação de uma nova seção para publicações. Trata-se da seção Cartas ao Editor, onde se publica o diálogo científico em que se promovem comentários, críticas ou discussões a respeito dos temas abordados nos artigos publicados na própria Revista, ou que, tendo relação com o conteúdo desta, venham versar sobre outros temas de interesse geral. Nessa seção é possível uma réplica dos autores do artigo em comento, a qual será publicada junto à carta, ou em número subsequente da revista.

O leitor da RBTV poderá encontrar, a partir de agora, ao pé da página principal, um link para participar de um grupo de discussão sobre o estudo da áudio-descrição, assunto que a RBTV tem tratado com profundidade e frequência, tornando-se referência na publicação científica/acadêmica nessa área, no Brasil.

Esse grupo de estudos, o Áudio-Descrição em Estudo, criado e acompanhado pelo atual editor-chefe da Revista Brasileira de Tradução Visual, Professor Francisco Lima, vem como mais um passo na busca de difundir a áudio-descrição como um direito de acessibilidade comunicacional devida às pessoas com deficiência e tendo como base que a áudio-descrição é recurso assistivo que deve ser provido com ética, qualidade e profissionalidade aos usuários que dela podem se beneficiar.

Com o apoio a esse grupo de estudos, a RBTV está estimulando mais uma via para estudo dessa técnica de tradução visual intersemiótica. Nas palavras do Professor Francisco Lima:

“Agora, com uma lista no Googlegroups, vamos ter um espaço em que estudamos, partilhamos ideias, opiniões e conhecimento a respeito da áudio-descrição; um espaço em que buscamos conhecer sobre quem são os usuários da a-d, os direitos a eles pertinentes e muito mais.

“Neste espaço refletimos sobre as questões adjacentes à prestação do serviço de áudio-descrição, discutimos a produção de roteiros áudio-descritivos, a locução e a recepção da áudio-descrição, bem como os valores éticos e o empoderamento, no gênero tradutório chamado de tradução visual, em que se insere a áudio-descrição.

“Este espaço é para você que quer estudar sobre áudio-descrição e que quer construir uma sociedade mais inclusiva e menos excludente.

Assim, se você é áudio-descritor, deseja tornar-se um, ou é usuário da áudio-descrição, venha participar de nosso grupo. Se você é produtor/fornecedor do serviço de áudio-descrição, venha participar conosco da construção do conhecimento que a nós todos interessa. Se você é professor, produtor cultural, profissional da comunicação, das artes, ou apenas um cidadão desejoso de ver a inclusão cultural, educacional, laboral e de lazer das pessoas com deficiência tornar-se realidade, também por intermédio da áudio-descrição, pode unir-se a nós que será bem-vindo.

“A áudio-descrição é assunto sério e precisa de pessoas sérias, éticas e profissionais como você, para que possamos quebrar barreiras atitudinais e pôr fim ao apartheid social e cultural que perpassam tantos ‘lugares’ em nossa sociedade.”

Com estas ações e outras, oportunamente divulgadas pela RBTV, estamos buscando cumprir um papel social de uma revista científica que é, ao nosso ver, mais amplo que a divulgação do conhecimento acadêmico, a saber, o de apoiar a sociedade na sua transformação para melhor, para uma sociedade mais inclusiva e menos excludente, em todas as áreas.

Venha participar também: Publique conosco, leia nossos artigos e participe de nosso grupo de estudos.

Comitê Editorial da RBTV

Observação: Para participar do grupo de discussão Áudio-Descrição em Estudo, você pode inscrever-se através da página da RBTV, preenchendo seu e-mail, na caixa apropriada, no rodapé do site, ou visitando a página do grupo Áudio-Descrição em Estudo, no Google Groups.

Published by

A Áudio-descrição feita por Pessoas Cegas

“Lisa Helen Hoffman, que é cega, é uma das poucas consultoras e formadoras em áudio-descrição com essa deficiência, nos Estados Unidos. Ela traz sua experiência de pessoa cega para o campo da áudio-descrição. Ela já prestou consultoria para mais de 40 produções no Teatro Geva em Rochester, Nova Iorque e para uma produção no Teatro Nacional Real (Royal National Theatre) em Londres, na Inglaterra. Ela formou-se em áudio-descrição no “Jerome Lawrence and Robert E. Lee Theatre Research Institute” na Universidade Estadual de Ohio e é pósgraduada pela Universidade de Buffalo.

Nascida com retino blastoma, cancer no olho, a Srta. Hoffman é cega desde os 2 anos.

Durante suas muitas idas à cidade de Nova Iorque, para tratamento médico, um momento de lazer propiciado por um espetáculo na Broadway despertou-lhe a paixão pelo teatro, quando ainda de tenra idade. Ela adorava ouvir a atuação, o canto e a música. Para que tivesse acesso aos elementos visuais do que assistia, sua família lhe sussurrava as descrições das produções.

Agora, é ela quem propicia acesso a espetáculos teatrais a outras pessoas com deficiëncia visual, a fim de que possam apreciá-los de forma independente.

Junto à comunidade de pessoas com deficiência de Rochester, no estado de Nova Iorque, a Srta. Hoffman vem atuando como secretária correspondente da Divisão local do “American Council of the Blind” e como Vice-Presidente da “Advocacy and Education for the Regional Center for Independent Living”. Em nível nacional, ela é membro titular da Audio-Description International (ADI) e participante do Primeiro Fórum sobre Carreiras Artísticas para Pessoas com Deficiência. Ela faz parte da Association for Theatre and Accessibility (ATA).”

Para saber mais, veja a página de Lisa Helen Hoffman, clicando aqui.

Comunique-se com a RBTV: rbtv@associadosdainclusao.com.br

Published by

A História da Áudio-descrição no Brasil, 1999

“…Após a realização do projeto, esta pesquisa foi iniciada com o objetivo de compreender se e como a participação em atividades culturais, entendida como um direito de cidadania, pode favorecer a inclusão social de pessoas com necessidades específicas. Ou mais exatamente, compreender como o projeto vídeo-narrado contribuiu para a inclusão dos participantes no ambiente familiar, escolar, profissional e social. Entendendo aqui a “inclusão como o processo de um movimento dinâmico e permanente que reconhece a diversidade humana e tem como fundamento a igualdade na participação e na construção do espaço social, compreendida como um direito.”

(Kauchakje, 1999:204)

“…Pôde-se perceber o fator inclusivo que a participação no projeto desencadeou na vida de todos os freqüentadores do vídeo-narrado, uma nova postura e uma busca de acesso à participação na vida social, reivindicando na escola fitas dubladas, freqüentando locadoras, despertando interesse por filmes transmitidos por canais de televisão, adquirindo aparelho de vídeo, discutindo sobre temas e cenas de películas em diferentes grupos sociais. Vejamos alguns depoimentos: “Achei o projeto inovador, nunca tinha visto nada semelhante antes, achei positivo pelo lado cultural que os filmes traziam e, além disso, a oportunidade de se estar em grupo discutindo sobre o filme.” “Conversei com a minha mãe sobre ‘A Primeira Vista’, que contava a história de um rapaz cego. Com meus sobrinhos comentei muito sobre o ‘Pixote’, porque são muito jovens e há o perigo das drogas, um deles acabou vendo o filme e ficou mais fácil a gente conversar” “Agora tenho mais vontade de ligar a televisão, antes era só rádio e faz falta assistir televisão, para conversar com os outros.”

Leia este artigo na íntegra em: “Vendo filmes com o coração: por O projeto vídeo-narrado Maria Cristina Loiola Martins“.

 

Published by

Serviços de Áudio-Descrição para Museus e Mostras

er na Revista Brasileira de Tradução Visual os artigos que tratam da temática da áudio-descrição.

Segundo a “Audio Description Solutions”, “A quantidade de áudio-descrição para museus e mostras depende do conteúdo daquilo que se está exibido. Também, o desenvolvimento da tecnologia digital para a oferta da áudio-descrição influencia a discussão a respeito da quantidade apropriada de áudio-descrição que deve ser oferecida.

Com o acesso, cada vez maior, a aparelhos que permitem repetir uma gravação, tantas vezes forem necessárias, o áudio-descritor deve descrever uma ampla amostra dos itens em exibição, de modo que as descrições estejam disponíveis, à medida que cada visitante faz suas escolhas pessoais em relação a que partes da amostra explorar e quais não.

Por exemplo, o total de áudio-descrição para uma dada mostra de objetos e imagens triviais deve ter a duração de, ao menos, duas vezes a quantidade de tempo que um visitante vidente típico passaria explorando o trabalho. Por outro lado, a áudio-descrição de uma casa de época (de significante importância histórica), ou de uma mostra que contenha artefatos de uma época, ou cultura que não sejam familiares à maioria dos visitantes iria provavelmente durar um total de pelo menos três ou quatro vezes a quantidade de tempo que um vidente típico gastaria visitando a exibição.

Se você quiser receber informações mais detalhadas sobre o processo de preparação da áudio-descrição para museus e mostras, pode enviar uma solicitação por e-mail para: info@audiodescriptionsolutions.com

Published by

A Escrita Emancipadora

“…Valentin Haüy era exatamente a pessoa certa no tempo certo para ter esta inspiração. Nascido em 1745 na pequena vila de Saint-Just-en-Chausèe.

Valentin, com 6 anos, de idade mudou-se para Paris com sua família, que eram tecelões. Ele e seu talentoso irmão, Renè-Just, que se tornou um famoso cientista e fundou o campo da cristalografia, prosperou no meio de tremendas oportunidades educacionais na cidade.

Valentin tornou-se um habilidoso lingüista que falava dez línguas vivas além dos antigos Grego e Hebreu. Porquanto não era rico (ele ganhava sua vida traduzindo e autenticando documentos), ele era bem integrado, em parte, devido a eminência de seu irmão na nova Academia Real de Ciências

Uma vez que Haüy interessou-se pela educação para cego, tornou-se uma autoridade no assunto, visitando pessoas cegas de famílias ricas para saber que métodos eles usavam para lidar com várias dificuldades. Suas próprias energia e habilidade naturais para relações públicas estavam extraordinariamente provadas, isso seria sua sorte.

Na Primavera de 1784, num outro passeio em Paris, ele encontrou o estudante perfeito.

Quando Haüy partiu da igreja de Saint Germain des Pres depois dos serviços, ele pôs uma moeda na mão de um menino cego que mendigava perto da entrada da igreja. Quando o menino instantaneamente pronunciou a denominação corretamente, Haüy teve um discernimento surpreendente: O cego podia aprender muito, talvez até ler, usando o sentido do tato.

O mendigo, 12 anos de idade François Lesueur, tornou-se o primeiro aluno de Haüy.

François era cego desde a infância e tinha passado a maior parte da sua curta vida mendigando nas ruas de Paris para ajudar seus irmãos.

Haüy compensava François pelas perdas do ganho com a esmola, enquanto ele o ensinava a ler usando letras de madeira que ele movia ao redor para formar palavras.

François foi um estudo muito rápido; dentro de seis meses ele aprendeu a decifrar até as fracas impressões do outro lado das páginas escritas.

Haüy o trouxe para a Academia Real, onde suas habilidades surpreenderam os mais altos estudiosos e cientistas da França.

A casa em Rue Saint-Victor

Haüy fez a maior parte desse triunfo, solicitando ajuda às celebridades atuais, tal como Maria Theresia von Paradis, uma jovem cega com uma reputação internacional como um pianista prodígio.

Vivendo a sua própria vida da Lingüística, Haüy era bem informado para saber do interesse de Louis XVI em velhos manuscritos e códigos secretos e solicitou a ajuda financeira do rei, com sucesso.

A princípio, ele administrou a escola em sua casa, mas como o projeto cresceu, conseguiu atrair ajuda real suficiente para alugar um prédio.

Com vinte e quatro alunos, Haüy abriu a primeira escola do mundo para o cego, a Instituição Real para crianças cegas, na 66 Rue Saint-Victor.

O primeiro edifício da escola já tinha na época cerca de 500 anos de idade e tinha suportado o mau uso como entre outras coisas, um orfanato fundado por São Vicente de Paula, o santo padroeiro das sociedades caridosas, e uma casa de má reputação.

O interior era úmido, apertado, e de pobres remendos, com estreita escadaria, salas pequenas e paredes pegajosas.

Apesar das horrendas condições, a escola, que só aceitava estudantes nobres de nascimento ou de grande inteligência, foi um sucesso imediato. Durante dois anos, a Academia de Música promoveu concertos beneficentes para a escola enquanto Haüy mantinha os fundos reais fluindo, levando as crianças para Versailles para entreter o rei no Natal com demonstrações de leituras, aritmética e usando mapas táteis.

Uma vez que a escola tinha quase estabelecido uma imprensa ministrada pelos estudantes para produzir livros em alto-relevo, Haüy fez uma série de capas especiais “amostras”.

Para os nobres da Corte, o texto era o reconhecimento do próprio livro de Haüy um ENSAIO EM EDUCAÇÃO DE CEGO…

Uma dessas apresentações na Corte era freqüentada por Marquis d’orvilliers, um nobre de uma pequena vila a leste de Paris – Coupvray.

O “bebê” Braille do interior

Alguns anos mais tarde em Coupvray, nascia Louis Braille, a quarta criança de um fabricante de selas.

Em 1812, com 3 anos de idade, Louis feriu seu olho num acidente enquanto brincava com as ferramentas do seu pai.

Uma lenda local diz que a distração que fez o pai de Louis deixar a sua banca de trabalho sozinha, com suas atrações perigosas para uma criança curiosa que está começando a andar, foi a notícia do exército de Napoleão rumo ao que se tornaria uma eventual catástrofe na Rússia. Apesar (ou talvez por causa) da ajuda religiosa da curadora local, uma velha que primeiro tratou o olho danificado de Louis com água de lírio, seguido por um daqueles doutores de olho da cidade vizinha, a infecção se estabeleceu. Seguiram-se outros tratamentos ineficazes, inclusive uma dose de colamelanos, um laxativo.

No ano seguinte a infecção passou para o outro olho e Louis Braille perdeu toda sua visão.

Para aumentar os problemas da família Braille, a guerra constante de Napoleão com o resto da Europa levou a sua cidade a ser invadida por exércitos – não somente os militares Franceses, mas também seus inimigos, os Prussianos e os Russos.

Por dois anos, de 1814 a 1816, sessenta e quatro soldados diferentes ficaram na modesta casa de três quartos dos Braille.

Suas exigências intermináveis por comida, animais e alojamento causaram severa dificuldade na cidade.

Por volta de 1816 as privações da guerra desgastaram a saúde dos cidadãos e uma epidemia de varíola aconteceu inesperadamente. As pessoas, inclusive o pai de Louis Braille, não confiavam na vacina promovida pelo governo e muitos na cidade adoeceram.

Felizmente, mais ou menos ao mesmo tempo, outras novas pessoas também vieram a Coupvray – um padre, Abbé Jaques Palluy, e um professor, Antoine Bécheret.

Eles conheceram bem Louis e surgiram com a então revolucionária idéia de deixá-lo freqüentar a escola regular. Ambos os pais de Louis sabiam ler e escrever, e seus irmãos mais velhos tinham todos freqüentado a mesma escola quando crianças.

Louis foi muito tempo cativado pelas histórias de sua irmã Catherine lembradas dos seus dias de escola.

Louis ia tão bem na escola que quando o governo decretou os novos métodos da escola local que o teria impedido de continuar sua educação, Bécheret e Palluy abordaram o nobre do local para ajudar a garantir a admissão de Louis a escola para o cego de Valentin Haüy em Paris.

O nobre era Marquis d’orvilliers,

Um sobrevivente da recente epidemia de varíola, que tendo visto os estudantes de Valentin Haüy se apresentarem em Versailles, concordou em escrever ao atual diretor da escola, Sebastian Guillié, e garantir a admissão de Louis com uma bolsa de estudos. Em Fevereiro de 1819, com 10 anos de idade, Louis e seu pai fizeram uma viagem de quatro horas na diligência para Paris.

Louis tornou-se o estudante mais jovem da escola para o cego.

A escola ensinava muitas coisas práticas – tecelagem, crochê, riação, fabricação de calçado, cesto e corda – bem como assuntos acadêmicos.

Já que os estudantes não tinham oportunidade de aprendizagem antes, eles eram essencialmente empregados sem remuneração. Trabalho árduo, supervisionados de perto. Eles usavam uniformes e viviam como espartanos, suas vidas eram reguladas, com um banho por mês, temperatura inadequada e comida ruim, geralmente feijão e papa de aveia. A água potável da escola não era filtrada e vinha direto do rio Sena. Um jantar com pão seco (servido num quarto solitário) era o castigo padrão.

Apesar das dificuldades, Louis se adaptou rápido à escola e fez o primeiro dos muitos amigos lá que ele manteria por toda sua vida, o colega estudante Gabriel Gauthier, um ano mais velho do que ele. Ele precisava de aliados porque os estudantes mais velhos sempre o incomodavam por causa do seu sotaque do interior e o chamavam “bebê Braille” devido à sua idade.

OS PRIMEIROS LIVROS PARA LEITORES CEGOS

O diretor Guillié, que administrava a escola no tempo da admissão de Louis, era um oftalmologista por vocação que fundou a primeira clínica de olho em Paris e sobreviveu a diversas mudanças do governo durante a Revolução Francesa e a atual era Napoleônica.

Nos vinte anos que compreenderam a Revolução Francesa e as Guerras Napoleônicas, morreram quase um milhão de Franceses, a metade deles abaixo de vinte e oito anos de idade.

Durante os piores tempos da Revolução, o próprio edifício da escola foi usado para encarcerar os padres que não cooperassem (inclusive o próprio irmão de Valentin Haüy) que se recusou a jurar lealdade ao novo governo, e 170 deles foram assassinados lá em 1792.

Os nobres que uma vez tinham ajudado a escola estavam mortos, presos ou saindo da França.

A escola foi absorvida pela clínica de olho de Guillié e por um tempo também foi combinada com a escola para o surdo.

Finalmente os estudantes cegos foram forçados a ficar no Quinze-Vingts, agora superlotado, caótico, e principalmente a casa como último recurso para os cegos mendigos anciãos.

O interesse de Guillié em restabelecer a escola para o cego não foi inteiramente humanitário porque quando ele obteve o edifício de volta e o reabriu. Ele requereu apenas os estudantes mais promissores do Quinze-Vingts.

Com poucos professores, Guillié confiou aos estudantes mais velhos a atuarem como tutores ou “repetidores” das lições verbalmente aos estudantes mais jovens.

Embora os “repetidores” não soubessem Guillié teve algum sucesso em restabelecer o apoio do governo para a escola e recebia um pequeno ordenado para os estudantes mais velhos, que ele mesmo embolsava.

Ele instituiu rígidos horários e disciplinas para fazer os estudantes mais produtivos, mesmo quando ocasionalmente a chuva penetrava através das pingueiras no teto do edifício, dentro das oficinas e salas de aulas.

As mercadorias que os estudantes produziam eram vendidas em toda parte de Paris e produzia a parte principal do rendimento. Por exemplo, entre outras habilidades, os estudantes teciam o tecido para os seus próprios uniformes, que dependendo da conta, eram azuis ou pretos.

Guillié conseguiu um contrato para a escola tecer lençóis para o enorme sistema de hospitais públicos de Paris. Isso foi mais um incidente de interesse subsidiário, pois o maior desses hospitais, La Salpêtrière, tinha capacidade para mais de 10.000 internos.

Os poucos patrocinadores ricos que permaneceram eram sempre levados em passeios turísticos à escola e à oficina; a leitura dos estudantes dos poucos livros impressos que havia era o ponto excitante do passeio.

O método original de imprimir livros de Haüy continuou imutável por três décadas. Usando papel encharcado para elevar a forma das letras, a forma tátil das letras permaneciam quando o papel secava. Então as folhas eram coladas de trás para frente, para formar uma folha frente e verso. Naturalmente, esses livros eram feitos vagarosamente e extremamente difíceis de serem lidos, uma vez que as letras grandes, ornadas, tinham que ser traçadas individualmente.

No tempo da admissão de Louis Braille, a escola, agora com cerca de trinta anos, tinha cem alunos e um total de quatorze livros impressos.

Em 1821, Dr. Guillié foi demitido depois de ter sido pego “numa relação íntima” com uma professora quando ela ficou grávida.

O novo diretor da escola, André Pignier, imediatamente resolveu melhorar as condições, primeiro instituindo dois passeios por semana, de modo que os estudantes pudessem respirar o ar fresco e fazer alguns exercícios fora das suas carteiras e da banca de trabalho.

Os estudantes começaram a passear pela cidade, todos agarrados numa longa corda que servia como guia, para freqüentar a missa no Domingo na igreja de São Nicolau du Chardonnet e ir na Quinta-Feira à tarde excursionar num parque botânico local.

Uma outra reforma de Pignier foi fazer uma celebração pública da história da escola em que o convidado de honra seria o fundador, Valentin Haüy. Haüy, agora um velho, não havia estado na escola há anos. Perdendo o controle da escola pelas conseqüências da revolução, ele foi forçado a fugir da França.

Antes da sua partida, ele resgatou um dos seus estudantes mais promissores, Remi Fournier, do caos do Quinze-Vingts. Juntos eles passaram cerca de uma década em exílio virtual trabalhando com estudantes cegos em outros países da Europa, inclusive a Rússia.

As escolas para o cego foram uma idéia que surgiu definitivamente com o tempo, com Liverpool (1791), Vienna (1804), Berlin e São Petersburg (1806), Amsterdam (1808), Dresden (1809), Zurique (1810), e Copenhague (1811), aparecendo em rápida sucessão usando muito as idéias e métodos de Haüy.

No seu retorno para a França, Haüy, exausto, destituído, e ele próprio quase cego, encontrou-se ainda banido da escola pelo antipático Dr. Guillié.

No dia da cerimônia para homenagear Haüy, Louis Braille, agora com 12 anos, em companhia com outros estudantes deram um programa musical de canções dos dias antigos da escola e uma demonstração de leitura usando os livros originais impressos por Haüy, agora com 76 anos de idade.

De dia os dois se encontraram frente a frente, um ano antes da morte de Haüy. Louis Braille se lembraria da ocasião pelo resto de sua vida. No ano seguinte, ele foi um de um pequeno grupo da escola a ir ao pobre funeral de Haüy. (Nota: As letras impressa em alto relevo de Valentin Haüy eram largamente espaçadas e usadas com fontes ornamentadas)

MUITO DIFÍCIL PARA A ARTILHARIA?

Um outro visitante, pouco tempo depois, teria igualmente grande influência no futuro de Louis Braille.

Charles Barbier de la Serre foi outro esperto sobrevivente da agitação política que imergia a França. Barbier nasceu em Valenciennes, em 1767, seu pai era o controlador das fazendas do rei. Assim, Charles conseguiu admissão na Academia Real Militar em 1782, provavelmente em Brienne, que se verdade, ele teria sido um colega de escola de Napoleão Bonaparte.

Barbier fugiu da Revolução passando algum tempo nos Estados Unidos como superintendente de terras no território indiano e retornou à França em 1808, onde se juntou ao exército de Napoleão e publicou uma tabela para escrita rápida ou “expediografia”, seguida um ano mais tarde de um livro descrevendo como escrever várias cópias de mensagens rapidamente.

O interesse de Barbier em escrita rápida e secreta foi fundamentado em experiências desagradáveis.

O exército Francês, sob o domínio de Napoleão, foi derrotado pela última vez em Waterloo, em 1815, mas antes disso, eles quase conquistaram a Europa e eram considerados até pelos seus inimigos os melhores artilheiros do mundo.

Nas suas próprias experiências de guerra, Barbier teria visto todas as tropas armadas em um posto a diante aniquiladas quando eles traíram suas posições, acendendo uma simples lanterna para ler uma mensagem. Um sistema tátil para enviar e receber mensagens seria útil não apenas à noite, mas em manter comunicações durante os combates com seus aterrorizantes grupos de artilharia. Fumaça densa, ofuscante e barulhos atroadores combinavam-se, criando uma confusão infernal.

Se a batalha deveria ir mal pelos cavalos que transportavam as armas enormes, a tripulação sobrevivente de artilharia se encontraria imobilizada num emaranhado de armas, arreios e animais mortos ou morrendo sem poder escapar das balas.

Barbier e os estudantes da Instituição para as Crianças Cegas provavelmente tiveram o primeiro encontro quando ambos estavam exibindo seus métodos de comunicação no Museu da Ciência e Indústria, atualmente localizado no Louvre. Barbier tinha um dispositivo que possibilitava ao escritor escrever mensagens no escuro.

Os estudantes estavam lendo com a angustiante vagarosidade de sempre os livros com letras impressas em alto relevo de Haüy.

Barbier decidiu levar seu próprio ponto-e-traço baseado em código de artilharia, chamado sonografia, para o Instituto Real Para as Crianças Cegas e entrou em contato com o Dr. Guillié, então ainda o diretor. Guillié, que seria demitido oito dias depois. Estava sem entusiasmo pela sonografia e suas possibilidades de uso pelos cegos. Despachou Barbier com pouco encorajamento.

Felizmente, Barbier era persistente. Ele retornou à escola após o escândalo sexual e interessou o Dr. Pignier, o novo diretor, sobre o seu sistema.

O Dr. Pignier organizou uma demonstração e passou algumas páginas impressas de pontos em alto relevo aos estudantes.

Louis Braille ficou estupefato quando tocou pela primeira vez nos pontos das amostras da sonografia. Ele sempre brincava com escrita tátil em casa nas férias de verão em Coupvray.

Os vizinhos recordaram mais tarde que quando era criança Louis tinha tentado o couro em várias formas e até organizado alfinetes de estofados em padrões, esperando descobrir um método de comunicação tátil praticável, todavia, sem sucesso. Quando tocou nos pontos, ele sabia que tinha encontrado o seu meio e rapidamente aprendeu a usar a régua de Barbier que se assemelha muito com a reglete de hoje. Ele, seu amigo Gabriel, e outros garotos na escola ensinaram o código uns aos outros escrevendo mensagens uns aos outros para cá e para lá.

Somente uma semana depois, Dr. Pignier escreveu a Barbier informando que a sonografia seria usado na escola como método de escrita suplementar.

Louis também foi rápido em perceber os problemas com o sistema de Barbier, que nunca foi realmente usado pelo exército por causa da sua complexidade. A sonografia usava uma cela de 12 pontos, que a ponta do dedo não podia cobrir e era trabalhoso escrever com um punção.

(Nota: Originalmente, o b tinha 4 pontos; o z tinha 9. A cela inteira tinha 12 pontos, era duas vezes mais alta que a cela Braille de hoje.)

Não havia sinais de pontuação, números ou sinais musicais e havia muita abreviação porque as celas representavam sons ao invés de letras.

Quando Louis se encontrou com o Capitão Barbier para falar sobre suas idéias para melhorar o código, o Capitão, agora, na sua meia idade, ciqüenta anos, à princípio ficou incrédulo e incomodado por ter as suas idéias questionadas por alguém tão jovem, sem experiência e cego. Em vez de discutir com o Capitão imperioso, Louis parou de pedir seus conselhos totalmente e em vez disso foi trabalhar experimentando o método sozinho.

Sobrava-lhe pouco tempo; naquele semestre ele ganhou prêmio em geografia, história, matemática, e piano, enquanto também trabalhava como encarregado da loja de chinelos da escola. Ainda tarde à noite, em casa em Coupvray durante o verão, Louis tentou várias modificações que permitiria os únicos símbolos das letras ajustarem-se debaixo da ponta do dedo.

Em Outubro de 1824, Louis agora com 15 anos de idade, revelou o seu novo alfabeto logo depois do início da escola. Ele descobriu sessenta e três maneiras de usar uma cela de seis pontos (embora alguns traços ainda fossem incluídos). Seu novo alfabeto foi recebido com entusiasmo pelos outros estudantes e pelo Dr. Pignier, que ordenou as regletes especiais que Louis projetou daquela original do Capitão barbier.

Gabriel Gauthier, ainda o melhor amigo de Louis, provavelmente foi a primeiríssima pessoa a ler o Braille.

A utilidade óbvia e a popularidade da invenção de Louis não fez a sua própria vida mais fácil. Os maus tempos na França em 1825 causaram o racionamento de alimentação na escola e a já escassa dieta foi reduzida a pão e sopa.

Os professores – todos videntes – ficaram indignados com o novo código, com suas exigências implícitas para que aprenderem algo tão estrangeiro. Preocupados com seus próprios empregos, eles reclamavam dizendo que o som da perfuração perturbava as aulas.

Finalmente, a escola conseguiu alguma estabilidade financeira com uma verba do governo vinda do Ministério do Interior, mas em 1826, o tesoureiro da escola fugiu depois de desviar uma quantidade igual a do orçamento anual.

O Dr. Pignier apelou para o governo repetidas vezes por muitos anos para o reconhecimento oficial do novo alfabeto bem como o conserto ou substituição do edifício deteriorado.

Seus pedidos foram negados, mas o diretor continuou seu apoio aos meninos no uso do novo código, movido por suas proficiências e entusiasmos. Ele prometeu a Louis que continuaria solicitando ao governo e enquanto isso ajudara para que Louis se tornasse o primeiro cego estudante de órgão da igreja de Sant’Ana.

A escola para o cego produziu muitos organistas; pelo tempo de Louis, cerca de cinqüenta graduados tocavam nas igrejas ao redor de Paris. Louis provou ser um músico excepcionalmente talentoso, foi ouvido (e elogiado) por Felix Mendelssohn, e poucos anos depois obteve o primeiro dos diversos empregos como organista de igreja.

OS PRIMEIROS LIVROS EM BRAILLE

O Dr. Pignier criou ainda uma outra oportunidade para Louis. Com 17 anos, ele designou Louis para ser o primeiro cego professor aprendiz da escola. Os outros professores ficaram zangados mas Pignier insistiu afirmando que “a consciência, a escolaridade e a paciência” de Louis o encaixava perfeitamente no trabalho.

Ele ensinou álgebra, gramática, música, e geografia.

Apesar do seu horário ocupado, ele continuou aperfeiçoando o código. Em 1828, ele descobriu um modo de copiar música no seu novo código (e eliminou os traços).

Em 1829, aos 20 anos de idade, ele publicou o método de escrever palavras, música e canções fáceis por meio de pontos, para o uso pelo cego e organizou para eles seu primeiro livro completo sobre o seu sistema.

Poucos anos depois, ele, Gabriel Gauthier e um outro amigo cego e um aluno antigo, Hippolyte Cotat, tornariam-se os primeiros cegos professores titulares da escola. Isso quer dizer que eles podiam sair da escola ocasionalmente sem pedir a permissão de alguém, ter os seus próprios quartos, e ostentavam fitas em seus uniformes escolares como marca de posição social.

Todos três professores usavam o novo alfabeto em todas as aulas.

No mesmo ano, Louis Braille foi convocado para o serviço militar e foi representado pelo seu pai.

O registro desse encontro sobreviveu e mostra que Louis foi isento do exército Francês porque era cego, por conseguinte, “não podia ler nem escrever,” uma nota irônica para alguém que grandemente tinha resolvido um dos maiores problemas da alfabetização antes de terminar a sua adolescência.

Passando a maior parte da sua vida no úmido, sujo e frio edifício escolar e vivendo numa dieta pobre provavelmente levaria Louis a desenvolver uma tuberculose na metade dos seus vinte anos. O diagnóstico não o surpreendeu. Há anos seus colegas estudantes adoeceram em tão grande número que um visitante reclamou dizendo que os estudantes mal podiam suportar muito tempo à míngua tossindo e respirando com dificuldade, e funerais de estudantes era uma ocorrência tristemente freqüente.

Pelo resto de sua vida, Louis teria períodos de saúde e energia entremeados e colapsos quase fatais.

Ainda assim, apesar de sua doença, o cargo pedagógico e muitos empregos tocando órgão, ele continuou trabalhando no refinamento do código.

Embora o Francês não use a letra “w”, Louis acrescentou-a mais tarde a pedido de um estudante Inglês, o filho cego do Senor George Hayter, pintor e retratista da família real Britânica.

Ele trabalhou árduo num código musical Braille também, provavelmente estimulado não só pelas suas habilidades musicais, mas também por aquelas dos seus amigos.

Gabriel Gauthier, que também adoeceu com tuberculose, era compositor tanto quanto organista, que eventualmente produziria seus próprios trabalhos entre os primeiros volumes da música Braille.

PRIMEIRA “IMPRESSÃO NO SISTEMA BRAILLE”

Louis era um professor muito popular, generoso tanto com tempo quanto com dinheiro, em ajudar seus alunos.

Ele dava muitos presentes pessoais e empréstimos do seu pequeno salário para ajudá-los a comprar roupas quentes e comida melhor.

Ele também economizou bastante para comprar um piano para si mesmo de maneira que ele pudesse praticar quando desejasse.

Porque os estudantes não tinham jeito de escrever para casa aos seus familiares sem ditar a carta para um professor vidente, Louis inventou a raphigraphy, que representa o alfabeto com letras grandes impressas composto de pontos Braille.

A raphigraphy era um sistema laborioso intensivo; para fazer uma letra impressa em alto relevo – só a letra “i” o braillista tinha que perfurar 16 pontos à mão.

Um cego inventor, François-Pierre Foucaut, foi um estudante da escola anterior no Quinze-vingts. Dias depois da Revolução, ele retornou em 1841 e quando viu o que Louis Braille estava fazendo, inventou uma máquina chamada “teclado de pistão”, para perfurar os pontos completos das letras pressionando um único botão. Ironicamente, a primeira máquina de escrever foi feita em 1808 na Itália para ajudar uma condessa cega, Carolina Fantoni da Fivizzono, produz escrita legível para pessoas videntes, mas as máquinas de escrever não foram produzidas em nenhuma escala até o ano de 1870. Enquanto isso, o teclado de pistão (embora caro) tornou-se um aparelho comum na Europa.

Em 1834, o Dr. Pignier conseguiu um espaço para Louis demonstrar seu código na exposição da indústria de Paris, freqüentada por visitantes de toda parte do mundo.

O rei Louis Filipe da França presidiu a abertura da exposição e até falou com Louis sobre sua invenção, porém, como outros observadores contemporâneos, parecia não entender que o que ele via era essencialmente mais do que um truque divertido.

Louis revisou o livro do seu alfabeto em 1837, o mesmo ano em que a escola publicou o primeiro livro em Braille no mundo, história da França em três volumes.

O método publicado consistia de blocos de celas cheias. Enquanto arrumavam as páginas, os estudantes tiravam os pontos desnecessários de cada bloco para fazer as letras corretas.

(nota: a letra I em raphigraphy – 4 pontos horizontais em cima e em baixo, e 8 verticais em 2 filas no meio).

A imprensa na escola era administrada por Remi Fournier, o estudante que Valentin Haüy trouxe com ele na sua saída da França, quase trinta anos antes.

O QUE É MELHOR? E QUEM DECIDE?

Parece óbvio hoje que essas inspirações práticas devem ter sido vistas pelos grandes avanços importantes que tiveram.

Deve ter sido emocionante para os estudantes poder escrever e ler pela primeira vez com velocidade e precisão igualando-se às pessoas videntes e até mesmo mais rápidos de que certas pessoas e deve ter sido emocionante observar.

A extensão total desse triunfo enganou completamente as autoridades da época, todavia, o livro de Louis não era o mais divulgado projeto publicado na escola no ano de 1837.

O diretor assistente, P. Armand Dufau, um antigo professor de geografia da escola, publicou Considerações sobre o Cego sobre seus Estados Físico, Moral e Intelectual, com uma descrição completa dos meios para melhorar seu destino, instruções e trabalho.

O livro de Dufau ganhou o prestigioso prêmio da Académie Française, que um ano antes tinha sido dado a Aléxis de Tocqueville pelo seu famoso livro sobre a América.

Dufau, um forte oponente do Braille que acreditava que o Braille tornava o cego “muito independente,” não fez menção da sua inovação subordinada em seu livro

O prêmio da Academie significou que Dufau encontrou sua própria fortuna na elevação social, e usou sua nova influência numa boa causa.

Durante anos, relatos das autoridades médicas governamentais induzidas a visitarem a escola pelas súplicas constantes do Dr. Pignier, notaram que os estudantes lá sempre tinham a “aparência doentil” mas nada era feito.

Finalmente, em 1838, o poeta e historiador Alphonse de Lamartine em um passeio turístico pela escola, ficou horrorizado com as terríveis condições. Ele fez um forte apelo à Câmara dos deputados da França por um novo prédio, declarando: “Nenhuma descrição lhes daria uma idéia verdadeira desse edifício, que é pequeno, sujo e sombrio; daquelas passagens divididas para formar boxes dignificados pelo nome de oficinas ou salas de aulas, daquelas tortuosas, carcomidas escadarias… Se toda essa assembléia se levantasse agora e fosse em massa a esse lugar, o voto por essa causa seria unânime.!”

O discurso foi efetivo e começaram a fazer planos para um novo edifício escolar no centro da cidade, num local mais saldável no Boulevard dês Invalides.

Entretanto, enquanto o edifício estava em construção, Dufau coagia o Dr. Pignier a deixar a sua função como diretor, usando sua influência (e alguma imaginação) para convencer os ministros oficiais que o Dr. Pignier estava ensinando história com uma inclinação imprópria para o governo. O Dr. Pignier era vulnerável; ele teve uma educação católica na sua juventude (sempre suspeito na França pós revolucionária), e ele criou problemas crônicos com as autoridades adotando o código Braille e melhorando as pobres condições do edifício.

A piora da saúde de Louis forçou-o a rejeitar um emprego num local montês que poderia até mesmo ter alongado a sua vida se ele tivesse tido o vigor de empreender a viagem – tutor de um príncipe cego da família real Austríaca. Finalmente, ele tirou uma longa licença para recuperar a força em Coupvray.

Exausto pelo encargo do trabalho e e a luta frustrante para ter sua invenção aceita, ele descansava em casa enquanto seus amigos na escola escrevia-lhes resolutamente cartas animadoras. Quando Louis retornou à escola em Outubro de 1843, ele descobriu que estava para suportar outra derrota. Dufal estava implacável no trabalho fazendo ainda mais mudanças, tirando do curriculum assuntos como história, latim e geometria, deixando tempo para mais trabalho relacionado ao treinamento.

Uma vez que ganhou o prêmeo prestigioso alguns anos anteriores e engendrando a remoção de Pignier, Dufal teve apoio oficial suficiente para obter um grande aumento no orçamento da escola.

Ele decidiu revolucionar o meio de leitura padrão da escola – não usando o código Braille e sim adotando um sistema britânico inventado por John Alston do Asilo para o Cego em Glasgow. Outro sistema de impressão tátil.

Alston diferia de Haüy porque usava formas de letras bem simplificadas.

Alston imprimiu uma bíblia inteira (em 19 volumes) usando esse novo sistema há poucos anos antes, e Dufal gostou muito.

UM LIVRO QUEIMADO E UMA REBELIÃO

Para dramatizar e reforçar o novo sistema, Dufal fez uma fogueira no pátio de trás da escola e queimou não somente os livros em alto relevo criados pelos processos originais de Haüy, como também todo o livro impresso ou transcrito à mão no novo código de Louis – a biblioteca inteira da escola e o produto de quase cinqüenta anos de trabalho.

Para ter certeza que o Braille nunca mais seria usado novamente na escola, ele também queimou e confiscou as regletes, os punções e outros equipamentos de escrita Braille

Enfurecidos, os estudantes se rebelaram. Pelas costas de Dufal, eles escreviam o Braille mesmo sem regletes – enviando mensagens e mantendo diários secretos escritos com agulhas de crochê, garfos, ou pregos.

Os castigos de Dufal para quem usasse o Braille, que incluía levar palmadas nas mãos e ser mandado para cama sem jantar, foram completamente ineficazes.

Os estudantes mais velhos ensinavam o sistema aos estudantes mais jovens em segredo. O Braille uma vez aprendido seria impossível ser suprimido.

Finalmente, o assistente experto de Dufal, Joseph Guadet, havia oobservado os estudantes e tornou-se um um ardente protetor do Braille. Aprendeu sozinho a ler e escrever o código.

Ele persuadiu Dufal falando que se as pessoas poderosas do governo ouvissem que os estudantes estavam unidos obstinadamente desafiando a autoridade de Dufal, seu emprego poderia estar correndo risco.

Porém, se um estudante inventasse algo próspero, a escola compartilharia o crédito que Só poderia aumentar a reputação de seu líder.

Assim, quando a escola passou a seu novo edifício em novembro de 1843, PÁG.

Armand Dufau era um homem mudado, provendo cada estudante com uma Nova Reglete Braille.

Eufóricos por terem vencido a proibição do Braille, os estudantes fizeram uma petição e enviaram ao governo nomeando Louis Braille para a Legião Francesa de Honra por fazer com que a verdadeira comunicação seja possível ao cego.

Todavia, a petição foi ignorada.

A INVERSÃO DA FORTUNA

O triunfo público de Louis finalmente viria na dedicação de cerimônia do edifício no Fevereiro próximo.

Dufal descreveu brilhantemente o sistema de escrita com pontos elevados de Louis Braille para o povo, até havia uma estudante (uma das garotas novatas admitidas) que deu uma demonstração.

Um oficial na platéia gritou dizendo que isso tudo era um truque, que a criança que lia e escrevia em Braille deveria ter memorizado o texto antecipadamente.

Em resposta, Dufal pediu ao homem que encontrasse algum material escrito no seu bolso, que era um imgresso de teatro, e lê-lo para a estudante Braillista.

A garotinha reproduziu o texxto e o leu sem falhas antes mesmo que o homem tivesse chegado a sua cadeira.

O povo se convenceu, aplaldiu bastante por seis minutos completos.

Louis Braille passou os últimos oito anos da sua vida ensinando ocasionalmente e produzindo livros em Braille para a biblioteca da escola; escola onde ele batalhou com sua saúde declinada.

As pessoas estavam começando a chamar o sistema de pontos pelo seu nome, “Braille,” e um número crescente de investigações sobre isto estava chegando à escola do mundo inteiro.

Quando Dufal publicou a segunda edição do seu influente livro em 1850, ele dedicou várias páginas com entusiasmo ao sistema Braille.

Ainda quando Louis Braille morreu em 6 de Janeiro de 1852, justamente dois dias após o seu quadragésimo aniversário, nenhum único jornal de Paris noticiou sua morte. Seu sistema sobreviveu, e em 1854, a França adotou o Braille como o seu sistema oficial de comunicação para as pessoas cegas.

O sistema Braille se espalhou pela Suíça logo depois mas encontrou tremenda resistência na Inglaterra, Alemanha e América, e sempre pela mesma razão: A falta de semelhança às letras impressas.

Pelo fato que os cegos poderiam querer escrever porque tinham algo para dizer, tanto quanto ler o que as outras pessoas escrevem, inacreditavelmente parecia nunca ter ocorrido para muitos desses educadores.

O fator escrita – Braille é fácil de escrever, enquanto formas de letras em alto relevo são virtualmente impossíveis – foi um enorme ponto que assegurou a duração do Braille na vida dos seus usuários.

Posteriormente, uma leitora de Braille, Helen Keller, escreveu:

“O Braille tem sido a ajuda mais preciosa para mim de muitas formas. Ele tornou possível a minha ida a faculdade – era o único método pelo qual eu podia tomar notas de palestras. Todas as minhas provas eram copiadas para mim nesse sistema. Eu uso Braille como a aranha usa sua teia – para captar os pensamentos que deslizam através da minha mente para falas, mensagens e manuscritos…

Se Louis Braille alguma vez tivesse tido o tempo para escrever os seus próprios pensamentos em resolver problemas, lidando comdificuldades, e perseverando através dos retrocessos, poucos discordariam que seria uma estória que valeria a pena ser lida.

Curiosamente, muitos educadores de cegos parecem ter feito uma missão altamente pessoal de inventar códigos contraditórios com aparentemente pouca consideração para as suas implicações práticas. Adesão feroz se desenvolveu sobre essessistemas de códigos. O Reino Unido parece ter sido a única exceção.

Thomas Rhodes Armitage, um físico rico que lutou com problemas de visão com ele mesmo, juntou-se a um comitê de outras pessoas cegas “com conhecimento de pelo menos três sistemas de símbolos em alto relevo e não teve interesse financeiro em nenhum” para evoluir os códigos e decidir qual seria o melhor para a Gran Bretanha.

O comitê deliberou durante dois anos, umas dúzias de leitores cegos sobreviveram e dois anos depois, em 1870, o Braille ganhou, embora levasse muitos anos ainda antes de ser totalmente implementado.

Os Estados Unidos só veio a usar o Braille completamente no século XX. Enquanto muitos códigos competentes não prosperaram passou o final do século XIX, os inovadores que eles atraíam geralmente se moviam para a publicação de Braille de maneiras inesperadas.

William Bell Wait, superintendente do INSTITUTO PARA O CEGO DE NOVA YOURK, apresentou um código agora quase esquecido chamado “ponto de nova yourk” em 1868.

Mais estável, Wait deu um eloqüente discurso no Comitê de Educação do Senado que ajudou a assegurar a primeira garantia anual do Congresso para livros em alto relevo para os cegos em 1879, assim garantindo um importante canal financeiro por cem anos de publicação para os cegos nos Estados Unidos.

Obsecado por economizar papel Braille, Wait, também criou o primeiro processo mecânico de imprimir em alto relevo simultaneamente dos dois lados para o PONTO DE NOVA YOURK no ano de 1890, dobrando a capacidade de informação que leva cada folha de papel num livro em Braille, assim inventou interpoint.

Em 1860, o primeiro instituto Americano a adotar o Braille foi, ironicamente, a ESCOLA PARA O CEGO, DE MISSOURI Localizado em São Lois – uma cidade com o nome de Lois IX da França, fundador do hospício Quinze-Vingts em Paris 600 anos antes

TEMPOS MODERNOS

O Quinze-vingts ainda existe hoje e agora é um hospital oftalmológico de alta tecnologia, bem como residência para os cegos.

Ironicamente, como Santa Apolônia aliviava dor de dente, e Santo Eutropius hidropisia, o propósito especial de Santo Ovid era curar surdez.

As baias de madeira e bancos usados na Feira de Santo Ovid foram destruídos pelo fogo em 1777.

Em 1792 a praça onde tinha acontecido foi renomeada “Praça de la Revolution” e por volta de 1793, o único espetáculo lá era a Guilhotina. Cerca de 1000 execuções foram realizadas lá, inclusive aquelas do rei Lois XVI e a rainha Marie Antoinette.

O edifício original do INSTITUTO REAL PARA AS CRIANÇAS CEGAS serviu como barracas do exército e depois um amazém. Foi derrubado no ano de 1930 e substituído por uma agência dos correios, agora desaparecida.

O último edifício que Louis Braille teria conhecido e onde morreu na Rue dês Invalides ainda é o local da Escola para o cego, hoje.

Valentin Haüy é um dos maiores humanitários (juntando-se entre outros, Abraham Lincoln, São Francisco de Assis, e Florence Nightingale) imortalizados nas esculturas de pedra que enfeitam a igreja de Riverside da cidade de Nova York.

Sua vida e trabalho também são lembrados num muuseu na Rue Duroc na moderna Paris, aberto Terças e quartas-Feiras, a partir das 2:30 da tarde, fechado de primeiro de Julho a 15 de Setembro anualmente. A entrada é grátis.

Louis Braille também não foi o único aluno experiente da escola dos dias antigos. Em 1830, Claude Montal, o primeiro cego afinador de piano e graduado pela Escola para o cego, começou a sua carreira em Paris.

Em 1834 ele publicou “COMO AFINAR O SEU PIANO VOCÊ MESMO” e continuou, abrindo a sua própria loja.

A escola também produziu um grupo de organistas famosos do mundo sem precedentes, que continua vivo através da memória de nosso próprio tempo, incluindo Llouis Viene, André archal e Jean Languais. O presente organista de CATEDRAL DE NOTRE-DAME, Jean-Pierre Leguay, também é cego.

O testamento de Louis Braille, ditado a um tabelião menos que uma semana antes da sua morte, incluía legados não só para sua família, mas também para o criado que limpava o Seu quarto, o ajudante de enfermaria, e o guarda noturno na escola. Suas roupas e pertences pessoais foram para os seus estudantes como recordação.

Ele fez um pedido estranho, instruindo aos amigos que queimassem uma caixa pequena que havia em seu quarto sem abri-la.

Depois da sua morte, eles não resistiram a procurar e encontraram a caixa cheia de coisas com vales em Braille dos estudantes que tinham pedido dinheiro emprestado ao seu generoso professor. Finalmente, as notas foram queimadas conforme seu desejo.

Com a morte de Louis Braille, Hippolyte Coltat herdou seu piano e trabalhou muito para adiantar o seu legado.

Suas vivas lembranças de seu professor e amigo num serviço memorial da escola, serviu como a pprimeira biografia de Braille.

Um outro amigo de Louis Braille Gabriel Gauthier, só sobreviveria pouco tempo depois dele. Ele também morreu de tuberculose.

A casa dos Braille em Coupvray, ainda no local, também foi transformada num museu.

Louis Braille foi verdadeiramente enterrado numa sepultura simples, num pequeno cemittério na sua cidade natal.

Em 1952, no centésimo aniversário de sua morte, cresceu um sentimento público querendo que seus restos mortais fossem removidos para o Panteão em Paris, onde os heróis nacionais da França eram enterrados.

O prefeito de Coupvray protestou dizendo que Louis Braille foi uma verdadeira criança da área e que algo dele deve permanecerr em sua aldeia. Suas mãos foram separadas dos braços e reenterradas separadamente em Coupvray. O resto do seu corpo foi enterrado no Panteão seguido de uma enorme cerimônia pública em Sorbonne freqüentada por dignitários de toda parte do mundo, inclusive Helen Keler, que deu um discurso em que o NEW YOURK TIME reportou como “gramática Francesa sem falhas” ela declarou a centenas de outros leitores do Braille numa grande recepção entusiasmada que “Nós, os cegos, estamos tão indébito com Louis Braille como a humanidade está com Gutenberg”.

Quando o caixão foi carregado pelas ruas de Paris, emdireção ao Panteão, centenas de bengalas brancas batiam juntas atrás. O que o Times chamou sem aparente sugestão de ironia “Uma estranha, heróica procissão.”

O Panteão fica no quinto Distrito Municipal de Paris, a poucos blocos da escola original para o cego.

O sistema de escrita de Louis Braille finalmente espalhou-se pelo mundo e, claro, ficou conhecido pelo seu nome.

Curiosamente considerando que o pai de Louis era um fabricante de arreios e selas, há uma palavra Inglesa, brail, que descreve uma corda usada para velejar, e é derivada de uma palavra Francesa do século XV braiel, que significa “correia”. Assim parece razoável especular que o nome de família provavelmente foi derivado da semelhante ocupação de um antepassado.

Apesar do fato de que os pontos Braille ainda não se assemelham as letras impressas (uma queixa freqüentemente ouvida por esses dias), ele tem sido adaptado para quase todas as línguas na terra e permanece o maior meio de leitura para as pessoas cegas emtodos os lugares.

Desfazendo o mito que o Braille de alguma forma é “muito difícil” para os videntes aprenderem, os transcritores videntes foram por muito tempo os primeiros recursos de livros de ensino para estudantes cegos.

Milhares desses voluntários aprenderam o Braille como uma distração e produziram livros escrevendo uma cela por vez, na mesa da cozinha e no quarto, escritório, por todo lugar com pequena fanfarra.

Seus esforços nos Estados Unidos tem, se qualquer coisa se expandiu, a última década com a vinda da Era do computador e o fluxo de estudantes cegos na escola pública. Se por tradutores de softwares ou entrada direta, o Braille mostrou ser bem adequado a produção ajudada por computador devido a sua elegância e eficiência.

A utilização do Braille para navegar e ler texto de computador em tempo real tornou-se inteiramente possível como também confiável.

Assim, a Era do computador criou uma explosão contínua e sem precedentes na quantidade do Braille lido e publicado no mundo inteiro.”

Quer conhecer mais? leia este artigo no original, em inglês

Published by