Resumo Todo ser humano esta inserido em uma cultura onde ele próprio a constituiu através de suas experiências de vida construindo assim a sua história. Para que a pessoa com deficiência possa ter garantido o seu direito de participar, seja como criador ou espectador, das atividades culturais, há de se criar mecanismos e estratégias que … Continuar lendo Acessibilidade cultural: áudio-descrição em cena para jovens com deficiência visual
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Audio Description Worldwide Consortium
Áudio-descrição da logo da RBTV: Revista Brasileira de Tradução Visual. Em um fundo branco, a mão direita faz a letra t em libras. O indicador e o polegar se cruzam, os demais dedos ficam erguidos. Próximo ao indicador há, em verde, 3 ondas sonoras. Abaixo da mão, lê-se RBTV, com letras verdes e com letras Braille em preto.

Acessibilidade cultural: áudio-descrição em cena para jovens com deficiência visual

Resumo

Todo ser humano esta inserido em uma cultura onde ele próprio a constituiu através de suas experiências de vida construindo assim a sua história. Para que a pessoa com deficiência possa ter garantido o seu direito de participar, seja como criador ou espectador, das atividades culturais, há de se criar mecanismos e estratégias que assegurem as condições de acessibilidade. No que se refere à inclusão cultural das pessoas com deficiência visual destacamos, para este estudo, o recurso de áudio-descrição como ferramenta fundamental de acessibilidade.  Com os estudos e a apropriação dos novos recursos tecnológicos do mundo contemporâneo, a áudio-descrição ganhou avanços e se profissionalizou. No entanto, existem poucos espaços culturais que oferecem este recurso na cidade do Rio de Janeiro. Assim, o jovem com deficiência visual continua excluído do universo cultural não tendo a possibilidade de usufruir de forma acessível das obras artísticas. A presente pesquisa foi realizada com objetivo de investigar os benefícios do áudio-descrição para estes jovens que desconheciam, até então, este recurso. A mostra do estudo foi composta de jovens alunos da Rede Municipal de Educação da Cidade do Rio de Janeiro, sendo cinco com cegueira e cinco com baixa visão. A pesquisa foi realizada no Instituto Municipal Helena Antipoff, que é o órgão da Secretaria Municipal de Educação responsável pela Educação Especial. O estudo foi desenvolvido na Oficina de Áudio-descrição que se constitui como um espaço de observação e experimentação da apreciação de diversas obras artísticas com o referido recurso. Os alunos assistiram a dois espetáculos teatrais, três filmes, sendo um em DVD. A pesquisa de caráter qualitativo foi constituída por materiais orais utilizando questionário semiestruturado aplicado após assistirem as obras com e sem áudio-descrição. Levantou-se dados a cerca das personagens, suas características, cenários, conteúdo das obras inferindo sua opinião sobre a nova vivência. Os alunos relataram satisfação em conhecerem e utilizarem o recurso. Constatou-se, pela análise dos dados, que os mesmos apresentaram dificuldade em compreender algumas informações que foram áudio-descritas. Observou-se que nos filmes assistidos, a sonoplastia, a música e as vozes das personagens, dificultaram a percepção da voz do áudio-descritor, nos levando a intuir, pelos depoimentos, que isto se deve ao fato de não estarem familiarizados ao uso do recurso. Ressalta-se a necessidade de considerar a áudio-descrição como um recurso pedagógico. A escola deve oportunizar ao aluno a apreciação de diferentes obras artísticas com áudio-descrição desde a educação infantil, garantindo-lhe, desde cedo, sua efetiva inclusão cultural.

Palavras-chaves: áudio-descrição, acessibilidade cultural, arte, deficiência

visual, educação.

Summary

Every human being is inserted in a culture where he himself constituted through their life experiences thus building your story. For the disabled person can have guaranteed their right to participate, either as a spectator or creator, cultural activities, one has to create mechanisms and strategies to ensure the accessibility conditions. With regard to cultural inclusion of persons with visual impairment highlight, for this study, the audio description feature as a fundamental tool of accessibility. With the studies and the appropriation of new technological resources of the contemporary world, the audio description won advances and turned professional. However, there are few cultural spaces that offer this feature in the city of Rio de Janeiro. Thus, young visually impaired remains excluded from the cultural universe not having the opportunity to enjoy affordable way of artistic works. This research was conducted in order to investigate the benefits of audio description for these young people who did not know until then this feature. The show of the study was composed of young students of the Municipal Education of the City of Rio de Janeiro, five with blindness and five with low vision. The research was conducted at the Municipal Institute Helena Antipoff, which is the organ of the City Department of Education responsible for Special Education. The study was conducted in Audio Description Workshop which is a space of observation and experimentation appreciation of diverse artistic works with that feature. Students attended two plays, three films, one on DVD. The qualitative research consisted of oral materials using semi-structured questionnaire administered after watching the works with and without audio description. He got up data about the characters, their features, scenarios, content of works extrapolating their opinion about the new experience. Students reported satisfaction in knowing and using the resource. It was found by analysis of the data that they had difficulty understanding some information that was audio described. It was observed that in the Watched movies, sound effects, music and the voices of the characters, hampered voice perception of the describer, leading us to intuit, the statements that this is because they are not familiar with the use of feature. We emphasize the need to consider the audio description as a teaching resource. The school should create opportunities to the student an appreciation of different artistic works with audio description from early childhood education, ensuring you early on their effective cultural inclusion.

Keywords: audio description, cultural accessibility, art, visual impairment, education.

 

1-Introdução

O universo cultural é infinito. A cultura inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todas as práticas adquiridas pelo homem por fazer parte de uma sociedade.

Ter acesso aos bens culturais, ao conhecimento, ao lazer e a toda forma e de expressão e manifestação artística de diferentes grupos culturais constitui em uma das chaves do desenvolvimento humano e social. Tendo acesso às artes, o homem tem a oportunidade de conhecer e reconhecer semelhanças e diferenças expostas nos produtos artísticos e concepções estéticas da sua e de outras culturas.

Segundo Vilaronga,

O acesso a cultura se dá de forma, ao mesmo tempo, diferente e igualitária. Diferente, porque é preciso assegurar a acessibilidade a todo e qualquer indivíduo, considerando suas possíveis formas de percepção e leitura de mundo; igualitária, porque todos devem ter acesso à cultura em igualdade de condições. (2010, p.161)

Para que a pessoa com deficiência possa ter garantido o seu direito de participar, seja como criador ou espectador, das atividades culturais há de se criar mecanismos e estratégias que assegurem as condições de acessibilidade.

Podemos destacar alguns recursos de acessibilidade que foram desenvolvidos e já estão disponíveis em alguns espaços culturais entre eles: arquitetônicos, o uso da legenda eletrônica, a presença do intérprete de LIBRAS, a disponibilização de programação teatral ou artística transcrita em Braille, e o uso do recurso áudio-descrição.

No que se refere à inclusão cultural das pessoas com deficiência visual destacamos, para este estudo, o recurso de áudio-descrição como ferramenta fundamental de acessibilidade.

A áudio-descrição é um recurso utilizado para tornar o teatro, o cinema, a TV, bem como obras de artes visuais, em meios acessíveis para cegos e pessoas com baixa visão.

Segundo Motta (2010), com o recurso de áudio-descrição é possível conhecer os figurinos das personagens, as ações corporais dos atores, as suas expressões faciais e corpóreas, os cenários e ambientações utilizados nas peças teatrais, nos filmes e demais espetáculos de dança e música, assim como, a descrição de obras de arte expostas nas galerias e museus.

Segundo Franco (2010), a primeira iniciativa sobre este estudo e registro, se deu em meados da década de 70, nos Estados Unidos, na Universidade de São Francisco, na Califórnia. Mas, foi somente na década de 80, que este recurso de acessibilidade ganhou mais notoriedade, a partir da áudio-descrição de uma peça de teatro nos Estados Unidos realizada pelo casal: Cody Pfanstiehl e sua noiva, Margaret Rockwell com deficiência visual.

O áudio-descritor deve traduzir a imagem com objetividade, fidelidade. É importante descrever o que é visto dando condições as pessoas com deficiência visual, sozinhos com independência, de atingirem as suas próprias conclusões a respeito do evento visual.

Segundo o autor Lima,

O ato tradutório do áudio-descritor deve primar pela busca do empoderamento da pessoa com deficiência, colaborando para sua inclusão social, cultural, de lazer e educacional. Jamais deve, o áudio-descritor, ser censor moral daquilo que descreve, devendo, pois, ser honesto com a fonte imagética, com o destinatário da mensagem visual, e com aquilo que vê (2009, p.14)

Com os estudos e a apropriação dos novos recursos tecnológicos do mundo contemporâneo, a áudio-descrição ganhou avanços e se profissionalizou. Podemos observar que apesar deste recurso já ser utilizado e já existirem áudio-descritores, ainda há carência nos diversos espaços culturais no município do Rio de Janeiro. Assim, o jovem com deficiência visual continua excluído do universo cultural não tendo a possibilidade de usufruir de forma acessível das obras artísticas. A presente pesquisa foi realizada com objetivo de investigar os benefícios da áudio-descrição para jovens que desconheciam, até então, este recurso nas apreciações de peças teatrais e obras cinematográficas.

2-Metodologia

O corpus do estudo foi composto de alunos jovens com deficiência visual da rede municipal de educação da cidade do Rio de Janeiro, sendo seis alunos cegos e quatro com baixa visão na faixa etária de 13 a 26 anos. A pesquisa foi realizada no Instituto Municipal Helena Antipoff[1].

Os alunos foram atendidos na oficina de áudio-descrição do referido Instituto, que se constituiu como um espaço de observação e experimentação da apreciação de diversas obras artísticas orientados pelas professoras de dança, teatro e música do Instituto Municipal Helena Antipoff.

A oficina promoveu idas aos espaços culturais na cidade do Rio de janeiro. Os alunos assistiram a dois espetáculos teatrais, quatro projeções cinematográficas e um filme em DVD

A pesquisa de caráter qualitativo foi constituída por materiais orais utilizando questionário semiestruturado aplicado após assistirem as obras artísticas com e sem áudio-descrição. Levantaram-se dados a cerca das personagens, suas características, cenários, conteúdo das obras inferindo sua opinião sobre a nova vivência.

3- Discussão/ Resultados

3.1Obras teatrais

Para que o acesso ao teatro com o recurso de áudio-descrição fosse efetivado foi inicialmente feito um levantamento dos teatros do Rio de Janeiro que ofereciam o referido recurso. Deste levantamento foi concluído que apenas o Teatro Carlos Gomes, uma vez ao mês, apresentava em seu programa peça teatral com acessibilidade. Diante deste dado, fizemos contato com o espaço para a reserva dos ingressos para o grupo.

O responsável pela reserva nos informou que já existiam lugares reservados para pessoas com deficiência que utilizam o recurso de áudio-descrição localizados nas últimas fileiras do teatro. É notório o aumento da

presença das pessoas com deficiência nos espaços culturais. Entretanto, observa-se que tais espaços desconhecem as especificidades a respeito das necessidades reais deste público.

Não sendo possível a escolha dos lugares, ficamos localizados no fim da plateia. Após o ocorrido conversamos com a direção do teatro e questionamos este posicionamento, assim, para a outra apresentação foi nos dado o direito de escolha dos lugares como qualquer outro espectador.

Sobre este aspecto Lima (2010) define como barreira atitudinal de segregação quando se determina os assentos ao espectador com deficiência, usuárias do serviço de áudio-descrição, agindo de modo a segregá-las, não lhes permitindo a tomada de decisão sobre onde desejam sentar-se.

Os depoimentos abaixo mostram as impressões dos alunos sobre este fato:

Obra: “A revista do Ano- O Olimpo Carioca

Eu coloquei a mão no palco. Estava bem na nossa frente. E percebi que deu pra ouvir bem melhor. Dançando, cantando, parecia bem perto de mim. Gostei mais de ficar na primeira fileira. Percebi e escutei melhor com mais clareza perto do palco. Quanto mais perto melhor. (AL.4)

Hoje eu acho melhor ficar nas primeiras fileiras, A, B, C, mais próximo ao palco. Eu vi melhor o fundo do palco e o cenário. (AL.3)

Percebemos, diante das falas que foi mais significante para os alunos quando eles ficaram próximos ao palco, onde tiveram a oportunidade de ouvir os ruídos ambientas que são fundamentais para a pessoa com deficiência visual compreender a obra em conjunto com a áudio – descrição. Observamos na fala da aluna 3 (AL.3) o uso de seu resíduo visual, que só foi possível, quando esteve sentada na plateia mais próxima do palco, constatando assim, a importância da pessoa com deficiência poder escolher seu assento para que possa, de fato, ter seu direito garantido enquanto espectador.

Segundo os dados coletados, após assistirem as peças teatrais com e sem áudio-descrição, os alunos relataram que acharam bastante interessante vivenciar a experiência. Disseram que estranharam o uso do fone e demonstraram dificuldade em graduar o som de forma a não atrapalhar a fala dos personagens e a sonoplastia da peça. Na primeira peça “Ary Barroso”, assistida com áudio-descrição, relataram maior dificuldade. Já na segunda peça “A comedia do ano” disseram estar mais familiarizados com o aparelho e conseguiram manter mais a atenção no espetáculo, apesar de ainda mostrarem dificuldade, como constatamos nos depoimentos abaixo:

1ª Peça “Ary Barroso -sem áudio-descrição”

No início da peça não entendi muito bem não. Depois é que eu fui entendendo um pouco. A roupa deles eu não percebi não. (A‑ 2)

Não sei como eram as roupas. Não sei que tipo (A3)

1ª Peça “Ary Barroso” – com áudio-descrição

Achei um pouco confuso as duas vozes e os sons da música. Mas foi legal ela falava o que tinha no palco. Às vezes não entendia o que ela falava. Tinha que prestar muita atenção, pois vocês iam perguntar pra gente na aula. (A- 1)

Uma experiência bem diferente e achei legal. Ter um aparelho para nós com deficiência visual falando aquilo que a gente não vê. Mas é difícil prestar atenção em tudo. Muita coisa eu perdi .( A7 )

2ª Peça “A comedia do Ano” – com áudio-descrição

A moça deu muitas informações. Eu achei melhor desta vez não me enrolei com os fones. Mas a peça era muito grande fiquei cansado de ter que prestar tanta atenção – (A1)

O fone ficou mais baixo desta vez. Deu para ouvir a música, mas às vezes não entendia. É muita coisa junto, fone e som do palco. – ( A8 )

Dessa vez achei melhor a áudio-descrição. Entendi melhor, percebi mais coisas da história. Ele encontrou uma mulher que parecia mãe de santo, quando ela falou da roupa branca eu pude deduzir melhor que era tipo uma mãe de santo. Mas tinha parte que eu não entendi o porquê a voz do fone falava rápido. – ( A 7 )

Ainda segundo os depoimentos coletados constatamos que os alunos apresentaram dificuldade em compreender alguns conceitos referentes ao figurino das personagens. O que podemos observar nos depoimentos a seguir:

-Falou que ela tava de blusa “tomara que caia”. Não sei o que quer dizer. A4‑

– As roupas tinham brilho e dourado. Como assim ouro na roupa?

Segundo Vygostsky (1998 ) a aquisição de conceitos é mediada por signos , particularmente, pela linguagem. Em relação ao desenvolvimento conceitual da pessoa cega a formação de imagens e conceito se dá pelo olfato, audição e tato e pela linguagem. A linguagem é a principal canal de informação para a aquisição de conceitos. Esta se constitui na forma de explicações, definições e descrições aonde vão se formando uma rede de significados se relacionando e (re)elaborando novos conceitos. Machado (2011).

Quanto ao número de personagens e suas caraterística constatamos que houve bastante duvidas neste aspecto tanto nas peças com e sem áudio-descrição o que podemos observar nos depoimentos abaixo:

Peça- “Ary Barroso” – sem áudio-descrição

A1-1- acho que são 3 homens e 3 mulheres

A3- são 5 personagens 2 homens e 3 mulheres

A6- Não sei quantos personagens sei que tinha o que fazia o Ary

Peça- “Ary Barroso” – com áudio-descrição

A1- Foram 2 homens e 2 mulheres

A3- 2 homens e 3 mulheres tinha uma loira. Eu acho A6- Não sei direito acho que 3 homens

Como as peças assistidas tinham muitos personagens e o fato de alguns atores atuarem com mais de um personagem levou os alunos a se confundirem pelo fato de descriminarem a mesma voz do ator como verificamos nos depoimentos acima. A áudio- descrição, nestes casos, tem que deixar claro o número de atores e suas personagens. Pois por mais que a voz do ator possa ser modificada, a partir da sua interpretação, a pessoa com deficiência visual percebe que é a mesma pessoa falando.

3.2 Filmes

Os alunos assistiram a um filme de ficção em DVD com áudio aberta, ou seja, gravada no próprio filme e 4 curtas- metragens documentário com áudio ao vivo, com fones. O primeiro filme “Xingu” foi em DVD com áudio aberta. Identificamos que a áudio-descrição com áudio aberta, ou seja, gravada no próprio filme, foi mais difícil de compreender em relação a áudio ao vivo, com utilização do fone. Segundos relatos dos alunos, observamos que tiveram dificuldade em distinguir as vozes das personagens da do áudio-descritor vindos da mesma fonte sonora, do próprio filme, além de não compreenderem o enredo do filme. O que constatamos nos depoimentos abaixo:

Filme “Xingu” – Brasileiro- Em DVD

Não entendi muitas vozes juntas que fala era o áudio- descritor

ou ele estava falando com o irmão (A 6 )

Achei difícil entender. É mais difícil que o teatro (A 8)

Não entendi muito o filme não sei explicar (A 9)

A música e os barulhos do filme ficava alto ( AL 7)

Quanto à compreensão de alguns conceitos, como na peça teatral, apresentaram dificuldade.

Depoimento dos alunos após o filme Xingu com áudio-descrição

Não entendi o que é letreiro. ( AL

Ele falou da mata fechada, o que é?( AL. 3)

Os irmãos se entreolham? ( AL2)

Segundo Lima (2010), é importante que o áudio-descritor evite utilizar palavras rebuscadas ou que tenha duplo sentido que dificulte a compreensão do público devendo ser uma linguagem clara e acessível para que haja a compreensão da obra.

Os outros filmes foram assistidos no cinema com áudio-descrição ao vivo, ou seja, com transmissão para fones de ouvido. Os primeiros dois filmes eram brasileiros onde, no fone, os alunos ouviam a voz da áudio-descritora. A voz dos personagens era ouvida diretamente dos alto-falantes do cinema. Entendemos que, pelo relato dos alunos, a localização dos sons ser diferente, um do fone e outro das caixas de som no ambiente, facilitou a compreensão das vozes. Relataram que distinguiram melhor a voz do personagem da voz da áudio-descritora, como podemos perceber nos depoimentos que se seguem: Filmes Brasileiros:

“De arteiro a artista: a saga de um menino com síndrome de Down” “Meu olhar diferente sobre as coisas”

 Eu gostei era a história de um grupo de pessoas com deficiência. Eu entendi que o menino gostava pintar e tinha deficiência. Dessa vez foi fácil com os fones. A2‑

Os outros dois filmes assistidos com áudio-descrição ao vivo eram estrangeiros. Vejamos a baixo o depoimento dos alunos a respeito dos filmes assistidos.

Filmes estrangeiros:

“Rótulos”

“Bruscamente interrompido”

– Eu não gostei acho que dormi no filme – A 2
– Muitas vozes juntas. Até outra língua- A 8

Observamos que os alunos gostaram da experiência com filme estrangeiro. Os alunos ouviam a áudio-descrição e a leitura da legenda em português pelo fone de ouvido. O áudio real do filme era ouvido na sala de cinema. Os alunos se mostraram bastante confusos em distinguir os diferentes sons provenientes de diferentes fontes sonoras, o que levou a não compreenderem o enredo

4-Conclusão

Os alunos relataram satisfação em conhecerem e utilizarem o recurso. Constatou-se, pela análise dos dados, que os mesmos apresentaram dificuldade em compreender algumas informações que foram áudio-descritas. Observou-se que nos filmes e nas peças teatrais assistidos com áudio-descrição ao vivo, ou seja, com o fone, foi mais fácil a compreensão e o entendimento do enredo. Inclusive pelo fato do aluno poder graduar o som da áudio-descritora conforme a necessidade. Já a áudio-descrição aberta, que vem gravada no filme, os alunos demonstraram bastante dificuldade e desinteresse devido a terem que prestar atenção na sonoplastia, na música e nas vozes das personagens vindos da mesma fonte sonora, dificultando a percepção da voz do áudio-descritor. Outra constatação é que quando os filmes são estrangeiros torna-se necessário maior atenção para compreender os diálogos ouvidos, nos levando a intuir, pelos depoimentos, que isto se deve ao fato de não estarem familiarizados ao uso do recurso. Concluímos ainda que usufruir da áudio -descrição requer um preparo para que possamos perceber e discriminar todas as informações vindas das obras como os diálogos e o que descrito, além da sonoplastia. Assim, acreditamos ser fundamental vivenciar a áudio-descrição na escola considerando a áudio-descrição como um recurso pedagógico. A escola deve propiciar ao aluno a apreciação de diferentes obras artísticas com áudio-descrição desde a educação infantil, garantindo-lhe, desde cedo, sua efetiva inclusão cultural.

5-Referências:

LIMA, Francisco José de; LIMA, Rosangela A. F. de. O Direito das Crianças com deficiência visual a áudio-descrição. Revista Brasileira de Tradução Visual (RBTV) Vol. 3, ano 2009. Disponível em <dainclusao.com.br/index.php> Acesso em 20 de agosto de 2014.
LIMA, Francisco José de; GUEDES, Lívia; GUEDES, Marcelo. Áudio-descrição: orientações para uma prática sem barreiras atitudinais. Revista Brasileira de Tradução Visual (RBTV) 2010. Disponível em <dainclusao.com.br/index.php> Acesso: 25 de agosto de 2014.
LIMA, Francisco José de; TAVARES, Fabiana S. S. Subsídios para a construção de um código de conduta do áudio-descritor. Revista Brasileira de Tradução Visual (RBTV), 2010. Disponível em <dainclusao.com.br/index.php/> Acesso: 28 de agosto de 2014.
MACHADO, Flávia Oliveira. Acessibilidade na televisão digital: estudopara uma política de audiodescrição na televisão brasileira. 2011. 180f.Dissertação (Mestrado em TV Digital: Informação e Conhecimento) –FAAC-UNESP, Bauru, 2011.
MOTTA, Lívia Maria V.M. e ROMEU FILHO, Paulo (Orgs). Audiodescrição transformando Imagens em Palavras. São Paulo: Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Estado de São Paulo, 2010.
VILARONGA, Iracema. Olhares Cegos”: A Audiodescrição e a Formação de Pessoas com Deficiência Visual. In: MOTTA, Lívia Maria V.M e ROMEU FILHO, Paulo (Orgs). Audiodescrição transformando Imagens em palavras. São Paulo: Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência do Estado de São Paulo, 2010.
VYGOTSKY, L. S. Pensamento e Linguagem. Rio de Janeiro: Martins Fontes, 1998.

Nota de rodapé

[1] Órgão da Secretaria Municipal de Educação responsável pela educação especial do Município do Rio de Janeiro

Como citar esse artigo [ISO 690/2010]:
Moraes Ana Beatriz Lago de Lopes Ana Maura Araújo Tavares Maria Cecilia 2015. Acessibilidade cultural: áudio-descrição em cena para jovens com deficiência visual [online]. [visto em 27/ 10/ 2020]. Disponível em: http://audiodescriptionworldwide.com/associados-da-inclusao/rbtv/acessibilidade-cultural-audio-descricao-em-cena-para-jovens-com-deficiencia-visual/.
Revista Brasileira de Tradução Visual

Este artigo faz parte da edição de número volume: 18, nº 18 (2015).
Para conhecer a edição completa, acesse: http://audiodescriptionworldwide.com/rbtv/rbtv-18-sumario.

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