Apresentado inicialmente na sessão Tecnologias e Mídias Educacionais, no EDUCERE (PUC-Curitiba). Resumo  O presente trabalho apresenta os resultados obtidos com o uso da impressora Tiger Pro Embosser na produção de materiais gráficos em relevo, capazes de serem reconhecidos pelo tato, através do tratamento de imagens visuais em função de uma releitura de seus componentes (por … Continue reading RBTV #4: A produção de desenho em relevo: Da imagem visual para a representação tátil
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Áudio-descrição da logo da RBTV: Revista Brasileira de Tradução Visual. Em um fundo branco, a mão direita faz a letra t em libras. O indicador e o polegar se cruzam, os demais dedos ficam erguidos. Próximo ao indicador há, em verde, 3 ondas sonoras. Abaixo da mão, lê-se RBTV, com letras verdes e com letras Braille em preto.

RBTV #4: A produção de desenho em relevo: Da imagem visual para a representação tátil

Apresentado inicialmente na sessão Tecnologias e Mídias Educacionais, no EDUCERE (PUC-Curitiba).

Resumo

 O presente trabalho apresenta os resultados obtidos com o uso da impressora Tiger Pro Embosser na produção de materiais gráficos em relevo, capazes de serem reconhecidos pelo tato, através do tratamento de imagens visuais em função de uma releitura de seus componentes (por exemplo, contornos, tonalidades, sombras etc.), promovendo assim, o acesso de pessoas com deficiência visual (cegos e com baixa visão) a representações pictóricas que antes eram exclusivas às pessoas que enxergam. Através dos gradientes e texturas obtidas pela Tiger Pro Embosser e sua capacidade de representações gráficas no plano bidimensional em relevo, pessoas com deficiência visual (cegas e com baixa visão) podem se valer da percepção háptica para o reconhecimento de figuras, mapas, diagramas e gráficos, produzidos com essa tecnologia, tendo assim o direito de acesso à arte e à cultura, direito esse assegurado pela nossa Carta Magna (1988), de suma importância para o desenvolvimento pleno do homem. Para se alcançar o melhor reconhecimento háptico dos desenhos, foram realizados vários experimentos com a impressão de figuras geométricas, releituras de imagens, nas quais se verificou a necessidade de uma editoração que contemplasse as especificidades do hardware e da modalidade específica da transcrição pictórica visual para a leitura tátil. Assim, são oferecidas noções de como fazer uso desse dispositivo e de como usar regras básicas para a produção de desenhos capazes de serem compreendidos numa leitura tátil. O uso dessa tecnologia de impressão em relevo para a sala de aula poderá auxiliar na aprendizagem da Matemática, Geografia, Física etc. Este trabalho salienta, ainda, a importância do acesso à arte por parte de pessoas com deficiência visual como fator de inclusão social.

PALAVRAS-CHAVE: desenho em relevo; pessoa com deficiência; tato háptico; arte; tecnologia.

Introdução

 A comunicação, instrumento natural de socialização entre as pessoas, tem tido, na arte, uma importante via de expressão do conhecimento humano, o que vem sendo confirmado ao longo dos tempos.

Através dela, desde o princípio, o homem vem manifestando suas idéias, suas emoções, sua visão de mundo; daí, a arte ter um papel importante na história humana, uma vez que possibilita, de forma eficaz, o registro do desenvolvimento do homem, através da exteriorização de seus sentimentos, impressões, enfim, de todo seu conhecimento cultural, social e científico.

Mesmo antes da escrita e até mesmo antes da fala, o homem se manifestava através do desenho, sendo este a primeira via de expressão da comunicação humana. Era através dele que o homem representava o seu cotidiano, deixando assim registrado o princípio de sua evolução.

Para Lowenfeld & Brittain (1977), cada desenho reflete os sentimentos, a capacidade intelectual, o desenvolvimento físico, a acuidade perceptiva, o desenvolvimento criador, o gosto estético e até a evolução social da criança como indivíduo.

Contudo, uma parcela da sociedade tem sido excluída dessa possibilidade de acesso ao conhecimento humano, expressado pela via artística do desenho; trata-se aqui das pessoas com limitação visual, crianças, jovens e adultos com baixa visão ou cegos.

Essa exclusão se dá, em parte, pela descrença da sociedade na capacidade de os cegos reconhecerem (compreenderem) os desenhos ou mesmo de manifestarem-se por essa via de comunicação.

Entretanto, não reside apenas nessa descrença da sociedade, inclusive partilhada por educadores de crianças e jovens com deficiência visual, a razão da exclusão das pessoas cegas ao acesso à cultura, à educação etc., por meio do desenho, mas também na interpretação equivocada do insucesso dessas pessoas quando não conseguem reconhecer um padrão bidimensional, ainda que em relevo.

Com efeito, experimentos têm registrado esse insucesso, todavia, estudos como o de Lima (2001), entre outros, têm oferecido interpretações alternativas para esse resultado.

Segundo o autor, o insucesso não está na incapacidade do sistema tátil em reconhecer figuras planas em relevo, porém, no fato de que aos sujeitos cegos ou com baixa visão não tem sido permitido o acesso aos padrões bidimensionais (desenhos em relevo), com a mesma freqüência que as pessoas que enxergam; ao fato de esses padrões, quando oferecidos, não serem adequadamente ensinados àqueles indivíduos; e, sobretudo, ao fato de que os desenhos em relevo são produzidos como transcrição da imagem visual para o registro tangível, desconsiderando-se modalidades específicas do sistema háptico e da transcrição pictórica capturada por esse sentido.

Consoante Sassaki (1999), a inclusão é um processo que contribui para a construção de um novo tipo de sociedade, através de transformações pequenas e grandes, nos ambientes físicos, nos meios de transporte e na própria mentalidade dos indivíduos.

No que se refere às pessoas com deficiência, verifica-se que a atual mentalidade da sociedade (no que tange ao acesso à arte e ao que ela traz de benefício para as pessoas com deficiência visual), não é diferente daquela que se tem visto largamente: total descrença na potencialidade da pessoa com deficiência. Atitude que promove barreira às muitas áreas do conhecimento, inclusive ao acesso à educação, sendo freqüente o veto da criança com deficiência ao próprio estabelecimento de ensino, a despeito de ser o direito à educação defendido por nossa Carta Magna (1988) e reafirmado na Lei N° 8.069.

“É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do Poder Público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária”. (Art. 4 da Lei n° 8.069 – Estatuto da Criança e do Adolescente – 13 de Julho de 1990).

Tendo em tela a Conferência Mundial sobre os Direitos do Homem (1993), sustenta-se que:

“… todos os direitos humanos e liberdades fundamentais são universais e que, por conseguinte, incluem, sem reversas, as pessoas incapacitadas. Todas as pessoas nascem iguais e com os mesmos direitos à vida e ao bem-estar, à educação e ao trabalho, a viverem com independência e a participarem ativamente em todos os aspectos da sociedade. Qualquer discriminação direta ou outro tratamento discriminatório negativo de uma pessoa incapacitada constitui, portanto, uma violação dos seus direitos” (Art. 63 da Declaração de Viena, Conferência Mundial sobre os Direitos do Homem, 1993).

Mais recentemente, acorde com o defendido nesses documentos, traz, a Convenção da Guatemala, o ensinamento de que:

“As pessoas portadoras de deficiência têm os mesmos direitos humanos e liberdades fundamentais que outras pessoas e que estes direitos, inclusive o direito de não ser submetidas a discriminação com base na deficiência, emanam da dignidade e da igualdade que são inerentes a todo ser humano” (Convenção Interamericana para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra as Pessoas Portadoras de Deficiência (Convenção da Guatemala), de 28 de maio de 1999).

A educação, como um fator eficiente de mudança dentro da sociedade, constitui uma prática social que pode, tanto reforçar posturas/mentalidades sociais excludentes, quanto promover transformações sociais inclusivas, assegurando os direitos fundamentais da pessoa humana.

Segundo Fusari & Ferraz (2001), a educação através da arte é:

“Um movimento educativo e cultural que busca a constituição de um ser humano completo, total, dentro dos moldes do pensamento idealista e democrático que valoriza no ser humano seus aspectos intelectuais, morais e estáticos, procurando despertar sua consciência individual harmonizada ao grupo social que pertence” (Fusari & Ferraz, 2001, p.19).

Como podemos perceber, a arte, vista no processo evolutivo da humanidade, caminha ao lado do homem que, com técnicas, materiais, equipamentos e métodos diversos, vem registrando suas manifestações emotivas, seus ideais e sua visão de mundo, independente de sua época.

Segundo Lowenfeld e Brittain (1977), o homem tem sua aprendizagem através dos sentidos (ver, sentir, ouvir, cheirar e provar). Para os autores, a educação artística tem a capacidade, de forma única, de desenvolver experiências sensoriais, demonstrando que a sensibilidade auditiva não é apenas ouvir, mas escutar detalhadamente; que a sensibilidade visual não é apenas reconhecer e sim a capacidade de discriminação consciente de diferenças e pormenores, o mesmo sendo válida à sensibilidade tátil e às demais experiências sensoriais.

Para que se reverta a exclusão de pessoas com deficiência visual no que tange à arte, vem-se buscando propiciar, através de técnicas diversas, materiais e equipamentos adequados à produção de desenhos e outras configurações bidimensionais tangíveis, o acesso dessas pessoas ao conhecimento artístico produzido, bem como se vem buscando mostrar a potencialidade de as pessoas cegas produzirem seus próprios desenhos e fazerem uso ótimo dessas configurações para o seu estudo, trabalho, lazer etc.

O presente artigo demonstra como um equipamento pode servir a esse propósito, visto que produz desenhos tangíveis que, feitos com a técnica adequada, podem levar às pessoas cegas e com baixa visão conhecimentos que hoje são inacessíveis a essas pessoas. Tratamos aqui da tecnologia ViewPlus.

Utilizando-se dessa tecnologia, a impressora Tiger Embosser (ver figura 1) vem sendo desenvolvida há cerca de vinte anos pelo Dr. John Garden, um distinto professor de física da universidade do estado de Oregon, que, em 1988, sofreu uma perda visual repentina que o deixou cego.

Deparando-se com a cegueira, o Dr. John Garden passou a ouvir, de toda parte, que, na sua profissão, em sua idade e cego, o melhor que poderia fazer era aposentar-se. Recusando-se a se deixar ser levado para uma vida de incapacidade, o Dr. Garden disse não às pessoas que o queriam ver aposentado. Em suas palavras, “Não sou incapaz, eu apenas não posso enxergar”.  Entretanto, conforme o próprio Dr. Garden conta, “… inicialmente, não estava claro que eu poderia ser bem sucedido. Havia barreiras reais, barreiras à informação” – barreiras essas que, de acordo com o Dr. Garden, foram, em grande parte, suprimidas pela tecnologia ViewPlus.

Figura 1 – Impressora Tiger Pro Embosser

Em face dessa situação, o Dr. Garden desenvolveu uma tecnologia que possibilitaria a acessibilidade à comunicação a pessoas com deficiência visual, a impressora Tiger.

A impressora Tiger Pro Embosser possui a capacidade de impressão em relevo tangível que possibilita a leitura háptica de imagens, gráficos e mapas. Essa impressão pode ser feita em papel de diversas gramaturas, plástico, card stock, entre outros.

Atualmente, a tecnologia ViewPlus pode ser utilizada tanto como uma mídia auxiliar na educação de pessoas com deficiência visual, como um instrumento de lazer, oferecendo-lhes acesso à arte e à cultura através de representações tangíveis, constituindo mais uma via de interação da pessoa cega com o ambiente.

Assim, ter a possibilidade de tocar (ver) um desenho em relevo constituirá mais um meio eficaz de acesso/interação com o mundo não visível, ao toque direto das mãos de uma pessoa cega ou com baixa visão.

Esteados no reconhecimento da importância dos desenhos em relevo para a educação de pessoas com limitação visual, descrevemos alguns experimentos com desenho em relevo feitos pela impressora Braille, a partir da variação de cores, observando os pontos, a variação do formato do relevo e outros.

Descrição do estudo

A definição dos pontos, na Tiger, se dá através da conversão automática da imagem colorida em pontos que terão sua textura definida pela cor da imagem, sendo a altura do ponto proporcional à intensidade da cor, onde os pontos mais elevados são os produzidos através da leitura de cores escuras, onde o máximo da elevação dos pontos existe na transcrição da cor preta, e variando a textura de acordo com a intensidade de luz da cor, chegando a não impressão de pontos na impressão da cor branca.

Porém, para a impressão de imagem visual que represente cena do mundo real, é necessário primeiro o tratamento dessa imagem, tornando-a, portanto, quando impressa, compreensiva ao tato.

Materiais e procedimentos

A fim de explorar a potencialidade da tecnologia ViewPlus na impressão de desenhos em relevo, com a impressora Tiger Pro, foram realizados vários experimentos, dentre os quais, os relatados a seguir:

1) Experimento com formas geométricas

Nesse experimento foram realizados testes na impressora quanto à realização de gráficos geométricos bidimensionais e em perspectiva, de forma tangível.

Foram escolhidas as formas: círculo, quadrado, retângulo e paralelogramo, como formas bidimensionais, e o cubo e o cilindro para os gráficos em perspectiva.

Figura 2 – figuras geométricas bidimensionais

Figura 3 – figuras geométricas em perspectiva

Na primeira etapa, foi utilizado papel sulfite (A4, gramatura 75 g/m2).  Com a impressão das figuras 2 e 3, pôde-se verificar a qualidade dos gráficos que possuíam o contorno de 0,75 pts no papel de 75 g/m2, verificando-se, em relação à representação tangível, que, nessa gramatura, o relevo era de boa qualidade.

Na segunda etapa permanecemos com o mesmo papel, e as mesmas imagens, agora, porém, com o preenchimento das cores para obtermos diferentes relevos (vide figura 4).

Com essa manipulação dos atributos dos desenhos, obteve-se, em relação ao contorno, boa tangibilidade, embora a base superior do cilindro não pudesse ser percebida claramente, pois a textura do contorno confundia-se com a textura do preenchimento (vide figura 5a).

Figura 4 –figuras geométricas com preenchimento

Figura 5 – cilindro e cubo impressos em relevo

Para a textura do preenchimento, pôde-se verificar que a impressão de cores escuras no preenchimento, juntamente com a impressão de contorno escuro, não proporcionava uma boa leitura tátil (vide figura 5a), uma vez que não se alcançou um bom contraste.

Diferentemente, para o contorno preto com preenchimento de cor clara, o contraste realçado resultou numa boa tangibilidade (vide figura 5b).

A terceira etapa foi verificar o resultado apenas aumentando o contorno, passando de 0,75 pts a 2 pts (vide figura 6), verificando-se uma melhor representação tátil do desenho, inclusive no cilindro (vide figura 7), porém, ainda não foi o suficiente para uma boa leitura háptica, comparativamente com o resultado obtido com o cubo (vide figura 7b).

Figura 6 – figuras geométricas com maior contorno

Figura 7 – cilindro e cubo com contorno 2pt

Figura 8 – cilindro com a cor manipulada

Num momento seguinte, para uma melhor representação do cilindro, mudamos a cor do cilindro original (verde escuro) para uma cor mais clara (vide figura 8), já que foi verificada, no cubo, a boa relação entre a textura obtida por um preenchimento de cor clara, com um contorno preto, com espessura de 2 pts  (vide figura 7b).

2) Experimento com desenhos

Foi escolhido o desenho do Caillou, personagem de desenho animado exibido pela TV Cultura.

Na primeira etapa, do experimento foi feita a impressão da imagem (vide figura 9a) sem tratamento nenhum, com o seguinte resultado: a cor utilizada para definir a pele do Caillou não proporcionou um bom contraste com o contorno, dificultando a leitura tátil (vide figura 10a).

Figura 9 – Caillou

Na segunda etapa, realizamos o tratamento da imagem. Retiramos, através de um editor de imagens (Corel Photo Paint 10.0) a cor utilizada para definir a pele do Caillou (vide figura 9b).

Ao fazer isso, deparamo-nos com o seguinte problema: o desenho das pernas do boneco (vide figura 9b) não se distinguia hapticamente do restante da figura; não se conseguiu um bom diferencial de percepção, pois, sem a cor, não se identificava adequadamente a perna do personagem (vide figura 10b).

A fim de se resolver esse problema, valemo-nos do preenchimento com a cor amarela clara para darmos tangibilidade à perna de Caillou (vide figura 9c), conseguindo boa tangibilidade ao desenho, como observamos no primeiro experimento, quando alcançamos uma boa definição ao utilizarmos uma cor clara com o contorno preto (vide figura 10c).

Figura 10 – impressão do Caillou

3) Experimento com a impressão de foto

Para esse experimento, foi escolhido um fragmento (a foto do golfinho principal), da obra de Boris Vallejo de 1992 ( vide figura 11a).

Figura 11 – figura do golfinho

Inicialmente fez-se a impressão da imagem, sem nenhuma modificação gráfica do original, resultando em uma imagem sem condições de ser percebida pelo tato, onde quase não encontramos contraste para a percepção háptica (vide figura 12a).

Para a segunda etapa realizamos uma releitura da imagem com o objetivo de trabalhar as suas cores, porém sem perder o contexto da obra proposta pelo artista, para isso utilizamos um programa de desenho em vetor (software Corel Draw 10.0) onde foi desenhado o golfinho principal (vide figura 11b).

Para a construção inicial resolvemos utilizar uma predominância de cor escura (preto) e os detalhes em cores claras (tons de azul) como mostra a figura 11b, alcançando uma boa tangibilidade para o contorno do golfinho, entretanto, não se alcançou uma boa definição para o delineamento da boca, do olho e da narina (vide figura 12b).

Inicialmente fez-se a impressão da imagem, sem nenhuma modificação gráfica do original, resultando em uma imagem sem condições de ser percebida pelo tato, onde quase não encontramos contraste para a percepção háptica (vide figura 12a).

Para a segunda etapa realizamos uma releitura da imagem com o objetivo de trabalhar as suas cores, porém sem perder o contexto da obra proposta pelo artista, para isso utilizamos um programa de desenho em vetor (software Corel Draw 10.0) onde foi desenhado o golfinho principal (vide figura 11b).

Para a construção inicial resolvemos utilizar uma predominância de cor escura (preto) e os detalhes em cores claras (tons de azul) como mostra a figura 11b, alcançando uma boa tangibilidade para o contorno do golfinho, entretanto, não se alcançou uma boa definição para o delineamento da boca, do olho e da narina (vide figura 12b).

Figura 12 – impressão da figura 11

Na terceira etapa, fizemos a modificação das cores (vide figura 11c); o que antes estava de preto agora passou a ser amarelo claro, e o que antes estava em tons de azul foi substituído pela cor preta e adicionamos contorno preto ao golfinho. Com essa modificação, conseguimos então dar um destaque aos detalhes como: olho, narina, contorno da boca, detalhes na barbatana, como se pode observar na figura 12c.

Considerações finais

Durante a nossa pesquisa, percebemos que é imprescindível a utilização de um papel de gramatura maior, se possível acima de 90g/m2, pois a impressão em papéis com uma gramatura menor pode causar estouro dos pontos por conta da força das agulhas. Assim, recomenda-se, para trabalhos finais, os papéis Couchê fosco ou Canson 200g/m2. Entretanto, deve-se evitar a utilização de papéis com gramatura muito grande, pois a agulha poderá não conseguir uma boa definição para os pontos. Além disso, recomenda-se a utilização da superfície mais áspera (o uso de papel liso com reflexo não se mostrou satisfatório), para a confecção de gráficos.

Na tentativa de se imprimir gráficos em relevo na mesma página de um gráfico já impresso em tinta, verificamos que a impressão em relevo não coincide com a impressão em tinta, ainda que se mantenham os mesmos atributos de forma e tamanho, requerendo grande esforço e tempo para alcançar esse efeito.

Outro ponto a ser considerado é que a Tiger Pro não executa bem a impressão de gráficos vetorizados (imagens impressas direto do software Corel Draw), ocasionando uma má definição dos limites dos pontos, imprimindo nesse caso um gráfico que não condiz com o desejado. Portanto, aconselha-se a exportação do vetor para uma imagem não vetorizada (jpg, bmp, gif, tif etc), abrindo-a em um editor de texto para impressão, a partir desse editor.

Verificamos, ainda, que, em alguns momentos, a impressora pode realizar a impressão de pontos aleatórios no gráfico, os quais, na maioria dos casos, não interferem na leitura tátil.

Por fim, este trabalho reafirma a importância da utilização dos desenhos na formação da criança cega, como instrumento terapêutico, de ensino e lazer, reafirmando o que diz Lima (1997) Millar (1976) entre outros que consideram que o  reconhecimento de desenhos deve ser iniciado o mais cedo possível, quando a criança cega é ainda muito pequena, partindo da apresentação de figuras tangíveis mais simples (de baixa complexidade) até a apresentação de figuras mais elaboradas, possibilitando assim uma construção segura da representação mental por parte da pessoa com deficiência  visual.

Sob essa égide, de acordo com Lima & Da Silva (2000), o indivíduo cego ou com baixa visão poderá realizar seus próprios desenhos, expressar seus sentimentos e sua visão de mundo.

O ensino cotidiano do reconhecimento dos desenhos tangíveis a pessoas cegas desmistificaria não só a idéia da incapacidade de leitura de padrões bidimensionais por parte dessas pessoas, como também desmistificaria a crença de que esse reconhecimento estaria restrito aos videntes.

Negar o ensino de padrões bidimensionais a pessoas cegas ou com baixa visão implica na negação não só da possibilidade de construções de figuras bidimensionais como material para educação, mobilidade e orientação dessas pessoas, mas também na negação da expressão artística de pessoas cegas ou com visão subnormal, através do desenho tangível.

Assim, são os educadores, pais, professores etc, das pessoas com deficiência visual que devem ser os primeiros a promover o ensino e uso dos desenhos com essas pessoas, pois são eles os responsáveis pela inclusão total e irrestrita daquelas pessoas na sociedade que hoje os mantêm de fora, inclusive do simples ato de brincar de desenhar, tanto apreciado pelas crianças e tão importante para sua educação.

Bibliografia

CONFERÊNCIA MUNDIAL SOBRE OS DIREITOS DO HOMEM
Viena, 14-25 de Junho de 1993, disponível no site: http://www.min-nestrangeiros.pt/politica/multilateral/politicas/cdhviena.html , acessado em 16 de Agosto de 2004;

– CONVENÇÃO INTERAMERICANA PARA A ELIMINAÇÃO DE TODAS AS FORMAS DE DISCRIMINAÇÃO CONTRA AS PESSOAS PORTADORAS DE DEFICIÊNCIA (CONVENÇÃO DA GUATEMALA), de 28 de maio de 1999, disponível no site: http://hygeia.fsp.usp.br/acessibilidade/cd/cdacess/html/legislacao6.htm acessado no dia 17 de Agosto de 2004;
– ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE – Lei nº. 8.069, de 13 de julho de 1990, disponível no site: http://www.unicef.org/brazil/eca01.htm  acessado em 17 de agosto de 2004;
– FUSARI, M. F. de Rezende & FERRAZ, M. H. C. de Toledo. Arte na educação escolar. São Paulo: Cortez, 2001. 151p;
– LIMA, F. J. tese de doutorado.
– LIMA, F.J., DA SILVA, J. (1998). O Desenho em Relevo: uma caneta que faz pontos, disponível no site: http://www.lerparaver.com/inclusao_social.html, acessado em 16 de agosto de 2004.
– LIMA, F.J., DA SILVA, J. & LIMA, R.A.F. A Preeminência da Visão: Crença, Filosofia, Ciência e o Cego, disponível no site: http://www.lerparaver.com/inclusao_social.html , acessado em 16 de agosto de 2004.
– LIMA, F.J., DA SILVA, J. (2000). Algumas Considerações a Respeito da Necessidade de se Pesquisar o Sistema Tátil e de se Ensinar Desenhos e Mapas Táteis às Crianças Cegas ou com Limitação Parcial da Visão, disponível no site: http://www.lerparaver.com/inclusao_social.html, acessado em 16 de agosto de 2004;
– LOWENFELD, V. & BRITTAIN, W. L. Desenvolvimento da capacidade criadora. São Paulo: Mestre Jou, 1977. 440p;
– MILLAR, S. Spatial representation by blind and sighted children. Journal of Experimental Child Psychology,  21: 460-479, 1976;
– SASSAKI, Romeu K. Construindo uma sociedade para todos. 3ª ed. Rio de Janeiro: WVA editora, 1999;
www.viewplus.com , acessado em 16 de agosto de 2004.

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Oliveira, Leny Ferreira de. "RBTV #4: A produção de desenho em relevo: Da imagem visual para a representação tátil". Audio Description Worldwide Consortium, 2018. Available in: <http://audiodescriptionworldwide.com/associados/a-producao-de-desenho-em-relevo-da-imagem-visual-para-a-representacao-tatil/>. Access on: 2018/10/22

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  • Pedagoga pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE);View all articles by Leny Ferreira de Oliveira
  • Áudio-descritora, Pedagoga e Mestra em Educação pela UFPE.View all articles by Lívia C. Guedes
  • Professor Adjunto da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); Coordenador do Centro de Estudos Inclusivos (CEI/UFPE); Idealizador e Formador do Curso de Tradução Visual com ênfase em Áudio-descrição “Imagens que Falam” (CEI/UFPE);Tradutor e intérprete, psicólogo, coordenador do Centro de Estudos Inclusivos. E-mail: cei@ce.ufpe.brView all articles by Francisco Lima
  • Graduada em Licenciatura em Desenho e Plástica da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)View all articles by Ana Carolina Grijp

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